Desabafo de Um Homem Comido Por Mulheres

25 08 2009
É assim que faz, minhas amiga

"É assim que faz, minhas amiga"

Há uma espécie em extinção: a dona de casa comportada.Talvez seja culpa de uma overdose de revistas Cláudia, Nova e outras que estampam na capa “40 maneiras de enlouquecer seu homem na cama”. Elas perceberam o sexo como uma forma de dominação. Trocaram Dona Palmirinha por Sue Johansson. Sai a receita culinária por uma porta, entra o desempenho sexual e a criatividade fetichista.

Se sexo deixou de ser uma palavra suja, o orgasmo se tornou obrigatório. Se antes, poder aproveitar de uma relação bem feita parecia golpe de sorte, vejo uma nova geração de menininhas que julga os homens pelo tamanho do que carregam em suas calças. E não estou falando do celular, nem da carteira.

Você já notou a quantidade de literatura voltada à esse assunto para mulheres? E revistas?Por que, olha, elas realmente leem enquanto a gente finge que lê o que está na Playboy. E não, filme pornô não é algo educativo. E aí, se homem é solteiro aos 40 anos, é encalhado e deve ter um penis pequeno. Se uma mulher é solteira na mesma idade, é seletiva. E ela ainda conta com o bonus de poder embarcar numa produção independente, enquanto a semente masculina não é capaz de fazer nascer nem pé-de-feijão.

Tendo isso em vista, é hora de deixar os preconceitos de lado. Por isso, é claro, mulher, se você quiser que eu vire  ‘dono-de-casa’, eu viro. Aliás, aproveite e passe o carro para o meu nome também. Se elas viraram verdadeiras amazonas corporativas, nós, por outro lado, temos o dom da malandragem no cromossomo X em dose dobrada.

Mas o mundo feminino é muito mais divertido. Homem que é homem não fala de sexo, só conta quem e como comeu. É hora de tratar esse assunto com mais leveza. No meio desses extremos de fetiche e reprodução humana, há algo que se espelha a um esporte que, bem ou mal, é praticado por todos. E se no futebol, natação e corrida, nós levamos vantagem, na cama estamos bem atrás. E acredite, a linha de chegada não é o orgasmo.





A Internet Matou o Pornô

13 08 2009

A internet matou o pornô. Sim, é verdade. Se você pensa que a grande rede foi a responsável pela divulgação livre de partes do corpo, está enganado. Ela reduziu a arte da excitação à exposição de corpos nus como pedaços de carne em galerias de fotos em sites russos.

Você se lembra das Playboys antigas, onde você comprava as revistas para ver 12 páginas de alguma aspirante a famosa nua. Sabe que hoje quer variedade. Jamais iria aguentar ficar vendo a mesma mulher pelada várias vezes em poses diferentes. Mesmo assim, nessa época, a gente ia para o jornaleiro de confiança, entregava o dinheiro da mesada e levava Glória Menezes em seus tempos áureos para casa.

Mais triste que isso era ficar esperando o Cinê Privê, que tinha a energia sexual de um programa de auditório. Cenas pseudo-sensuais, atrizes feias e músicas de péssima qualidade, hoje consideradas kitsch e adotada por bandas indies filandesas. Era o que tinha pra noite e resolvia o seu problema.

Pornô é algo que todo mundo já viu ou vai ver. Os mais ousados, fazem sua própria arte em casa, mesmo tendo a certeza que hoje, na era da informação, esse vídeo irá parar no Pornotube. A gente não conversa sobre isso, os pais fingem que não sabem e só vira assunto de rodinhas quando termina o Big Brother e a gente especula sobre qual a próxima gostosa a sair na capa da revista.

Quando surgiu a internet, a pornografia era um desafio. Você precisava se aventurar em sites de linguas diferentes, ver galerias bizarras com fotos em baixa resolução e montagens feitas em Paint Brush. Você baixava as fotos e guardava no computador, mesmo sabendo que nunca mais as veria porque figurinha repetida não completa álbum e você já ‘comeu’ mentalmente aquelas garotas.

Aí surgiram os vídeos. Primeiro, em baixa qualidade e modelos feias. Uma galeria exibia curtas-metragens com até 1m30s, exibidos como sequencias, apesar do erro de continuidade e trocas de cenários. A gente fingia que tava tudo bem, fazia parte da brincadeira aceitar aquilo como normal. Afinal, era pornografia, e reclamar dela é como bater na mãe por causa de mistura.

Então, apareceu a internet banda-larga, que explorou os limites da sacanagem. Se antes, entrar em uma vídeo-locadora e alugar um filme pornô era um ato de coragem, agora era possível baixar um longa-metragem e assistir em casa, no conforto do lar, sem ser julgado pela sua vizinha por entrar naquela sala pequena e escura do video clube. Tudo bem, o filme tinha 1h30min, mas a gente sabe que você não passsava dos 15 minutos inicias.

