repost: Minha Visita ao Urologista e a Amputação

22 06 2009

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Quando a gente cresce, o corpo se desenvolve e passa a parecer mais com o que a gente viu nos livros de anatomia. Postura alinhada, partes salientes e pelos sem acento. Sempre vi minhas amigas visitarem o ginecologista, sem medo ou vergonha de dizerem que deixaram um estranho tocar em suas partes sem ser em uma balada. Depois de anos visitando alergistas, dermatologistas e outros enroladores, resolvi visitar o verdadeiro médico que importa: o urologista.

Para quem assustou, calma. Vai tudo bem, nada mudou de cor ou deixou de funcionar. Também não estou carente ou em busca de contato afetivo. Era apenas um check-up, pra saber se está tudo bem, se não há desarranjos. Morrendo de medo, claro, de ele dizer: |Oh, garoto! Isso não está certo! Não era pra ser assim|.

A sala de espera é constrangedora. Homens leem a última edição do jornal esportivo e eu folheio a Casa & Jardim. Sentia seus olhos de julgamento, com uma voz do meu pai, me dizendo: |Eu, aos 50 anos, pego mais garotas do que você|. Fato. Mas, mesmo assim, se Deus me deu um cromossomo Y, melhor agir como tal, mesmo que seja com moderação, certo?

O médico chama meu nome. Não queria cumprimentá-lo com a mão. Penso em quantos ele já tocou e faço uma saudação oriental, inclinando o corpo. [Posição perigosa de se praticar na frente de maníacos sexuais. Fato]. Ele me recebe bem, com um sorriso e me sinto acolhido. Como num bom date, não consigo parar de pensar em que altura da conversa ele vai me pedir para tirar as roupas.

O cara de branco pergunta se sou sexualmente ativo. Lembro de Juno. Lembro de Diablo Cody e esqueço há quanto tempo foi minha última. Reflito sobre se é possível ser sexualmente ativo, sexualmente inativo ou sexualmente passivo. E sexualmente ausente? Enquanto penso, ele pula para as próximas questões, tipo: |Por que você me procurou?|. Responder que estava entediado seria perigoso.

Não demora muito e deito na maca. Para minha surpresa, não é preciso tirar as roupas, mas apenas abaixar a calça. Sempre imaginei uma cortininha, onde o paciente entrasse, se despisse e um médico de mãos frias e geladas analisava clinicamente o órgão sexual da visita. Esse me surpreendeu. Tinha mãos mornas.

Examinando, fez uma cara feia. Ai Doutor, o que se passa? Seria caso para amputação? Não podemos fazer um transplante? Não vai crescer outro no lugar? Ele coloca os óculos e parece satisfeito. Pediu para que me vestisse e falou que estava tudo bem, tudo no lugar e de acordo com as normas da ABNT. Mas, por via das dúvidas, falou que eu deveria voltar lá daqui a 30 dias. Seria ISSO um date?





Street Fighter: O Duelo Nerd ou Sonic vs. Mario: School Edition

17 06 2009

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Brigas de garotos de escolas particulares costumam ser monótonas, com pré-adolescentes envolvidos em desafios de quem rasga mais dinheiro, quem tem mais contatos no smartphone e quantas ex-mulheres o pai tem. Em todo caso, brigas de garotos nerds de escolas particulares costumam atrair atenção pelo grau de bizarrice.

No meu caso, era um conflito premeditado. Eu era Nintendo. Ele era Sony. Eu era Matemática. Ele era Física. O número dele antes vinha antes do meu na chamada mas eu me posicionava na frente dele na fila, por ser mais baixinho. Não era comum encontrar os dois duelando em problemas de matemática ou em quizzes baseados na tabela periódica. Alguns diziam que era amor. Pra mim, era apenas falta de sexo e excesso de neurônios desocupados.

