Would like to f***?

12 10 2008

Ok, desde que trepa-trepa, pega-pega e esconde-esconde deixaram de ser brincadeira de criança, parte da graça da vida foi perdida. A inocência se foi, é verdade, mas quando cócegas se transformaram em tesão, um novo mundo de pequenas e grandes coisas interessantes se abriu a nossos pés e mãos. Sem comer a fruta proibida seria impossível, por exemplo, curtir o projeto WLFT, do fotógrafo Rodrigo Novaes.

WLTF, ou Would Like To Fuck (joga no Babelfish), é uma publicação e projeto online fotográfico ao melhor estilo magazine, com um conceito editorial simples e simpático. Nas palavras do idealizador:

“Os colaboradores interpretam o tema da maneira que quiserem, não há nada que especifique como o tema deve ser explorado ou representado. O simples ato de me enviar uma imagem implica que aquilo é o que excita a pessoa, e com isso quando vejo as imagens tenho que aplicar à elas o “filtro” WLTF e tentar ver o que a pessoa que as enviou vê”, aponta Rodrigo.

Observar as fotos exibidas no site da WLTF é um exercício de reflexão sobre sexualidade e desejo sexual por meio de perspectivas de outras pessoas. Esse processo de interpretação, que é tão particular, de definir o que excita ou não, também levanta questões sobre a normalidade e o que realmente é sensual. Se é que há um conceito sobre esses termos.

As imagens contam histórias e, mais do que simplesmente retratar, revelam mais sobre o autor da foto do que ao fotografado. Não há filtro, não há temática ou consenso a não ser, simplesmente, WLTF:

“O que peço aos contribuintes é que sejam honestos com eles mesmos e que se permitam explorar seus olhares e desejos e que enviem tudo isso a mim para que depois eu possa reunir e fazer com que essas visões dialoguem umas com as outras. Nisso entra um dos conceitos centrais para a edição de imagens: a justaposição. É neste momento que as imagens começam a “falar”, contar suas histórias. Claro que o maior peso das imagens é sobre o corpo humano de alguma forma, e não aplico nenhuma regra de censura, não quero imagens que se limitem de acordo com os padrões do “bom gosto”, porque isso só produz imagens frias e distantes. Dentro da WLTF há muitas imagens que poderiam ser descritas como de mau gosto, mas dentro da justaposição elas adquirem novas formas”, fala o editor.

O fator X da WLTF, mais do que questão de gosto e desejo, é por ser um projeto que desvenda, foto a foto, um pouco daquilo que pensamos sobre sexualidade, sexo e desejo. Pelo olhar do outro, podemos descobrir o que atrai, ou não, e contemplar alguns guilty pleasures sem a menor culpa. Culpe o fotógrafo, leitor! E você, o que te excita?

WLTF: http://www.wltf-mag.com/

PEB: refletindo sobre minha própria sexualidade e aquilo que gravita no meu campo sexual (sim, eu tenho um), saí por São Paulo, com uma câmera na mão e uma idéia dentro das calças, digo, da cabeça, para registrar algo que me excitasse. Não encontrei. Sorte que acessei o Pink Ego e meus problemas acabaram. Resultado:





Palpites, Fiascos e Dicas em 5 tempos

24 06 2008

Johnny Depp como Sweeney Cruela De Vil Todd

Música

Ai gente, que boring. Todos os meus bocejoswhatever pra Bravo!

Tá, eu sei que vou apanhar. Mas heeeei, parou com essa de listar os melhores blá, blá blá, os melhores caras da música, os melhores ladrões de trepadeira, os melhores comedores de lingerie, os melhores artistas circenses incandescentes…zzzzzzz… né?

Cansei. A “novidade” da vez é uma edição especial com as 100 melhores obras da MPB. Te dou um dado? </tedouumdado> Daqui a pouco a galera da redação vai entrar numa vibe Caros Amigos na minha ex revista cultural favorita.

Beijoooosmeliguem!

Em tempo: Reafirmando que nóis é foda graçasaolúcioribeiro, a organizaçao do Tim Festival confirmou hoje (24) a presença de Klaxons, The Gossip e os jazzistas Sonny Rollins e Stacey Kent no festival. Estão confirmadas também as apresentações de Echo & The Bunnymen em Julho no Brasil.

Literatura

Considerado por muitos o maior escritor brasileiro em atividade, Milton Hatoum merece ir pra Academia Brasileira de Letras. Explico: Essa desocupada que vos fala teve a recente oportunidade who cares? de encarar uma sabatina com o ilustríssimo supra-mencionado. E o autor só faz encorpar o coro que diz que a idéia, o romance, sempre supera a realidade. Cheio de preciosismos filosóficos, sentenças radicais e respostas vagas, deixou a desejar. Decepção.

