Sleep Drunk ou Vida Sexual Digital Aleatória na Madrugada

8 07 2009

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A internet realmente revolucionou o mundo. Criou amizades à distância, tornou possível ver pornografia sem que o jornaleiro soubesse algo sobre a sua sexualidade e até faz com que pessoas feias sejam famosas no meio digital.

Se, durante o dia, parece algo criado por Deus para que as pessoas sejam mais felizes e finjam trabalhar em horário comercial, à noite, a gente sabe muito bem que ela tem uma única finalidade: sexo (ou a procura do mesmo).

Eu sei que você é bem intencionado. Consigo imaginar seu quarto, a cama bagunçada, os sapatos jogados pelo chão e como você gostaria que tudo isso fosse um cenário pós-sexo. Mas não é. É apenas você, com insônia, procurando amigos para conversar.

Sei também que não é sua culpa quando você entra no UOL e ele oferece banners de sites eróticos com modelos da Playboy de 1988. Procura no Google por subitramina e ele te oferece camisinhas coloridas e os anúncios relacionados do teu Gmail trazem garotas de programa à preço de cesta básica. Soa tentador.

É quase possível sentir o cheiro do desespero. O Twitter fica mais sensual, aquelas pessoas ocupadas durante o dia se tornanm disponíveis no MSN e até mesmo os SPAMs ficam mais atraentes.

É como se, depois da meia-noite, a internet virasse um parque de diversões para insones. A gente sabe que não há nada melhor que aquele soninho pós-coito, mas se você não consegue dormir, conecte-se e adote um estranho. Tenha um papo estranho e depois diga que estava “sleep drunk”. Lembre-se: promiscuidade não existe, o que há é vida sexual aleatória.E quando é pela a internet, a chance de um carinho depois é maior. Deve rolar pelo menos um emoticon.





Pessoas que você não deve adicionar no Orkut e Como Odiar Amigos Sem Culpa

10 06 2009

Eu sonho com um dia em que surgirá uma comunidade ou blog que sirva para que você possa dizer o quanto odeia seus amigos e conhecidos. Funcionando como uma espécie de Burn Book, do filme Garotas Malvadas (Mean Girls), você pode despejar ali o quanto sente repulsa por uma pessoa e ver a sua raiva compartilhada por outras pessoas. Assim, sem bullying, sem flame wars, apenas o ódio mais puro em sua essência católica reprimida. Teu terapeuta agradece e poderá cancelar a consulta que agendou com o psiquiatra.

Se o Twitter talvez servisse para isso, acabou virando um agregador de mimimi, com pessoas reclamando ou dizendo coisas que estão fazendo, enquanto deveriam estar trabalhando ou pagando impostos. Pra ser sincero, se o Orkut é vitrine e a minha rede social dos sonhos é para o ódio, o Twitter permite que as pessoas digam o quanto elas pensam em sexo durante o dia, em 140 caracteres. E, muitas vezes, com seus amigos. Isso sim é interação social. Habeas corpus, meu filho. Saia da prisão da internet e arranje um motel!

As redes sociais proporcionam situações bizarras que fariam Stalin se sentir desconfortável. Filtrando tanto assim, sobra poucas pessoas e, provavelmente, elas também não encontrem motivos para me adicionar. Eu não as culpo. Não tenho fotos sem camisa, mas já coloquei um raio-x do meu pulmão digitalizado, que é quase a mesma coisa. Mesmo assim, ainda acho que o Orkut cumpre sua função, que é a de fazer você conhecer muita gente estranha na internet para acabar valorizando os amigos que você já tinha antes disso. Para todos os efeitos, vamos à breve lista:

Foto de bebê no perfil: Tipo, sério? Foto de bebê? É você, é seu filho, é alguma criança que você roubou da creche Tia Vilma? Está querendo provar para as garotas que é bom com bebês e que pensa em ter filhos? Olha, pra mim, soa algo meio Michael Jackson. E, na boa, algo de bem ruim deve ter acontecido durante a sua vida para que a melhor foto que você tenha seja de 20 anos atrás. Tudo bem, não julgamos as pessoas por cortes de cabelo ruins ou escolhas infelizes de maquiagem, mas foto de fralda, não. Não é bonitinho.

Orkut de perfil duplo: Tudo bem, você está namorando e quer dizer ao mundo todo isso com a delicadeza da letra de um funk em braile, mas não é por isso que você e sua namorada precisam usar um perfil único no Orkut. E se eu não gostar dela, preciso me referir aos dois quando eu for deixar scrap? Tenho que perguntar “Tudo bom com vocês?”, porque olha, no Brasil, usar plural é mais caro. Guarde suas fotos compartilhadas para o seu album. Seus amigos são seus amigos e os dela, dela. E quando terminar, como faz? Os dois fazem novos perfis e me adicionam de novo? Acho que não. Se há mais de uma pessoa na foto do perfil, já presumo que a pessoa tem amigos suficientes e não precisa de mim.

