O SPAM Nosso de Cada Dia

19 08 2009

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É fácil imaginar pequenas criancinhas da Indonésia sendo obrigadas a disparar e-mails para mailings enormes aos cinco continentes. Aliás, ainda são cinco ou um tsunami já engoliu algum? Com a enorme quantidade de informação que é enviada botão a botão, é mais fácil tirar todas as teclas do seu teclado e substituí-las pelo DELETE.

Tudo bem, a gente sabe que existem robôs desenvolvidos por engenheiros de software gordos e mal-amados que fazem esse trabalho automaticamente. Mesmo assim, é melhor acreditar que há um certo toque artesanal naquele SPAM que você recebe e gostaria de xingar, pessoalmente, o filho da puta responsável por tomar aqueles segundos do seu dia.

Na verdade, hoje a gente não pode mais reclamar de caixa de e-mails cheia. O Gmail já se antecipou e criou um reservatório inesgotável de mensagens indesejadas. O que irrita mesmo é que a lógica é certa como no seu quarto: quando mais espaço, mais lixo.

É fácil acreditar que 80% dos SPAMS sejam sobre remédios para ejaculação precoce. Sua vida sexual comprova isso. Não por sua culpa, claro, mas por experiências compartilhadas com outras pessoas. De outro lado, se o Catho realmente tivesse 180 mil empregos novos a cada mês, era o fim do desemprego no Brasil, não?

Sinto saudades de uma Internet mais ingênua, quando chegavam mensagens sobre um rei deposto da Nigéria que queria transferir uma enorme quantida de dinheiro para sua conta ou sobre Ana, a garota que nasceu sem ossos, e que precisava de transfusão de sangue e doações em Euros.

Hoje, três assuntos dominam sua caixa de mensagens não-solicitadas: pênis que não fica duro, remédios em promoção e fotos da Sandy pelada. Com isso, é hora de decretar: a internet chegou à Terceira Idade. Logo logo chega o Mal de Alzheimer e a gente não vai lembrar o que está fazendo por aqui. Será que é por isso que inventaram o Twitter?





A Internet Matou o Pornô

13 08 2009

A internet matou o pornô. Sim, é verdade. Se você pensa que a grande rede foi a responsável pela divulgação livre de partes do corpo, está enganado. Ela reduziu a arte da excitação à exposição de corpos nus como pedaços de carne em galerias de fotos em sites russos.

Você se lembra das Playboys antigas, onde você comprava as revistas para ver 12 páginas de alguma aspirante a famosa nua. Sabe que hoje quer variedade. Jamais iria aguentar ficar vendo a mesma mulher pelada várias vezes em poses diferentes. Mesmo assim, nessa época, a gente ia para o jornaleiro de confiança, entregava o dinheiro da mesada e levava Glória Menezes em seus tempos áureos para casa.

Mais triste que isso era ficar esperando o Cinê Privê, que tinha a energia sexual de um programa de auditório. Cenas pseudo-sensuais, atrizes feias e músicas de péssima qualidade, hoje consideradas kitsch e adotada por bandas indies filandesas. Era o que tinha pra noite e resolvia o seu problema.

Pornô é algo que todo mundo já viu ou vai ver. Os mais ousados, fazem sua própria arte em casa, mesmo tendo a certeza que hoje, na era da informação, esse vídeo irá parar no Pornotube. A gente não conversa sobre isso, os pais fingem que não sabem e só vira assunto de rodinhas quando termina o Big Brother e a gente especula sobre qual a próxima gostosa a sair na capa da revista.

Quando surgiu a internet, a pornografia era um desafio. Você precisava se aventurar em sites de linguas diferentes, ver galerias bizarras com fotos em baixa resolução e montagens feitas em Paint Brush. Você baixava as fotos e guardava no computador, mesmo sabendo que nunca mais as veria porque figurinha repetida não completa álbum e você já ‘comeu’ mentalmente aquelas garotas.