As redes sociais tomaram  conta da web e a gente quer agilidade e variedade. Fulano está ficando velho e quer resolver seus problemas em dois-cliques. Joga no Google e quer a musa nua em montagem perfeita. Achar amadoras em vídeos do leste-europeu e conseguir seu contato no MSN. Quer seguir no Twitter e gozar em 140 caracteres sem que isso seja chamado de ejaculação precoce.

A internet matou o pornô porque acabou com a curiosidade, com o tempo de espera. O instantâneo vulgarizou o que já era vulgar, expôs o mistério da sensualidade como vitrine de açougue. Não é funcional, não é sexy e, por isso, não tem mais nada a ver com sexo. Cadê a libido?





Serviço de Quarto e o Tarado do Hotel

13 07 2009

Motéis são divertidos, hotéis são legais. Apesar do nome parecido, são duas noções diferentes de serviço de quarto, a não ser que você tenha tido uma experiência parecida com a minha.

Feriado prolongado em São Paulo, um pouco de dinheiro no bolso e um amigo e eu resolvemos fugir um pouco da monotonia paulistana típica da ausência da labuta proletária. Como a verba não era extensa, o destino tinha que ser próximo: Campinas. Hotel barato, duas camas de solteiro e dessa vez, meu amigo não levou um pijama anti-sexo, escrito: “Vestibular 2006 Uninove, Matricule-se Já!”

Final de noite, balada por lugares desconhecidos, bebida para fazer amigos e, tentando ser sociável, percebi que estava apresentando meu próprio talk-show entrevistando pré-universitários alcoólatras e plantas ornamentais. Era hora de ir embora. Ou para o próximo bar.

Voltamos ao hotel e eu perdi na disputa dos palitinhos. Fiquei encarregado de subir e pegar o GPS para encontrar o próximo destino. Entro no hotel, tonto de bêbado, com a seguinte estratégia: passar pela recepção em linha reta, o mais rápido possível, para não demonstrar o meu grau de embriaguez.

Pulo no elevador e, logo em seguida, antes que a porta se feche, entra um cara alto, meio forte, de cabelo enrolado, tomando uma água. “O Diabo bebe Prata”, penso, fazendo uma piadinha com o nome da garrafinha de água que só fez sentido naquele momento. “Ah, vai para o 13º andar também?”, diz ele. Eu sorrio, digo que sim enquanto o elevador sobe em espiral.

Educado, digo um “boa noite”, vou para o quarto, entro, localizo o GPS e abro a porta para sair. Aí a surpresa: o fulano está parado, na porta, com o “documento” em mãos e pergunta: “E aí, você gosta de uma rola?”….Eu fico branco. Após esse microssegundo-michael-jackson, eu balanço a cabeça, começo a tremer e falo que NÃO. Ele balança o negócio, como quem finge jogar uma bolinha para um cachorro e pergunta: “Tem certeza?”.

Era o típico prelúdio do estupro. Eu tinha tomado vodkas demais para me defender com propriedade e não tinha crédito no celular para pedir socorro. Era preciso fugir. Saí correndo pelo corredor do hotel gritando a melhor desculpa que conheço para espantar desconhecidos feios: “Eu estou acompanhado! To acompanhado!”.

Seria a salvação. Entrar no elevador, descer, entrar no carro e fingir que nada aconteceu. Mas não. Eu tinha esquecido a porta aberta. E o fulano continuava lá, parado, em frente a porta porque sabia que eu tinha que voltar.

Nesse momento, fui coberto de uma genialidade e malandragem espontânea. Eu teria que atuar, meus amigos. Era preciso dissimular. Se eu fizesse cara de pânico, ele poderia entrar no quarto e nunca mais sair de lá. Ensaiei uma caminhada sexy. Apliquei ali tudo que aprendi com America’s Next Top Model. Sorrisinho maroto. Olhar 43. Chego perto, coloco a mão na barriga dele, bato com o GPS no pau dele, fecho a porta do quarto e saio voando, correndo, gritando: “Tarado! Tarado! Tarado!”.

Desci na recepção e reclamei com o gerente. Agora pasmem: não havia ninguém hospedado no 13º andar além da gente. Meus amigos acharam que dei uma de Tarso Cadore depois da sibutramina. Eu não tenho dúvidas. Eu sei que aquele “Você curte uma rola?” foi de verdade. Não há experiência em pornografia que poderia me proporcionar a imaginação de criar aquele negócio balançando sem ver nada. Por sorte, não aconteceu nada. Isso que é serviço de quarto.





Sleep Drunk ou Vida Sexual Digital Aleatória na Madrugada

8 07 2009

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A internet realmente revolucionou o mundo. Criou amizades à distância, tornou possível ver pornografia sem que o jornaleiro soubesse algo sobre a sua sexualidade e até faz com que pessoas feias sejam famosas no meio digital.

Se, durante o dia, parece algo criado por Deus para que as pessoas sejam mais felizes e finjam trabalhar em horário comercial, à noite, a gente sabe muito bem que ela tem uma única finalidade: sexo (ou a procura do mesmo).

