Casa nova

5 05 2012

O conteúdo deste blog agora mora junto com tudo que já escrevi em uma nova casa: http://www.dramaking.org

Espero que gostem =)





Desabafo de um homem com medo de barata

17 12 2011

Eu admito. Sou homem e tenho medo de barata. E não me adianta dizer que elas tem muito mais medo de mim do que eu delas. No que isso me ajuda? Usar esse argumento vai fazer alguma barata sair da minha frente pacificamente? Pois duvido.

Você pode ter certeza: enquanto lê este texto, uma barata te observa, uma outra planeja entrar em sua casa e a terceira se esconde dentro do seu armário. Baratas são malvadas. Elas são feias, cascudas, ágeis, furtivas, mal-caráter e são feias. Vale a pena repetir. Tenho tanto medo de barata que quando vejo uma não consigo matar. Fico imóvel. Nada de escândalo. Nada de sair correndo. Não me movo. Faço uma oração e peço a Deus para que adiante a hora dela de chegar ao céu das baratas.

Certa vez, estava eu sozinho em casa em uma noite de calor. Janela aberta, programação dominical televisiva e um estado letárgico de coçar a barriga. Eis que vem ela, voando pela janela, dando voltas na sala. Você já tentou matar uma barata voadora? Você joga o chinelo, ela vai para trás do sofá. Você a localiza no tapete, corre para pegar o inseticida e ela some novamente. É um horror.

Está na hora de parar de pintar Satanás como um diabo vermelho e começarmos a imaginá-lo como uma grande barata. Na busca pela morte do inseto, joguei tanto inseticida na sala que comecei a ficar tonto. Minha língua formigava. Minhas mãos também. Visão turva. Eu via duas, três, quatro baratas. Uma infestação causada por intoxicação. Pedi ajuda a amigos, fui para o hospital, tomei remédio, voltei pra casa e a barata estava ali, linda, caminhando pela luminária. Parecia um vaga-lume marrom. Porque barata é assim. Você acha que matou, mas não matou. Barata a gente só sabe que morreu quando acha o corpo. Totalmente imóvel. Se tá mexendo a perninha, tá vivinha. Ela parece indefesa virada de ponta-cabeça, não parece? Não se engane.

Baratas de rua são mais safadas. São marotas. Você tenta pisar nela, leva um olé e ela vem correndo na sua direção. Para evitar a subida de perna do inseto, você corre para trás, praticando o moonwalk enquanto ela ri da sua cara. Sabe como barata ri? Ela mexe aquelas anteninhas. Quanto mais se mexem as antenas, maior é a gargalhada.

Barata é um ser incrível. Você nunca encontra uma se alimentando de algo. Você não encontra ovo de barata. Você não encontra casa de barata. Você não encontra baratas conversando. Barata surge. Barata surge baratinha e leva uma semana para crescer. Uma semana! Algumas, escolhidas a dedo pelo destino, possuem a habilidade máster de voar. Mas claro, não é um voo claro, direcionado. Barata voa como bicho bêbado. Adora cabelo de mãe, perna de tia, copo de dentadura do vovô. Tem espetáculo para toda a família. Barata é uma praga. Sobrevive a chinelada, inseticida e bomba atômica.

Mato mosquito, abelha, lagartixa e, se bobear até rato. Mas se me aparece uma barata, corro logo e pego o veneno. E tomo. Medo demais para tentar matar esse bicho.





Meu Primeiro Livro: Coleção de Pequenos Pecados Amorosos

31 08 2011

Difícil é dividir a vida em capítulos. A cada frase, uma escolha. Combinam-se um número de parágrafos, frases de efeito, ações do personagens principal e, no final, esperamos que tudo aquilo faça sentido. Sentido para quem?

Tratar experiências amorosas como páginas de um livro traz nostalgia. Revisitar diálogos de amor espalhados por interrogações de dúvidas. Revisitar também, um a um, cada um desses trechos de pecados amorosos permite, mais do que o registro, o cumprimento de uma pena. Uma expiação. Deixar de frequentar condenações auto-impostas e rever, com mais carinho, tudo aquilo que foi produzido por você mesmo.

Foi assim que eu resolvi lançar meu primeiro livro, Coleção de Pequenos Pecados Amorosos, de forma independente. Antes publicado como seriado-literário no Kiss&Yell, agora disponível para compra em formato e-book e livro impresso pelo Clube de Autores. Nele você vai encontrar trechos de textos já publicados aqui no Neonico, mas com muita coisa nova.

