O SPAM Nosso de Cada Dia

19 08 2009

spam2

É fácil imaginar pequenas criancinhas da Indonésia sendo obrigadas a disparar e-mails para mailings enormes aos cinco continentes. Aliás, ainda são cinco ou um tsunami já engoliu algum? Com a enorme quantidade de informação que é enviada botão a botão, é mais fácil tirar todas as teclas do seu teclado e substituí-las pelo DELETE.

Tudo bem, a gente sabe que existem robôs desenvolvidos por engenheiros de software gordos e mal-amados que fazem esse trabalho automaticamente. Mesmo assim, é melhor acreditar que há um certo toque artesanal naquele SPAM que você recebe e gostaria de xingar, pessoalmente, o filho da puta responsável por tomar aqueles segundos do seu dia.

Na verdade, hoje a gente não pode mais reclamar de caixa de e-mails cheia. O Gmail já se antecipou e criou um reservatório inesgotável de mensagens indesejadas. O que irrita mesmo é que a lógica é certa como no seu quarto: quando mais espaço, mais lixo.

É fácil acreditar que 80% dos SPAMS sejam sobre remédios para ejaculação precoce. Sua vida sexual comprova isso. Não por sua culpa, claro, mas por experiências compartilhadas com outras pessoas. De outro lado, se o Catho realmente tivesse 180 mil empregos novos a cada mês, era o fim do desemprego no Brasil, não?

Sinto saudades de uma Internet mais ingênua, quando chegavam mensagens sobre um rei deposto da Nigéria que queria transferir uma enorme quantida de dinheiro para sua conta ou sobre Ana, a garota que nasceu sem ossos, e que precisava de transfusão de sangue e doações em Euros.

Hoje, três assuntos dominam sua caixa de mensagens não-solicitadas: pênis que não fica duro, remédios em promoção e fotos da Sandy pelada. Com isso, é hora de decretar: a internet chegou à Terceira Idade. Logo logo chega o Mal de Alzheimer e a gente não vai lembrar o que está fazendo por aqui. Será que é por isso que inventaram o Twitter?





Você é Emocionalmente Promíscuo na Web?

24 07 2009

internet love

Se a  dor é inevitável e a monogamia opcional, para quem é emocionalmente promíscuo, carinho é melhor que sexo e é importante que alguém ligue no dia seguinte ou mande um scrap para agradecer uma gentileza. Se você ainda for neurótico, pode passar a noite revirando históricos de MSN em busca de demonstrações de afeto de bots e fakes.

Antes da internet, ou pelo menos na época em que banda larga era cara, mas funcionava, nosso grupo de relações sociais era pequeno e limitado. Os contatos eram telefônicos, apenas quando você estava em casa, ou aos finais de semana, em encontros com pessoas que você já conhecia e tinha intimidade.

Hoje, a gente marca de sair com pessoas que nunca vimos antes e seguimos a rotina de estranhos pelo Twitter. Se o vício em se manter socialmente ativo é forte, como a gente faz para não se envolver tanto com essas pessoas que estão tão digitalmente presentes em nossas vidas?

Não é uma tarefa fácil, já que a rede possibilita que você encontre pessoas com quem tem grandes afinidades, gostos em comum e você não precisa mais aturar aquele colega de sala que gosta de Britney Spears enquanto você é fã de Christina Aguilera. O ato de deletar essas relações denecessárias torna ainda maior o apego que a gente nutre por quem desperta um constante interesse. Afinal, mesmo que você conheça alguém pela internet, sempre haverá algo mais a revelar, não? Nem tudo é dito numa janela de MSN.

Aí que vem grande parte da crise de abstinência dá quando ficamos offline por muito tempo. É uma versão moderna do “ver e ser visto”. É o ato de ter seu blog lido, de acompanhar os tweets de alguém, observar o que andam ouvindo e chorar as suas mágoas no subnick do messenger. Não se trata de uma falta da WEB, da tecnologia, mas sim de encerrar aquela sensação de “estar perdendo algo”.

