Sou fã do Bloc Party há muito tempo, provavelmente desde antes de eles existirem o que me torna mais indie que você. Ouvi um demo da banda e resolvi que dela eu ia gostar e assim foi. Um caminho torto até a gravação do primeiro CD, que pra mim é o que há em perfeição de album indie.
É uma banda média, de letras fracas e riffs legais. São comuns como qualquer outra bandinha inglês, mas tem um negão meio maluco no vocal que dá um toque meio world music pra coisa. Na onda da geração pós-punk, adotaram o rock como escudo mas logo trocaram o “orgânico” pelo eletrônico.
Muita gente se decepcionou com o segundo CD. Estranhou o terceiro, com o single funk-carioca-meets-tv-on-the-radio Mercury. Eu não. Bloc Party não é nem nunca vai ser a melhor banda indie, não vai tocar nas rádios nem ser adorada no MySpace. Eles são ambiciosos e gostam de experimentar, mesmo que não dê muito certo. E pagam o preço por isso. Viraram uma bandinha que é gostoso odiar.
Já tentaram ser grandiosos em A Weekend In The City. Foram minimalistas em Silent Alarm. Na ultima tentativa, Intimacy soa como um Bloc Party…with lasers! É bacana, mas completamente esquecível. Algumas faixas chegam a dar sono. E boto a culpa no Jacknife Lee, produtor do Snooze Snow Patrol.
Mesmo com tanta crítica, me considero fã n.1. Sou apaixonado pelos caras, acho que o som deles é sincero no que há de oposto ao “indie comercial” (e sim, ele existe). O guitarrista nunca mostra o rosto, o vocalista canta mal e desafina e parece que eles tão sempre tentando ser algo que não são. E não há nada nesse mundo mais adolescente que isso, mesmo que eu já não seja mais teen.
No show do Planeta Terra tive a oportunidade de ver o que eu desconfiava: uma banda que não funciona pra grandes públicos. Não cabe no tamanho stadium e sempre perde quando colocada em um line-up mais forte. Não sabem montar set-list, alternam hits com músicas mais desconhecidas e causam bocejos algumas vezes.
Mas tudo isso não me impediu de chorar em This Modern Love, ou lembrar de muita coisa com Helicopter, balançar os quadris em Banquet, porque eu não rebolo e gritar em Positive Tension. Faltou no show o senso de urgência que a banda imprime no som dos Cds. Ficou monotono, mas, de certo modo, simplesmente eficiente.
Com ou sem playback, eu fiquei. Preferia que eles tivessem tocado o CD ao invés de uma sub-versão ao vivo. O show foi fraco. Pouca presença de palco, pouco envolvimento, set equivocado.
O que fica é que Bloc Party não está aqui para salvar o mundo. Eles não decidiram ainda se o que tocam é rock, pop ou eletrônico. Estão sempre mudando. Se você gostou deles por Silent Alarm ou qualquer outro Cd, saiba que provavelmente a banda nunca mais vai voltar à este ponto. Cabe a você decidir se acompanha as mudanças ou se parte pra novos sons. O que não falta são alternativas.
Contribuição de Felipe Torres
