
É fácil imaginar pequenas criancinhas da Indonésia sendo obrigadas a disparar e-mails para mailings enormes aos cinco continentes. Aliás, ainda são cinco ou um tsunami já engoliu algum? Com a enorme quantidade de informação que é enviada botão a botão, é mais fácil tirar todas as teclas do seu teclado e substituí-las pelo DELETE.
Tudo bem, a gente sabe que existem robôs desenvolvidos por engenheiros de software gordos e mal-amados que fazem esse trabalho automaticamente. Mesmo assim, é melhor acreditar que há um certo toque artesanal naquele SPAM que você recebe e gostaria de xingar, pessoalmente, o filho da puta responsável por tomar aqueles segundos do seu dia.
Na verdade, hoje a gente não pode mais reclamar de caixa de e-mails cheia. O Gmail já se antecipou e criou um reservatório inesgotável de mensagens indesejadas. O que irrita mesmo é que a lógica é certa como no seu quarto: quando mais espaço, mais lixo.
É fácil acreditar que 80% dos SPAMS sejam sobre remédios para ejaculação precoce. Sua vida sexual comprova isso. Não por sua culpa, claro, mas por experiências compartilhadas com outras pessoas. De outro lado, se o Catho realmente tivesse 180 mil empregos novos a cada mês, era o fim do desemprego no Brasil, não?
Sinto saudades de uma Internet mais ingênua, quando chegavam mensagens sobre um rei deposto da Nigéria que queria transferir uma enorme quantida de dinheiro para sua conta ou sobre Ana, a garota que nasceu sem ossos, e que precisava de transfusão de sangue e doações em Euros.
Hoje, três assuntos dominam sua caixa de mensagens não-solicitadas: pênis que não fica duro, remédios em promoção e fotos da Sandy pelada. Com isso, é hora de decretar: a internet chegou à Terceira Idade. Logo logo chega o Mal de Alzheimer e a gente não vai lembrar o que está fazendo por aqui. Será que é por isso que inventaram o Twitter?



