Dia de Maldade: Como Matar (N)o Trabalho

27 04 2009
Bad worker. No donut for you.

Bad worker. No donut for you.

Sabe, trabalhar é bom, faz bem e enobrece o homem. Mas bom mesmo, de verdade, é morrer queimado. Quero matar quem falou um dia que trabalhar é algo que faz bem ao ego, que dá confiança e faz com que as pessoas tenham um propósito na vida. Confesso que eu era muito feliz quando minha maior responsabilidade era saber a programação inteira do Warner Channel, Sony e AXN.

Mesmo assim, quando a gente cresce, a vida cobra e passa a ser necessário ter dinheiro no bolso. Seus pais não vão te dar e, sinto te dizer, mas se você não tiver dinheiro, aquela garota bonita também não vai dar pra você. A atividade proletária exige dedicação e não há esforço maior do que acordar 6 horas da manhã e fingir bom humor matinal durante o café da manhã institucional.No final do dia, você olha para as pessoas que saem no horário, que não precisam fazer hora extra e pensa: “malditos”.

Com o tempo, ficamos dopados com aquela quantia que é depositada mensalmente em nossas contas bancárias. Chefes, cheques e débitos viram parte do cotidiano. MSN e Orkut são distrações durante um dia de trabalho e você passa a ser o mestre na habilidade do Alt+Tab, para fingir que está fazendo algo importante.

Quando você se acostuma e aceita essa rotina, chega um funcionário novo, daqueles dedicados, com um sorriso no rosto e que está realmente feliz por ter arranjado um novo emprego. Dessa forma, ele poderá levar a namorada dele ao cinema, ao shopping e ao motel. “Maldito”, você pensa. Com o espírito ainda não envenenado pelo cansaço, ele é dinâmico e eficiente, faz tudo rápido. É simpático. Chega no horário e não delega funções.

É por meio desse filho da mãe que seu chefe vai descobrir o quando você não é eficiente, que chega atrasado todos os dias e que, ao contrário do que você diz, não demora 3 dias inteiros para fazer uma arte gráfica para uma página A4. Nessa situação, não resta muita alternativa: é preciso matá-lo.

Não estou falando em assassinato, nem encorajando o homicídio. Seja mal. Seja um Gossip Girl do mundo corporativo. Seja uma Flora do escritório. Um Dexter do papo do café. Mate seu espírito feliz e sorridente. Demonstre o quanto o seu chefe é ruim, como não há perspectivas de aumento…e crescimento? Só da dívida no banco, baby! Em breve, ele passará a usar mais o twitter, a se distrair comparando o horóscopo na Folha e no Terra e te apoiará quando você disser que demora 4 dias para editar uma foto. Eu ainda não matei ninguém, mas acho que levei um tiro.





A Ambição de Um Proletário: O Futuro do Estagiário

19 03 2009

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Quando se evolui de estagiário para funcionário, é como se uma nova etapa na vida tivesse início. Agora, você faz parte do corpo da empresa e será chamado de colaborador, empregado, recurso humano ou qualquer outra baboseira que é puro eufemismo para proletário.

Na verdade, a palavra proletário vem daqueles que trabalhavam duramente para alimentar a sua prole. Com o aquecimento global e aumento do uso de cuecas skinny, talvez você não tenha filhos, mas a realidade é a mesma. No entanto, com o ticket-refeição dá pra enganar o estômago. Há um restaurante perto do meu trabalho que chamo de Meio Quilo, pois com o que eu ganho de vale-alimentação, é só o que dá pra comer. 500 gramas, no máximo.

Ah, e tem o convênio também. Mas não se engane, no plano de saúde que você é autorizado a utilizar, o mais básico, há uma fila de espera enorme para marcar com o endocrinologista e dermatologista. A galera sai correndo achando que dá pra emagrecer tomando hormônios e tenta resolver a cutis antes do próximo verão.