O conflito foi ficando sério. Mandei uma reclamação pra mãe dele em seu caderno e, em troca, recebi uma ameaça via SMS. Os demais garotos de escola particular, entediados com a falta de emoção de um colégio que usa uniforme marrom, resolveram incentivar. Os mais velhos ficaram ao meu lado. Os mais novos, ao lado dele. Chamavam de Street Fighter: Sonic Vs. Mario – Nerd Edition.

Pois bem, a briga foi marcada. Seria no laboratório de química, no subsolo, após a aula de educação física, no período da tarde. As instruções foram bem confusas para que ninguém se lembrasse muito bem do cenário da luta, já que garotos de escolas particulares costumavam ter memória curta para lugares e fatos.

Chegou o dia e eu resolvi me arrumar bem. Queria derrotar meu oponente não apenas atirando colas Pritt, mas também pela elegância. E, enquanto eu passava gel no cabelo, começou a me bater um medo. Lembrei daqueles vídeos que passavam no Cidade Alerta com brigas de garotos de escolas públicas que se cortavam com estilete. Meu nerd rival poderia me atacar com um compasso! Como uma escola podia permitir a entrada de algo tão perigoso? Era absurdo! Eu não podia correr esse risco. Amarelei. Não fui. Faltei!

Agora eu sabia que no dia seguinte eu seria humilhado publicamente. Eu tinha certeza que todos me olhariam com desprezo e que o outro, o Mario, seria eleito o novo nerd master e que agora eu teria que andar pela escola com o grupo dos reprovados em Educação Artística. Já planejei a transferência de escola, a crise de sindrome do pânico que seria usada para mobilizar meus pais e redigi uma breve carta de despedida aos meus colegas de escola. Mas, por um golde do destino, isso não foi preciso!

O outro nerd também faltou! Ficou com medo de mim, olha essa! Por sorte, nos encontramos em frente ao colégio para comer a nossa coxinha desidratada matinal e combinamos uma saída fenomenal. Era simples: ele levaria um soco meu e eu levaria um soco dele. Nada sério, só o suficiente para causar um bom olho roxo e dizer que ouve uma briga propriamente dita e sairíamos como Ken e Ryu, que lutavam todos os dias, mas que mantinham uma amizade apesar disso.

Até hoje eu me lembro de seus olhos fechados, sua cara de medo, enquanto eu preparava o meu soco certeiro em seu olho direito. Fui tomado por uma dose de adrenalina incrível. Eu estava realmente curtindo isso. Eu tinha motivos para bater nele e, como ele estava permitindo isso, minha consciência ficava mais leve. Era perfeito. Dei o soco. O nerd deu dois pulos para trás e caiu no chão. Eu olhei, ri e estendi os braços para o alto, como Rocky após uma vitória. Entrei pela escola gritando que avia derrotado meu oponente e fui aclamado! E foi assim que eu fui filho-da-puta pela primeira vez na vida.





Pessoas que você não deve adicionar no Orkut e Como Odiar Amigos Sem Culpa

10 06 2009

Eu sonho com um dia em que surgirá uma comunidade ou blog que sirva para que você possa dizer o quanto odeia seus amigos e conhecidos. Funcionando como uma espécie de Burn Book, do filme Garotas Malvadas (Mean Girls), você pode despejar ali o quanto sente repulsa por uma pessoa e ver a sua raiva compartilhada por outras pessoas. Assim, sem bullying, sem flame wars, apenas o ódio mais puro em sua essência católica reprimida. Teu terapeuta agradece e poderá cancelar a consulta que agendou com o psiquiatra.

Se o Twitter talvez servisse para isso, acabou virando um agregador de mimimi, com pessoas reclamando ou dizendo coisas que estão fazendo, enquanto deveriam estar trabalhando ou pagando impostos. Pra ser sincero, se o Orkut é vitrine e a minha rede social dos sonhos é para o ódio, o Twitter permite que as pessoas digam o quanto elas pensam em sexo durante o dia, em 140 caracteres. E, muitas vezes, com seus amigos. Isso sim é interação social. Habeas corpus, meu filho. Saia da prisão da internet e arranje um motel!