Eu sei que você é bem intencionado. Consigo imaginar seu quarto, a cama bagunçada, os sapatos jogados pelo chão e como você gostaria que tudo isso fosse um cenário pós-sexo. Mas não é. É apenas você, com insônia, procurando amigos para conversar.

Sei também que não é sua culpa quando você entra no UOL e ele oferece banners de sites eróticos com modelos da Playboy de 1988. Procura no Google por subitramina e ele te oferece camisinhas coloridas e os anúncios relacionados do teu Gmail trazem garotas de programa à preço de cesta básica. Soa tentador.

É quase possível sentir o cheiro do desespero. O Twitter fica mais sensual, aquelas pessoas ocupadas durante o dia se tornanm disponíveis no MSN e até mesmo os SPAMs ficam mais atraentes.

É como se, depois da meia-noite, a internet virasse um parque de diversões para insones. A gente sabe que não há nada melhor que aquele soninho pós-coito, mas se você não consegue dormir, conecte-se e adote um estranho. Tenha um papo estranho e depois diga que estava “sleep drunk”. Lembre-se: promiscuidade não existe, o que há é vida sexual aleatória.E quando é pela a internet, a chance de um carinho depois é maior. Deve rolar pelo menos um emoticon.





Como NÃO Flertar em uma Balada Indie

26 06 2009

Mesmo que balada indie seja um ambiente tão sexy quanto um orquidário em Brasilia, é possível encontrar o amor em um lugar que reúne xadrez e óculos sem lentes. Apesar da semelhança com festa junina, não há fogueira e é possível se jogar sem virar Joana d’Arc. Com o olhar um pouco atento, você pode observar a paixão surgindo em alguns cantos mesmo enquanto toca Klaxons.

Mas aí aparece o herói, aquele pequeno indie obstinado, que quer encontrar sair dali com alguém. Para ele, namorado de amigo é homem e, por isso, qualquer um pode se tornar um alvo fácil. No entanto, moleza não é alternativa, logo, é preciso conquistar alguém difícil e ele resolveu chegar no cara mais misterioso da balada.

Este cara se posicionava em um canto, fumando um cigarro de marca desconhecida, talvez, feito pela natureza. Olhar para ele era sentir a serenidade de um Clint Eastwood naqueles filmes que passam durante a madrugada na TV. Dava também para imaginar as bolas de feno passando, trilha country, vento do além. Blasé era pouco.

O herói tomou coragem em forma de vodca barata, engoliu a Natasha e foi.

Erro n.01: “Oi, tudo bem? De onde você é?”. “De longe…muito longe”, foi a resposta. Nunca pergunte de onde a pessoa é a não ser que ela tenha cara de gringa. Nesse caso, faça a pergunta em inglês ou espanhol. Eu costumo emular idiomas latinos quando desconheço a nacionalidade alheia. E acredite, quando alguém coloca reticências na frase, ele não está interessado e quando alguém diz que é de longe, a não ser que diga que é de “um reino muito muito distante”, não, ele não é o seu príncipe encantado.

Erro n.02: Nosso amigo resolve dançar perto na pista e observa que o forasteiro pouco mexe as pernas. Na verdade, o misterioso apenas balança levemente o corpo como se dançasse. Talvez fosse o álcool, mas certamente não era no ritmo da música. Eis que ele diz: “Calma, vai pra lá que você está muito perto, isso me irrita”. Além dessa frase identificar que ele não está acostumado com transporte público, mostra que seu corpo não está sendo bem avaliado. Nesse caso, não adianta fazer o garoto de mastro e encarar um pole dance. Tire o time de campo, com classe.

Erro n.03: Cansado de tentar agir sozinho, o herói pede amigo da cavalaria, que geralmente é composta por amigos que já beberam demais ou estão fora do mercado. O mais desinibido ajeita a camisa, injeta um pouco de ar na calça skinny e parte em direção ao escolhido para salvar o amigo: “Ei, gato…”. É interrompido. “gato não, porque gato é animal”. Tipo, FAIL. Sim, ficou feio. Sorria e acene e fique duas rodadas sem jogar.

Erro n.04: Última chance de jogar a simpatia, você não desiste. Compra uma bebida colorida para parecer descolado e toma de canudinho. Encara aquele sorriso super simpático de promotor de boa e solta: “Oi, tudo boooooommmmm?”. “Oi por que? Eu não te conheço, conheço?”. Hora de aproveitar a deixa do DJ e trocar de área da pista.

Acredite se quiser, há quem goste de estar solteiro, curtindo sozinho ou simplesmente não está a fim de você. Mesmo sem parecer, ele pode ser uma pessoa feliz, usar as suas endorfinas sexuais para o bem e a rabugice para espantar gente inconveniente. É uma prática de auto-preservação. E lembre-se: você não tem que provar nada pra ninguém. Preserve a sua integriodade. Caso contrário, nem São Longuinho vai te ajudar a achar a tua dignidade perdida no dark room da Tunnel. Sorry.

Dicas by MUFU, que, acredite, não era o herói!