E é assim que eu me vejo cada vez mais envolvido com pessoas que não conheço, a ponto de ter amigos de verdade que nunca vi pessoalmente. E que talvez nunca veja. E que talvez também eu não precise ver. Mesmo que certas verdades não passem pelos bytes e pixels de um computador, essas relações tranquilizam e fazem com que você veja que pode, sim, ser você, sem medida ou grau. E que, se for rejeitado socialmente, pode deletar e recomeçar com outras pessoas, por mais freak que seja.

Se os problemas e preocupações são compartilhados, você constrói uma rede cada vez maior de contatos. Digitais? Sim. Se você souber não perder a auto-crítica e uma certa dose de senso comum, pode encontrar solidariedade e afeto de verdade e amizades que sejam eternas enquanto dure a conexão.





Sleep Drunk ou Vida Sexual Digital Aleatória na Madrugada

8 07 2009

internet_dog

A internet realmente revolucionou o mundo. Criou amizades à distância, tornou possível ver pornografia sem que o jornaleiro soubesse algo sobre a sua sexualidade e até faz com que pessoas feias sejam famosas no meio digital.

Se, durante o dia, parece algo criado por Deus para que as pessoas sejam mais felizes e finjam trabalhar em horário comercial, à noite, a gente sabe muito bem que ela tem uma única finalidade: sexo (ou a procura do mesmo).

Eu sei que você é bem intencionado. Consigo imaginar seu quarto, a cama bagunçada, os sapatos jogados pelo chão e como você gostaria que tudo isso fosse um cenário pós-sexo. Mas não é. É apenas você, com insônia, procurando amigos para conversar.

Sei também que não é sua culpa quando você entra no UOL e ele oferece banners de sites eróticos com modelos da Playboy de 1988. Procura no Google por subitramina e ele te oferece camisinhas coloridas e os anúncios relacionados do teu Gmail trazem garotas de programa à preço de cesta básica. Soa tentador.

É quase possível sentir o cheiro do desespero. O Twitter fica mais sensual, aquelas pessoas ocupadas durante o dia se tornanm disponíveis no MSN e até mesmo os SPAMs ficam mais atraentes.

É como se, depois da meia-noite, a internet virasse um parque de diversões para insones. A gente sabe que não há nada melhor que aquele soninho pós-coito, mas se você não consegue dormir, conecte-se e adote um estranho. Tenha um papo estranho e depois diga que estava “sleep drunk”. Lembre-se: promiscuidade não existe, o que há é vida sexual aleatória.E quando é pela a internet, a chance de um carinho depois é maior. Deve rolar pelo menos um emoticon.





Pessoas que você não deve adicionar no Orkut e Como Odiar Amigos Sem Culpa

10 06 2009

Eu sonho com um dia em que surgirá uma comunidade ou blog que sirva para que você possa dizer o quanto odeia seus amigos e conhecidos. Funcionando como uma espécie de Burn Book, do filme Garotas Malvadas (Mean Girls), você pode despejar ali o quanto sente repulsa por uma pessoa e ver a sua raiva compartilhada por outras pessoas. Assim, sem bullying, sem flame wars, apenas o ódio mais puro em sua essência católica reprimida. Teu terapeuta agradece e poderá cancelar a consulta que agendou com o psiquiatra.

Se o Twitter talvez servisse para isso, acabou virando um agregador de mimimi, com pessoas reclamando ou dizendo coisas que estão fazendo, enquanto deveriam estar trabalhando ou pagando impostos. Pra ser sincero, se o Orkut é vitrine e a minha rede social dos sonhos é para o ódio, o Twitter permite que as pessoas digam o quanto elas pensam em sexo durante o dia, em 140 caracteres. E, muitas vezes, com seus amigos. Isso sim é interação social. Habeas corpus, meu filho. Saia da prisão da internet e arranje um motel!

