Confissão de um assassino indie

18 09 2009

Tinha uma banda que eu gostava. Os caras eram locais, do meu bairro. Tocavam bem e era agradável. Até a minha barba por fazer coçava menos. Era uma influência meio Talking Heads, com algo da geração britpop dos anos 90′. O vocalista tinha um toque meio Damon Albarn e usava óculos de armação grossa. Era bacana, descolado e tinha pernas finas. Eu ouvia suas músicas da janela do meu quarto e parecia ser a trilha sonora dos meus dias, como se eles tocassem só para mim. Era uma versão indie da rádio Alpha FM que embala meus dias proletários no trabalho. Deixei de bater na minha mãe, diminuí as doses de Tarantino por dia e passei a ler menos Kafka. Até a MTV parecia menos ruim. Eles eram bons, só eu conhecia. Tão meus. Mas essas coisas não duram. Eles criaram uma página no MySpace e eu sabia que era o começo do fim. Eles estavam começando a se vender e perder a magia por dinheiro, fuckin’ money! Se queria grana, eu poderia entregar minha mesada mensalmente. Depositar em sua conta bancária ou pagar em bala! Não precisavam tentar o sucesso. Afinal, o que ele proporciona? Boas festas, garotas fáceis e uma vida fútil? Será que eles não aprenderam nada com Time To Pretend do MGMT? Eu via todos aqueles garotos de camisa xadrez e garotas de vestido de polka floodando a página dos meus artistas com mensagens de identificação e pedidos de show! E eles eram meus, sabe? Meus! Minha banda numa rede social, prestes a adentrar no caminho mainstream. Logo logo estariam formando bandas internacionais ou namorando menores de idade. Eu precisava agir antes que isso acontecesse. Não podia admitir que eles fizessem show para uma casa lotada, com quase 1.000 pessoas, cantando canções tão minhas. Tão nossas. Só nossas. Tomei a minha dose matinal de Sucrilhos com Gardenal, peguei uma fita K7 e um revólver 38, super vintage. Saí de casa com um propósito e determinação de A Noiva, de Kill Bill: manter os meus desejos indies intactos. Eu invadi o ensaio da banda na garagem. Fechei as portas. Apaguei as luzes. Brilhei no escuro porque tenho um passado clubber e fiz com que tocassem 4 músicas para mim. Inéditas. Como se fosse um EP. A voz assustada do vocalista sob a mira trêmula de um ruivo magrelo apontando uma arma era sensacional. Era única. Gravei em K7, que já tá bem old school. Vinil já deu o que tinha que dar. Ao final da gravação, dei um tiro no vocalista, na baterista e torturei o baixista com sessões de Coldplay sem fim. Segui a ordem da discografia e quando chegou em X&Y ele já havia se matado enforcado com uma echarpe indiana. Sentei. Coloquei a fita K7 no tocador em volume super alto. Ouvi sirenes da polícia lá fora e decidi que a cadeia não seria meu lugar. Meu rosto fica pálido em mugshots, não se usa xadrez na prisão e listras não favorecem o meu quadril. Deitei-me ao lado do amplificador, tirei do bolso uma faquinha de cortar rocambole Panco e cortei meus pulsos durante 12 horas ao som da minha EP favorita. Ah, o nome da banda e das músicas? Não falo! Elas são minhas! Google me, baby.





Como NÃO Flertar em uma Balada Indie

26 06 2009

Mesmo que balada indie seja um ambiente tão sexy quanto um orquidário em Brasilia, é possível encontrar o amor em um lugar que reúne xadrez e óculos sem lentes. Apesar da semelhança com festa junina, não há fogueira e é possível se jogar sem virar Joana d’Arc. Com o olhar um pouco atento, você pode observar a paixão surgindo em alguns cantos mesmo enquanto toca Klaxons.

Mas aí aparece o herói, aquele pequeno indie obstinado, que quer encontrar sair dali com alguém. Para ele, namorado de amigo é homem e, por isso, qualquer um pode se tornar um alvo fácil. No entanto, moleza não é alternativa, logo, é preciso conquistar alguém difícil e ele resolveu chegar no cara mais misterioso da balada.

Este cara se posicionava em um canto, fumando um cigarro de marca desconhecida, talvez, feito pela natureza. Olhar para ele era sentir a serenidade de um Clint Eastwood naqueles filmes que passam durante a madrugada na TV. Dava também para imaginar as bolas de feno passando, trilha country, vento do além. Blasé era pouco.

O herói tomou coragem em forma de vodca barata, engoliu a Natasha e foi.