As redes sociais proporcionam situações bizarras que fariam Stalin se sentir desconfortável. Filtrando tanto assim, sobra poucas pessoas e, provavelmente, elas também não encontrem motivos para me adicionar. Eu não as culpo. Não tenho fotos sem camisa, mas já coloquei um raio-x do meu pulmão digitalizado, que é quase a mesma coisa. Mesmo assim, ainda acho que o Orkut cumpre sua função, que é a de fazer você conhecer muita gente estranha na internet para acabar valorizando os amigos que você já tinha antes disso. Para todos os efeitos, vamos à breve lista:

Foto de bebê no perfil: Tipo, sério? Foto de bebê? É você, é seu filho, é alguma criança que você roubou da creche Tia Vilma? Está querendo provar para as garotas que é bom com bebês e que pensa em ter filhos? Olha, pra mim, soa algo meio Michael Jackson. E, na boa, algo de bem ruim deve ter acontecido durante a sua vida para que a melhor foto que você tenha seja de 20 anos atrás. Tudo bem, não julgamos as pessoas por cortes de cabelo ruins ou escolhas infelizes de maquiagem, mas foto de fralda, não. Não é bonitinho.

Orkut de perfil duplo: Tudo bem, você está namorando e quer dizer ao mundo todo isso com a delicadeza da letra de um funk em braile, mas não é por isso que você e sua namorada precisam usar um perfil único no Orkut. E se eu não gostar dela, preciso me referir aos dois quando eu for deixar scrap? Tenho que perguntar “Tudo bom com vocês?”, porque olha, no Brasil, usar plural é mais caro. Guarde suas fotos compartilhadas para o seu album. Seus amigos são seus amigos e os dela, dela. E quando terminar, como faz? Os dois fazem novos perfis e me adicionam de novo? Acho que não. Se há mais de uma pessoa na foto do perfil, já presumo que a pessoa tem amigos suficientes e não precisa de mim.

Pessoas sem camisa: A não ser que você tenha um terceiro mamilo ou não tenha umbigo, desculpa, amigo, mas não há nada de interessante no seu peito nu ou barriga de fora. E um aviso: quando seu peito pode ser usado como apoiador de copos, este é o ponto em que você para de usar anabolizantes, ok? Aliás, aquele remedinho azul que você está procurando chama Viagra. Tome 2 ao dia pra se fortalecer para o final de semana.

Família: Acredite, não é legal receber um recado: “e aí primo, vai na festinha da tia joana no sábado?”. Tudo bem, você vai na festa, mas seus amigos não precisam ficar sabendo, né. Isso acaba com qualquer desculpa de bolso vazio, febre alta ou que esqueceu o celular dentro da bolsa. Família e orkut não combinam. Já vi parentes se pegarem, no mal sentido, porque não se atribuiram estrelinhas de confiável.

Gente muito sorridente: Ora, ninguém realmente inteligente pode ser muito feliz em um mundo com crise econômica, aquecimento global e redes sociais que não exigem teste de alfabetização. Não é que eu odeie pessoas. Eu até gosto delas. Prefiro as vivas do que as mortas. Elas riem mais. Se bem que tem muita gente viva que não ri. Eu gosto mais dessas. Valorize seu sorriso. Use com moderação.

Eu: Felipe Luno não gosta de pessoas. Elas ocupam espaço na balada, estão antes de mim na fila do banco e, quando muito velhas, cheiram a naftalina, quando muito novas, a leite azedo. O mundo seria um lugar melhor sem as pessoas. Eu poderia remover os avisos de “não pise” na grama e ir sentado no transporte público, sem trânsito. Se bem que o ônibus não ia andar por falta de motorista, mas aí é outro problema…





Expressando sua Raiva de Forma Sadia

26 05 2009

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Infelizmente, homicídio ainda é crime, então você não pode tirar a vida de alguém sem ser processado criminalmente, mesmo que ela mereça. Há aqueles que simplesmente despertam o que há de pior na gente, aquele lado mau que todo mundo tem. Nem sempre o confronto é a melhor alternativa e você pode utilizar essa energia toda para alguma outra coisa.