Pessoas sem camisa: A não ser que você tenha um terceiro mamilo ou não tenha umbigo, desculpa, amigo, mas não há nada de interessante no seu peito nu ou barriga de fora. E um aviso: quando seu peito pode ser usado como apoiador de copos, este é o ponto em que você para de usar anabolizantes, ok? Aliás, aquele remedinho azul que você está procurando chama Viagra. Tome 2 ao dia pra se fortalecer para o final de semana.

Família: Acredite, não é legal receber um recado: “e aí primo, vai na festinha da tia joana no sábado?”. Tudo bem, você vai na festa, mas seus amigos não precisam ficar sabendo, né. Isso acaba com qualquer desculpa de bolso vazio, febre alta ou que esqueceu o celular dentro da bolsa. Família e orkut não combinam. Já vi parentes se pegarem, no mal sentido, porque não se atribuiram estrelinhas de confiável.

Gente muito sorridente: Ora, ninguém realmente inteligente pode ser muito feliz em um mundo com crise econômica, aquecimento global e redes sociais que não exigem teste de alfabetização. Não é que eu odeie pessoas. Eu até gosto delas. Prefiro as vivas do que as mortas. Elas riem mais. Se bem que tem muita gente viva que não ri. Eu gosto mais dessas. Valorize seu sorriso. Use com moderação.

Eu: Felipe Luno não gosta de pessoas. Elas ocupam espaço na balada, estão antes de mim na fila do banco e, quando muito velhas, cheiram a naftalina, quando muito novas, a leite azedo. O mundo seria um lugar melhor sem as pessoas. Eu poderia remover os avisos de “não pise” na grama e ir sentado no transporte público, sem trânsito. Se bem que o ônibus não ia andar por falta de motorista, mas aí é outro problema…





Herança Digital e Para Quem Fica Seu Username Quando Morrer?

2 04 2009

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A gente passa a vida toda a evitar, mas chega um dia em que acontece. Aí é o fim. Jesus te chama e o Paraíso deixa de ser estação de metrô. Ou então, o diabo te recebe e Inferno deixa de ser nome de balada ruim. Os gays magrinhos viram purpurina e os mais gordinhos, lantejoula.

Neste dia, a sua família se despede, o velório é realizado na sua balada preferida com lista VIP para os mais próximos e seus amigos enchem a cara em sua homenagem. O caixão bóia na piscina da The Week. Afinal, morrer não parece tão ruim para alguém cujo único esporte praticado é fugir de bala perdida, certo? Um dia a gente perde o j0go.

Além de deixar a prestação da Renner atrasada para a sua família, é possível que você tenha acumulado durante sua vidinha medíocre algumas coisas interessantes. Uma certa dose de meritocracia informal da internet, um blog com acessos moderados e um MSN com contatos pegáveis divididos pela disponibilidade semanal de cada um além de um perfil no Orkut. Essa é a sua herança e ela vale mais do que sua coleção de revistas de mulher pelada. (a não ser que você tenha aquela da Xuxa).

Todo esse espólio, tudo que você acumulou durante essa sua vida indie geek ex-nerd não pode ser perdido dessa maneira, certo? Eu sei hoje que não posso morrer amanhã porquê não haverá quem atualize meu twitter por mim. A não ser que o céu tenha wi-fi, o que será que acontece com nossas contas, perfis e cadastros feitos pela gente quando morremos?

Não há como atualizar. Você está morto, óbvio, e teus amigos não sabem a senha. Então você fica lá, vivo para a memória do Google, cheio de scraps pornográficos de SPAMs malditos no teu Orkut. A sua reputação fica cada vez mais imunda e as pessoas começam a duvidar se você realmente morreu ou se apenas não tem mais dinheiro para pagar o Speedy. Para alguns, é melhor ser morto que pobre.

Para evitar esse tipo de desconforto no teu descanso eterno, passe tua senha para alguns amigos confiáveis. Distribua entre eles quem fica com o quê. Eu, por exemplo, deixo este blog para minha amiga @ana_freitas, do Olhometro e meu Twitter para @brunogalhardi. Já o Facebook fica para o @schizophrenic, que quase me ameaçou de morte se eu não o fizesse. Se não derem conta do recado, deletam o perfil e tocam suas vidas como se Felipe Torres fosse nome de guerrilheiro das FARC. (e é!)

O meu Orkut fica para @roupasuja. A garota pode até deixar uma mensagem como: “Oi, Felipe Luno não pode mais atender porque pediu para subir e foi sentar no colo de Jesus (não o Luz). Caso queira algum ‘contato’, ligue para (11) XXXX-XXXX. A gente resolve. Beijos”. Dúvido que o público se interesse.

E tudo bem se o fim não for como no Jogo da Vida, onde a gente conta quanto dinheiro você tem, quantos filhos teve e multiplica pelo número que der na roleta. O que vale mesmo pra quem fica são teus contatos e o que eles podem fazer com isso. Se não há dinheiro escondido debaixo do teu colchão, é melhor deixar alguém que eles possam levar para a cama.  Não se esqueça: antes de morrer, avise seus amigos, deixe tudo pré-agendado. Aguardo suas senhas como comentário a esse post.





Felipeluno precisa morrer

29 11 2008

 

Enterrar um apelido é dificil, mano!