As redes sociais proporcionam situações bizarras que fariam Stalin se sentir desconfortável. Filtrando tanto assim, sobra poucas pessoas e, provavelmente, elas também não encontrem motivos para me adicionar. Eu não as culpo. Não tenho fotos sem camisa, mas já coloquei um raio-x do meu pulmão digitalizado, que é quase a mesma coisa. Mesmo assim, ainda acho que o Orkut cumpre sua função, que é a de fazer você conhecer muita gente estranha na internet para acabar valorizando os amigos que você já tinha antes disso. Para todos os efeitos, vamos à breve lista:

Foto de bebê no perfil: Tipo, sério? Foto de bebê? É você, é seu filho, é alguma criança que você roubou da creche Tia Vilma? Está querendo provar para as garotas que é bom com bebês e que pensa em ter filhos? Olha, pra mim, soa algo meio Michael Jackson. E, na boa, algo de bem ruim deve ter acontecido durante a sua vida para que a melhor foto que você tenha seja de 20 anos atrás. Tudo bem, não julgamos as pessoas por cortes de cabelo ruins ou escolhas infelizes de maquiagem, mas foto de fralda, não. Não é bonitinho.

Orkut de perfil duplo: Tudo bem, você está namorando e quer dizer ao mundo todo isso com a delicadeza da letra de um funk em braile, mas não é por isso que você e sua namorada precisam usar um perfil único no Orkut. E se eu não gostar dela, preciso me referir aos dois quando eu for deixar scrap? Tenho que perguntar “Tudo bom com vocês?”, porque olha, no Brasil, usar plural é mais caro. Guarde suas fotos compartilhadas para o seu album. Seus amigos são seus amigos e os dela, dela. E quando terminar, como faz? Os dois fazem novos perfis e me adicionam de novo? Acho que não. Se há mais de uma pessoa na foto do perfil, já presumo que a pessoa tem amigos suficientes e não precisa de mim.

Pessoas sem camisa: A não ser que você tenha um terceiro mamilo ou não tenha umbigo, desculpa, amigo, mas não há nada de interessante no seu peito nu ou barriga de fora. E um aviso: quando seu peito pode ser usado como apoiador de copos, este é o ponto em que você para de usar anabolizantes, ok? Aliás, aquele remedinho azul que você está procurando chama Viagra. Tome 2 ao dia pra se fortalecer para o final de semana.

Família: Acredite, não é legal receber um recado: “e aí primo, vai na festinha da tia joana no sábado?”. Tudo bem, você vai na festa, mas seus amigos não precisam ficar sabendo, né. Isso acaba com qualquer desculpa de bolso vazio, febre alta ou que esqueceu o celular dentro da bolsa. Família e orkut não combinam. Já vi parentes se pegarem, no mal sentido, porque não se atribuiram estrelinhas de confiável.

Gente muito sorridente: Ora, ninguém realmente inteligente pode ser muito feliz em um mundo com crise econômica, aquecimento global e redes sociais que não exigem teste de alfabetização. Não é que eu odeie pessoas. Eu até gosto delas. Prefiro as vivas do que as mortas. Elas riem mais. Se bem que tem muita gente viva que não ri. Eu gosto mais dessas. Valorize seu sorriso. Use com moderação.

Eu: Felipe Luno não gosta de pessoas. Elas ocupam espaço na balada, estão antes de mim na fila do banco e, quando muito velhas, cheiram a naftalina, quando muito novas, a leite azedo. O mundo seria um lugar melhor sem as pessoas. Eu poderia remover os avisos de “não pise” na grama e ir sentado no transporte público, sem trânsito. Se bem que o ônibus não ia andar por falta de motorista, mas aí é outro problema…





Herança Digital e Para Quem Fica Seu Username Quando Morrer?

2 04 2009

dre0496l

A gente passa a vida toda a evitar, mas chega um dia em que acontece. Aí é o fim. Jesus te chama e o Paraíso deixa de ser estação de metrô. Ou então, o diabo te recebe e Inferno deixa de ser nome de balada ruim. Os gays magrinhos viram purpurina e os mais gordinhos, lantejoula.

Neste dia, a sua família se despede, o velório é realizado na sua balada preferida com lista VIP para os mais próximos e seus amigos enchem a cara em sua homenagem. O caixão bóia na piscina da The Week. Afinal, morrer não parece tão ruim para alguém cujo único esporte praticado é fugir de bala perdida, certo? Um dia a gente perde o j0go.