Erro n.01: “Oi, tudo bem? De onde você é?”. “De longe…muito longe”, foi a resposta. Nunca pergunte de onde a pessoa é a não ser que ela tenha cara de gringa. Nesse caso, faça a pergunta em inglês ou espanhol. Eu costumo emular idiomas latinos quando desconheço a nacionalidade alheia. E acredite, quando alguém coloca reticências na frase, ele não está interessado e quando alguém diz que é de longe, a não ser que diga que é de “um reino muito muito distante”, não, ele não é o seu príncipe encantado.

Erro n.02: Nosso amigo resolve dançar perto na pista e observa que o forasteiro pouco mexe as pernas. Na verdade, o misterioso apenas balança levemente o corpo como se dançasse. Talvez fosse o álcool, mas certamente não era no ritmo da música. Eis que ele diz: “Calma, vai pra lá que você está muito perto, isso me irrita”. Além dessa frase identificar que ele não está acostumado com transporte público, mostra que seu corpo não está sendo bem avaliado. Nesse caso, não adianta fazer o garoto de mastro e encarar um pole dance. Tire o time de campo, com classe.

Erro n.03: Cansado de tentar agir sozinho, o herói pede amigo da cavalaria, que geralmente é composta por amigos que já beberam demais ou estão fora do mercado. O mais desinibido ajeita a camisa, injeta um pouco de ar na calça skinny e parte em direção ao escolhido para salvar o amigo: “Ei, gato…”. É interrompido. “gato não, porque gato é animal”. Tipo, FAIL. Sim, ficou feio. Sorria e acene e fique duas rodadas sem jogar.

Erro n.04: Última chance de jogar a simpatia, você não desiste. Compra uma bebida colorida para parecer descolado e toma de canudinho. Encara aquele sorriso super simpático de promotor de boa e solta: “Oi, tudo boooooommmmm?”. “Oi por que? Eu não te conheço, conheço?”. Hora de aproveitar a deixa do DJ e trocar de área da pista.

Acredite se quiser, há quem goste de estar solteiro, curtindo sozinho ou simplesmente não está a fim de você. Mesmo sem parecer, ele pode ser uma pessoa feliz, usar as suas endorfinas sexuais para o bem e a rabugice para espantar gente inconveniente. É uma prática de auto-preservação. E lembre-se: você não tem que provar nada pra ninguém. Preserve a sua integriodade. Caso contrário, nem São Longuinho vai te ajudar a achar a tua dignidade perdida no dark room da Tunnel. Sorry.

Dicas by MUFU, que, acredite, não era o herói!





Intimação Policial sobre Ipod Shuffle, Roubo e MGMT

16 04 2009

Poucas pessoas tem a alegria de receber uma correspondência em casa – com seu nome completo – que não seja conta a pagar ou aviso de inclusão no SPC. Para minha surpresa, recebi uma exceção a essa regra esses dias. Era um pequeno pedaço de papel, com meu nome completo escrito à mão. Seria uma carta de amor? Pensei. Provavelmente não, já que não tenho encontros românticos com alfabetizados há algum tempo.

Simplesmente não chega nada endereçado à mim no apartamento a não ser remessas internacionais de albuns indies que não vou contar quais são. Aliás, Felipe T. P. não consta nem na mensagem da secretária eletrônica, gravada por minha mãe. Além disso, já cheguei algumas vezes e não fui reconhecido por minha própria irmã, que estava ligadona em Fandangos sabor Queijo com seu filho imerso dentro do pacote.

Mas mesmo assim, abri o papel e lá estava a surpresa: era uma intimação! Eu deveria comparecer à delegacia onde fiz o reconhecimento dos ladrões que me roubaram o ipod e o smartphone, lembram? (leiam aqui, foi o melhor post ever) Aparentemente, a polícia queria novas informações sobre o caso e a minha presença era uma imposição. Tinha até hora marcada e tudo. Era um armaggedon anunciado e eu não tinha nem feito a sobrancelha.

Nessas horas, a gente entra em pânico. Comecei a me perguntar se tinha feito corretamente o reconhecimento dos meliantes. Talvez eu, tão afoito em ajudar o sistema e vingar o roubo, tenha me confundido e mandado para atrás das grades jovens inocentes que não tinham um bom alibi. Mas, se eu fiz certo, também posso ter punido jovens que fizeram uma burrada na vida, que simplesmente não resistiram à tentação de roubar um magrelo sardento que carrega ipods e celulares em ruas escuras após a meia noite.