Estou sorteando dois livros autografados e com um capítulo escrito a mão pelo Twitter. Para participar, precisa me seguir (@felipeluno) e twittar: “Quero ganhar o livro Coleção de Pequenos Pecados Amorosos que o @felipeluno está sorteando”. O resultado sai dia 9 de setembro!

Para mais informações sobre o livro, clique aqui. Espero que gostem 😉





Sobre como eu não morri

27 09 2010

Alô você!

Não, eu não morri. Só mudei temporariamente de casa.

Enquanto o PinkEgo segue desativado, você pode acompanhar, se quiser, textos meus aqui:

http://www.kissandyell.org

http://www.neonico.com

Além do twitter: www.twitter.com/felipeluno

😉





Visita à dermatologista, pílulas anticoncepcionais e o medo de virar filho da Cher

14 05 2010

Um dia desses, eu acordei com uma espinha maior que o meu bíceps. Tentei estabelecer um diálogo, mas ficou claro ali que não haveria amizade, muito menos convivência pacífica.

Eu sofro de um mal cotidiano. Meu tipo de pele e de barba são incompatíveis. Ou seja, quando o fio está crescendo, ele abre caminho pelos poros, ignorando qualquer senso de gentileza e sem uso de lubrificante. Literalmente, a minha barba come o meu rosto, no pelo.

Era hora de resolver isso. Colocar um fim a esse sofrimento cutâneo. Tenho uma dermatologista boa. Ela não possui marca alguma no rosto e Deus sabe como eu procurei. A mulher é impecável, muito boa mesmo. Se ela tivesse levado medicina à sério, poderia até ter sido cirurgiã.

Visitá-la é sempre uma aventura. Desviar dos adolescentes e suas espinhas da puberdade, suportar o cheiro das toxinas botulínicas que evaporam do rosto das madames e encontrar um lugar ali, entre a adolescência e a velhice. Alguns chamam de idade adulta. Eu chamo de metrossexualidade. Minha mãe chama de viadagem.

A fila de espera é longa o suficiente para que eu conte todas as minhas sardas e chegue a conclusão de que somando todas dos presentes ali, eu ainda ganho. Entro na sala, ela não me cumprimenta com a mão, porque é limpinha, mas manda um beijinho, por meio de sopro, como Bicha Muda faria.

É extremamente constrangedor conversar com esse tipo de profissional. Enquanto você fala, ela varre o seu rosto com os olhos procurando imperfeições. E acha, claro. E faz cara feia, claro. Acho que deveria ter um terapeuta e uma assistente social ao lado da dermatologista. Quando termina a consulta, eu perco a vontade de viver. Sempre.

Ela levanta, abre o armário, tira um bloquinho e começa a anotar. Anotar. A mulher não para de escrever, como se estivesse recebendo o espírito de um Chico Xavier fundador da Neutrogena. Algumas laudas depois, ela me entrega o bloco.

Vou lendo e lendo, ácido daquilo, hidro-nãoseioquê, até que vejo um absurdo: Pílula Anticoncepcional Yasmin. Procurei não tomar aquilo como ofensa pessoal. Levantei, fui até a porta para confirmar se a placa não tinha mudado para Ginecologista. É, não tinha.

A doutora me explicou. Aparentemente, esse tipo de medicação altera os níveis de hormônio no corpo, produzindo uma melhora na pele e no cabelo. Eu sempre achei que essa evolução no visual de quem toma viria da despreocupação com a possibilidade de ter filhos, mas não. Ela disse que é cientificamente provado e que já saiu na veja.

Fui à farmácia mais próxima e resolvi comprar. A atendente me olhou estranho, o que eu entendo. Para disfarçar, comprei camisinha também. E lubrificante, para deixá-la achando que eu faria o bacanal do mercado de peixe.

Agora, caros leitores, estou aqui, no trabalho, com pequenas pílulas de nome feminino me encarando. E aí, tomo? Não tomo? E o medo de rolar toda aquela vibe filho/filha da Cher. Eu não quero criar seios. Eu não quero criar ovários. Se eu ficar mais feminino, menos masculino, terei que abandonar aspectos da minha personalidade que eu realmente gosto, como jogar futebol, falar mal de Grey’s Anatomy e chacoalhar depois de fazer xixi.