Além de deixar a prestação da Renner atrasada para a sua família, é possível que você tenha acumulado durante sua vidinha medíocre algumas coisas interessantes. Uma certa dose de meritocracia informal da internet, um blog com acessos moderados e um MSN com contatos pegáveis divididos pela disponibilidade semanal de cada um além de um perfil no Orkut. Essa é a sua herança e ela vale mais do que sua coleção de revistas de mulher pelada. (a não ser que você tenha aquela da Xuxa).

Todo esse espólio, tudo que você acumulou durante essa sua vida indie geek ex-nerd não pode ser perdido dessa maneira, certo? Eu sei hoje que não posso morrer amanhã porquê não haverá quem atualize meu twitter por mim. A não ser que o céu tenha wi-fi, o que será que acontece com nossas contas, perfis e cadastros feitos pela gente quando morremos?

Não há como atualizar. Você está morto, óbvio, e teus amigos não sabem a senha. Então você fica lá, vivo para a memória do Google, cheio de scraps pornográficos de SPAMs malditos no teu Orkut. A sua reputação fica cada vez mais imunda e as pessoas começam a duvidar se você realmente morreu ou se apenas não tem mais dinheiro para pagar o Speedy. Para alguns, é melhor ser morto que pobre.

Para evitar esse tipo de desconforto no teu descanso eterno, passe tua senha para alguns amigos confiáveis. Distribua entre eles quem fica com o quê. Eu, por exemplo, deixo este blog para minha amiga @ana_freitas, do Olhometro e meu Twitter para @brunogalhardi. Já o Facebook fica para o @schizophrenic, que quase me ameaçou de morte se eu não o fizesse. Se não derem conta do recado, deletam o perfil e tocam suas vidas como se Felipe Torres fosse nome de guerrilheiro das FARC. (e é!)

O meu Orkut fica para @roupasuja. A garota pode até deixar uma mensagem como: “Oi, Felipe Luno não pode mais atender porque pediu para subir e foi sentar no colo de Jesus (não o Luz). Caso queira algum ‘contato’, ligue para (11) XXXX-XXXX. A gente resolve. Beijos”. Dúvido que o público se interesse.

E tudo bem se o fim não for como no Jogo da Vida, onde a gente conta quanto dinheiro você tem, quantos filhos teve e multiplica pelo número que der na roleta. O que vale mesmo pra quem fica são teus contatos e o que eles podem fazer com isso. Se não há dinheiro escondido debaixo do teu colchão, é melhor deixar alguém que eles possam levar para a cama.  Não se esqueça: antes de morrer, avise seus amigos, deixe tudo pré-agendado. Aguardo suas senhas como comentário a esse post.





Branco Filosófico e Como Se Dar Bem em Discussões Aleatórias

11 03 2009

picture44

Discussões em mesas de bar com amigos ou conhecidos sempre tendem a ficar interessantes antes de passarem por aquele ponto que cai na putaria, escatologia e declarações espontâneas de amor mútuo.

São esses pequenos momentos preciosos que a gente tem para mostrar a clareza dos nossos pensamentos, mostrar que somos inteligentes, que pensamento sobre a vida e somos mais que um corpinho bonito com roupas estilosas.

No entanto, é justamente nessa hora em que não sai nada. Explico: todos expõem sobre a importância de se tratar bem os velhinhos, por sua experiência de vida, fragilidade e possibilidade de receber a herança dos mesmos. Todos falando coisas bonitas, sensatas, leves e criativas. Chega na sua vez, você não sabe o que dizer. Pronto, esse é o que chamamos de BRANCO FILOSÓFICO.

Branco filosófico não é seu amigo nerd que lê Platão. É aquele momento decisivo que todos os pensamentos bons somem e ficam apenas os mais simples como: “Preciso de mais uma cerveja”, “preciso fazer xixi” ou “quem vai me dar carona para casa essa noite?”.

Em vez de dizer algo estúpido ou irrelevante, uma boa saída é citar veículos inexistentes, já que ninguém tem como checar naquele momento. Eu costumo dizer: “Ah, eu li numa revista que (complete aqui com qualquer assunto aleatório que pareça interessante e fantástico a ponto de mudar o rumo da conversa para algo que você domine)”.