Pode entrar pra Academia e se tornar imortal em vida. Mas eu preferiria mais livros e menos teoria literária.

7ª Arte

Acaba de sair em DVD o filme “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”, última obra do diretor freak Tim Burton. Pra quem não viu, é uma boa oportunidade de conferir a sempre proveitosa parceria Burton-Depp.

Scary til death.

Artes Plásticas

O MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo) realizará a partir de 15 de Julho “Marcel Duchamp: Uma Obra que Não é Uma Obra ‘de Arte’“, a maior exposição de Duchamp já realizada na América Latina.

Serão cerca de 120 peças, incluindo seus mais importantes trabalhos. O evento terá “Duchamp-me”, algo como uma exposição dentro da exposição, reunindo obras de artistas brasileiros inspirados por ele.

Bom pros fãs de Arte Conceitual e pros desconhecedores interessados.

Fotografia e TV

Para aqueles como eu, aficcionados por fotografia, vai o acervo virtual da Fundação Pierre Verger. Para conferir, clique aqui. Um tanto desvalorizado em seu tempo, Verger foi um apaixonado pela cultura brasileira de raiz africana, fotografando todas as cenas que encontrou relacionadas ao assunto. Foi também um assíduo pesquisador do Candomblé, o que o fez lançar vários livros respeitados até mesmo na comunidade religiosa. Très interessant!

Pra fechar, essa é a semana do chororô. E aí, quem viu o final de temporada de Grey’s Anatomy? Ahn? Ahn?

Se não viu, corre pro download. O episódio é duplo, povo. 2 horas de McDreamy! 😀

Câmbio desligo.





Gonzo Times

10 06 2008

Gonzo, hehe

Tá na moda reviver a literatura da garagem empoeirada das reportagens. Esse ano comemora-se 40 anos do Prêmio Pulitzer que consagrou Norman Mailer como jornalista-literato em “Os Exércitos da Noite”. De olho nesse campo fértil da contracultura, a José Olympio Editora e a Conrad (AGAAIIIN!! – não trabalho pra eles, ok?) estão nessa de que a ocasião faz o ladrão e dão ‘presentes’ a seus leitores. A primeira lançou “O Grande Livro do Jornalismo”, uma reunião de 55 textos antológicos de nomes como o já citado Mailer; Twain, Steinback, Vidal, Orwell, etc. Além de interessante para os pseudo-jornalistas entendidos fãs do estilo, é valido também por dar um panorama de alguns dos acontecimentos históricos relevantes dos séculos XIX e XX.

Já a segunda organizou pacotes promocionais com dobradinhas escolhidas entre as principais obras de Hunter S. Thompson, como: “Hell’s Angels”, “A Grande Caçada aos Tubarões”, “Screw Jack”, “Rum – Diário de um Jornalista Bêbado” e o clássico “Medo e Delírio em Las Vegas”. Ideal para quem gosta de gastar o salário em uma livraria!

Em tempo: Por falar em Thompson – pai do Gonzo (não o aí de cima) – Johnny sua viúva Depp está envolvido no projeto da filmagem de “Rum”, onde viveria Hunter pela segunda vez. A primeira foi em “Medo e Delírio…”, com atuação elogiada. Tamo esperando, Willy Wonka!

PEB: Dizem as más línguas que vale a pena conferir a cuidadosa tradução de “Bonequinha de Luxo”, de Truman Capote, feita pelo teórico literário Samuel Titan Jr. e publicada pela Companhia das Letras.

Câmbio desligo.





Fã dos Pré-Globais

10 06 2008

Certos artistas, mesmo que não “globalmente” conhecidos, têm o dom de arrastar um pequeno grupo de fãs. Fiéis, na maioria das vezes. De repente, um boom e o livro vira filme, sai a nova versão ilustrada, a Bravo! descobre. Daí, quem era fã não tem mais como provar que já era fã.

Com Marjane Satrapi aconteceu algo parecido. Ela lançou em 2001, por uma editora independente, o primeiro livro sobre sua vida no Irã de 1979, época em que a revolução islâmica derrubou o Xá. A autobiografia foi contada primeiramente em quatro publicações separadas, quando já existia comunidade no orkut e leitores assíduos, mas comentários na mídia mesmo, quase nada.