Caso o erro fosse comprovado, eu seria condenado, usaria xadrez pro resto da vida, o que é bom por um lado. A minha mãe sempre me disse que sou bonito demais para ser preso. Não que eu não POSSA ser preso, mas que seria melhor se eu não fosse. É um problema ser bonitinho naquele lugar. Se bem que a situação me renderia novos posts e um livro, quem sabe. Ir na Oprah quando eu fosse mais velho e ouví-la dizer: “Good for you!” depois da reconstrução anal.

Com tanto arrependimento, levei quatro pedaços de bolo. Um para cada um dos assaltantes e outro para o tal ‘polícia’. Quis evitar levar uma rosquinha e dar margem à interpretações perigosas. Chegando lá, uma policial feminina me recebeu e passou meu bolo de chocolate pelo detector de metais, um outro, mais velho, me revistou e eu estava pronto para entrar na sala do delegado. Eu rezei para que aquela fosse a última vez que eu fosse tocado naquela noite e tem sido assim desde então.

Uma fumaça cinza pairava pelo ar da sala. Não era cigarro, era incenso. Eu podia jurar que ouvia Enya cantar ao fundo, mas era apenas a rádio sintonizada na Alpha FM. Ele tinha mãos delicadas e eu tremia. Suava. Parecia que o assaltante era eu. Ele tinha a frieza de um bom assassino saído de um filme de Tarantino e eu estava ali, pronto para dar uma de Carmen Maura em Almodóvar. Eu estava com meus tênis de fuga e poderia fácilmente passar pelas frestas de uma cela.

Mas, na verdade, o oficial queria me agradecer pela colaboração no caso. Ele disse que muita gente presta queixa apenas pelo boletim de ocorrência, mas deixa de comparecer à delegacia quando é chamado. A polícia prende de verdade alguns suspeitos e é preciso que a vítima faça  o reconhecimento. Se ela não o faz, o meliante (adoro esse termo) é solto e volta para a sociedade para ouvir axé e roubar smartphones.

Para minha surpresa, os três assaltantes não estavam presos. Dois deles foram encaminhados para projetos sociais que trabalham com jovens que têm problemas com crimes e drogas e o outro virou DJ indie e toca na Augusta. Sua canção preferida é Time to Pretend, a qual ele ouviu repetidamente no meu Ipod por não saber como pular a faixa no pequeno shuffle.

Saí de lá com o espírito mais leve. Contribuí para que o sistema funcionasse um pouco melhor. Dois dos assaltantes não foram presos, mas ganharam uma chance de recuperação e o outro virou indie e é bem possível que eu esbarre nele em alguma balada em um sábado a noite.

Aliás, mentir compulsivamente já virou crime? =)





A Ambição de Um Proletário: O Futuro do Estagiário

19 03 2009

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Quando se evolui de estagiário para funcionário, é como se uma nova etapa na vida tivesse início. Agora, você faz parte do corpo da empresa e será chamado de colaborador, empregado, recurso humano ou qualquer outra baboseira que é puro eufemismo para proletário.

Na verdade, a palavra proletário vem daqueles que trabalhavam duramente para alimentar a sua prole. Com o aquecimento global e aumento do uso de cuecas skinny, talvez você não tenha filhos, mas a realidade é a mesma. No entanto, com o ticket-refeição dá pra enganar o estômago. Há um restaurante perto do meu trabalho que chamo de Meio Quilo, pois com o que eu ganho de vale-alimentação, é só o que dá pra comer. 500 gramas, no máximo.

Ah, e tem o convênio também. Mas não se engane, no plano de saúde que você é autorizado a utilizar, o mais básico, há uma fila de espera enorme para marcar com o endocrinologista e dermatologista. A galera sai correndo achando que dá pra emagrecer tomando hormônios e tenta resolver a cutis antes do próximo verão.

Mas, com o tempo, esses benefícios se tornam pouco para você. O seu décimo-terceiro salário, na verdade, é menor do que o desconto do INSS dos seus chefes. O cartão de ponto tem uma foto que não te favorece e o porteiro continua te confundindo com o motoboy. Esta vida de trabalhador parece sem sentido e mobral.

Aí vem a ambição! Logo, você quer crescer, virar chefinho, ter alguém pra mandar. Chega um estagiário e voce pede que ele te prepare um café. Passa tarefas como organizar arquivos e regar as plantas do escritório para alguém que ganhe menos. Em pouco tempo, você deixa de atender o telefone e filtra os e-mails.

