Pessoas que você não deve adicionar no Orkut e Como Odiar Amigos Sem Culpa

10 06 2009

Eu sonho com um dia em que surgirá uma comunidade ou blog que sirva para que você possa dizer o quanto odeia seus amigos e conhecidos. Funcionando como uma espécie de Burn Book, do filme Garotas Malvadas (Mean Girls), você pode despejar ali o quanto sente repulsa por uma pessoa e ver a sua raiva compartilhada por outras pessoas. Assim, sem bullying, sem flame wars, apenas o ódio mais puro em sua essência católica reprimida. Teu terapeuta agradece e poderá cancelar a consulta que agendou com o psiquiatra.

Se o Twitter talvez servisse para isso, acabou virando um agregador de mimimi, com pessoas reclamando ou dizendo coisas que estão fazendo, enquanto deveriam estar trabalhando ou pagando impostos. Pra ser sincero, se o Orkut é vitrine e a minha rede social dos sonhos é para o ódio, o Twitter permite que as pessoas digam o quanto elas pensam em sexo durante o dia, em 140 caracteres. E, muitas vezes, com seus amigos. Isso sim é interação social. Habeas corpus, meu filho. Saia da prisão da internet e arranje um motel!

As redes sociais proporcionam situações bizarras que fariam Stalin se sentir desconfortável. Filtrando tanto assim, sobra poucas pessoas e, provavelmente, elas também não encontrem motivos para me adicionar. Eu não as culpo. Não tenho fotos sem camisa, mas já coloquei um raio-x do meu pulmão digitalizado, que é quase a mesma coisa. Mesmo assim, ainda acho que o Orkut cumpre sua função, que é a de fazer você conhecer muita gente estranha na internet para acabar valorizando os amigos que você já tinha antes disso. Para todos os efeitos, vamos à breve lista:

Foto de bebê no perfil: Tipo, sério? Foto de bebê? É você, é seu filho, é alguma criança que você roubou da creche Tia Vilma? Está querendo provar para as garotas que é bom com bebês e que pensa em ter filhos? Olha, pra mim, soa algo meio Michael Jackson. E, na boa, algo de bem ruim deve ter acontecido durante a sua vida para que a melhor foto que você tenha seja de 20 anos atrás. Tudo bem, não julgamos as pessoas por cortes de cabelo ruins ou escolhas infelizes de maquiagem, mas foto de fralda, não. Não é bonitinho.

Orkut de perfil duplo: Tudo bem, você está namorando e quer dizer ao mundo todo isso com a delicadeza da letra de um funk em braile, mas não é por isso que você e sua namorada precisam usar um perfil único no Orkut. E se eu não gostar dela, preciso me referir aos dois quando eu for deixar scrap? Tenho que perguntar “Tudo bom com vocês?”, porque olha, no Brasil, usar plural é mais caro. Guarde suas fotos compartilhadas para o seu album. Seus amigos são seus amigos e os dela, dela. E quando terminar, como faz? Os dois fazem novos perfis e me adicionam de novo? Acho que não. Se há mais de uma pessoa na foto do perfil, já presumo que a pessoa tem amigos suficientes e não precisa de mim.

Pessoas sem camisa: A não ser que você tenha um terceiro mamilo ou não tenha umbigo, desculpa, amigo, mas não há nada de interessante no seu peito nu ou barriga de fora. E um aviso: quando seu peito pode ser usado como apoiador de copos, este é o ponto em que você para de usar anabolizantes, ok? Aliás, aquele remedinho azul que você está procurando chama Viagra. Tome 2 ao dia pra se fortalecer para o final de semana.

Família: Acredite, não é legal receber um recado: “e aí primo, vai na festinha da tia joana no sábado?”. Tudo bem, você vai na festa, mas seus amigos não precisam ficar sabendo, né. Isso acaba com qualquer desculpa de bolso vazio, febre alta ou que esqueceu o celular dentro da bolsa. Família e orkut não combinam. Já vi parentes se pegarem, no mal sentido, porque não se atribuiram estrelinhas de confiável.

Gente muito sorridente: Ora, ninguém realmente inteligente pode ser muito feliz em um mundo com crise econômica, aquecimento global e redes sociais que não exigem teste de alfabetização. Não é que eu odeie pessoas. Eu até gosto delas. Prefiro as vivas do que as mortas. Elas riem mais. Se bem que tem muita gente viva que não ri. Eu gosto mais dessas. Valorize seu sorriso. Use com moderação.

Eu: Felipe Luno não gosta de pessoas. Elas ocupam espaço na balada, estão antes de mim na fila do banco e, quando muito velhas, cheiram a naftalina, quando muito novas, a leite azedo. O mundo seria um lugar melhor sem as pessoas. Eu poderia remover os avisos de “não pise” na grama e ir sentado no transporte público, sem trânsito. Se bem que o ônibus não ia andar por falta de motorista, mas aí é outro problema…





E-dating: a dificuldade de conseguir um namoro pela internet – Parte 2

23 10 2008

 

Quando a coisa fica feia, realmente frouxa, pior do que descrevemos no começo dos últimos posts, você percebe que está sozinho, de coração endurecido, bolso vazio e zíper aberto. Sem ninguém para amar, cansado dos pares imperfeitos que encontrou nos sites de relacionamento da internet, como em uma novela do Manuel Carlos, você pensa em apelar e ligar para o CVV.