Ódio é um sentimento forte e é ele que um amigo meu utiliza na academia. Ele transfere a raiva que sente de seu chefe para o instrutor e pensa: “Eu vou fazer tudo que você tá mandando, seu viado filho da puta porque quero ficar forte o suficiente para quebrar a sua cara e ter uma boa disposição física para sair correndo depois da agressão”. Funcionou. Ele ficou fortinho, o chefe se interessou, tiveram um caso e ele foi promovido.

Se a tua frustração é com alguém que não te quer ou que ‘comeu e não gostou’, vale sair por aí, ganhar experiência, na maior vibe Stefhany. Se ele não merece nem um centímetro do seu pau, ache quem valha a pena e seja feliz. Só tome cuidado para não virar misógino e achar que o mundo está cheio de cachorros (e está), nem vá para o outro lado da linha, virando panssexual que assedia pães de forma Panco no supermercado.

Se você nasceu depois de 1985, além de ter o amor de Calvin Harris, está credenciado a utilizar a informática a seu favor de forma saudável. Mensagens de ódio no twitter, scraps mal-educados no orkut ajudam a aliviar a tensão, mas não farão de você um ex legal.

Poucas coisas motivam como a raiva. Pense comigo: você provavelmente aprendeu a andar porque não aguentava mais ficar preso em um berço, arranjou uma namorada porque não aguentava mais ver seus amigos sairem com suas companheiras e te deixarem jogando nintendo 64, passou a comprar as suas próprias roupas porque não aguentava mais usar Hering antes da marca virar grife e arranjou um emprego porque seus pais gastavam o orçamento familiar em Viagra e Prozac e prostituição não parecia uma alternativa viável e socialmente aceitável quando se tem menos de 18 anos.

Odeie seus vizinhos, os vendedores de amendoim do metrô, os cobradores de ônibus que não dão troco, os gordos que sentam ao seu lado porque você é magro, as velhinhas que andam em zigue-zague vagarosamente pela calçada, aqueles que acham que twitter é chat uol, quem ri no MSN usando ‘rs’, aqueles que comem de boca aberta, aqueles que comem sem reagir, aqueles que não querem dar pra você…provavelmente algum deles te odeia também.

Portanto, não tenha medo de sentir raiva. Vá ao bar e peça uma tequila! Ou um copo de leite! Bata na mesa, fale grosso! Tudo depende da forma como se faz as coisas. O rosto franzido movimenta músculos da face e massageia o rosto. Você não quer virar Ana Maria Braga quando ficar mais velho. Faça uso desse sentimento forte e tão mal compreendido. Até hoje, ninguém morreu de sentir raiva. Quer dizer, mais gente morreu de diarréia do que de ódio.





É justo sair com duas pessoas ao mesmo tempo?

7 05 2009

Ok, você tem dois encontros, em dois dias diferentes. Legal, ocupou teu final de semana, mas será que isso é justo com o outro? Até que ponto vale a pena o double-dating. Para responder essa questão com um olhar feminino, convidamos Camila Santana, a @caks do blog Garota Problema. Amanhã, tem post do PinkEgo sobre o caso!

Isso pode realmente acontecer num determinado momento da sua vida…ou não! Mas daí já é outra história. Então você está lá, feliz da vida por ter alguém para ir ao cinema, jantar fora e dar uns amassos, até que, você conhece outra pessoa e como vocês não têm nada realmente muito sério com a primeira pessoa, vocês saem. Como uma pessoa inteligente, você evita ir em algum lugar que a primeira pessoa costume freqüentar. Daí na sua cabeça fica aquela coisa: “não, mas é só uma saidinha, não faz mal pra ninguém…aposto que ele também sai com outras pessoas”. Seu problema fica maior quando você realiza que as duas pessoas são legais e que te atraem de diferentes formas. Então você está saindo com duas pessoas, certo? Ok, bacana, mas é justo?