Hoje, eu sou uma pessoa que quer secretárias. Duas. Uma gostosa e burra, outra feia e grossa. E que quem me ligue tenha que falar com as duas antes de chegar a mim. E que nesse intervalo, toque uma musiquinha de caminhão de gás. Quero também uma sala fechada, pequena, com janela. E persianas nas janelas, para eu fechar quando chamar alguém lá dentro e for dar uma come.

Não se esqueça de participar da nossa “Promoção: Essa História daria um filme!”

Gostaria também de poder chegar no trabalho mais tarde, reclamando do trânsito. Trânsito aéreo, com o excesso de helicopteros que ocupam os céus como o meu. E sair mais cedo, falando que tenho consulta no médico enquanto minha mulher e minha amante me aguardam, nessa ordem. Contratar alguém pra fazer todo o meu trabalho e me enviar o meu e-mail, para aprovação. É isso que eu quero ser quando crescer: alguém que aprova as coisas. E você? Por um ambiente de trabalho mais Vitor Fasano.





Musa do Verão Indie – Guia da Sobrevivência Indie no Verão II

9 12 2008

 

 

"É..a musa do verão...indie!", como cantaria Felipe Dylon fã de Bob Dylan

"É..a musa do verão...indie!", como cantaria Felipe Dylon fã de Bob Dylan

Por Camila Santana

Se não é fácil ser homem no verão e indie, nós mulheres temos apenas que pedir desculpas e falar “oi eu posso!”. Pois é, pra mulher é muito mais fácil se vestir no verão…e no inverno…e em qualquer estação.

 As meninas indies só têm algumas regras a seguir, coisas bem básicas. Então vamos lá:

Lenço palestino – ESQUEÇAM. Meninas, com um calor de 30°C NINGUÉM fica fashion com um lenço. É sério. Fica brega, todo mundo sabe que você tá passando um calor danado, mas “tá bonita”. Estar bonita é estar confortável e nós vemos nos seus olhos que vocês não estão confortáveis usando o acessório.

Maquiagem pesada – outra coisa que fica horrível num sol escaldante. DER-RE-TE! A gente sabe que derrete, né? E borra…e fica feio. E daí você tem que retocar…Fora que é estranho. Um make leve não faz mal a ninguém. Você que cresceu lendo Capricho sabe que o make de verão é pra dar um ar de saúde, ou te deixar bronzeadinha artificialmente (ou não parecer uma anêmica).

Depilação – por favor, que a depilação esteja em dia. Shorts estão liberados, desde que o comprimento seja adequado. Leia bem SHORT e não calcinha jeans. Tudo tem um limite. Quando passa do limite fica vulgar. O limite, na minha opinião, é no meio da coxa. Saias também…Vestidos leves estampados ou lisos com um cintão. Regatas brancas com sutiã preto é muito last season. Por que não colocar uma regata verde com a alça azul do sutiã? Inovar galere. Uma coisa legal é usar tops ou biquini ao invés do sutiã.

Cabelo – se você tem cabelo comprido, por favor, rabo-de-cavalo? Meninas fica tão sexy…Pra que esconder a nuca? Coques e tranças são muito bem-vindos também.

 Pés – sandálias, all star, sapatilhas…só não use botas. Botas = inverno. Bota no verão é brega. Você não é a Kate Moss e não está em Londres.

Não exagere nos acessórios, pq se não vc corre o risco de ficar marcada, tipo relógio e sol: não combinam. Use e abuse dos óculos (wayferer, gigante, aviador…vale tudo). Use filtro solar [/bial]. Chapéu é legal também, só cuidado com o modelo, tem uns que só ficam bons no inverno.

 Fikdik.





Guia de Sobrevivência Indie no Verão

8 12 2008

 

O xadrez e o blasé em um verdadeiro hot hot heat

O xadrez e o blasé em um verdadeiro hot hot heat

Não é fácil ser homem. Garoto indie, então, tem a energia sexual de uma orquídea albina. Com a chegada do verão, ficamos deslocados, calorentos e sem sentido. Afinal, você nunca viu por aí alguma regata xadrez ou uma bermuda skinny realmente masculina, certo?

Preocupada em mantê-lo atualizado sobre a possibilidade de manter seu estilo nesse calor, o PinkEgo traz para você o Guia de Sobrevivência Indie no Verão. É importante manter a pose londrina, com o carão blasé e ar de fog mesmo a 30º C na Avenida Paulista.

