Como Sobreviver ao Divórcio dos Seus Pais sem Enlouquecer ou Enlouquece-los

10 09 2009

mc3

Ok, seus pais se separaram e reclamar disso é algo que se fazia na época do ICQ. Antes que você resolva virar emo, com toda aquela raiva juvenil guardada desde que perdeu a virgindade com o vizinho caolho manco, saiba que não há nada mais década de 90 do que procurar psicólogo pra assimilar o fato de que seus pais não transarão mais. Aliás, tem algo mais aliviador do que pensar que isso não vai mais acontecer? Só de falar nesse assunto bizarro já dá calafrios.

Agora é preciso agir de modo racional. Se você é bonzinho, saiba que teus pais te considerarão um amigo a partir de agora. É bacana, eles pagarão cervejas pra você enquanto contam as mágoas, dizem que deveriam ter sido mais presentes e tentam te compensar com presentes. E você, por favor, aceite. Felicidade material não é tudo nessa vinda, mas paga a fatura do cartão de crédito quando a gente vende o que ganhou no Mercado Livre.

Se a idéia de ter duas casas parece ser interessante, há o contraponto. Passar dois Natais e comemorar o Ano Novo duas vezes faz a vida parecer passar mais rápido. A não ser, claro, enquanto você é beijado e abraçado por aquela tia gorda que cheira a batata e naftalina. Serão os segundos mais longos da sua vida, fato. E como parente esquisito é algo universal e democrático, a sua dose de personagens bizarros será dobrada.

Antigamente, filhos de pais separados eram tratados como problemáticos. Na minha escola, tinhamos um time de futebol próprio e chamar alguém de filho da puta era um problema sério já que o ofendido não podia retrucar com um: “vou contar pro meu pai”, já que o suposto defensor poderia concordar com o agressor. Hoje, são as crianças com mais Playstation e menos espinhos no rosto.

Por isso, como guia de sobrevivência, saiba que o momento pós-rompimento é extremamente importante para estabelecer como as relações entre você e seus pais serão. Não fique tão próximo, nem tão distante. Não vire o melhor amigo, mas não seja o filho indiferente. Isso faz diferença na verba disponibilizada para a mobília do seu novo quarto. Não dê chiliques. Deixe esse direito para eles. São eles que estão perdendo o sexo garantido, recurso principal do matrimônio. Se você tem irmão mais novo, passe segurança. Se tem irmão mais velho, não apronte. Ninguém poderá te proteger agora.

O ideal é perceber que nenhuma situação de conflito é permanente. Casamento não é a questão da Palestina e, a não ser que seus pais sejam homossexuais com nomes estranhos, não se trata de Israel e Ismael. Logo, o melhor é aguardar, poupar o drama para situações mais importantes na vida, como o primeiro chifre. Divórcio hoje é algo tão natural quanto o próprio casamento. Fique atento aos erros, aprenda com eles. Assim, um dia, você pode evitar o seu casamento, se for misógino, ou divórcio, se não tiver uma política bem estabelecida sobre traições e desentendimentos.

Em caso de dúvidas, NÃO consulte a Bíblia mais próxima. Ainda não implantaram o sistema wiki naquele documento e os grandes sábios eram um pouco conservadores em relação à esse assunto. Evite também a tia solteirona, a sogra mal-amada e o seu vizinho esquisito que parece amar a mãe e querer matar o pai.





Promiscuidade Emocional e Como Não Ser Cachorro, Galinha ou pegador

27 07 2009
*** Lembram do Saulo Henrique Oliveira, vencedor da último concuso do PinkEgo, com um texto fantástico sobre Como Perder a Virgindade e a Vida Social Escolar? O cara é bom e está de volta com um texto novo, sobre promiscuidade emocional. Leiam:

Chega aquela sexta-feira, sem planos para depois do trabalho e você, que já está umas semaninhas sem dar uma bitoca, solta aquela meio desesperada para o seu amigo: “então, já que você tem tipo um encontro hoje porque você não fala para ela levar uma amiga?”. Seu amigo, que deve ter uns parafusos a menos para te dar ouvidos, propõe a idéia para a garota e ela bizarramente concorda.

Aí você ajeita os cabelos, checa o hálito, passa desodorante para dar aquele tapa depois de um dia de trabalho árduo e parte com coragem para o desconhecido. Desconhecido literalmente, porque seu amigo esqueceu de mencionar que era um encontro às escuras. Essa designação traz lembranças da última vez em que você foi arranjado para se encontrar com uma menina, e descobriu só na hora que ela raspava a cabeça. Mas é sexta-feira, você não tinha nada programado mesmo e um encontro às escuras parece mais promissor do que sua cama vazia. Fora que dois raios carecas dificilmente caem no mesmo travesseiro.

Impagável é a “cara de quem comeu e não gostou” do seu amigo quando você avista ele e duas raparigas esperando em um canto de estação de metrô. Pela expressão dele, você já tem plena certeza de que se meteu em uma furada. Com olhos de águia, faz uma rápida análise das acompanhantes. Uma é bem mediana, nenhuma beleza excepcional tanto de rosto quanto de resto. A outra já está um bocado abaixo da média, próxima daquele limiar que apenas os mais bravos e destemidos ousam cruzar. Pela formação que o trio apresentava, você já sabe dizer com um certo grau de certeza qual é a sua e qual é a dele. Realmente a situação não é lá das melhores.

