
Desenho por Rafael Nunes
Fiascos sociais, erros de julgamento e senso moral duvidoso costumam resultar em sociopatas desajustados, que saem por aí cometendo crimes como ouvir música em alto volume no metrô ou estacionar ao lado esquerdo da escada rolante. Bom, eu abri um blog.
No começo, era uma forma de reunir (e fazer) amigos, juntando textos legais sobre cultura e arte. Não demorou muito para que meu ego tomasse conta do espaço. Com o tempo, eles deixaram de atender as minhas ligações. Achei que tivessem perdido os seus celulares mas não, eu que perdi os amigos mesmo. Mandei a arte e a cultura para o espaço e me dediquei ao cotidiano das célebres pessoas comuns como eu.
Com o score social negativo, não posso dizer que me arrependa. O PinkEgo acabou se tornando uma ótima forma de conhecer gente legal, que parava por aqui sem querer enquanto procurava algo realmente útil pelo Google. E para eles eu escrevia todos os dias, ou quase todos os dias, ou de vez em quando, dependendo do momento da minha vida e da disponibilidade de Dan Tops no supermercado.
Aqui pude contar histórias que se perdiam nas mesas de bares entre assuntos mais interessantes, fatos que não dava pra discutir nos breves momentos de conversa durante o trajeto do elevador e papos que eu jamais poderia ter com minha mãe, preocupada em manter o estoque do meu estabilizador de humor abastecido.
Neuroses à parte, queria agradecer a todos (com poucas exceções) que entraram por aqui nesse 1 ano e compartilharam comigo alguns desses momentos tão estranhos, mas especiais. Muito obrigado por terem sentido cada pontinha de vergonha alheia, por qualquer senso de reprovação, pelas expressões de “oh no, he didn’t”, por terem se identificado com algumas histórias, por repassarem a amigos. Aparecemos até no Trabalho Sujo, e olha, valeu o susto do roubo indie.
Escrever um blog é, às vezes, produzir prova contra si mesmo. Estar disposto a aceitar a contradição, ver que, com o tempo, a opinião da gente muda e que a idéia dos outros muda a gente também. Eu resolvi falar para ouvir o que você tem a dizer. Esse é o preço do meu sossego. Quanto vale o teu silêncio?
O trecho abaixo é por conta de Marcela Prado, de longe, a maior comentadora deste blog:
“Pois é, não que o Pink Ego completou um ano? Um ano, minha gente. E acho que eu me lembro da inauguração. Ou não? Ele veio antes ou depois do twitter? Não sei ao certo também. No início eu mal conseguia seguir, tamanho o número de atualizações, e eu o invejava com minha preguiça costumeira, de quem mal atualiza o blog uma vez ao mês. Lembro que eu não entendia muito bem o que era isso aqui, era um blog de várias pessoas, de uma menina, de um menino?Não sei, não sei, pensava perdida. Com o tempo fui entendendo que se tratava do blog do Felipe Luno, e que ele era tão azarado quanto eu em seus relacionamentos, o que de certa forma me confortava. Isso foi cruel? Talvez sim, mas é verdade, eu ria e pensava, ufa, não sou só eu. E sabe, eu também já entrei algumas noites no bate-papo da UOL, mas é o tipo de coisa que eu só confessava depois de algumas tequilas. Mas o Felipe confessava (ou ironizava, ainda não sei ao certo).
Também nunca entendi aquele post em que ele declarava não ter umbigo. Seria uma metáfora para dizer que não acreditava em Deus? Seria o jovem rapaz vítima de um terrível erro médico? Ou seria uma hérnia? Jamais saberei.
E por falar em posts antigos, tem outro que eu sempre me lembro. Foi quando ele escreveu que é um tanto desanimador ver a namorada cortar as unhas do pé pelada. No dia que eu li, pensei nas várias coisas horríveis que eu já devo ter feito sem perceber. Será que foi por algo assim que aquele cara sumiu? E aquele meu primeiro namorado, que era quem cortava minhas unhas porque eu tinha preguiça, será que era brochante pra ele? Eu não me lembro se eu estava vestida naquelas ocasiões, mas espero que sim. E por que a Adriane Galisteu se depilando é excitante, mas a moça cortar as unhas não? Por quê? Por quê? Não sei, mas por via das dúvidas é bom seguir o conselho, cortador de unhas e nudez não combinam, é uma atividade tão desastrosa quanto querer ao mesmo tempo ouvir seu i pod, passear com o cachorro e vigiar seu pequeno sobrinho ruivo de nome bacana“
Um muito obrigado, mais do que especial, a Ana Freitas, Mariana Araújo, Rodrigo Sanchez, Alexandre Matias e pra você também =)