Primeiramente, vamos começar pelo calçado. Todo mundo sabe que All-Star é bonito, é legal, mas não é feito pro calor. Os pés suam, as meias ficam tingidas e é o fim da mãe no tanque. Não vamos sugerir que você use papete ou sandália, claro. Elas devem ser queimadas como os porta-celulares de couro. Mas você pode, é claro, usar o seu Converse rasgado, furado, que proporcionará uma ventilação natural aos seus dedinhos do pé sejam eles 5 ou 6. 

Subindo um pouco mais, deixemos de falar das cuecas para abordar as bermudas. Tem gente que sente muito calor nas pernas e sairia por aí usando apenas uma camiseta. O que é bacana se você for uma garota, mas pode ser meio gay se você for um garotinho. Para evitar expor os seus gambitos peludinhos, use uma calça mais leve. Evite o jeans escuro que cozinha a pele. Bermudas xadrez são bem vindas, mas aprecie a moda toalha-de-mesa com moderação.

Atenção: bermuda masculina apertada não é legal. Lembre-se: você não tem bunda e o espaço que fica sobrando no seu traseiro só mostra o quão pouco de retaguarda que você tem e como sua carteira é pequena. Não queira parecer pobre e desbundado, que dá no mesmo. 

Camisetas à vontade, evite as regatas. Roupas masculinas tem que ter mangas. Tudo que não for bermuda, calça ou cueca tem que ter manga, seja você fortinho ou não. Aliás, se frequentar academia, caso raro no mundo indie, não acredite na máxima de que quanto mais forte você fica, menores tem que ser suas peças de roupa. Deixe o corpo respirar, for god’s sake! A turma que te acompanha no metrô agradece.

Na cabeça, o uso é livre. Quem usa boné, pode usar boné. Chapéu é valido também, só não vale usar viseira ou colocar os óculos em cima da cabeça. Você não quer parecer um cantor de pagode, certo? Lembre-se: se for parar parecer com um preso, imite Pete Doherty, não Belo, ok?

Enfim, se ajuste, se ajeite e se prepare para o verão. Se o Coldplay lançou um CD chamado Viva La Vida, porque você não pode encarnar o Ricky Martin tupiniquim e fazer seu Livin’ La Vida Loca (e não aLoca).





Indie que é indie tira férias na Páscoa

13 11 2008

vacation

Esta chegando a hora de pular as sete ondinhas, fugir dos trombadinhas na Praia Grande e enfrentar o caos aéreo do mosquito da dengue. Férias, pra muita gente, é motivo do comemoracao e descanso. Mas a gente nao. Indie que é indie deixa pra tirar férias em período alternativo.

O mais desesperador é saber que para qualquer lugar que voce va, provavelmente encontrará lá mais paulistanos do que em Sao Paulo. As pessoas fogem da cidade e se encontram no interior, na praia e principalmente em New York e dessa forma a gente nunca realmente deixa de ver aqueles que sempre esbarramos no metro.

Por um milagre da fertilidade, surgem aos montes pessoas em cantos antes vazios. Nao ha mais lugar a sombra. Em todo ponto, um cara sem camisa e alguma menina com um piercing badalando em um umbigo de uma barriga cheia de celulites. A garota de Ipanema, que Deus a tenha, se acabou em Fofura. Sim, o salgadinho.

Com ou sem gordura-trans, o que mais revolta é, naquele calor todo, sentar no quiosque e pedir uma cerveja vira uma epopéia de curta duracao, por mais que isso seja controverso. O diálogo com os nativos é sempre confuso e complexo.

Por isso, nosso conselho: Fuja das férias, seja diferente: vá trabalhar. Te juro que o telefone nao toca, o chefe está fora e o ticket refeicao rende mais. Sem ninguem no metro, voce pode até sentar. Nao vai ser queimado por cigarros bebados quando for ao Outs e a Funhouse vai estar mais vazia que sua casa em ceia de Natal.

A: Por favor, me vê uma Skol.
B: Senhor, acabou a Skol.
A: Me dá uma Brahma então.
B: A Brahma também acabou.
A: Que cerveja você tem?
B: Na verdade, acabou as cervejas, senhor.
A: Hmmm…me dá uma Coca Cola então.
B: A Coca acabou também, senhor.
A: Me dá um guaraná então.
B: Guaraná do que?
A: Como assim guaraná do que?
B: Guaraná de soda, guaraná de uva, guaraná de guaraná…
A: Claro que eu quero guaraná de guaraná né
B: Senhor, guaraná de guaraná acabou.
A: Grrrrr…me dá uma água então.
B: Água de quê, senhor? De coco ou água normal?
B: Grrrrr…

Deixe as férias para a Pascoa e siacabe em chocolate.