Primeiramente, é justo pra quem? Pra você ou pra elas? Pra você é bacana, é ótimo se sentir desejado, tendo a atenção disputada, saber que tem compromisso, mas e as outras duas envolvidas? Depende! Sim, depende da profundidade da relação. Pra ela pode ser apenas algo superficial do tipo “não tenho ninguém muito mais interessante mesmo” ou a pessoa pode estar fazendo os planos para o casamento. Vamos contextualizar a situação: eu conheci um cara e nós começamos a ficar. Ficamos algum tempo, era legal, eu não tinha ninguém, ele também não, enfim, dois solitários no mundo. Aí ele começou a ficar estranho comigo e eu perguntei o que estava havendo, ele me disse que tinha outra na parada. Eu não tinha outro, mas eu também não achava que aquilo ia muito além, então, na realidade, eu nem liguei. Acontece que tem gente que liga e aí, meu amigo, a coisa fica feia.

Atualmente a monogamia anda meio fora de moda, mas ainda é muito preservada por alguns. Cabe a você saber as opiniões dos seus parceiros. Geralmente no primeiro encontro a pessoa já solta algumas dicas do que quer para o futuro. Se você conheceu a pessoa na balada, esquece! Balada é pra se jogar e fidelidade ali só com a sua cerveja.

Há casos raros, mas se liga bem na palavra RAROS.

Como pra tudo tem uma saída, vamos lá: se você está só de curtição, se joga na vida amorosa dupla. Aliás, investiga pra ver se seus rolos não têm a fantasia de fazer coisas a três, vai saber, né? Você pode se dar bem, caso essa seja a sua fantasia também. Antes de tudo: cuidado para não se magoar e aqui, também, cabe o ditado: mais vale um pássaro na mão, do que dois voando. Pense que, se administrar um já é difícil, imagine dois! Outra coisa: cuidado com seu celular, as mensagens e ligações. Pra finalizar, pense se você gostaria de estar do outro lado da situação. No final das contas, você já sabe a resposta.





Como Identificar Empata-Fodas e Brindes em Um Relacionamento

6 05 2009

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De repente, você se descobre apaixonado. O amor é lindo e vem em doses homeopáticas de mensagens carinhosas pelo MSN. Aí tu inunda teu twitter de links felizes e declarações de amor em 140 caractereres. Esse mundinho particular, experienciado pelos enamorados, só pode ser estragado por um único personagem: o brinde!

O brinde é o(a) melhor amigo(o) do seu amor. É aquele com quem ele ou ela tem mais intimidade e por isso contará tudo a teu respeito. E mesmo com tua paixão dizendo todos os elogios possíveis a teu respeito, o brinde se encarregará de ser o contraponto, mostrar os seus defeitos e miar seus planos de motel para o sábado a noite.

Também conhecido como o empata-foda, um bom brinde não larga facilmente o seu lugar. Não pense que ele irá ceder em ser a companhia oficial de seu namorado para ir ao shopping. É bem provavel que este force encontros a três não para fazer um menage, mas simplesmente com o objetivo de estar presente.

Ninguém chega ao amor a não ser por mim” é o lema do brinde. Ao descobrir que você está saindo com o melhor amigo dele, como uma BFF furiosa, ele irá te adicionar no orkut e stalkeá-lo permanentemente. Não cometa passos falsos. Não mande scraps carinhosos para outros. O empata-foda está atento e irá relatar isso ao seu futuro namorado.