O Branco filosófico na verdade é uma sacanagem do nosso cérebro na hora em que precisamos impressionar algum amigo ou peguete. Pode reparar, as melhores idéias vem quando estamos deitados na cama, sozinhos, e sem papel e caneta para anotar. Ou no metrô, quando o vai-e-vem do vagão te faz refletir sobre algo profundo que não pode ser compartilhado com os demais passageiros da estação Brás.

Eu, por exemplo, só consigo ter idéias quando estou lavando o cabelo. É como se meus neurônios fossem ativados por uma estranha combinação de água, shampoo e movimentos manuais. Guarde algumas  tags de assuntos aleatórios que te ofereçam segurança para fugir de qualquer beco fiolsófico.

Lembre-se: NUNCA diga: “Eu li na Veja que…”. Isso já mata qualquer argumento, não importa o assunto. Na dúvida, cite o Twitter.





Deixe o Twitter Guiar o Caminho

25 11 2008

 

Pai, me assumi no meu blog, beijomeaceita

Pai, me assumi no meu blog, beijomeaceita!

 

Fontes modernas estão para designers assim como fontes bem-informadas estão para jornalistas. É simples e pura regrinha de três para alguém que está de 4 por uma novidade. Não é de hoje que pessoas infiltradas governos, partidos, times de futebol e até associações de moradores são disputadas a tapa pelos sem-diploma. Agendinha Nervosa de Um Bom Jornalista e arquivos .TFF sempre em mãos.

Qual a notícia? Ora, eu te digo: cada vez mais está difícil ter uma fonte confiável que cobre barato e traga algo novo. Com o orkut, ficou mais fácil ser stalker e seguir a vida alheia. Antes não. Era preciso horas de observação, emboscada e ligações via celular. Hoje basta um twit e está tudo resolvido. A gente e toda gente fica logo sabendo que Glória Maria está tomando banho pelada e que Mallu Magalhães virou mocinha.

A internet banalizou o inédito. Tudo é novidade e acontece o tempo todo numa frequencia frenética que faz a gente pensar que está sempre desatualizado. Eu, por exemplo, viciei no F5 e estou com tendinite no indicador, que me atrapalha em muitas coisas. Meu leitor de feeds tá tão lotado que estou pensando seriamente em contratar um estagiário e pagar em Whiskas Sachê.

A rede é uma assassina de jornalistas. Aqueles que estudaram urgh por quatro anos são ultrapassados por nerds sortudos que estão no lugar certo, na hora certa, e um Nokia N95 na mão. E com os posts pagos, eles ainda ganham por isso.

Acho que o que assusta mesmo é ver a pirataria da informação, como ela passa de mão em mão até chegar as pessoas. E, na verdade, o que irrita é que nessa dinâmica toda, as pessoas ainda têm a mania de dizer: “olha, vou falar uma coisa pra você”. Não precisa avisar que vai contar. Apenas fale, garoto!

As pessoas estão ficando chatas e se acostumando a contar a vida em 140 caracteres. A resistência cai, a insistência aborrece e não é raro ver universitários batendo em professores porque eles não deram o lead da aula em três frases.

Quem é mais velho, lembra e recordar é viver de que quando a gente tinha ICQ, na época da internet via telefone, quando o Yahoo! era o Google, cada mensagem que você enviava demorava uns 15, 20 segundos para chegar no destinatário. E a gente achava o máximo. Hoje, aposto que sua lista inteira do MSN está Away ou Ocupado, mas todos respondem em menos de dois segundos.

Cansado dessa overdose de assuntos do noticiário que vão desde Blumenau debaixo de chuva, Suzana Vieira corna, Adriane Galisteu desempregada e  Ana Freitas entediada, vamos restringir nossas informações, nos próximos dias, à opiniões no twitter. E se o jornaleiro bater à nossa porta ou William Bonner tanter nos seduzir, diremos que estamos ausentes e que podemos não responder. Essa será nossa fonte. Deixe o Twitter guiar o caminho.





Bondade dos Outros no Planeta Terra

9 11 2008

aba0154l

Ainda choca quando vemos pessoas boas no mundo mesmo com tanto vizinho chato, gente que pára do lado esquerdo da escada rolante e garotos que usam regata. Disposto a mais um experimento social com fins puramente cientificos, o Pinkego tem investido em se relacionar mais com o mundinho exterior.