Fico aqui, estacionado diante da possibilidade de ter uma pele linda, mas sob o risco de ser chamado de Felipa Luna, ou continuar como estou e observar silenciosamente fios de barba violando a pureza da minha cútis. Que faço, Brasil?





Passando a vez.

7 05 2010
Hoje, não é fácil escapar dos jogos, desses peões coloridos, pulando de casa em casa, sem medo de ficar duas ou mais rodadas sem jogar. Se é sorte encontrar quem não guarde cartas na manga, azar de quem tem medo de lançar os dados.
Hoje, eu sei que posso passar minha vez sem temer ficar pra trás. Sei que há mais nesse tabuleiro do que o fim, o dinheiro e o bônus. E mesmo quando o adversário é a pessoa mais próxima, há companhia e nunca um inimigo.
Hoje, eu sei que há você, você e eu e algo no meio disso. E que por mais que outros possam tentar blefar, enganar ou conspirar, o que é natural não se perde porque é simples, inteiro. Ponto nosso.
Hoje, eu sei que é verdade que o amor é desigual. Que os sentimentos são diferentes, se complementam, se encaixam e se fazem completos na hora certa. E sei também que, se há aquele que ama mais que o outro, que seja eu este sortudo então. Porque é muito bom amar. Sua vez.




O Manifesto do Amor Igual e o Termo de Revogação das Expectativas

4 05 2010

Há aqueles que se afogam em culpa, mergulhados em arrependimentos e tristezas. Com mágoa até o pescoço, são incapazes de dar um passo em direção à costa. Eu resolvi nadar e escrever um SOS bem grande na praia. Mas não espero salvação alheia. Não torço por respiração boca-a-boca. É hora de secar ao sol e andar na areia.

Eu não sei gostar. Acredite, isso é pior do que não saber amar. O amor é algo mais raro, leva mais tempo e é direcionado. O gostar é comum, faz parte da rotina apreciar a alguém ou a alguma coisa. Eu queria a calma e o tranquilo conforto de quem sabe onde está. De quem sabe curtir as coisas como elas são, de ter um pouco de surpresa, em vez de enfrentar frustrações cada vez que as coisas não saem como planejado. Em aproveitar as coisas como elas são, não como poderiam ser.

E para isso talvez seja preciso guardar as expectativas dentro de uma caixa. Você pode abrir, vez ou outra, pra arrumar a rota e lembrar do que realmente te faz falta. O que não dá é se aprisionar dentro desse baú de memórias não-vividas. Criar duas vidas paralelas: a que acontece, e a que falta.

Nessa intensidade de querer tudo ao mesmo tempo, de precisar de provas, atitudes, declarações, manifestos, acordos, relatórios e feedbacks, sobra pouco espaço para o espontâneo. Sobra pouco espaço para o acaso. E aí, nesse caso, o caminho é sempre certo: todas as suas relações se parecem umas com as outras porque você age da mesma forma.

Então é preciso romper o padrão. É hora de se expor, de aceitar que ninguém morre de amor, que é possível acreditar nas possibilidades, que a vida é baseada em sintonia e que é assim que as pessoas e situações são atraídas à você. E que a base disso é não deixar perder o aprendizado do que já passou. Aprender a perdoar não é livra o outro da sua mágoa, é cicatrizar a própria ferida. É desfazer o nó.

Sempre se pode culpar ao outro por não corresponder as expectativas, por não indicar caminhos claros de como as coisas serão daqui pra frente e por omitir verdades. Eu resolvi aceitar pra mim que, na maioria das vezes, as pessoas não vão agir como eu quero. E que aí, dado o resultado dessas ações, cabe a mim decidir se posso conviver com o que se passa, ou se trata de algo inaceitável. Em basear o futuro em escolhas, e não expectativas.

Parece que quem procura se encher daquilo que lhe falta acaba encontrando mais espaços vazios do que aquele que transborda daquilo que lhe satisfaz. Não quero pra mim complementos, muletas, não quero preencher os espaços vazios. Quero estar cheio e abundante daquilo que me faz bem.

Se você está na praia, você sabe onde está. É naquele trecho do mapa, exato ponto, que une o azul ao amarelo, o mar à terra, o contorno da costa. Não há trilha fácil. Se vai caminhar pela areia ou pela água, a escolha é sua.