Antes de se fechar no quarto com caixas de Dan Top e barris de Coca-Cola e cometer um suicídio diabético, nosso herói Fernando resolveu se entregar à primeira forma de fazer amigos pela internet. E não estou falando daquele horrível mIRC, que os jurássicos apenas se lembram, mas do famoso, bom e velho Bate-Papo do UOL.

Aproximadamente 54,78% da experiência de relacionamentos iniciados ou mantidos pela internet se baseia no seu nickname, ou nick, ou apelido para os leigos (caso esse seja o seu caso, por favor, clique aqui). Esse nome que você escolhe, de poucas letras e muita personalidade, é o que vai te acompanhar por um bom tempo.

Se te falta aptidão social e sobra apetite sexual, como no caso de Fernando, tente apelidos diretos, como o clássico Gatinho23aSP. Já falou tudo: status de beleza, idade, sexo e local. Foi o que nosso amigo fez e entrou na sala do Por Idade, do UOL.

Não é fácil hoje em dia puxar papo nas salas. Aboliram o famoso “oi, quer tc?”. Agora já se pede logo o MSN da pessoa e a página nada mais é do que um grande vazio onde as pessoas conversam no reservado. Sem falar nos bots, claro, que disparam spams com sites de pornografia e a administração do UOL lembrando que pornografia infantil é crime.

Eis que, de repente, Gatinha23aSP entra na sala. Se ela tinha o mesmo nick que eu, só poderia ser a minha cara-metade, como é dito em letras de pagode e no alcorão baiano. Coisa do destino.

Puxei assunto, de forma tranqüila, perguntando onde morava em São Paulo, que tipo de música ouvia e o que gostava de fazer. Infelizmente, ela não gostava de piña coladas, nem de ser pega de surpresa pela chuva, mas tudo bem, nem tudo é música.

Continuar o papo era um desafio. A gente nunca sabe que tópico abordar. Cinema é uma arte ingrata. Não importa quantos filmes você já viu, sempre haverá vários que você nunca ouviu falar. E tenha certeza: esse assunto vai vir a tona justamente quando você estiver por fora, pra ficar na periferia do papo, com cara de sulfite A4 branco.

Com mais intimidade com a Gatinha, resolvi passar o meu MSN e levar nosso relacionamento para o próximo nível na internet. Se correr tudo bem, eu colava o link do meu orkut na conversa e a gente já ficaria mais íntimo. Até amigo. Adicionar na crush-list, poder stalkeá-la e acompanhar os scraps. Descobrir a sua senha, quem sabe…

Risadinhas e emoticons rolando, a conversa fluía bem. Hoje é tão difícil conhecer alguém assim, tão parecido com a gente, com o mesmo tipo de humor, visão de mundo, ambições, perspectivas…dá até uma certa dúvida, uma inquietação.

Essa desconfiança era sexto – sentido. Quando passei meu telefone, Gatinha se apresentou. Seu nome era Renato, tinha 27 anos, 20 centímetros e era gay. E ativo. Na dúvida, resolvi passar. Há amor online?





E-dating: a dificuldade de conseguir um namoro pela internet I

17 10 2008

Depois de ser apresentado aos pais a estudantes de Fisica da USP, violinistas vegetarianos e fas de Snow Patrol e a uma garota que tinha a personalidade de uma samambaia, um dos membros do PinkEgo (ui!) resolveu apelar. Cansado de esperar pelo cupido e pela morte, o que quer que viesse antes, nosso amigo tomou a decisao de usar a internet para conhecer pessoas interessantes. Ou que pelo menos rendessem uma noite de diversao, if you know what i mean.

Para atingir o melhor publico possivel e explorar todas as possibilidades que essa vida online que a gente leva pode nos dar, o querido Fernando* (*nome ficticio) se cadastrou no ParPefeito, tentou um DiskAmizade pelo ChatLine e apelou pro Bate-papo do UOL. O que voce vera nos proximos posts sao relatos dessa experiencia social solitaria e bizarra, mas com um final feliz:

Nada melhor do que contar com as gratuidades da internet pra tentar achar um par. Se a danca do acasalamento no Discovery Channel esta te animando, meu caro, é hora de apelar. E Fernando, nosso amigo, sabia que precisava tomar uma atitude. Nao podia passar mais os sabados assistindo ao Zorra Total ou lendo Paulo Coelho. Era hora de agir!