Você chega com o maior sorriso estampado no rosto, cumprimenta a todos e se apresenta. Em meio as apresentações, de canto de olho, percebe que as meninas trocam cochichos e soltam risadinhas. Em contrapartida, seu amigo lhe passa discretamente aquele sinal de truco que quer dizer “fudeu”, em pleno e bom francês. Na verdade, o sinal de truco é só uma expressão de quem grita “socorro, me tira daqui”. Usando toda sua finesse de agente secreto, você faz o que qualquer homem de bom senso faria numa situação dessas e fala: “e aí? vamos pro bar?”.

No caminho do bar, rola toda uma segregação. As garotas seguem uns metros a frente e provavelmente tiram o atraso das fofocas. Você e seu amigo fazem o mesmo uns passos atrás, ora ou outra soltando comentários sobre o encontro às cegas não ter saído como o planejado. Seu amigo já rejeita qualquer hipótese de ósculo por parte dele. Como previsto, confirma-se que a garota mediana é o par do seu amigo e que lhe resta a outra guria. Novamente, o que você tem a perder? A solução lógica para essa situação desconfortável surge num passe de mágica quando vocês sentam na mesa do bar: “Garçom, me vê uma cerveja!”

Muitas conversas, copos de cerveja e um de dreher com cacau depois, o assunto passa a fluir bem e você se sente estranhamente atraído pela garota supostamente do seu amigo. Aquela de beleza mediana, que mostrou que tinha muito mais do que beleza, exibindo um papo legal, conteúdo, um sorrisinho matador e bochechas que ficam vermelhas quando constrangimento bate nas portas. Contudo ela também demonstra outra coisa: uma certa agressividade para com as escolhas amorosa do encontro dela, o seu amigo, um sinal claro de que ela nutre algum sentimento por ele. Quando você se dá conta, já é tarde demais e você se vê preso num triângulo.

Só que vai mandar seu coração ficar quieto! O carinha começa a bater cada vez mais forte no seu peito e o pior, você descobre que não, não é uma ereção. Surge de repente aquele frio na barriga e uma suadeira filha da puta. Você entra naquele modo bobo e infantil de ficar fazendo piadinha e irritando a moça para chamar a atenção e ver se ela para de perguntar do seu amigo. Nada. Você sente como se todos seus anos de prática na arte do xaveco escorressem pelo ralo, tipo aquele branco na prova de história da quinta série.

É nessas horas que você xinga cada átomo e molécula do universo por ter nascido tão emocionalmente promíscuo. Parece que é só a menina não ser careca, ter quase todos os dentes e mostrar uma conversa legal que seu coração já está lá, pulsando por ela. As vezes, você nem consegue ver nada demais na pessoa. Totalmente banal. Tipo, ela foi legal com você UMA vez e pimba, pulsação, suadeira e todo o resto. Você faz as contas e percebe que teve mais paixões do que ejaculações memoráveis. E isso definitivamente não é um saldo positivo.

No fim da noite, todos se despedem e vai cada um para o seu canto. Você passa a noite pensando na moça, sem entender muito bem o porquê. Decide se fazer de difícil e fingir que o encontro foi apenas um lapso. Dois dias depois quando ela te adiciona no orkut e te manda um scrap suas pernas ficam até bambas e você percebe o quanto você queria ter ido falar com ela e ver as bochechas vermelinhas de novo. Trocados scraps, mensagens e após um encontro ocasional no gtalk, ela fica perguntando demais do seu amigo e você percebe que ser emocionalmente promíscuo pode ser ainda pior do que você pensa.

Por que raios eu não fui nascer cachorro/galinha/pegador?





Você é Emocionalmente Promíscuo na Web?

24 07 2009

internet love

Se a  dor é inevitável e a monogamia opcional, para quem é emocionalmente promíscuo, carinho é melhor que sexo e é importante que alguém ligue no dia seguinte ou mande um scrap para agradecer uma gentileza. Se você ainda for neurótico, pode passar a noite revirando históricos de MSN em busca de demonstrações de afeto de bots e fakes.

Antes da internet, ou pelo menos na época em que banda larga era cara, mas funcionava, nosso grupo de relações sociais era pequeno e limitado. Os contatos eram telefônicos, apenas quando você estava em casa, ou aos finais de semana, em encontros com pessoas que você já conhecia e tinha intimidade.

Hoje, a gente marca de sair com pessoas que nunca vimos antes e seguimos a rotina de estranhos pelo Twitter. Se o vício em se manter socialmente ativo é forte, como a gente faz para não se envolver tanto com essas pessoas que estão tão digitalmente presentes em nossas vidas?

Não é uma tarefa fácil, já que a rede possibilita que você encontre pessoas com quem tem grandes afinidades, gostos em comum e você não precisa mais aturar aquele colega de sala que gosta de Britney Spears enquanto você é fã de Christina Aguilera. O ato de deletar essas relações denecessárias torna ainda maior o apego que a gente nutre por quem desperta um constante interesse. Afinal, mesmo que você conheça alguém pela internet, sempre haverá algo mais a revelar, não? Nem tudo é dito numa janela de MSN.

