Bloc Party…with Lasers!

10 11 2008

Sou fã do Bloc Party há muito tempo, provavelmente desde antes de eles existirem o que me torna mais indie que você. Ouvi um demo da banda e resolvi que dela eu ia gostar e assim foi. Um caminho torto até a gravação do primeiro CD, que pra mim é o que há em perfeição de album indie. 

É uma banda média, de letras fracas e riffs legais. São comuns como qualquer outra bandinha inglês, mas tem um negão meio maluco no vocal que dá um toque meio world music pra coisa. Na onda da geração pós-punk, adotaram o rock como escudo mas logo trocaram o “orgânico” pelo eletrônico.

Muita gente se decepcionou com o segundo CD. Estranhou o terceiro, com o single funk-carioca-meets-tv-on-the-radio Mercury. Eu não. Bloc Party não é nem nunca vai ser a melhor banda indie, não vai tocar nas rádios nem ser adorada no MySpace. Eles são ambiciosos e gostam de experimentar, mesmo que não dê muito certo. E pagam o preço por isso. Viraram uma bandinha que é gostoso odiar.

Já tentaram ser grandiosos em A Weekend In The City. Foram minimalistas em Silent Alarm. Na ultima tentativa, Intimacy soa como um Bloc Party…with lasers! É bacana, mas completamente esquecível. Algumas faixas chegam a dar sono. E boto a culpa no Jacknife Lee, produtor do Snooze Snow Patrol.

Mesmo com tanta crítica, me considero fã n.1. Sou apaixonado pelos caras, acho que o som deles é sincero no que há de oposto ao “indie comercial” (e sim, ele existe). O guitarrista nunca mostra o rosto, o vocalista canta mal e desafina e parece que eles tão sempre tentando ser algo que não são. E não há nada nesse mundo mais adolescente que isso, mesmo que eu já não seja mais teen.

No show do Planeta Terra tive a oportunidade de ver o que eu desconfiava: uma banda que não funciona pra grandes públicos. Não cabe no tamanho stadium e sempre perde quando colocada em um line-up mais forte. Não sabem montar set-list, alternam hits com músicas mais desconhecidas e causam bocejos algumas vezes.

Mas tudo isso não me impediu de chorar em This Modern Love, ou lembrar de muita coisa com Helicopter, balançar os quadris em Banquet, porque eu não rebolo e gritar em Positive Tension. Faltou no show o senso de urgência que a banda imprime no som dos Cds. Ficou monotono, mas, de certo modo, simplesmente eficiente.

Com ou sem playback, eu fiquei. Preferia que eles tivessem tocado o CD ao invés de uma sub-versão ao vivo. O show foi fraco. Pouca presença de palco, pouco envolvimento, set equivocado. 

O que fica é que Bloc Party não está aqui para salvar o mundo. Eles não decidiram ainda se o que tocam é rock, pop ou eletrônico. Estão sempre mudando. Se você gostou deles por Silent Alarm ou qualquer outro Cd, saiba que provavelmente a banda nunca mais vai voltar à este ponto. Cabe a você decidir se acompanha as mudanças ou se parte pra novos sons. O que não falta são alternativas. 

Contribuição de Felipe Torres





Bondade dos Outros no Planeta Terra

9 11 2008

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Ainda choca quando vemos pessoas boas no mundo mesmo com tanto vizinho chato, gente que pára do lado esquerdo da escada rolante e garotos que usam regata. Disposto a mais um experimento social com fins puramente cientificos, o Pinkego tem investido em se relacionar mais com o mundinho exterior.

Para isso, o que nao falta sao outros, pessoas, gente com quem possamos trocar idéias e conversar. Virgem de Festival, um dos nossos membros nunca tinha ido a um show de grandes proporcoes. O publico indie é exigente. Coisa de gente que come pouco. Recebemos mais de 8 dicas, aproximadamente 9, de como deveriamos nos vestir, o que fazer e tal.