Para isso, o que nao falta sao outros, pessoas, gente com quem possamos trocar idéias e conversar. Virgem de Festival, um dos nossos membros nunca tinha ido a um show de grandes proporcoes. O publico indie é exigente. Coisa de gente que come pouco. Recebemos mais de 8 dicas, aproximadamente 9, de como deveriamos nos vestir, o que fazer e tal.

Na duvida, arriscamos o preto. Com listras claro, pra ficar mais oe oe oe. No caminho, sem direcao alguma. Ao inves de olhar no mapinha do evento e ver quais os trajetos possiveis via transporte publico a.k.a trem e metro, resolvemos contar com a bondade dos outros: uma amiga, amiga recente, acompanhada do namorado, levou nosso heroi ate o Planeta Terra sao e salvo. A macumba foi tao boa que nem chover choveu.

Chegando la, nos encontramos com Ana Freitas, do Olhometro, que conduziu a programacao da noite. Rolou Foals, Offspring, Bloc Party e Kaiser Chiefs. Confesso que, de longe, Jesus and Mary Chain parecia Frejat em seus piores momentos. Mas de perto parecia só mais uma bandinha de indie rock mesmo. Ana riu dos meus comentarios sem graca e dividiu uma Coca. Até liguei para a mae dela depois pra agradecer pela educacao da filha. Mesmo que ela ache que os posts daqui se baseiam em mentiras bem aproveitadas.

Em festival indie, por mais que 15.000 pessoas tenham passado pelo evento, voce encontra todo mundo que sempre ve pela Paulista / Augusta. Foi uma grande micareta de alternativos se encontrando, reencontrando e encontrando o amor atras dos banheiros quimicos. Quem disse que nao ha romantismo sanitario?

Para a volta, sem voz, conseguimos carona com um companheiro do twitter e visitante do blog. Mesmo com todos os avisos dos pais sobre nunca aceitar doce de estranhos, sentamos no banco da frente do veículo. Cheguei em casa sem ser estuprado, perder o rim e até ganhei um amigo, olhem só!

As pessoas, hoje, sao realmente boas. Vejo nelas a inocencia de uma Malu Magalhaes, neta de ACM, que namora com um cara que tem o dobro de sua idade. Mesmo que isso signifique que ele ainda nao chegou aos 30.

E o melhor: nem precisei ficar pelado pra ganhar tudo isso. Artificio que provavelmente nao teria despertado tesao ou compaixao, mas repudio e tédio. E viva a bondade dos outros. Porque eu to de boa de caridade.





Sobre amigos, melhores amigos, amigos de verdade e colegas

21 10 2008

 

Provavelmente você não vai ter Friends como esses.

Provavelmente você não vai ter Friends como esses.

 

 

Hoje em dia anda muito difícil fazer amigos e eu não falo isso porque não entra mais ninguém decente no Chat do UOL não. Pra quem não lembra do processo, tudo começa ainda no colégio, quando você descobre que existe os amigos, aqueles pra quem a gente conta as coisas, e os colegas, os que andam junto contigo, mas que não merecem muita confiança. Criam-se os grupos e provavelmente o cara mais bonito da sala vai pegar a menina mais gata e despertar a sua primeira inimizade

Quando éramos mais novos, mais bonitos e menos barbudos, fazer amigos era a coisa mais fácil do mundo. Era só tropeçar em alguém da mesma idade, com uma cara de saudável e perguntar: “oi, quer ser meu amigo?”. Se morasse perto então ou tivesse brinquedos legais, ficava melhor ainda. Não exigia confiança, número de celular e raramente ele te pedia dinheiro emprestado.

Na pré-adolescência, o que estragava era a história dos melhores amigos, que são uma versão primitiva dos amigos de verdade. Os melhores amigos são aqueles com quem voce passava horas no telefone ou no shopping se voce for uma garota; passava horas jogando futebol e falando da prima gosta se voce for um garoto; passava horas jogando Mortal Kombat II no SuperNes se você for um nerd.