Aí que vem grande parte da crise de abstinência dá quando ficamos offline por muito tempo. É uma versão moderna do “ver e ser visto”. É o ato de ter seu blog lido, de acompanhar os tweets de alguém, observar o que andam ouvindo e chorar as suas mágoas no subnick do messenger. Não se trata de uma falta da WEB, da tecnologia, mas sim de encerrar aquela sensação de “estar perdendo algo”.

E é assim que eu me vejo cada vez mais envolvido com pessoas que não conheço, a ponto de ter amigos de verdade que nunca vi pessoalmente. E que talvez nunca veja. E que talvez também eu não precise ver. Mesmo que certas verdades não passem pelos bytes e pixels de um computador, essas relações tranquilizam e fazem com que você veja que pode, sim, ser você, sem medida ou grau. E que, se for rejeitado socialmente, pode deletar e recomeçar com outras pessoas, por mais freak que seja.

Se os problemas e preocupações são compartilhados, você constrói uma rede cada vez maior de contatos. Digitais? Sim. Se você souber não perder a auto-crítica e uma certa dose de senso comum, pode encontrar solidariedade e afeto de verdade e amizades que sejam eternas enquanto dure a conexão.





Como NÃO Flertar em uma Balada Indie

26 06 2009

Mesmo que balada indie seja um ambiente tão sexy quanto um orquidário em Brasilia, é possível encontrar o amor em um lugar que reúne xadrez e óculos sem lentes. Apesar da semelhança com festa junina, não há fogueira e é possível se jogar sem virar Joana d’Arc. Com o olhar um pouco atento, você pode observar a paixão surgindo em alguns cantos mesmo enquanto toca Klaxons.

Mas aí aparece o herói, aquele pequeno indie obstinado, que quer encontrar sair dali com alguém. Para ele, namorado de amigo é homem e, por isso, qualquer um pode se tornar um alvo fácil. No entanto, moleza não é alternativa, logo, é preciso conquistar alguém difícil e ele resolveu chegar no cara mais misterioso da balada.

Este cara se posicionava em um canto, fumando um cigarro de marca desconhecida, talvez, feito pela natureza. Olhar para ele era sentir a serenidade de um Clint Eastwood naqueles filmes que passam durante a madrugada na TV. Dava também para imaginar as bolas de feno passando, trilha country, vento do além. Blasé era pouco.

O herói tomou coragem em forma de vodca barata, engoliu a Natasha e foi.

Erro n.01: “Oi, tudo bem? De onde você é?”. “De longe…muito longe”, foi a resposta. Nunca pergunte de onde a pessoa é a não ser que ela tenha cara de gringa. Nesse caso, faça a pergunta em inglês ou espanhol. Eu costumo emular idiomas latinos quando desconheço a nacionalidade alheia. E acredite, quando alguém coloca reticências na frase, ele não está interessado e quando alguém diz que é de longe, a não ser que diga que é de “um reino muito muito distante”, não, ele não é o seu príncipe encantado.

Erro n.02: Nosso amigo resolve dançar perto na pista e observa que o forasteiro pouco mexe as pernas. Na verdade, o misterioso apenas balança levemente o corpo como se dançasse. Talvez fosse o álcool, mas certamente não era no ritmo da música. Eis que ele diz: “Calma, vai pra lá que você está muito perto, isso me irrita”. Além dessa frase identificar que ele não está acostumado com transporte público, mostra que seu corpo não está sendo bem avaliado. Nesse caso, não adianta fazer o garoto de mastro e encarar um pole dance. Tire o time de campo, com classe.

Erro n.03: Cansado de tentar agir sozinho, o herói pede amigo da cavalaria, que geralmente é composta por amigos que já beberam demais ou estão fora do mercado. O mais desinibido ajeita a camisa, injeta um pouco de ar na calça skinny e parte em direção ao escolhido para salvar o amigo: “Ei, gato…”. É interrompido. “gato não, porque gato é animal”. Tipo, FAIL. Sim, ficou feio. Sorria e acene e fique duas rodadas sem jogar.

Erro n.04: Última chance de jogar a simpatia, você não desiste. Compra uma bebida colorida para parecer descolado e toma de canudinho. Encara aquele sorriso super simpático de promotor de boa e solta: “Oi, tudo boooooommmmm?”. “Oi por que? Eu não te conheço, conheço?”. Hora de aproveitar a deixa do DJ e trocar de área da pista.

Acredite se quiser, há quem goste de estar solteiro, curtindo sozinho ou simplesmente não está a fim de você. Mesmo sem parecer, ele pode ser uma pessoa feliz, usar as suas endorfinas sexuais para o bem e a rabugice para espantar gente inconveniente. É uma prática de auto-preservação. E lembre-se: você não tem que provar nada pra ninguém. Preserve a sua integriodade. Caso contrário, nem São Longuinho vai te ajudar a achar a tua dignidade perdida no dark room da Tunnel. Sorry.

Dicas by MUFU, que, acredite, não era o herói!





Magralinda x Gordanot(?)

19 06 2009

Texto por Camila Carneiro

Quando eu nasci, era um bebê realmente fofo, com cara de joelho e peso de um corpo inteiro. Em apenas 3 meses, eu já pesava 9kg enquanto minha mãe tomava anabolizantes para me carregar. Na verdade, lembro até hoje de ver visitas me segurando, suando e fingindo conforto.

