Supermercado, loucos e patinadores: a profissão do futuro

2 06 2009

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Você é o que você come e nenhum lugar no mundo é melhor para descobrir sobre a validade desta afirmação do que um Supermercado. De carrinho, cestinha ou levando na mão, todo mundo leva o que gosta de comer, o que precisa comer e o que gostaria de comer, mas que não come porque McDonalds é mais gostoso.

Esse lugar, calmo e pacífico, dedicado ao comércio de mantimentos e suprimentos, na verdade é um pararaio de doido. Isto é, em um bom supermercado, você pode encontrar todo o tipo de maluco, desde o que confere item a item da nota fiscal até o que fica apertando papel higiênico para levar o mais macio.

Em um dia de fúria capitalista, uma tarde bizarra, vi uma mãe colocar o filho chorão dentro de um carrinho e empurrá-lo até que o mesmo derrubasse uma pilha de ervilhas enlatadas. Enquanto a maioria dos consumidores não sabia se denunciava a mãe ou ria, nossas ações foram antecipadas por uma voz do além, que disse: “Colaboradora Nádia, favô recolher as lata caída do corredor 8”.

Quando somos crianças, é fácil se distrair na seção de doces e bolachas. Pegar os pacotes e tentar colocar no bolso ou esconder dentro do carrinho, sema mãe ver. “Leva esse, mãe” era uma frase que precedia a morte na época da havaiana de pau. Esses dias, uma amiga ameaçou bater no filho que não parava de abrir garrafas de refrigerante. A resposta do pequeno: “Bate que eu te denuncio por maus tratos e você vai parar com a mãe da Isabella”. Ponto para o garoto.

Mas mesmo assim, já vi adolescentes brincando de pega-pega perto dos congelados. Arremessavam refeições prontas Sadia uns para os outros e só foram interrompidos por uma moça, aparentemente esquizofrênica ou simplesmente mãe solteira de 5 filhos, que insistia e brincar de médico com um deles.

Há uns 10 anos, a profissão do futuro para mim era a daqueles rapazes que desfilavam pela loja de patins de 4 rodas. Era incrível a agilidade demonstrada por esses profissionais. Eu queria ser isso quando eu crescesse. Muitos deles ainda pensam assim, já que hoje, vejo homens de 40 anos de idade correndo atrás de um detergente com a elegância de um filme da Angélica.

Mas ver tanta gente doida pode ser facilmente esquecido pela graça de ceder um lugar a um velhinho na fila e descobrir que ele levou a família inteira para fazer compras. Ele dará um leve tapinha nas suas costas, daqueles de fazer cócegas no pulmão, e você volta a simpatizar com supermercados e seus habitantes.

Aliás, o que aconteceu com as sacolas plásticas dos mercados? As garrafas de 2 litros da Coca-Cola estão mais pesadas ou elas simplesmente estouram mais do que antigamente?





Grupo de Apoio para Usuários de Cartão de Crédito

20 05 2009
Ok, cadê o Cartão Vanessão, por Vinte Reais, que dê pra usári várias vezes?

Ok, cadê o Cartão Vanessão, por Vinte Reais, que dê pra usári várias vezes?

Pensamentos que precedem a falência:achei 50 reais na minha calça! Logo, vou comprar uma calça de 200“. Eles sempre vêm quando você está com o cartão de crédito no bolso. Como um pedaço de felicidade em forma de plástico, ele patrocina a tua compra de pequenos prazeres volateis e transformam qualquer frustração em presente. E o melhor, depois da compra, você ainda pensa: “Porque eu mereço!

Sim, você merece, e é maravilhoso! é ótimo poder se presentear, compar o que quer hoje. Pena que a fatura vem no final do mês e, provavelmente, nessa época, você não mereça tanto assim. O dinheiro já se foi, o presente está na estante, esquecido, e você já tem novos sonhos de consumo listados no Submarino.

Compulsão por comprar é algo terrível. É um sentimento que te preenche como nada nesse mundo. eu, por exemplo, valorizo cada sacola de compras, guardo os recibos em uma gaveta como prova de uma consquista financeira. Já os boletos, eu escondo e finjo que não vi. O legal é ter volume, ter bastante, ter diferente. Sair para olhar é chato. O legal mesmo é comprar.

Dessa forma, o shopping center vira um parque de diversões. De pretzels a sapatos, a resposta é sempre a mesma: “Você parcela em quantas vezes”? Depois que inventaram essa forma maravilhosa de dividir o quanto se deve, tudo fica mais barato. É nesse momento que você pensa que pode arcar com apenas 40 reais por mês. 40 por 40, já estou tão endividado que meu filho terá que pagar minha fatura como se fosse financiamente de imóvel da Caixa. Na verdade, não posso deixar de manifestar meu desejo pelo Cartão de Crédito “Vanessão”, com parcelas de ‘Fiiintcxhy Reais’, que podem ser usadas ‘Vaaaarias vezes’.

Por essas e outras razões, gostaria de propor a criação de um Grupo de Apoio para Usuários de Cartão de Credito. Ele seria responsável por colher depoimentos, experiências e frustrações dessas pessoas que não conseguem se livrar dessa praticidade do mundo moderno. Assuntos como compras, descontos e promoções serão estritamente proibidos para evitar a tentação.

Não, você não precisará quebrar o seu cartão nem cancelar a sua conta. Não é preciso ser radical.O ideal é que cada um aprenda a controlar o que gasta respondendo a três perguntinhas simples:

1) Eu realmente preciso disso?

2) Eu realmente amo isso?

3) Vou precisar me prostituir para junkies na Rua Augusta para pagar o preço disso?

Se, mesmo depois disso, você achar que vale a pena, compre. Mas não se esqueça: cartão de crédito nada mais é do que um empréstimo a curto ou longo prazo. E, a qualquer hora, a cobrança vai vir. Vale o estresse? Bom, se está em dúvida, como eu, entre para o Grupo de Apoio para Usuários de Cartão de Crédito. Meu nome é Felipe e estou há 23 dias sem fazer uma compra.