Pessoas que você não deve adicionar no Orkut e Como Odiar Amigos Sem Culpa

10 06 2009

Eu sonho com um dia em que surgirá uma comunidade ou blog que sirva para que você possa dizer o quanto odeia seus amigos e conhecidos. Funcionando como uma espécie de Burn Book, do filme Garotas Malvadas (Mean Girls), você pode despejar ali o quanto sente repulsa por uma pessoa e ver a sua raiva compartilhada por outras pessoas. Assim, sem bullying, sem flame wars, apenas o ódio mais puro em sua essência católica reprimida. Teu terapeuta agradece e poderá cancelar a consulta que agendou com o psiquiatra.

Se o Twitter talvez servisse para isso, acabou virando um agregador de mimimi, com pessoas reclamando ou dizendo coisas que estão fazendo, enquanto deveriam estar trabalhando ou pagando impostos. Pra ser sincero, se o Orkut é vitrine e a minha rede social dos sonhos é para o ódio, o Twitter permite que as pessoas digam o quanto elas pensam em sexo durante o dia, em 140 caracteres. E, muitas vezes, com seus amigos. Isso sim é interação social. Habeas corpus, meu filho. Saia da prisão da internet e arranje um motel!

As redes sociais proporcionam situações bizarras que fariam Stalin se sentir desconfortável. Filtrando tanto assim, sobra poucas pessoas e, provavelmente, elas também não encontrem motivos para me adicionar. Eu não as culpo. Não tenho fotos sem camisa, mas já coloquei um raio-x do meu pulmão digitalizado, que é quase a mesma coisa. Mesmo assim, ainda acho que o Orkut cumpre sua função, que é a de fazer você conhecer muita gente estranha na internet para acabar valorizando os amigos que você já tinha antes disso. Para todos os efeitos, vamos à breve lista:

Foto de bebê no perfil: Tipo, sério? Foto de bebê? É você, é seu filho, é alguma criança que você roubou da creche Tia Vilma? Está querendo provar para as garotas que é bom com bebês e que pensa em ter filhos? Olha, pra mim, soa algo meio Michael Jackson. E, na boa, algo de bem ruim deve ter acontecido durante a sua vida para que a melhor foto que você tenha seja de 20 anos atrás. Tudo bem, não julgamos as pessoas por cortes de cabelo ruins ou escolhas infelizes de maquiagem, mas foto de fralda, não. Não é bonitinho.

Orkut de perfil duplo: Tudo bem, você está namorando e quer dizer ao mundo todo isso com a delicadeza da letra de um funk em braile, mas não é por isso que você e sua namorada precisam usar um perfil único no Orkut. E se eu não gostar dela, preciso me referir aos dois quando eu for deixar scrap? Tenho que perguntar “Tudo bom com vocês?”, porque olha, no Brasil, usar plural é mais caro. Guarde suas fotos compartilhadas para o seu album. Seus amigos são seus amigos e os dela, dela. E quando terminar, como faz? Os dois fazem novos perfis e me adicionam de novo? Acho que não. Se há mais de uma pessoa na foto do perfil, já presumo que a pessoa tem amigos suficientes e não precisa de mim.

Pessoas sem camisa: A não ser que você tenha um terceiro mamilo ou não tenha umbigo, desculpa, amigo, mas não há nada de interessante no seu peito nu ou barriga de fora. E um aviso: quando seu peito pode ser usado como apoiador de copos, este é o ponto em que você para de usar anabolizantes, ok? Aliás, aquele remedinho azul que você está procurando chama Viagra. Tome 2 ao dia pra se fortalecer para o final de semana.

Família: Acredite, não é legal receber um recado: “e aí primo, vai na festinha da tia joana no sábado?”. Tudo bem, você vai na festa, mas seus amigos não precisam ficar sabendo, né. Isso acaba com qualquer desculpa de bolso vazio, febre alta ou que esqueceu o celular dentro da bolsa. Família e orkut não combinam. Já vi parentes se pegarem, no mal sentido, porque não se atribuiram estrelinhas de confiável.

Gente muito sorridente: Ora, ninguém realmente inteligente pode ser muito feliz em um mundo com crise econômica, aquecimento global e redes sociais que não exigem teste de alfabetização. Não é que eu odeie pessoas. Eu até gosto delas. Prefiro as vivas do que as mortas. Elas riem mais. Se bem que tem muita gente viva que não ri. Eu gosto mais dessas. Valorize seu sorriso. Use com moderação.

Eu: Felipe Luno não gosta de pessoas. Elas ocupam espaço na balada, estão antes de mim na fila do banco e, quando muito velhas, cheiram a naftalina, quando muito novas, a leite azedo. O mundo seria um lugar melhor sem as pessoas. Eu poderia remover os avisos de “não pise” na grama e ir sentado no transporte público, sem trânsito. Se bem que o ônibus não ia andar por falta de motorista, mas aí é outro problema…





É justo sair com duas pessoas ao mesmo tempo?