O tempo passou e não mudou muita coisa. Eu era a criança gorda, redondinha, daquelas que são ótimas para rimas de amigos malvados que acabam se tornando marginais na adolescência. “Gorda/Baleia/Saco de areia/Comeu banana podre e morreu de caganeira”, cantava Wilson, que hoje deve ser porteiro de puteiro.

E, na verdade, eu estava cagando montes para as pessoas da minha infância. Eu era auto-suficiente, me entretinha com meus próprios pensamentos aos 6 anos e ignorava o papo furado que vinha de fora. Meu mundo era eu e se encerrava em mim, mesmo enquanto eu me sufocava com minhas bochechas a cada sorriso.

Sim, Educação Física não era para mim. Era a última a ser chamada, logo depois da outra Camila, que mancava e não falava português. Não era incomum eu aparecer com faixas e dizer que havia quebrado o braço, dores-de-barriga inventadas e visitas constantes de alienígenas que teimavam em esquecer uma sonda anal. Esta última, apesar de parcialmente divertida, nunca convenceu professores.

Aí que chega a adolescência e pouco importa o que a gente pensa, você só quer saber dos outros, da opinião alheia. Dei adeus à minha auto-suficiência e escondia meu corpinho com casacos e mais casacos, Alaska-style. Tenho trauma até hoje de lã e ganhei o prêmio de auto-iglu móvel na feira de ciência das escolas.

Mudei de escola e conheci o capeta em forma de números de matrícula. A turma era do mal, envolvida em uma fumaça preta à base de Marlboro e câncer no pulmão. Com tanto alucinógeno, tanto faz se eu era gorda, azul ou usava pochete. “Sou gordo e quem liga? Pego o cara gato do colégio!”. Pena que durou apenas o primeiro ano.

No segundo colegial, me tornei compradora compulsiva de sapatos. Eu gosto de sapatos. Eles não discriminam as pessoas. Se você calça 34, tanto faz se é gorda ou magra, teus dedinhos caberão lá da mesma forma.

E, pra vestir o clichê de vez, me tornei engraçada. Toda gorda é engraçada, amiga e ótima companhia. Dos 15 aos 23 anos, isso não mudou muito. Mantive meu tamanho, o humor e a vontade em me tornar uma centopéia. Eu já me conhecia. Já sabia como meu corpo funcionava e minha cabeça já tinha se conformado com isso. Era questão de deixar o tempo passar e torcer para o Google inventar uma pílula de emagrecimento online.

Ai chegou a crise dos 25 anos. Já ouviu falar dela? Se não, é por que você é novo e eu te odeio, mas é o equivalente à crise dos 24 anos para os membros do GLBT e restante do alfabeto. Tudo muda. É uma puberdade nova, sem as espinhas, descoberta sexual e exemplares da Capricho.

Eu pesava respeitáveis 85 quilos, distribuídos em 1,53m. Resolvi mudar de vida. Fechei a boca. Parei de comer mesmo. Entrei na academia, fiz a matrícula e, pasmem, comecei a freqüentar. Entre exercícios, abdominais e pororocas de suor limpo, eu mudei!. Perdi 25kg em 8 meses, o que seria, na verdade, o peso de uma criança saudável africana. E agora eu tornava uma pessoa normal. Até a próxima crise, pelo menos. Aí o que eu perco? Os cabelos? A libido? A vergonha na cara? Mal posso esperar.





Sincericídio – Como Matar Amigos e Desconhecidos com a ‘Verdade’

15 06 2009

“Nossa, essa foto é de quando? Três anos atrás? Ah, só dois meses?! Nossa, você tá bem melhor na fotografia, não? Uau, mas bem melhor na fotografia. E olha que era foto de máquina antiga, então nem rolou Photoshop. Essa vida corrida de hoje em dia acaba com a gente, não?”. E foi assim que minha mãe matou uma visita.

Toda mundo é um assassino em potencial e, para isto acontecer, basta abrir a boca. Não estou falando em crimes cometidos em atos orais mal-sucedidos ou mordidas de vampiro em pescoço, mas na forma mais antiga de se matar alguém: o sincericídio. Uma dose certa de verdade é capaz de acabar com a vida de uma pessoa.

Digo que minha mãe matou uma visita porque a senhora, retratada na foto, ficou realmente mal. Foi como se aquela sequência de frases desastradas tivesse feito com que ela percebesse o quanto envelheceu em pouco tempo. A tal fulana morreu em menos de dois meses. Há quem diga que foi em um acidente de carro, eu ainda acho que foi minha mãe.

Todo mundo gosta de “gente que fala o que pensa”. O problema é que gente pensa muita merda. Somos humanos, cometemos erros de julgamento. Muitas vezes, a sinceridade é usada pra disfarçar a grosseria. A pessoas diz, com aquele alívio incomum do “pronto, falei”, e quem ouve ainda deve agradecê-la por ter falado a verdade. Que nada. Muitas coisas não passam de ponto de vista e se o que você pensa não vai trazer um bem comum entre você e a vítima, não diga. Se falar algo vai apenas fazer com que o outro se sinta mal em troca do teu alívio, fique quieto, compre um sorvete e seja feliz.

Há dois tipos de sinceridade:

Sinceridade boa: quando um amigo te previne de sair de casa com um cachecol no verão porque está ‘friozinho’, quando tua mãe te avisa que você é feio demais pra aparecer na tv e que por isso deve fazer faculdade, quando o Windows pergunta “tem certeza que deseja desligar o computador” e você sabe que quer ficar mais um pouco ou quando a bula do remédio que você usa te avisa antes que os efeitos colaterais podem causar perda da libido.