É bem possível que ele se passe por seu amigo. Comente coisas a fim de que você desabafe algumas outras. Fingirá não contar nada ao outro apenas para montar um relatório final e maldoso. Se você arranjar um amigo para fazer um double-dating, ele irá rejeitar ou ser irônico. Ele está ali para incomodar. É capaz de dar em cima de você para provocar alguma reação.

Mas, graças a Deus, os empata-fodas não são a regra. Há melhores amigos de namoradas legais, cujas amizades acabam durando de verdade. Já gostei mais de amigos dos peguetes do que do peguete em si. Mas fique atento, os brindes existem, são espertos, rápidos e estarão prontos para colocar três pessoas na cama desse relacionamento, e não de uma maneira boa.





O Primeiro Teste: Viajando como Casal, Pijamas e Roupões no Hotel

15 04 2009
É quase um Big Brother particular. Ou 'little', dependendo do caso. Mas isso não importa...né?

É quase um Big Brother particular. Ou 'little', dependendo do caso. Mas isso não importa...né?

Primeira viagem como casal? Ah, que gostoso, sair da zona de conforto urbana e ver se a relação sobrevive à ação da areia e do sol. Conferir se o outro tem uma boa habilidade em passar protetor solar em suas costas, qualidade desejável em futuros maridos que não querem que você se queime pelas costas.

No entanto, ficar sozinho assim, logo no começo, pode intensificar aquelas coisinhas chatas que a gente finge que não vê pra falar que está tudo bem e não precisar voltar ao bate-papo do uol para caçar namoro. Fiquemos atentos aos detalhes. É melhor previnir do que tentar arranjar namorado comprando camisinha na farmácia mais próxima.

Tudo pronto, gasolina no carro e alcool no porta-malas. Logo cedo, levo minha primeira crítica: minha mala é grande demais e mal cabe no carro. Você, como eu, caro leitor neurótico, deve entender as razões de uma mala grande. Eu preciso ter opções. É preciso ter alternativas. Um ladrão chegar e falar: “e aí, cumpadi, quer morrer afogado ou queimado?” é uma coisa, é mais tranquilo poder escolher. Mas se ele vier e disser: “tu vai morrer agora à bala”, isso sim é desesperador.

Passado o estresse do embarque, encaramos o desafio do silêncio no carro. Preste atenção se ele batuca enquanto ouve Fergie no rádio. É um mal sinal. Beyonce é aceitável. Saber cantar alguma do NXZero vale menos 20 pontos e cantarolar Charlie Brown Jr. merece um acidente de carro gravíssimo como multa por mau comportamento. Valorize o silêncio, ele evitará que você diga bobagens e até soa confortável. Levei um livro, deixei-o no colo mas não abri, para parecer culto e ter opções caso o papo ficasse chato.

Até então, tudo ia bem. Minha companhia foi muito amável, vez em quanto tirava a mão do câmbio para colocar na minha perna e atropelou menos pombos na estrada do que faço com minha bicicleta na cidade. Eu esperava algo romântico como que me carregasse pelas escadas e se oferecesse para pagar a minha diária do hotel. No entanto, subimos de elevador e paguei a conta com tickets-refeição que economizei.

Chegando no quarto, já era noite e hora de dormir. Ou não. Nesse momento de indefinição sobre se ataco ou não ataco, resolvi desfazer as malas enquanto ele trocava de roupa. Fulano entra no banheiro e sai de pijama. De pijamas. Quer algo mais “não vou transar contigo” do que usar pijamas? Pior que isso, só se ele resolvesse cortar o mal pela raiz decepando o pênis e entrando para alguma seita budista ou simplesmente virando indie.

Hotel é a oportunidade de você usar pouca roupa e vestir roupão sem que isso seja socialmente reprovado. É quando a gente tem orgulho de vestir quase nada para atender a porta e constranger os funcionários da hotelaria, fazendo aquela cara de “eu estava transando e você interrompeu. No entanto, mesmo com essa chance de ouro, minha companhia resolveu usar um pijama. Semi-pijama, já que se tratava de uma bermuda velha e uma camiseta que dizia vestibular “Uninove 2005. Matricule-se já”.