7 05 2009

Ok, você tem dois encontros, em dois dias diferentes. Legal, ocupou teu final de semana, mas será que isso é justo com o outro? Até que ponto vale a pena o double-dating. Para responder essa questão com um olhar feminino, convidamos Camila Santana, a @caks do blog Garota Problema. Amanhã, tem post do PinkEgo sobre o caso!

Isso pode realmente acontecer num determinado momento da sua vida…ou não! Mas daí já é outra história. Então você está lá, feliz da vida por ter alguém para ir ao cinema, jantar fora e dar uns amassos, até que, você conhece outra pessoa e como vocês não têm nada realmente muito sério com a primeira pessoa, vocês saem. Como uma pessoa inteligente, você evita ir em algum lugar que a primeira pessoa costume freqüentar. Daí na sua cabeça fica aquela coisa: “não, mas é só uma saidinha, não faz mal pra ninguém…aposto que ele também sai com outras pessoas”. Seu problema fica maior quando você realiza que as duas pessoas são legais e que te atraem de diferentes formas. Então você está saindo com duas pessoas, certo? Ok, bacana, mas é justo?

Primeiramente, é justo pra quem? Pra você ou pra elas? Pra você é bacana, é ótimo se sentir desejado, tendo a atenção disputada, saber que tem compromisso, mas e as outras duas envolvidas? Depende! Sim, depende da profundidade da relação. Pra ela pode ser apenas algo superficial do tipo “não tenho ninguém muito mais interessante mesmo” ou a pessoa pode estar fazendo os planos para o casamento. Vamos contextualizar a situação: eu conheci um cara e nós começamos a ficar. Ficamos algum tempo, era legal, eu não tinha ninguém, ele também não, enfim, dois solitários no mundo. Aí ele começou a ficar estranho comigo e eu perguntei o que estava havendo, ele me disse que tinha outra na parada. Eu não tinha outro, mas eu também não achava que aquilo ia muito além, então, na realidade, eu nem liguei. Acontece que tem gente que liga e aí, meu amigo, a coisa fica feia.

Atualmente a monogamia anda meio fora de moda, mas ainda é muito preservada por alguns. Cabe a você saber as opiniões dos seus parceiros. Geralmente no primeiro encontro a pessoa já solta algumas dicas do que quer para o futuro. Se você conheceu a pessoa na balada, esquece! Balada é pra se jogar e fidelidade ali só com a sua cerveja.

Há casos raros, mas se liga bem na palavra RAROS.

Como pra tudo tem uma saída, vamos lá: se você está só de curtição, se joga na vida amorosa dupla. Aliás, investiga pra ver se seus rolos não têm a fantasia de fazer coisas a três, vai saber, né? Você pode se dar bem, caso essa seja a sua fantasia também. Antes de tudo: cuidado para não se magoar e aqui, também, cabe o ditado: mais vale um pássaro na mão, do que dois voando. Pense que, se administrar um já é difícil, imagine dois! Outra coisa: cuidado com seu celular, as mensagens e ligações. Pra finalizar, pense se você gostaria de estar do outro lado da situação. No final das contas, você já sabe a resposta.





Como Identificar Empata-Fodas e Brindes em Um Relacionamento

6 05 2009

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De repente, você se descobre apaixonado. O amor é lindo e vem em doses homeopáticas de mensagens carinhosas pelo MSN. Aí tu inunda teu twitter de links felizes e declarações de amor em 140 caractereres. Esse mundinho particular, experienciado pelos enamorados, só pode ser estragado por um único personagem: o brinde!

O brinde é o(a) melhor amigo(o) do seu amor. É aquele com quem ele ou ela tem mais intimidade e por isso contará tudo a teu respeito. E mesmo com tua paixão dizendo todos os elogios possíveis a teu respeito, o brinde se encarregará de ser o contraponto, mostrar os seus defeitos e miar seus planos de motel para o sábado a noite.

Também conhecido como o empata-foda, um bom brinde não larga facilmente o seu lugar. Não pense que ele irá ceder em ser a companhia oficial de seu namorado para ir ao shopping. É bem provavel que este force encontros a três não para fazer um menage, mas simplesmente com o objetivo de estar presente.

Ninguém chega ao amor a não ser por mim” é o lema do brinde. Ao descobrir que você está saindo com o melhor amigo dele, como uma BFF furiosa, ele irá te adicionar no orkut e stalkeá-lo permanentemente. Não cometa passos falsos. Não mande scraps carinhosos para outros. O empata-foda está atento e irá relatar isso ao seu futuro namorado.

É bem possível que ele se passe por seu amigo. Comente coisas a fim de que você desabafe algumas outras. Fingirá não contar nada ao outro apenas para montar um relatório final e maldoso. Se você arranjar um amigo para fazer um double-dating, ele irá rejeitar ou ser irônico. Ele está ali para incomodar. É capaz de dar em cima de você para provocar alguma reação.

Mas, graças a Deus, os empata-fodas não são a regra. Há melhores amigos de namoradas legais, cujas amizades acabam durando de verdade. Já gostei mais de amigos dos peguetes do que do peguete em si. Mas fique atento, os brindes existem, são espertos, rápidos e estarão prontos para colocar três pessoas na cama desse relacionamento, e não de uma maneira boa.