Sinceridade ruim: quando o garçon pergunta se eu quero MAIS uma vodka! Mais uma? Quem é ele pra julgar o quanto eu bebo? E a moça do supermercado, que pergunta: “É só isso, senhor?”. Meu orçamento é curto, mas ela não precisa me lembrar disso. A sinceridade bancária também é ruim, porque ela não te trata com carinho. Em vez de dizer que você está devendo, ela fala, com todas as letras e numeros, o tamanho da sua dívida.

Eu, por exemplo, estou a beira de um sincerício sempre que o Gmail diz: “Você não tem mensagens novas”. Sou salvo da morte sempre que chega um SPAM pra me lembrar que eu existo digitalmente.





Manual de sobrevivência para quem espera por um príncipe encantado

17 04 2009

por Cláudio Alves

amc0327l

Somos parte de uma geração que viu desenhos em que o “…e viveram felizes para sempre” era o final de toda a história. Não nos importa se a Cinderela cansou do salto de cristal, se a Rapunzel não agüentou mais ter tanto cabelo e se a Bela Adormecida dormia 14 horas por dias após o casamento. Nosso final era aquele, e por isso começamos a persegui-lo com todas nossas forças (ok, elas costumam se esgotar rápido se você não carrega barras de proteína no bolso).

A busca é longa, we know, nós nos sabotamos no caminho, desenvolvemos planos mirabolantes para ter certeza de que a pessoa vai suportar tudo ao seu lado (o tudo quase sempre inclui muitos amigos seus e um ambiente bastante estranho a ele), fazemos joguinhos emocionais, fazemos drama..Enfim, fazemos tanto que até o Príncipe Felipe pediria para Malévola nos deixar dormir para sempre.

E no fim reclamamos, claro, afinal ele não era o cara ideal, você está cansado de buscar e quer que a pessoa suma para sempre. A revolta por ele não ter o cavalo branco é tamanha que você nem se deu ao trabalho de fazer aquela pessoa entender o quão incrível seria estar com você.

É, amigão. Tá na hora de mudar o jogo. Que tal fazer o papel de príncipe às vezes?

Por isso decidi entregar o ouro. Tá apaixonado por um cara que espera seu príncipe? Quer matar o dragão que fica na frente do castelo dele? Siga as 11 dicas básicas e faça com que qualquer pessoa que mordeu a maça envenenada dê uma abridinha no olho para saber o que está se passando.

1. Música é fundamental. Não force seu estilo, você não precisa ouvir Billie Holliday só porque ele achou incrível. Põe aquele cd de pop tosco velho e faça-o acreditar que a letra da música é incrível (mesmo que a letra diga “sou um trem quebrado de manhã, sou uma vadia de tarde.

2. Não saia do carro para abrir a porta. Não queremos, é cafona. Mas abra a maçaneta por dentro, para o outro só ter que puxar. Finge que foi para a comodidade do outro, sabe?

3. Se o outro disser “não sei o que faremos, não sei se quero peixe ou suflê” escolha por ele. Ok, gente indecisa é chato, mas às vezes a pessoa não sabe o que fazer. Leve-a e não pergunte. Só faça. E, se possível, surpreenda.

4. Mime. Ligações de madrugada agradam quando é sexta a noite. Ou se a pessoa não acorda cedo. Visitas quase inesperadas também (ligue antes para confirmar, nunca se sabe se a pessoa estará extremamente ocupada naquele momento).

5. Vi em diversos artigos sobre príncipes. E concordo: “Certas verdades não precisam ser ditas.”

6. Lembre do que a pessoa não come. Ou o que ela sempre come. Adiante-se ao avisar que o café dela tem que ter duas colheres de açúcar mascavo ou uma pequena de açúcar cristal ou qualquer detalhe do gênero. É atencioso.

7. Não fale de ex com rancor. Melhor saber que vocês viraram amigos do que saber que existe muito ódio. Porém, depois de ficar sério, fale que você detesta seu ex. É o melhor a fazer.

8. Pagar tudo não é necessário. Ok, a gente espera que isso aconteça, mas estamos em época de crise e a cidade tem muitas coisas gratuitas (caso nenhum dos dois tenha dinheiro). As vezes um passeio na Casa das Rosas é muito mais romântico do que ir no teatro e jantar no Terraço Itália (apesar de ser um encontro bom o bastante para você querer um diamante no dedo).

9. Termine um encontro no café da manhã. Pode não haver sexo. Mas veja o sol junto. Fale merda, abrace a pessoa.

10. Ache algo – qualquer coisa – e faça a pessoa guardar. Ou escreva algo – qualquer coisa – e coloque no meio da carteira dele sem ele ver. Isso faz milagres.

E a mais importante:

11. Não seja príncipe na cama. É este o momento certo de virar sapo, e só lembrar que é príncipe no dia seguinte.

PS: E se você cansar de ser Bela Adormecida, Cinderela ou Rapunzel, declare a Chapéuzinho Vermelho para a vida e dispense a procura pelo principe. Afinal, no final, ela é comida pelo lobo, casa com o lenhador e ainda fica com os doces que entregaria para a vovó.(comentário inapropriado por Felipe Luno.)





