Maldades Infantis e Como Tentar (Brincando) Assassinar a Sua Irmã

12 03 2009

Há três categorias de bebês: os lindos, os engraçadinhos e os saudáveis:

-  Os lindos são bonitos, tem olhos claros, traços delicados e indicam uma vida repleta de bom sexo, vida social plena e a tal boa apresentação requirida por algumas vagas de emprego.

- Os engraçadinhos são os bebês com sorriso divertido, que fazem rir por terem pouco cabelo, uma bochechas gordinhas ou sons animados.

– Já os saudáveis, simplesmente são aqueles bebês que a gente espera que cresça com saúde e não se tornem assaltantes, usuários de drogas ou portadores de pochete. Bom, eu era um bebê saudável.

Bom, mesmo tendo 3 anos de diferença da minha irmã, quando ela nasceu, já tinha praticamente o dobro do meu tamanho. Mesmo eu sendo um bebê ruivo, já sardentinho, não era muito simpático. Minha primeira frase completa foi: “Mãe, cerque meu berço com arame farpado, por favor, gu gu dá dá (eu ainda não sabia falar ‘porra, caralho’”.

Ouvia da sala os risos e frases desconexas que as visitas disparavam à minha irmã. Ela era moreninha, tinha olhos verdes e um sorriso encantador. Quando meu pai brincava de aviãozinho com ela pelo apartamento, eu realmente sonhava que ela enroscasse no ventilador de teto.

Eu nunca me esqueço da minha mãe comigo pequeno e minha irmã bebê quando chegou uma velha senhora e falou: “Que bebê lindo! que ela seja muito muito muito feliz!”….e “que graça de menino, que ele tenha muita saúde!”.  Depois disso, nunca mais dei um espirro e a minha irmã, bom, ela deu bastante.

Tais pensamentos negativos me tornaram uma pessoa ruim. Sou magro de ruim. Todo dia era dia de maldade comigo e com a minha irmã. Já prendi o dedo dela na porta, já acertei um bastão em sua cabeça “brincando” de beisebol (mero pretexto) e insistia em trancá-la no banheiro com meu poodle assassino.

A maior travessura foi, talvez, pegar um carrinho, daqueles de fricção, que você empurra para trás e ele volta sozinho, e passar em seu cabelo. Os fios prenderam, claro, e minha mãe precisou cortar um tufo enorme com uma tesoura escolar sem ponta. Apesar de tudo isso, minha irmã sobreviveu, hoje me ama e ainda é linda depois das cirurgias plásticas.

Falo tudo isso por que acho que ninguém leva a sério as experiências que nós temos enquanto somos pequenos, bem pequenos. Todo mundo fala da adolescência, das espinhas, da primeira vez que foi mal comido, mas na verdade, eu ainda estou cheio de mágoas de quando me tiraram minha chupeta e me deram as primeiras palmadas. Talvez isso explique muita coisa.

Aquela papinha sem graça, a babá que roubava meu Danoninho e o episódio de Ra-tim-bum que eu perdi nunca poderão ser recuperados pela terapia. Já foi. Da infância, só lembro do pega-pega e do esconde-esconde. Da adolescência, depois que descobri o sexo, só lembro também do pega-pega e esconde-esconde.

Tendo em vista o passado triste que tive e o futuro fracassado que essas experiências me impõem, resolvi apostar em meu sobrinho. Ele é ruivo, lindinho, engraçado e saudável. Serei seu amigo, darei presentes legais quando ele aprender a falar “obrigado” e sairemos juntos para baladas alternativos. Tanta proximidade vai fazer com que eu conheça seus defeitos e, sabendo que ele não é perfeito, posso dormir tranquilo. Até agora, já descobri que ele tem chulé, incontinência urinária e uma fixação inexplicável por peitos.





Como Descobrir um Novo Talento aos 20 anos ou mais

16 01 2009

 

Quem disse que é tarde para ser um Cangaiba Idol?

Quem disse que é tarde para ser um novo Cangaíba Idol?

 

Como que alguém decide logo quando criança que quer crescer, pegar uma vara bem grande e dar um salto enorme?  Pois bem, foi essa pergunta que eu me fiz enquanto observava os atletas jovens saltarem de um lado para o outro. É um esporte, um belo esporte, mas como descobriram que tinham talento para a coisa.

Como sempre, a culpa é das mães. Elas são as principais responsáveis por identificarem nos seus pequenos filhos características, possíbildades e até, porque não, talento, nos pimpolhos fedorentos e pidões. São essas crianças que serã os futuros cantores, atores, pintores, atletas, escritores e motorista de caminhão.