Saindo da Fossa: Procure a Doceria mais Próxima

4 05 2009

Precisamos reconhecer o poder terapeutico dos doces. Se uma panela de brigadeiro faz milagres e tira da fossa, camisinha com sabor é felicidade pra quem não é alérgico a frutose. Pra quem é chocólatra, Johnny Depp na Fantástica Fábrica de Chocolate é filme pornô.

Para quem pensa que o cômodo da casa onde se come oficialmente seja o quarto, já vi relacionamentos terminarem na cozinha, brigando em frente a dispensa. O pequeno armário, depósito de bolachas, doces e balas, era quase um closet para um casal que utilizava glicose como forma de esquentar a relação com danone e danete seguindo a rima. Um deles trocou sal por açucar, sem querer e quase matou o companheiro engasgado com pressão alta.

Quando eu era pequeno, felicidade se chamava Kinder Ovo. Eu era especialista em engolir o pequeno chocolate oval com surpresa e tudo e brincava de arrotar o brinquedo. Quando ia ao supermercado, minha mãe me distraía jogando Sparkies e Tic Tacs de longe, mantendo minha boca ativa e distraída enquando ela enchia o carrinho com coisas saudáveis e ruins. A coitada preparava refeições coloridas mas nada aquilo tinha sabor de corante e nem deixava a minha boca colorida.

Temo que o mundo esteja ficando chato. Barrinhas de cereal passam por apertivo e, por vezes, como refeição. Gente que acha açaí gostoso e não percebe o gosto de terra daquele semi-alimento roxo, com cara de emulsificado. Para mim, no máximo, parece produto capilar de cor duvidosa.

A seção de doceria foi tomada por produtos sugar-free. Tiraram todo o sabor da coisa. Dessa forma, para me divertir, vou ter que trocar o supermercado pela farmácia, com camisinhas e caixas de gardenal. Quem toma sorvete e não leite no café da manhã tem mais medo da diabetes e da gripe suína. Mais gostoso que menage à trois só dividir um bom pote de Haagen-Dasz com um amigo.

Para o Brasil, sugiro a bolsa-doce. Uma cesta básica contendo um verdadeiro kit-glicose. Doce é a solução para a paz mundial. As pessoas seriam muito mais felizes se comessem doces. Se o seu chefe estiver chato, enfie um pirulito na boca dele. Se o ex te incomoda, dê um pé-de-moleque na bunda dele. Por um mundo mais feliz, mesmo que com mais cáries. Aumente o consumo de cana e o lucro da Colgate. Coma e sorria. (Se for chocolate, cheque no espelho antes para não aparecer com dentes sujos). Vai dizer que você não olha um picolé e o ouve dizer: “me chupa!”?

PS: Tenho andado meio relapso com o blog, i know, mas o amor acabou e a mágoa voltou. Jornalistas mal-comidos escrevem melhor então esperem uma semana, um mês e talvez um ano lotado de posts.





Cuecas: A Peça Mais Desvalorizada do Seu Armário

30 04 2009

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Pequena, média ou grande, pouco tem a ver com o tamanho do seu documento, mas sim sobre a tua cintura. O tecido é elástico. O resto é folclore. Se é cueca, boxer ou samba-banção, todo mundo usa, a não ser aquela parte da população que atende pelo gênero feminino.

Claro, há também aqueles que a considerem apenas como um acessório. Não usam por cima da calça, como um super-herói dos anos 80, mas simplesmente não a vestem. Eu acho errado. Acho injusto. Vivemos em sociedade e não quero nada me cutucando no metrô se você está feliz.

Desculpa, mas o uso não é opcional. Eu não consigo me imaginar sair de casa sem usar nada por debaixo das calças. Preciso de proteção para guardar o que há de mais valioso neste corpo. Também me reservo ao direito de poder ficar excitado sem que isso desperte alguma Terceira Guerra Mundial no meio da rua ou algum tipo de represália social.

O que é triste é que Hollywood engana a gente. Infelizmente, cuecas boas são caras e você com certeza prefere comprar uma camiseta bonita a um belo exemplar de underwear a não ser que o seu corpinho seja explorado frequentemente. Ao contrário dos filmes, quando as oportunidades de sexo aparecem, nem sempre estamos usando aquela boxer super sexy. Para todos os casos, existe Aussiebum. E, na boa, se em algum surto sexy alguém rasgasse alguma peça de roupa minha, mesmo que fosse a cueca, eu ficaria puto, e não da maneira divertida.

Na verdade, tenho dó da cueca. Ela não tem um nome bom. Boxer soa feio em portugus se lembrarmos de ‘caixa’ ou pacote e a samba-canção então? Fala sério. Desde quando eu quero que um gênero musical embale meu orgão genital? Nem que seja funk ou jazz de big bands (ui).

Então ela fica lá, no canto de um armário, escondida até que você a use uma mísera vez e a coloque para lavar.Depois do processo, você a coloca para secar escondida, no canto, para que os vizinhos não vejam, como se fosse algo proibido. Como se ninguém usasse. Depois ela é retirada do varal, escondida na mão para ser guardada em uma gaveta.