Como Escapar da Depressão Pós-Coito sem Cartão de Crédito

31 03 2009

 

*Texto de Bruno Galhardi, segundo colocado na Promoção do PinkEgo. Coleciona serras circulares, é viciado em comprimidos e trabalha com mentiras.

mba0116l1

“Quando o pau fica duro, o miolo fica mole”

G. A. Matiasz

Na real, eu sofro de uma depressão pós-coito fudida. Não estou falando daquela preguiça e vontade de dormir após o ato. Falo daquela vontade ABSURDA de evaporar no instante seguinte.

E veja, não é algo relacionado com amor. A reação pode acontecer, em variados níveis de intensidade, com aquela namorada por quem você é apaixonado loucamente ou por aquela profissional da Rua Augusta que te enrolou e levou todo seu dinheiro por uma transa ruim.

Seja como for, é algo que incomoda muito, a ponto de, por vezes, bater um arrependimento. Acredito que o Vaticano teria muito mais sucesso em coibir o sexo casual elaborando uma cartilha sobre os males da depressão pós-coito. Ficaadica ao Bento XVI.

Enfim, todo essa intro tosca para explicar que esse problema já me trouxe muitos problemas. O desespero de sumir me leva a desordens de toda a sorte. Esquecimentos, lamentações, culpa por sentir culpa, e tudo mais que um sociopata terminal de responsa pode ter.

Lá estava eu num sábado pela manhã, com um telefone nas mãos. Pensei: “Por que não?”. Liguei para a garota, arquitetando os planos para o dia (e isso é o mais INCRÍVEL de tudo: como você se transforma de um ardiloso calculista inteligentíssimo nos momentos que antecedem a coisa toda para um debilóide depressivo depois de tudo, sem nem mesmo ter ido a um show do Radiohead na vida).

Cinema, cerveja, amenidades e, enfim, chega a hora derradeira. “A gente pode terminar essa conversa em outro lugar”, ela sugere. “Sei lá, tipo uma banheira de hidromassagem”. Acende-se a luz amarela, e já dá aquela vontade de fazer um exame de sangue no dia seguinte. Na dúvida, vale tomar um banho antes, e outro depois, mas enfim, assim é a vida, vamos nessa. 

Depois de uma transa que, se fosse musicada pelos Raimundos (com Rodolfo), teria um verso como “Eu sei, você é bonita, e tem sempre razão, mas acho que seu aparelho prendeu minha circulação”, a bad vibe começa. 

Texto por Bruno Galhardi, segundo colocado na promoção do PinkEgo.

Aliás, deve ser por isso que a maioria dos filmes pornôs termina nessa hora. Na real, nada mais patético do que aquilo: você com o pinto na mão, a garota com uma cara de satisfeita, que quase sempre é falsa. Um cigarro é praticamente uma tábua de dignidade no meio do mar de desespero e indiferença em que você se meteu (durma com essa, Thom Yorke!).

Ah, meus senhores, mas a CILADA estava apenas começando. Após o banho regulamentar, e o furto de shampoo perpetrado pela garota não menos regulamentar, já estava no carro acelerando loucamente.

Sério, tava um DANO CEREBRAL feelings, eu queria sair dali o mais rápido possível, era incontrolável. Mas opa, fanfarrão, cadê o cartão? E dinheiro é algo que não faz parte do meu nécessaire.

Aí, meus amigos, fudeu. Senti a gotinha de suor pingar do rosto. Barrado na saída, sem cartão ou dinheiro, acompanhado de uma periguete furiosa no banco do carona, me senti dentro de um dos melhores remakes de Porky’s.

Volto pro quarto, reviro colchão, toalha, tudo. E, vale lembra, a nóia da depressão pós-coito começa a bater fundo. E começam a rolar as acusações. “Você pegou meu cartão de propósito! Devolve!”. Carinho é isso.

Quando já estava puxando pela memória aquele texto do Hunter Thompson em que ele foge de um hotel em Cozumel sem pagar uma conta de 500 doláres, me rendo à realidade. Sim, ligar pra alguém que possa pagar a conta, me tirar de lá e, com sorte, que tenha uma Magnum .357 para me dar um belo tiro na nuca.

Fato é que, após longas e constrangedoras ligações, me tiraram de lá. Pouparei os detalhes porque constranger e chantagear terceiros é meu trabalho, e esse texto aqui é hobby. O cartão? Achei no dia seguinte, embaixo do meu banco. Lamentável.





Como Perceber Que Você Está Sobrando

27 03 2009

ear0879l

Conversas, risadas, toques no ombro, confidências, clima leve e solto. Ah, que delícia. Pena que tudo isso não envolve você, que tenta desesperadamente encontrar algum assunto em comum para trazer o assunto até a sua pessoa. É, meu caro, é desta forma que você percebe que está sobrando.

Como em um menage a trois entre cegos, você fica ali, parado, virando a sua cabeça em direção a quem fala sem saber o que dizer. Tudo parece acontecer tão rápido e a tática da distração é automática: ver as horas no celular, fingir uma ligação, falar que está com sono ou cansado, abrir uma revista ou ficar emburrado.

Chega a dar pânico! Nesse momento, parece que meus pés ficam maiores e eu vou cair a qualquer momento. as mãos ficam tortas e mal seguram uma xícara de café. meu sorriso fica a meia bomba, parecendo que acabei de sofrer um AVC causado por excesso de desconforto e stress emocional. É uma sensação estranha, mas passa.