Mesmo com tantos pontoss negativos, aos poucos, a situação foi se tornando mais aceitável quando percebi sua tolerância pelo meu medo de chinelos de dedo e pavor de grãos de areia. São poucas pessoas que tem coragem de ficar ao lado de alguém quando este usa sapatos na praia. Deve ser amor.

Foram apenas três dias, ou quase 72 horas bem aproveitadas. O tempo passou rápido e eu quase nem percebi que tinha perdido um episódio do Zorra Total. Ele ficou bravo quando descobriu que comprei metade da feirinha de artesanato, aumento o PIB da cidade em cerca de 22% mas o enganei jogando Dan Tops em sua direção.

E mesmo com os surtos paranóicos, ligações escondidas, toalhas roubadas do hotel, declarações escatológicas de amor e celulares atirados pela janela, tudo foi bem, a tudo isto sobreviveu e tem, por bem, atrapalhado em muito a minha criatividade para postar. Afinal, reclamação, ironia e celibato imposto pela sociedade sempre foi meu forte. Como mulher de malandro ou simplesmente Alanis Morissette, estou à espera de um bom pé na bunda para escrever melhor. Até lá.





Repost: Como Sobreviver a um Fora e a Vida Após a Fossa

24 03 2009
Não é você, sou eu que não estou a fim mesmo.

Não é você, sou eu que não estou a fim mesmo.

Não é a primeira vez e nem será a última. Pegue o pote de sorvete, o tubo de Pringles e a Coca Cola Light e um filme da Meg Ryan under-40. Você tem todo o direito de curtir a sua fossa pós-fora pelo tempo que quiser. Mas faça-o com classe, moderação e bons modos.

É triste, eu sei. Você super não esperava, apesar de seus amigos já terem avisado. Até recados no orkut já davam conta de que o gato havia subido no telhado. Há quem se tranque no quarto e coloque Radiohead pra tocar. As músicas são tristes, o vocalista é feio e dá pra murmurar chorando na janela do quarto. Eu preferia a chamada blocterapia. Colocava Bloc Party pra tocar até me acabar. Ou até os Cds deles acabarem de tocar. Mas isso foi antes da fase Mercury, dos playbacks e shows meia-boca.

O que não pode mesmo é pagar de miguxa no MSN. Colocar mensagens deprimentos no subnick e reclamar da vida para os amigos dando uma overdose de mau humor mal amado. Se fizer isso, saiba que irá receber conselhos com a profundidade da filosofia da músicas da Pitty com mensagens a.k.a |shut up, please| como: |Ah, mas ele não te merecia. Você está melhor sem ele|, |O que é teu tá guardado|, |Olha, você vai ver. Quando a gente menos procura, aparece|.

Antes de beber água sanitária, cortar os pulsos com faquinha de rocambole Panco e comprar um exemplar de O Segredo, procure tentar atividades saudáveis de distração. Eu tenho tentado correr ultimamente. E acredite, é bem difícil lembrar das dores amorosas com aquela dorzinha na barriga típica de sedentários.

Tenho uma amiga que vai a baladas ruins para se sentir gostosa, outra que liga pra um ex que ela deu um fora para se sentir melhor e um colega chama os amigos para partidas de jogos de tabuleiro. Quando é WAR, a coisa foi grave. Sempre termina com as pecinhas voando pelo ar, parando na garganta do cachorro e gritos de: |O jogo é meu, eu ganhei|.

Bom, se você tem dinheiro, vale passear no shopping e comprar algo. Se você gosta de comer, vale pedir um Taco ou descer a Augusta. Vale até ver o Fale que Eu Te Escuto com o telefone na mão. Já liguei pra Polishop, só pra papear com alguém, acredite. Tome um AAS como se fosse Rivotril e se engane um poquinho, é teu direito. Afogue as mágoas na piscina do SESC mais próximo.