Mas, com o tempo, esses benefícios se tornam pouco para você. O seu décimo-terceiro salário, na verdade, é menor do que o desconto do INSS dos seus chefes. O cartão de ponto tem uma foto que não te favorece e o porteiro continua te confundindo com o motoboy. Esta vida de trabalhador parece sem sentido e mobral.

Aí vem a ambição! Logo, você quer crescer, virar chefinho, ter alguém pra mandar. Chega um estagiário e voce pede que ele te prepare um café. Passa tarefas como organizar arquivos e regar as plantas do escritório para alguém que ganhe menos. Em pouco tempo, você deixa de atender o telefone e filtra os e-mails.

Hoje, eu sou uma pessoa que quer secretárias. Duas. Uma gostosa e burra, outra feia e grossa. E que quem me ligue tenha que falar com as duas antes de chegar a mim. E que nesse intervalo, toque uma musiquinha de caminhão de gás. Quero também uma sala fechada, pequena, com janela. E persianas nas janelas, para eu fechar quando chamar alguém lá dentro e for dar uma come.

Não se esqueça de participar da nossa “Promoção: Essa História daria um filme!”

Gostaria também de poder chegar no trabalho mais tarde, reclamando do trânsito. Trânsito aéreo, com o excesso de helicopteros que ocupam os céus como o meu. E sair mais cedo, falando que tenho consulta no médico enquanto minha mulher e minha amante me aguardam, nessa ordem. Contratar alguém pra fazer todo o meu trabalho e me enviar o meu e-mail, para aprovação. É isso que eu quero ser quando crescer: alguém que aprova as coisas. E você? Por um ambiente de trabalho mais Vitor Fasano.





Eu, Proletário

12 11 2008

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Antes de a gente comecar a trabalhar, nao temos a compreensao perfeita de como funciona a vidinha daqueles pobres seres que realmente trabalham e nao estou falando de jornalistas, a profissao clube de vantagens. Falo de gente que poe a mao na massa mesmo, atende os telefones de verdade, bate o cartao e nao pode faltar. Numa empresa, a pessoa mais necessaria é a mocinha do café. Se um diretor faltar, esta tudo bem, mas o que fazer para manter a staff acordada quando nao há café?

Confesso que me dava uma certa coceira ouvir falar em INSS, reclamacoes sobre chefes, fofocas de Departamento Pessoal e papos de café. Tinha alergia a ticket-alimentacao e me causava um certo desconforto pensar em décimo-terceiro salario, que, pra mim, nada mais era do que o presentinho de Natal.

A minha iniciacao no mundo da labuta se deu no estágio, onde passei a valorizar o dinheiro que ganhava nos meus 30 ou 31 dias trabalhados. Em seguida, fui contratado e fomos descobrindo que era preciso tirar um certo documento azul, grande, que mais parecia um passaporte. E era meu passaporte rumo a aposentadoria. Seria uma viagem longa, mas o destino estava tracado.

Hoje, nao poucas vezes me vejo passando o bilhete unico na catraca da faculdade, consultando minha conta bancaria no dia do pagamento pra ver se tudo caiu direitinho e torcendo pra que um diretor ou outro caia tambem ou saia da empresa no estilo Big Brother.

Com tudo isso, aprendemos que os juros do cartao de crédito podem doer mais que sexo mal feito, que compromisso com datas de vencimento devem ser levados mais a sério que relacionamentos e que da pra enrolar lojas como Renner e C&A comprando e nao pagando. Licoes da vida de quem comeca a trabalhar e que, provavelmente, nunca vai parar.

Quando a gente nao trabalha, ficar doente é um saco. Voce perde o dia, fica de molho em casa assistindo Marcia Goldschimt. Conhece a programacao da TV de cor. Hoje, tudo que sei sao as estacoes das linhas do metro. Eu, que sempre me gabei de ser saudável, comemorei hoje uma conjuntivite. Dois dias de licenca. Virei proletario de carteirinha de convenio.