Mas, falando sério, vale realmente ficar bravo com isso? Movimentar quase todo o seu rosto para parecer que não está contente em estar ali. Talvez você não esteja, de verdade, com a situação que aconteceu. As coisas não saem como encomendado quando Murphy te encoxa e faz carinho, mas enfim, por que não tentar aproveitar isso de uma forma saudável?

Se você está sobrando na conversa, se está se sentindo excluído, tente arranjar outra coisa para fazer, outras pessoas pala falar. Seja simpático. Seja legal. As pessoas tem a tendência a darem atenção a quem fala com elas então exercite isso. Mesmo que a simpatia não seja algo inerente à sua pessoa, emule alguma personagem interpretada pela Meg Ryan nos anos 90 e seja feliz.

Para saber se você está sobrando, fique atento: você não sabe do que estão falando, a conversa parece rápida demais e não há ninguém olhando em sua direção. Você sente uma vontade enorme de falar sobre você, você e você mas os assuntos se esgotam rápido. Há contato físico entre eles e você está na poltrona ao lado. Você está no mesmo sofá, mas eles estão se pegando. Enquanto você vê Zorra Total, eles estão procriando ao teu lado, sem te convidar pra festa. Você se sente como um bolo na festa, mas que ninguém quer apagar a sua velinha. Você sente vontade de mandar um SMS pra sua terapeuta e ligar para a sua mãe. Sair daqui e ir pra Bubu parece uma opção viável. Sair dali e ir para a rua de madrugada parece atraente. Dormir soa sexy. Depressão parece uma boa meta de vida.





Sexo é ruim para você

26 03 2009

Bad Sex! Bad Sex! No donut for you!

Sexo é do mal. Com a desculpa da procriação, é algo inventado pela sociedade para você se sentir excluído enquanto não pratica o esporte mais antigo do mundo. Quando éramos virgens, não sabíamos o que estávamos perdendo. Tudo bem, existiam os filmes, as fotos. A gente fazia idéia do que era, mas era mais tranquilo, uma simulação. O foda mesmo é se sentir virgem depois de já ter transado.

Sexo é algo que vicia. Quanto mais você faz, mais quer fazer e melhor. Tentar novos truques. Aprender o combo hadouken giratório. Quanto mais experiências você tem, mais pontos acumula na meritocracia sexual que circula no boca-a-boca da sociedade. Fica bom de boca ou sujo na rodinha.

Já tentou passar um tempo sem? É foda. Mesmo que você compre livros, faça novos amigos e se encha de chocolate, não é a mesma coisa. Nem uma overdose de Dan Top salva uma crise de carência física. Dois minutos dentro do elevador, metrô lotado e baladas cheias começam a parecer cenários praticáveis.

A internet vulgarizou a transa. O que antes era de difícil acesso, comprando uma PlayBoy com o jornaleiro de confiança, aquele que não iria contar para os seus pais, ganhou a facilidade de um clique. Mesmo que você não a procure, ela vem até você se acessar a página do UOL depois da meia-noite. Sexo vende. E com tanta gente à venda assim, o preço está baixo e o mercado está saturado. Castidade leiloada no Mercado Livre à preço de camisinhas, parcelada no cartão de crédito.

Como melhor forma de evitar a transmissão de doenças sexualmente transmissiveis e a gravidez infantil, o governo americano investe milhões em programas que pregam a abstinência sexual. Galera coloca uma bíblia nas mãos, ocupa a boca com hinos religiosos e fala que o corpo está fechado para o sagrado. Aí a gente vê os gringos pegando geral, fazendo de tudo, com exceção à ‘aquilo’. Isso não passa de uma burocracia fodástica.

Já conheci quem perdeu a virgindade no banheiro do shopping enquanto eu, no máximo, perdi um livro por lá e um celular que caiu na privada. Há quem perca o selo em uma micareta-cabide numa sauna à beira-mar e quem somos nós para julgar? Nem uma transa ruim é capaz de fazer a gente parar depois que já começamos. Com sexo tão fácil, agora eu sei o que Madonna queria dizer. Sexo é ruim para você, faz mal. Mas, se for fazê-lo, faça comigo. =)

Não se esqueça de participar da nossa “Promoção: Essa História daria um filme!”





Como Sobreviver a Um Fora e a Vida Após a Fossa

21 01 2009

 

Não é você, sou eu que não estou a fim mesmo.

Não é você, sou eu que não estou a fim mesmo.

 

Não é a primeira vez e nem será a última. Pegue o pote de sorvete, o tubo de Pringles e a Coca Cola Light e um filme da Meg Ryan under-40. Você tem todo o direito de curtir a sua fossa pós-fora pelo tempo que quiser. Mas faça-o com classe, moderação e bons modos.

É triste, eu sei. Você super não esperava, apesar de seus amigos já terem avisado. Até recados no orkut já davam conta de que o gato havia subido no telhado. Há quem se tranque no quarto e coloque Radiohead pra tocar. As músicas são tristes, o vocalista é feio e dá pra murmurar chorando na janela do quarto. Eu preferia a chamada blocterapia. Colocava Bloc Party pra tocar até me acabar. Ou até os Cds deles acabarem de tocar. Mas isso foi antes da fase Mercury, dos playbacks e shows meia-boca.