Hoje, ja não é possível fazer amizades de verdade após os 23 anos. Mesmo porque, depois de ficarmos razoávelmente velhos, começamos a diferenciar os amigos dos amigos de verdade e isso é uma bobagem que só faz com que você passe os sábados vendo Tina Fey imitar Sarah Palin no Saturday Night Live. Exigimos que eles compreendam nossos dramas, nossa falta de tempo, que aceitem nossas loucuras excentricidades e que nos dêem ingressos pra shows de graça.

A vida passa e vamos nos acostumando também a ter grupos de amigos sazonais. Os amigos do trabalho, os amigos do ex-estágio, os amigos do prédio, os amigos da faculdade e acabamos perdendo alguns pelo meio do caminho. Eles começam a namorar e te deixam de lado, mudam de religião, viram vegetarianos ou começam a comer insetos e participar de cultos de xamanismo. E é bem provável que com o tempo você se esqueça da maioria deles.

O ICQ morreu, veio o MSN, depois o Orkut e conseguimos dar uma certa sobrevida à amizades mal-resolvidas e distâncias mal-explicadas. No entanto, não é raro aparecer um ex-amigo, perdido no tempo, deixando um scrap dizendo que está morrendo de saudades, que casou e yatta yatta yatta vocês voltam a se falar. Mesmo que já não tenham mais nada em comum a não ser conversar sobre o passado.

É uma pena que a gente se acostume a manter contato com essas pessoas apenas pelo meio virtual. Saber o que ela está fazendo pelo Twitter, as músicas que ouve pelo Last.fm e as pornografias que ela está cadastrada pelo Google dá um certo alívio de não ser um amigo relapso. Sempre tive medo de ser aquele que não liga pra ninguém, que se faz de blasé e vive trocando de amigos, mas, acontece. 

O tempo e essa vida corrida toda torna cada vez a gente mais distante de ser um amigo, um melhor amigo, um amigo de verdade. Triste saber que dizer “oi, quer ser meu amigo”, quer dizer pedir pra você clicar aqui. E se você pensa assim, no donut for you!





Feitiçaria online e essa nossa vida pagã do dia-a-dia

5 10 2008

Nessa vida cosmopolita corrida que a gente leva, sobra pouco tempo pra amaldiçoar os outros com eficiência ou fazer pedidos ao papai do céu com os olhos fechados. Se ler O Segredo no metrô a caminho do trabalho não está te atraindo aquela grana que você precisa pra pagar o empréstico com desconto em folha, apele. Corrra para a Feitiçaria Online e poupe-se da procura pela galinha preta!

Uma opção bastante interessante o site MacumbaOnline.com . Com mais de 30.000 trabalhos realizados, lá é possível pedir para ‘dar uma caganeira‘ em seu professor antes da prova, deixar alguma tiriça invejosa vesga, o clássico ‘fazer amarração‘ da pessoa amada, trazer dinheiro e, pra quem estiver mais desesperado, ‘foder com a vida’ do seu desafeto.

A praticidade de deixar que outros façam o trabalho por você não tem preço: é de graça. Afinal, hoje em dia está difícil descer a serra, ir à praia, para pular as sete ondinhas e ter sorte. Sorte mesmo seria pular as ondas sem encontrar algum objeto não identificado em plena Praia Grande. Caso a simpatia não dê certo, voce pode baixar um ou outro tipo de Magia no site do Superdownloads e preparar a sua versão caseira. Há versões para Windows e Mac.

Melhor do que isso, seria só se fosse possível enviar uma oferenda à Iemanjá, com o presente em anexo e aviso de recebimento. A rainha dos mares navega na internet via Telemar. E já que Santo Expedito não atende no MSN (santoexpedito@hotmail.com) com a agilidade que a gente precisa, há quem hoje faça os seus questionamentos a Satanas pelo site Ask Satan.

Nós, do PinkEgo, por enquanto, preferimos seguir a @jesus_cristo (no Twitter). Mas por via das dúvidas, fortalece a nossa macumbinha aí, amigo: http://www.macumbaonline.com/Fortalecer-95efef58965badec71a8a84a6cd6879f e Saravá, meu pai!