Na duvida, arriscamos o preto. Com listras claro, pra ficar mais oe oe oe. No caminho, sem direcao alguma. Ao inves de olhar no mapinha do evento e ver quais os trajetos possiveis via transporte publico a.k.a trem e metro, resolvemos contar com a bondade dos outros: uma amiga, amiga recente, acompanhada do namorado, levou nosso heroi ate o Planeta Terra sao e salvo. A macumba foi tao boa que nem chover choveu.

Chegando la, nos encontramos com Ana Freitas, do Olhometro, que conduziu a programacao da noite. Rolou Foals, Offspring, Bloc Party e Kaiser Chiefs. Confesso que, de longe, Jesus and Mary Chain parecia Frejat em seus piores momentos. Mas de perto parecia só mais uma bandinha de indie rock mesmo. Ana riu dos meus comentarios sem graca e dividiu uma Coca. Até liguei para a mae dela depois pra agradecer pela educacao da filha. Mesmo que ela ache que os posts daqui se baseiam em mentiras bem aproveitadas.

Em festival indie, por mais que 15.000 pessoas tenham passado pelo evento, voce encontra todo mundo que sempre ve pela Paulista / Augusta. Foi uma grande micareta de alternativos se encontrando, reencontrando e encontrando o amor atras dos banheiros quimicos. Quem disse que nao ha romantismo sanitario?

Para a volta, sem voz, conseguimos carona com um companheiro do twitter e visitante do blog. Mesmo com todos os avisos dos pais sobre nunca aceitar doce de estranhos, sentamos no banco da frente do veículo. Cheguei em casa sem ser estuprado, perder o rim e até ganhei um amigo, olhem só!

As pessoas, hoje, sao realmente boas. Vejo nelas a inocencia de uma Malu Magalhaes, neta de ACM, que namora com um cara que tem o dobro de sua idade. Mesmo que isso signifique que ele ainda nao chegou aos 30.

E o melhor: nem precisei ficar pelado pra ganhar tudo isso. Artificio que provavelmente nao teria despertado tesao ou compaixao, mas repudio e tédio. E viva a bondade dos outros. Porque eu to de boa de caridade.





Virgem de Festival pede ajuda

6 11 2008

 

 

indie que é indie pede ajuda. e assume quando faz playback. mentchira!

indie que é indie é humildae e pede ajuda. e assume quando faz playback. mentchira!

Sou virgem de festivais. Nunca fui, nunca quis ir e agora vou porque o Bloc Party vai. Sempre achei meio coisa de micareta indie, cheio de gente drogada, bem-vestida, mal-amada, ouvindo bandinhas que ninguém ouviu falar.

Podia ser só preconceito, mas vou saber somente sábado após o Planeta Terra. Estranho saber que meu primeiro festival se chama Terra, que tipos é o nome mais simples dos simples dos kings dos blasé, mas tudo bem, vamos que vamos se não for tocar Loser Manos. Sim, estamos na pegada da rima pobre hoje.

O desafio será ir sozinho, sem ninguém, chegar sozinho, fazer o roteiro, abrir uma cerveja e tentar fazer amizade com o povo. Tá certo que ninguém ali vai pra conversar, mas aposto que esse povo todo tem orkut, msn, twitter e até facebook, então vamos socializar, Brasil. 

Depois de alguns episódios de Manuais onde ajudei manes e manuéis a se comportarem em eventos sociais, não faço a mínima idéia de como ir a um festival. Dei uma olhada em alguns antigos, daqueles que passam no canal Brasil, mas acho que tye-die ta fora de moda. Cabelos tipo “Meu nome é Gal” também. Logo, estou sem referencial.

Uso ou não chapéu? Vale óculos vermelho ou fica muito baiano? Cores ou p&B básico? All-star dá dor no pé depois de pular por “Everyday I Love You Less and Less”? Chamo um amigo? É mico ir sozinho? Levo meu CD do Bloc Party pra eles tocarem como playback no show? Arrgh. Me ajuda. Quem é você no Terra?