Desde que foi lançada uma versão que compila todas as edições, no final do ano passado, Persépolis vem tendo um sucesso curioso no Brasil, já que se trata de uma história em quadrinhos sem presença de super-heróis. A autora já foi para o Estadão, Veja e até para o Metro, jornal gratuito distribuído nas esquinas de São Paulo.

Recentemente, seus traços inocentes e quase infantis viraram película e a nova versão de capa laranja ganhou uma faixa, anunciando que a história era inspiração daquele filme lá, do cartaz.

E todo o espaço é merecido. Para os sensíveis, é possível rir muito, chorar, um pouco, e se politizar, um bocado, com sua narração. Desde o início, quando a garotinha de 10 anos que cresce em uma família de esquerda não sabe porque precisa usar o véu islâmico na escola e compra vinis de rock escondida do governo, até seus 26, tempo em que já foi e voltou de uma longa viagem na Áustria, vendeu maconha na escola e passou por um casamento e uma separação.

Marjane gostou da idéia de desenhar seu mundo e acaba de lançar Frango com Ameixas, contando a história de um tio revolucionário que se matou antes que ela pudesse tê-lo conhecido.





Kurt Halsey

7 06 2008

Kurt Halsey

“Influenced by my hopeless romantic and super sensitive mindset, I pay far too much attention to the little things in life and in the relationship between two people.”

Há alguns meses atrás [ou um pouquinho mais, vai..], era algo de estranho quem conhecesse esse nome. Hoje, depois de ver a imensa quantidade de sites não-oficiais, blogs e flogs de gentes que se dedicam a postar imagens dele, presença em sites de vendas-de-tudo-quanto-é-coisa [incluindo, mas não somente E-Bay] e outros tantos montes de referências em blogs de tudo-quanto-é-tipo-de-gente, o estranho é encontrar quem não tenha ouvido falar ou visto algo desse cara. O trabalho dele é bem bacana e tal, mas só isso não é o suficiente pra explicar por que tanta gente curte tanto, e mais do que isso, por que tanta gente faz tattoo dos trampos.
Primeiro de tudo, ele ressucitou de uma forma muito boa os cartões postais. Não que isso seja mérito somente dele, nem é o objetivo aqui questionar se isso surgiu da cabeça do Kurt mesmo ou se foi inspiração de algum outro canto. A questão mesmo é o jeito que ele faz isso.
O tema constante [quase onipresente] é a questão dos relacionamentos: as pequenas coisas, impressões e marcas deles. O que pega forte e que faz tanta gente gostar é o estilo “singelo” em que é feito isso: os postais quase sempre acompanham frases soltas escritas “à mão”, o traço é limpo, simples, e as cores sempre “rimam” e criam uma paleta muito própria. O tema  em si e a visão dele geram isso, e o trabalho que sai daí é algo de sincero e muito, mas muito pessoal, ao mesmo tempo que faz com que um bocado de gente se identifique e poste algo do tipo “Me desculpem,mas os desenhos não são meus. O autor se chama Kurt Halsey,do qual admiro muito.O traço dele é diferente e combina comigo.”[sic] Quer mais?
Outra coisa bacana é a própria atitude dele que reforça tudo isso: os postais comprados pelo site vêm num envelope endereçado por ele mesmo à mão, e ele não se preocupa em colocar tudo o que ele tem no site ou catalogar as coisas e atribuir direitos. Nas palavras dele:
“My “work” section is currently just a selection. Where is all the old work? It can all be found on the first page of Google results, so there is no sense in me spending the time to catalog it all here under my name. Better for me to enjoy where I am at now in my life as opposed to defining myself through what I used to yearn for and obsess over. You know how you really want your favorite band to play that song you love from their first album and they don’t cause they’re just into other things now? I guess it’s kind of like that. It’s weird.”
Como referência, ele se “encaixa” em todo esse lance indie e twee pop, sabe? Uma coisa meio Belle and Sebastian, meio trilha sonora de Juno. Toda essa cultura “alternativa” no seu lado bonitinho-e-depressivo-em-cores-pastéis-e-listras de se ver a vida.
Enfim, o conjunto todo [além do grosso da produção que são os postais] é muito bom e vale a pena ser visto e até comprado, para quem gostar: a impressão é de boa qualidade e não demora nenhum absurdo pra chegar.

Site Oficial, Fotolog, Fandom, Entrevista, Multiply alheio, Google Imagens

Para ler ouvindo: Belle And Sebastian – The Boy with the Arab Strap

Em tempo: Ele está em exposição no Art Star – Filadélfia – até o dia 13. Hoje, dia 07, marca presença pessoalmente até as 21h. Corre que dá tempo!