O que vale mesmo é perceber que vai passar, que você vai ficar bem e arranjar um ourto alguém pra dar certo (ou se decepcionar). E, bom, se não rolar, você pode sempre pegar meu MSN e pedir meu telefone.





E-dating: a dificuldade de conseguir um namoro pela internet – Parte 2

23 10 2008

 

Quando a coisa fica feia, realmente frouxa, pior do que descrevemos no começo dos últimos posts, você percebe que está sozinho, de coração endurecido, bolso vazio e zíper aberto. Sem ninguém para amar, cansado dos pares imperfeitos que encontrou nos sites de relacionamento da internet, como em uma novela do Manuel Carlos, você pensa em apelar e ligar para o CVV.

Antes de se fechar no quarto com caixas de Dan Top e barris de Coca-Cola e cometer um suicídio diabético, nosso herói Fernando resolveu se entregar à primeira forma de fazer amigos pela internet. E não estou falando daquele horrível mIRC, que os jurássicos apenas se lembram, mas do famoso, bom e velho Bate-Papo do UOL.

Aproximadamente 54,78% da experiência de relacionamentos iniciados ou mantidos pela internet se baseia no seu nickname, ou nick, ou apelido para os leigos (caso esse seja o seu caso, por favor, clique aqui). Esse nome que você escolhe, de poucas letras e muita personalidade, é o que vai te acompanhar por um bom tempo.

Se te falta aptidão social e sobra apetite sexual, como no caso de Fernando, tente apelidos diretos, como o clássico Gatinho23aSP. Já falou tudo: status de beleza, idade, sexo e local. Foi o que nosso amigo fez e entrou na sala do Por Idade, do UOL.

Não é fácil hoje em dia puxar papo nas salas. Aboliram o famoso “oi, quer tc?”. Agora já se pede logo o MSN da pessoa e a página nada mais é do que um grande vazio onde as pessoas conversam no reservado. Sem falar nos bots, claro, que disparam spams com sites de pornografia e a administração do UOL lembrando que pornografia infantil é crime.

Eis que, de repente, Gatinha23aSP entra na sala. Se ela tinha o mesmo nick que eu, só poderia ser a minha cara-metade, como é dito em letras de pagode e no alcorão baiano. Coisa do destino.

Puxei assunto, de forma tranqüila, perguntando onde morava em São Paulo, que tipo de música ouvia e o que gostava de fazer. Infelizmente, ela não gostava de piña coladas, nem de ser pega de surpresa pela chuva, mas tudo bem, nem tudo é música.

Continuar o papo era um desafio. A gente nunca sabe que tópico abordar. Cinema é uma arte ingrata. Não importa quantos filmes você já viu, sempre haverá vários que você nunca ouviu falar. E tenha certeza: esse assunto vai vir a tona justamente quando você estiver por fora, pra ficar na periferia do papo, com cara de sulfite A4 branco.

Com mais intimidade com a Gatinha, resolvi passar o meu MSN e levar nosso relacionamento para o próximo nível na internet. Se correr tudo bem, eu colava o link do meu orkut na conversa e a gente já ficaria mais íntimo. Até amigo. Adicionar na crush-list, poder stalkeá-la e acompanhar os scraps. Descobrir a sua senha, quem sabe…

Risadinhas e emoticons rolando, a conversa fluía bem. Hoje é tão difícil conhecer alguém assim, tão parecido com a gente, com o mesmo tipo de humor, visão de mundo, ambições, perspectivas…dá até uma certa dúvida, uma inquietação.

Essa desconfiança era sexto – sentido. Quando passei meu telefone, Gatinha se apresentou. Seu nome era Renato, tinha 27 anos, 20 centímetros e era gay. E ativo. Na dúvida, resolvi passar. Há amor online?