Mas porque então eu não virei nada?”, você se pergunta. Bom, pelo menos eu me pergunto. O motivo é simples: nem sempre mãe é mãe. Às vezes, é madrasta e não dá apoio. Acha que o talento da criança em imitar o Fábio Assunção é encosto possuindo corpo de criança e que cantar igual ao Felipe do Fantasia é pura bichisse. Pois bem, são talentos inexplorados seus que ficaram aí, guardados, pra você descobrir num karaokê da vida ou num drag show mais para a frente, cobrando 10 reais o show na Danger.

Mas enfim, desolado por chegar além dos 20 anos sem descobrir um talento, resolvi tomar uma atitude. Se para a minha mãe, eu não passava de um ruivo sardendo com uma gripe incurável, vou mostrar para ela que posso ser um atleta. Meu pai me indicou equitação, mas não acredito que aprender a cavalgar seja algo muito excitante ou de uso efetivo em minha vida.

Assim, decidi fazer uma luta. Mas uma arte marcial light, quase gospel, algo que tenha uma faixa cafe-com-leite e um banco onde a gente possa descansar e chamar de “pix”. Kung Fu parece difícil, Karatê tem muitos japoneses que dão medo. Tai Chi Chuan pareceu uma boa, não fosse a minha alergia à pó e cheiro de naftalina.

Não é que haja medo de me machucar, mas é que eu não ralo o joelho há alguns anos e não lembro mais como são essas dores. A ultima vez que me acidentei foi por tendinite e movimentos repetitivos. To mais perto da artitre e da osteoporose do que dos charmosos três pontos na testa, saca?

Dessa forma, decidi que meu talento é a perseverança amorosa e falta de vergonha na cara. “Vc vive reclamando da sua vida amorosa.pq eu deveria acreditar em vc agora?”, perguntou Marcela Prado, no Twitter. Pois bem, você deve me dar algum crédito porque eu já passei por quase tudo e sobrevivi.

Já levei todos os tipos de fora, já faltei na festa do meu aniversário e encontrei meus pais na balada. Eu sou o Rocky, cara! Fuckin’ Rocky Balboa! Levo meus socos, apanho, mas ainda tenho força para grunhir algumas palavras com a minha boca torta de botox. Fui assediado por pedófilos e necrófilos. Até hoje tenho trauma da sequencia. “Senta. Deita. Finge de morto”. Mesmo assim, minha vida sexual continua super saudável, em termos.

Tem gente que usa pochete e viseira, tem quem faça posts enormes e interessantes em seus blogs e ganhe dinheiro com isso e há até quem estude, trabalhe na área e esteja satisfeito com isso. Pois então, eu tenho o talento de sofrer com o modo shuffle do universo, sobreviver e não ter vergonha de contar tudo isso. E você?





As Mentiras que as Mães Contam

7 10 2008

Muito se fala sobre os homens malandros, as mulheres piriguetes e Paulo Maluf enquanto, na verdade, as maiores mentirosas existentes na raça humana são as mães.

Desde cedo, elas te assustaram com hinos ameaçadores: “Nana nenê, que a Cuca vem pegar“, “Boi boi boi da cara preta, pega esse menino que tem medo de careta“. Até hoje, duvido muito que alguém tenha sido raptado pela Cuca, ou levado pelo tal bovino. Depois, disseram que verduras e legumes são coisas gostosas. E você, esperto como é, viu que apesar de serem bem coloridos, não tem nada de gostoso.

As matriarcas falaram que um tal de velhinho barbudo chamado Papai Noel, que, apesar do nome, não é seu pai, seria o responsável por te trazer presentes no final do ano. Pegadinha: você tinha que ser um bom  menino o ano todo. Isso inclui comer toda a sua comida, fazer a lição de casa e não errar a mira na hora de fazer xixi. Mentira: não há Papai Noel, Coelhinho da Páscoa. Ahá!

Elas inventaram o homem-do-saco e o homem-da-seringa pra que você não falasse com estranhos. Espalharam o mito de que aceitar doces de estranhos poderia te fazer algum mal, fato também derrubado após algumas baladas na Augusta. Não aconteceu nada, não é mesmo?

Doces demais estragariam seus dentes. Falso. Comer espinafre te deixaria como o Popeye. Falso. Estralar os dados deixaria as suas juntas grossas e te dar artrite. Falso!

Aposto que você nunca conheceu alguém que tenha ficado cego por ver televisão demais e muito perto da tela. Ou alguém que tenha morrido afogado após comer e ir nadar em menos de uma hora! Você cresceu e entendeu que caretas não duram pra sempre, mesmo que você olhe no espelho; que se você apontar pra algum lugar ou pra alguém, não nascerá um pé de batatinha na ponta do seu dedo. As professoras da escola não são suas tias. Brincar com seu pênis não fará com que ele caia em pouco tempo. E, não importa quão ruim seja a marca de chiclete que voce comprar, se você o engolir, ele não ficará em seu estômago pra sempre.

Mais do que Paulo Maluf, vendedor de carro, pescador, professor de História e pastor evangélico, as mães são as maiores mentirosas de todo o mundo. Y Tu Mama También.