Elas são responsáveis por alguns dos momentos mais constrangedores da sua vida que eram quando sua mãe resolvia gritar na loja de departamentos: “Filhinho, tá precisando comprar cuecas novas?”. Que , aliás, é uma pergunta sem resposta definitiva. Se disser que não, pode parecer porco aos demais clientes. Mas se disser que sim, pode parecer que você simplesmente inutilizou todos os seus exemplares por algum disturbio da natureza que você carrega abaixo do umbigo.

A cueca é humilde. É honesta. Ela é o que é. Não encolhe, não perde a cor, não te deixa na mão. Ela te protege, mesmo que dela você só mostre o elástico na cintura quando coce a barriga. Foi a primeira peça de roupa que demonstrou um desenvolvimento na sua vida, quando você largou a fralda e passou a usar algo que não fosse descartável. Seja grato à cueca. Use-a.





Manual de sobrevivência para quem espera por um príncipe encantado

17 04 2009

por Cláudio Alves

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Somos parte de uma geração que viu desenhos em que o “…e viveram felizes para sempre” era o final de toda a história. Não nos importa se a Cinderela cansou do salto de cristal, se a Rapunzel não agüentou mais ter tanto cabelo e se a Bela Adormecida dormia 14 horas por dias após o casamento. Nosso final era aquele, e por isso começamos a persegui-lo com todas nossas forças (ok, elas costumam se esgotar rápido se você não carrega barras de proteína no bolso).

A busca é longa, we know, nós nos sabotamos no caminho, desenvolvemos planos mirabolantes para ter certeza de que a pessoa vai suportar tudo ao seu lado (o tudo quase sempre inclui muitos amigos seus e um ambiente bastante estranho a ele), fazemos joguinhos emocionais, fazemos drama..Enfim, fazemos tanto que até o Príncipe Felipe pediria para Malévola nos deixar dormir para sempre.

E no fim reclamamos, claro, afinal ele não era o cara ideal, você está cansado de buscar e quer que a pessoa suma para sempre. A revolta por ele não ter o cavalo branco é tamanha que você nem se deu ao trabalho de fazer aquela pessoa entender o quão incrível seria estar com você.

É, amigão. Tá na hora de mudar o jogo. Que tal fazer o papel de príncipe às vezes?

Por isso decidi entregar o ouro. Tá apaixonado por um cara que espera seu príncipe? Quer matar o dragão que fica na frente do castelo dele? Siga as 11 dicas básicas e faça com que qualquer pessoa que mordeu a maça envenenada dê uma abridinha no olho para saber o que está se passando.

1. Música é fundamental. Não force seu estilo, você não precisa ouvir Billie Holliday só porque ele achou incrível. Põe aquele cd de pop tosco velho e faça-o acreditar que a letra da música é incrível (mesmo que a letra diga “sou um trem quebrado de manhã, sou uma vadia de tarde.

2. Não saia do carro para abrir a porta. Não queremos, é cafona. Mas abra a maçaneta por dentro, para o outro só ter que puxar. Finge que foi para a comodidade do outro, sabe?

3. Se o outro disser “não sei o que faremos, não sei se quero peixe ou suflê” escolha por ele. Ok, gente indecisa é chato, mas às vezes a pessoa não sabe o que fazer. Leve-a e não pergunte. Só faça. E, se possível, surpreenda.

4. Mime. Ligações de madrugada agradam quando é sexta a noite. Ou se a pessoa não acorda cedo. Visitas quase inesperadas também (ligue antes para confirmar, nunca se sabe se a pessoa estará extremamente ocupada naquele momento).

5. Vi em diversos artigos sobre príncipes. E concordo: “Certas verdades não precisam ser ditas.”

6. Lembre do que a pessoa não come. Ou o que ela sempre come. Adiante-se ao avisar que o café dela tem que ter duas colheres de açúcar mascavo ou uma pequena de açúcar cristal ou qualquer detalhe do gênero. É atencioso.

7. Não fale de ex com rancor. Melhor saber que vocês viraram amigos do que saber que existe muito ódio. Porém, depois de ficar sério, fale que você detesta seu ex. É o melhor a fazer.

8. Pagar tudo não é necessário. Ok, a gente espera que isso aconteça, mas estamos em época de crise e a cidade tem muitas coisas gratuitas (caso nenhum dos dois tenha dinheiro). As vezes um passeio na Casa das Rosas é muito mais romântico do que ir no teatro e jantar no Terraço Itália (apesar de ser um encontro bom o bastante para você querer um diamante no dedo).

9. Termine um encontro no café da manhã. Pode não haver sexo. Mas veja o sol junto. Fale merda, abrace a pessoa.

10. Ache algo – qualquer coisa – e faça a pessoa guardar. Ou escreva algo – qualquer coisa – e coloque no meio da carteira dele sem ele ver. Isso faz milagres.

