
Quando a gente cresce, o corpo se desenvolve e passa a parecer mais com o que a gente viu nos livros de anatomia. Postura alinhada, partes salientes e pelos sem acento. Sempre vi minhas amigas visitarem o ginecologista, sem medo ou vergonha de dizerem que deixaram um estranho tocar em suas partes sem ser em uma balada. Depois de anos visitando alergistas, dermatologistas e outros enroladores, resolvi visitar o verdadeiro médico que importa: o urologista.
Para quem assustou, calma. Vai tudo bem, nada mudou de cor ou deixou de funcionar. Também não estou carente ou em busca de contato afetivo. Era apenas um check-up, pra saber se está tudo bem, se não há desarranjos. Morrendo de medo, claro, de ele dizer: |Oh, garoto! Isso não está certo! Não era pra ser assim|.
A sala de espera é constrangedora. Homens leem a última edição do jornal esportivo e eu folheio a Casa & Jardim. Sentia seus olhos de julgamento, com uma voz do meu pai, me dizendo: |Eu, aos 50 anos, pego mais garotas do que você|. Fato. Mas, mesmo assim, se Deus me deu um cromossomo Y, melhor agir como tal, mesmo que seja com moderação, certo?
O médico chama meu nome. Não queria cumprimentá-lo com a mão. Penso em quantos ele já tocou e faço uma saudação oriental, inclinando o corpo. [Posição perigosa de se praticar na frente de maníacos sexuais. Fato]. Ele me recebe bem, com um sorriso e me sinto acolhido. Como num bom date, não consigo parar de pensar em que altura da conversa ele vai me pedir para tirar as roupas.
O cara de branco pergunta se sou sexualmente ativo. Lembro de Juno. Lembro de Diablo Cody e esqueço há quanto tempo foi minha última. Reflito sobre se é possível ser sexualmente ativo, sexualmente inativo ou sexualmente passivo. E sexualmente ausente? Enquanto penso, ele pula para as próximas questões, tipo: |Por que você me procurou?|. Responder que estava entediado seria perigoso.
Não demora muito e deito na maca. Para minha surpresa, não é preciso tirar as roupas, mas apenas abaixar a calça. Sempre imaginei uma cortininha, onde o paciente entrasse, se despisse e um médico de mãos frias e geladas analisava clinicamente o órgão sexual da visita. Esse me surpreendeu. Tinha mãos mornas.
Examinando, fez uma cara feia. Ai Doutor, o que se passa? Seria caso para amputação? Não podemos fazer um transplante? Não vai crescer outro no lugar? Ele coloca os óculos e parece satisfeito. Pediu para que me vestisse e falou que estava tudo bem, tudo no lugar e de acordo com as normas da ABNT. Mas, por via das dúvidas, falou que eu deveria voltar lá daqui a 30 dias. Seria ISSO um date?