O que não pode mesmo é pagar de miguxa no MSN. Colocar mensagens deprimentos no subnick e reclamar da vida para os amigos dando uma overdose de mau humor mal amado. Se fizer isso, saiba que irá receber conselhos com a profundidade da filosofia da músicas da Pitty com mensagens a.k.a |shut up, please| como: |Ah, mas ele não te merecia. Você está melhor sem ele|, |O que é teu tá guardado|, |Olha, você vai ver. Quando a gente menos procura, aparece|.

Antes de beber água sanitária, cortar os pulsos com faquinha de rocambole Panco e comprar um exemplar de O Segredo, procure tentar atividades saudáveis de distração. Eu tenho tentado correr ultimamente. E acredite, é bem difícil lembrar das dores amorosas com aquela dorzinha na barriga típica de sedentários.

Tenho uma amiga que vai a baladas ruins para se sentir gostosa, outra que liga pra um ex que ela deu um fora para se sentir melhor e um colega chama os amigos para partidas de jogos de tabuleiro. Quando é WAR, a coisa foi grave. Sempre termina com as pecinhas voando pelo ar, parando na garganta do cachorro e gritos de: |O jogo é meu, eu ganhei|. 

Bom, se você tem dinheiro, vale passear no shopping e comprar algo. Se você gosta de comer, vale pedir um Taco ou descer a Augusta. Vale até ver o Fale que Eu Te Escuto com o telefone na mão. Já liguei pra Polishop, só pra papear com alguém, acredite. Tome um AAS como se fosse Rivotril e se engane um poquinho, é teu direito. Afogue as mágoas na piscina do SESC mais próximo.

O que vale mesmo é perceber que vai passar, que você vai ficar bem e arranjar um ourto alguém pra dar certo (ou se decepcionar). E, bom, se não rolar, você pode sempre pegar meu MSN e pedir meu telefone.





Como Ser um Ex-Legal

15 01 2009

 

Ser Bom é Fácil, dificil mesmo é ser legal depois de ser trocado por alguém com biceps maiores. Mas a gente tenta

Ser Bom é Fácil, difícil mesmo é ser legal depois de ser trocado por alguém com bíceps maiores. Mas a gente tenta.

 

Não é fácil ser ex. Eu sei, você foi passado para trás, trocado por um tamanho maior e a vida continuou. Se assistir Marley & Eu te dá invejinha do carinho dedicado ao cão, meu amigo, está na hora de agir e se tornar um ex-legal. E olha, se você for um bom ex, um ex-legal, ela pode querer voltar por você. Ou ainda melhor: ela pode querer voltar com você e você não querer. (Ou querer mas falar que não quer pra pagar de gostoso).

Ex-legal é, por definição deste blog, alguém que terminou um relacionamento com um outro, mas que não se tornou o clássico fdp por causa disso. E mais, manteve uma posição de destaque na vida social do ex e despertando tavlez até uma certa invejinha, mágoa e ponta de algo mal resolvido. Ex-legal não é aquele teu amigo que deixou de ser simpático depois que você deu um fora nele, okay?

Um ex-legal não deleta os scraps amorosos da ex-namorada no orkut porque ele está acima disso. Resolve aceitar que o que passou, passou, que a vida continua e que aquilo faz parte de sua história. E sabe também como funciona a cabeça de algumas (muitas?) garotas: o que uma quer, a outra também quer. Logo, recados da sua ex amorosos que citam as razões pela qual ela te ama podem despertar a curiosidade alheia e, como voce aprendeu aos 15 anos, a curiosidade é meio caminho andado para o pecado.

Um ex-legal continua frequentando os mesmos lugares dotado de uma confiança plástica, mesmo que esteja morrendo de raiva. A idéia é deixar o OUTRO desconfortável com a sua presença. Se estiver em uma festa, beba tranquilamente, ria bastante e dance com desconhecidos (as). Dá a impressão que você saiu melhor no relacionamento, mesmo que tenha trocado sexo garantido por sexo solitário.

Apesar do potencial para ser cafajeste, um ex-legal também é aquele que sabe escutar quando o (a) ex liga para contar alguma coisa, para chorar sobre algo ou apenas para dar um oi a alguem com quem estava acostumada a falar. E sabe fazer isso sem jogar nada na cara, sem usar cartas na manga ou provocar uma discussão desnecessária, por puro carinho.

Aceita fazer DR mesmo quando não há mais relacionamento, cortando a discussão quando o papo fica baixo. Evita falar mal da ex para os amigos e familiares, afinal, não há culpados, apenas mortos e/ou feridos quando uma relação termina mal. 

Um ex-legal jamais sai com conhecidos, amigos ou ex-peguetes de sua ex, pra evitar complicações. O mundo tem 6 bilhões de pessoas e você realmente precisa praticar o PURE dating com alguém do circulo social do seu ex-lover? Varie, conheça pessoas novas e novas relações. Isso, aliás, mostra como você é legal e foi capaz de se envolver com outros sozinho, avulso.

Mas não se esqueça: pra ser um ex-legal, você tem que ter tido um relacionamento. Senão, você é simplesmente um chato que não pega ninguém e aí nem cola pagar de gostoso. Esse ninguém pega, só a mãe pra botar no berço.