E a mais importante:

11. Não seja príncipe na cama. É este o momento certo de virar sapo, e só lembrar que é príncipe no dia seguinte.

PS: E se você cansar de ser Bela Adormecida, Cinderela ou Rapunzel, declare a Chapéuzinho Vermelho para a vida e dispense a procura pelo principe. Afinal, no final, ela é comida pelo lobo, casa com o lenhador e ainda fica com os doces que entregaria para a vovó.(comentário inapropriado por Felipe Luno.)





O Primeiro Teste: Viajando como Casal, Pijamas e Roupões no Hotel

15 04 2009
É quase um Big Brother particular. Ou 'little', dependendo do caso. Mas isso não importa...né?

É quase um Big Brother particular. Ou 'little', dependendo do caso. Mas isso não importa...né?

Primeira viagem como casal? Ah, que gostoso, sair da zona de conforto urbana e ver se a relação sobrevive à ação da areia e do sol. Conferir se o outro tem uma boa habilidade em passar protetor solar em suas costas, qualidade desejável em futuros maridos que não querem que você se queime pelas costas.

No entanto, ficar sozinho assim, logo no começo, pode intensificar aquelas coisinhas chatas que a gente finge que não vê pra falar que está tudo bem e não precisar voltar ao bate-papo do uol para caçar namoro. Fiquemos atentos aos detalhes. É melhor previnir do que tentar arranjar namorado comprando camisinha na farmácia mais próxima.

Tudo pronto, gasolina no carro e alcool no porta-malas. Logo cedo, levo minha primeira crítica: minha mala é grande demais e mal cabe no carro. Você, como eu, caro leitor neurótico, deve entender as razões de uma mala grande. Eu preciso ter opções. É preciso ter alternativas. Um ladrão chegar e falar: “e aí, cumpadi, quer morrer afogado ou queimado?” é uma coisa, é mais tranquilo poder escolher. Mas se ele vier e disser: “tu vai morrer agora à bala”, isso sim é desesperador.

Passado o estresse do embarque, encaramos o desafio do silêncio no carro. Preste atenção se ele batuca enquanto ouve Fergie no rádio. É um mal sinal. Beyonce é aceitável. Saber cantar alguma do NXZero vale menos 20 pontos e cantarolar Charlie Brown Jr. merece um acidente de carro gravíssimo como multa por mau comportamento. Valorize o silêncio, ele evitará que você diga bobagens e até soa confortável. Levei um livro, deixei-o no colo mas não abri, para parecer culto e ter opções caso o papo ficasse chato.

Até então, tudo ia bem. Minha companhia foi muito amável, vez em quanto tirava a mão do câmbio para colocar na minha perna e atropelou menos pombos na estrada do que faço com minha bicicleta na cidade. Eu esperava algo romântico como que me carregasse pelas escadas e se oferecesse para pagar a minha diária do hotel. No entanto, subimos de elevador e paguei a conta com tickets-refeição que economizei.

Chegando no quarto, já era noite e hora de dormir. Ou não. Nesse momento de indefinição sobre se ataco ou não ataco, resolvi desfazer as malas enquanto ele trocava de roupa. Fulano entra no banheiro e sai de pijama. De pijamas. Quer algo mais “não vou transar contigo” do que usar pijamas? Pior que isso, só se ele resolvesse cortar o mal pela raiz decepando o pênis e entrando para alguma seita budista ou simplesmente virando indie.

Hotel é a oportunidade de você usar pouca roupa e vestir roupão sem que isso seja socialmente reprovado. É quando a gente tem orgulho de vestir quase nada para atender a porta e constranger os funcionários da hotelaria, fazendo aquela cara de “eu estava transando e você interrompeu. No entanto, mesmo com essa chance de ouro, minha companhia resolveu usar um pijama. Semi-pijama, já que se tratava de uma bermuda velha e uma camiseta que dizia vestibular “Uninove 2005. Matricule-se já”.

Mesmo com tantos pontoss negativos, aos poucos, a situação foi se tornando mais aceitável quando percebi sua tolerância pelo meu medo de chinelos de dedo e pavor de grãos de areia. São poucas pessoas que tem coragem de ficar ao lado de alguém quando este usa sapatos na praia. Deve ser amor.

Foram apenas três dias, ou quase 72 horas bem aproveitadas. O tempo passou rápido e eu quase nem percebi que tinha perdido um episódio do Zorra Total. Ele ficou bravo quando descobriu que comprei metade da feirinha de artesanato, aumento o PIB da cidade em cerca de 22% mas o enganei jogando Dan Tops em sua direção.

E mesmo com os surtos paranóicos, ligações escondidas, toalhas roubadas do hotel, declarações escatológicas de amor e celulares atirados pela janela, tudo foi bem, a tudo isto sobreviveu e tem, por bem, atrapalhado em muito a minha criatividade para postar. Afinal, reclamação, ironia e celibato imposto pela sociedade sempre foi meu forte. Como mulher de malandro ou simplesmente Alanis Morissette, estou à espera de um bom pé na bunda para escrever melhor. Até lá.