Enterrar um apelido é difícil, mano!

 

Sempre chega a hora na vida de um homem onde é preciso tomar uma decisão. Assumir seu nome de nascença e ser o que está escrito no seu RG não-alfabetizado ou permanecer com a identidade eletrônica que você criou para ser no meio digital? Porque é tão difícil pra gente mudar de apelido (nickname)?

Preciso assumir que comecei como gatinho14aSP nas obscuras salas de bate-papo quando orkut ainda era nome de shampoo e havia dinossauros que usavam o mIRC. Era prático, rápido e descritivo: eu já dizia que era bonitinho, novo e que morava em São Paulo. Quer mais que isso?

Com o tempo, ganhamos números no ICQ e eu passei a ser 59723836, com a possibilidade de mudar meu nick diariamente mantendo a mesma ID. Virei FelipeJack, juntando o apelido que ganhei na escola com meu nome original e ali instalava-se uma parceria que durou quase 8 anos.

Tempo depois, me viciei em Bloc Party e passei a consumir a banda em doses nada homeopáticas. Meu nick, já no MSN Messenger, mudava sempre, mas a música ouvida que era mostrada no letreiro era sempre Bloc Party – Luno. Com o tempo virei Luno, depois, Felipe Luno e muita gente acha que esse é meu sobrenome.

Mas o que fazer quando a música já não combina mais contigo, você está longe da banda e se sente em outra fase? Hoje, não me há apelidos disponíveis que justifiquem uma alteração, mas me recuse a ser Torres, como consta no documento. É preciso algo mais pessoal, mais eu…

Por essas e outras razões, digo que Felipe Luno precisa morrer. e Logo. De preferência antes de 2009. Quem já mudou de nickname antes sabe a dificuldade que é pra se arranjar um novo. Não é só alterar no status do MSN, mas arranjar novos e-mails, renomear a conta do twitter, do orkut, myspace, etc. Até decidir, meu nick é |anuncie aqui|. Afinal, vamos capitalizar, né, minha gente?





E-dating: a dificuldade de conseguir um namoro pela internet – Parte 3

13 11 2008

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A parte triste de ser solteiro e fazer greve de sexo é que ninguem nota. A nao ser que voce coloque isso no twitter e surjam convites inesperados. Entre as ofertas de amor espontaneo, possessao física e caridade emocional, a que mais me chocou foi o convite para visitar a Igreja Universal do Reino de Deus. Nao pelo lugar, mas por ser na famosa “noite do descarrego“. Questao de agenda.

(Alias, alguem sabe qual é a daquela Igreja Brasil para Cristo e a Igreja Mundial? Por que ir na versao brasileira ou na Mundial se voce pode ir na Universal? )

Falando em estrangeiros, desisti de encontrar o amor no Brasil. Há muito tempo, quando o Cazé na MTV era careca e eu tinha cabelo, fiz um pacto com uma amiga de nos casarmos caso os dois chegassem aos 30 anos sem ter um par. Adiantando o acordo em quase 8 anos, liguei pra garota. Estava namorando, noiva, prestes a casar. Ter affair com mulher antes do casamento nao tem graca.

Nao tinha jeito, o próximo passo era recorrer a internet mais uma vez. Pelo Orkut, visitei comunidades do orkut com seres que tinham um certo tesao por pessoas com caracteristicas como as minhas, mas elas nunca gostavam do pacote completo. Para brasileiros, sardinhas sao peixes enlatados e nao marcas bonitinhas na pele.

Com a ginga brasileira, jeito latino e malandragem da Zona Leste, me inscrevi no MySpace e gastei meu ingles. Conheci uma garota da Inglaterra. Muito fina, muito educada e muito branca, tao branca que pedi pra ela ajustar o contraste na webcam.

A gringa era fofa e dócil. Mostrei meu quarto, minhas roupas, meu cachorro, meu pote de Biotonico Fontoura guardado no armario e ela aceitou tudo isso com uma educacao britanica digna de familia real. Pronto, eu estava apaixonado e aceito. Se um padre virtual nos casasse pelo GTalk, eu poderia viajar a Gra-Betanha com visto vitalício.

Marcamos uma data, no final de semana, para que nossa relacao ficasse mais steady. Ela me apresentaria seus pais e eu achei isso o máximo. Entrei no dia marcado e ela estava sozinha. Falou que se iamos nos casar, ela precisava conhecer meu corpinho. Isso me lembrou o NetMeeting do UOL em 2001, mas resolvi apostar na sorte.

Com muita vergonha, mostrei a barriga. A ausencia de barriga. Uma barriga magra. Mas tudo que ela notou foi que eu nao tinha umbigo. Disse que eu parecia Adao, o primeiro homem, e que isso a deixava meio desconfortavel. Citou Bíblia algumas vezes e disse que nao ia comer o fruto proibido.Tentei argumentar que era eu quem comeria, mas a gringa surtou.

Ela disse que a internet estava ruim e que podia cair a qualquer momento. Foi o gato subindo no telhado. A tela da webcam ficou preta. Depois, ela desconectou e eu fiquei ali, descamisado, sem umbigo e sem esposa. Valeu, jesus!