Por 7 dias, sem pagar, ele podia testar os servicos do ParPerfeito. Um puta negócio. Mesmo desconfiando da necessidade de registrar ali os dados de seu cartao de credito, Fernando sabia que mesmo que fosse cobrado, sairia mais barato do que procurar por diversao na Augusta. Tentou ver se estudante pagava meia, mas nao havia nenhuma indicacao no site.

Com os olhos fechados, preencheu o cadastro necessario ate que chegou na parte de preencher o perfil. Eis que surge a grande primeira duvida: utilizar ou nao uma foto de mim mesmo (digo, dele). Se Fernando realmente procurava por paz, amor e compreensao, deveria utilizar sua propria foto, uma honesta, que tivesse passado por um processo de Photoshop simples. Agora, se quiser algo mais quente, talvez devesse usar o retrato de alguem mais bonitao, tipo /galhardi. Ou apelar pros brushes dos programas da Adobe e fazer sumir as sardas, trocando a melanina por pixels morenos.

Usando a propria foto e preenchendo o perfil com dados sinceros, Fernando foi vendo como esta dificil hoje em dia conseguir achar alguem que nos aceite por inteiro. Ficou incomodando com o campo que perguntava sobre o tamanho do seu penis e resolver colocar “Nao definido“. Nao era nada que uma regua nao resolvesse, mas melhor manter um pouco de misterio. Pensou em colocar que era ruivo, mas dependendo de como o sol bate em sua cabeca, ele pode ser considerado castanho ou ate careca. Melhor nao mentir para o possivel amor de sua vida.

Perfil completo. Foto postada. Sorriso bonito e pronto para procurar pelo amor online. Ah, o amor. Mas, que amor? Talvez fosse melhor deixar suas opcoes em aberto. Resolveu deixar o sexo do par ideal indiferente. É sempre bom analisar as opcoes do mercado, mesmo que a gente nao prove do fruto. Pensou que talvez fosse bom pro ego levar uma cantada ou outra, talvez ate mudasse de ideia, mas ai é pra outro post…

GarotaSafada169*, MulekeBH27* e Jornalista25* foram os perfis que mais chamaram a atencao. As fotos, interessantes, mostravam nos possiveis pares na praia, bebendo com amigos, praticando hobbies como futebol e culinaria. Pareciam pessoas normais, com quem ele poderia conversar ou comer Pringles assistindo ao Faustao no domingo.

Para manter a disputa justa entre os tres, mandou a mesma mensagem padrao:

Oi, tudo bem? Meu nome é Felipe (digo, Fernando), tenho 23 anos, sou solteiro e gostei muito do seu perfil. Sera que poderiamos conversar mais um pouco? Um abraco

Era curto e romantico. Polido. Interessante. Nada misterioso, ok, mas parecia simpatico. Era o tipo de mensagem que Fernando gostaria de receber. E nos primeiros dias, silencio foi tudo o que chegou em sua Caixa de Entrada. O perfil, quase nada visitado, cada vez mais dava a impressao de que o destino do nosso amigo era acompanhar a mae nas rodadas de bingo beneficente da igreja ou cuidar do sobrinho quando a irma ia para o motel com o namorado novo da semana. Era o fim.

Eis que, entao, quase 36 horas depois, ja beirando o fim do periodo gratuito, Fernando recebe uma mensagem. Deu tres pulinhos, agradeceu a Santo Expedito e cancelou a e-macumba. Ate revogou a oferenda de Chocookys a Iemanja:

Resposta da GarotaSafada169:

Oie gato, to mandndo pra vc umas fotos q tirei pra vc me conhece melhor. Bjus mi add no msn xxxxxx@hotmail.com

Em anexo, o que veio foram fotos do corpo de GarotaSafada. O rosto, corpo inteiro, a barriga, as pernas, os pes…o pe esquerdo…o pe direito…e uma foto, em separado, de cada dedinho do pe da menina! ele realmente a conheceu melhor, quase biblicamente falando. Nomeados como d_1.jpg, d_2.jpg, em sequencia, formavam uma coletania que faria qualquer podolotra perder a razao. Mas nao e o caso. Fernando odeia pé, se pudesse, viveria sem eles. Assustado, exibiu as fotos para alguns amigos em uma sessao private em sua casa. Ao ver o podo-album, 2 deles deixaram o recinto. Um deles foi ao banheiro.

Mais assustadoras do que filme do Uwe Boll, Fernando ficou triste. Pensou que se alguem achasse as fotos em seu computador, poderiam pensar que ele era um esquartejador de pés. Engracada a palavra esquartejar. Seriam as pessoas esquartejadas divididas em 4 pedacos iguais, ou mortas em um quarto e espalhadas pelo criado-mudo, armario e penteadeira?

Com a consciencia pesada pela piadinha do mal, Fernando viu que talvez suas exigencias estivesse alem do que o servico poderia proporcionar. O amor nao estava online dessa vez, estava ocupado e podia nao responder. Offline pra vida, pegou o telefone e tentou o ChatLine….

continua…

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