Review: Tokyo Police Club – Elephant Shell

9 06 2008

Entre um dos melhores discos lançados em 2006, está o EP A Lesson In Crime dos canadenses Tokyo Police Club. Isso mesmo, um EP. Com uma roupagem moderninha, debruçada sobre o modismo que o Strokes lançou em meados dos anos 2000 – e remixada após Franz Ferdinand, Bloc Party e, principalmente The Rakes – o TPC recebeu da Rolling Stone americana o termo: a melhor banda neo-punk-post-anti-rock. Se já é difícil de ler isso, imagine para quem tentou enquadrá-los.

Lançaram até outros EPs, ainda mais compactos, mas não chamaram tanta atenção. Mesmo assim, conquistaram o coração de muitos críticos indies afora e foram apontados como a salvação do rock. Chegaram a tocar até aqui no Brasil, ano passado, no festival Planeta Terra. Nada melhor do que subir no mesmo palco que o CSS subiria mais tarde – cunhado de “Indie Stage” – para provar que uma banda não precisa necessariamente de um disco lançado para fazer sucesso hoje em dia, e sim de MySpace.

Mas voltando ao tópico desse post, esse quarteto canadense lançou recentemente Elephant Shell, o primeiro e tão aguardado disco da banda. São 27 minutos com 11 músicas rápidas e fortes, que lembram aquele pós-punk marcante em A Lesson. No mais, encontramos aquelas palmas que marcam tempos, uma percussão competente e as vozes de coro nos refrões. Cheio de referências à cultura pop, adolescência, as letras são tão bem escritas que nos fazem pensar se eles são muito melhores construindo ritmos ou escrevendo letras competentes. Temos como exemplos do primeiro caso como “In a Cave”, “Tessellate” e “Your English Is Good”; do segundo “Graves”, “Juno” e “The Harrowing Adventures Of…”.

Essa não é provavalmente a nova salvação do rock, mas sim da semana. Elephant Shell garante diversão para os amantes do indie-rock. E de malandragem, aproveitaram o hype para chamarem outras bandas para fazerem remixes das músicas desse disco, com Dntel e Tom de Los Campesinos! entre os convidados. Vale a pena conferir.

E se esse disco não fizer o sucesso que prometia, tudo bem. Eles já entraram para a história com A Lesson in Crime. Veja abaixo o primeiro sucesso deles, “Cheer It On”:





De volta à Era dos Festivais

1 06 2008

Psychocandy, o álbum mais famoso da banda que “reviveu” na trilha sonora de “Lost In Translation” de Sofia Coppola.

Não, não estamos falando de MPB. Mas ainda assim, ao que parece 2008 promete. Segundo Lúcio Ribeiro, colunista da Folha de São Paulo e puxa saco oficial de qualquer bandinha desconhecida, os organizadores do Tim Festival e do Planeta Terra preparam algumas surpresas pro fim deste ano. Para o primeiro, estão confirmados The Gossip, Klaxons, MGMT – para alegria das putaseviados </tedouumdado> de plantão, SANTOGOLD (who?) e Gogol Bordello (whooooo?). Na lista daqueles que foram sondados, mas sem confirmação, configuram Radiohead, Amy Winehouse, Mika, Beirut e Leonard Cohen.

PEB: Só eu acredito que a Amy não vem? E que se vier eu não vou poder passar pó nesse dia?

Já para o segundo, que esse ano parece vir finalmente disposto a desbancar o Tim Festival, as atrações prometidas incluem Kaiser Chiefs, Jesus and Mary Chain uhuuuu e Bloc Party. Este último tem em vista 3 shows, sendo um em Sampa, outro no Rio e mais um em Curitiba.

Off topic: boss, esta colunista terá um prazer quase que sexual em vê-lo chorar que nem uma menininha assistindo à “Um Amor para Recordar” no show do Bloc Party. Viva o Lucio Ribeiro, Viva o Brasil! </mode zé simão off>

Portanto, preparem os bolsos. Os gringos vêm aí.

Câmbio desligo.