Aí surgiram os vídeos. Primeiro, em baixa qualidade e modelos feias. Uma galeria exibia curtas-metragens com até 1m30s, exibidos como sequencias, apesar do erro de continuidade e trocas de cenários. A gente fingia que tava tudo bem, fazia parte da brincadeira aceitar aquilo como normal. Afinal, era pornografia, e reclamar dela é como bater na mãe por causa de mistura.

Então, apareceu a internet banda-larga, que explorou os limites da sacanagem. Se antes, entrar em uma vídeo-locadora e alugar um filme pornô era um ato de coragem, agora era possível baixar um longa-metragem e assistir em casa, no conforto do lar, sem ser julgado pela sua vizinha por entrar naquela sala pequena e escura do video clube. Tudo bem, o filme tinha 1h30min, mas a gente sabe que você não passsava dos 15 minutos inicias.

As redes sociais tomaram  conta da web e a gente quer agilidade e variedade. Fulano está ficando velho e quer resolver seus problemas em dois-cliques. Joga no Google e quer a musa nua em montagem perfeita. Achar amadoras em vídeos do leste-europeu e conseguir seu contato no MSN. Quer seguir no Twitter e gozar em 140 caracteres sem que isso seja chamado de ejaculação precoce.

A internet matou o pornô porque acabou com a curiosidade, com o tempo de espera. O instantâneo vulgarizou o que já era vulgar, expôs o mistério da sensualidade como vitrine de açougue. Não é funcional, não é sexy e, por isso, não tem mais nada a ver com sexo. Cadê a libido?





Você é Emocionalmente Promíscuo na Web?

24 07 2009

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Se a  dor é inevitável e a monogamia opcional, para quem é emocionalmente promíscuo, carinho é melhor que sexo e é importante que alguém ligue no dia seguinte ou mande um scrap para agradecer uma gentileza. Se você ainda for neurótico, pode passar a noite revirando históricos de MSN em busca de demonstrações de afeto de bots e fakes.

Antes da internet, ou pelo menos na época em que banda larga era cara, mas funcionava, nosso grupo de relações sociais era pequeno e limitado. Os contatos eram telefônicos, apenas quando você estava em casa, ou aos finais de semana, em encontros com pessoas que você já conhecia e tinha intimidade.

Hoje, a gente marca de sair com pessoas que nunca vimos antes e seguimos a rotina de estranhos pelo Twitter. Se o vício em se manter socialmente ativo é forte, como a gente faz para não se envolver tanto com essas pessoas que estão tão digitalmente presentes em nossas vidas?

Não é uma tarefa fácil, já que a rede possibilita que você encontre pessoas com quem tem grandes afinidades, gostos em comum e você não precisa mais aturar aquele colega de sala que gosta de Britney Spears enquanto você é fã de Christina Aguilera. O ato de deletar essas relações denecessárias torna ainda maior o apego que a gente nutre por quem desperta um constante interesse. Afinal, mesmo que você conheça alguém pela internet, sempre haverá algo mais a revelar, não? Nem tudo é dito numa janela de MSN.

Aí que vem grande parte da crise de abstinência dá quando ficamos offline por muito tempo. É uma versão moderna do “ver e ser visto”. É o ato de ter seu blog lido, de acompanhar os tweets de alguém, observar o que andam ouvindo e chorar as suas mágoas no subnick do messenger. Não se trata de uma falta da WEB, da tecnologia, mas sim de encerrar aquela sensação de “estar perdendo algo”.

E é assim que eu me vejo cada vez mais envolvido com pessoas que não conheço, a ponto de ter amigos de verdade que nunca vi pessoalmente. E que talvez nunca veja. E que talvez também eu não precise ver. Mesmo que certas verdades não passem pelos bytes e pixels de um computador, essas relações tranquilizam e fazem com que você veja que pode, sim, ser você, sem medida ou grau. E que, se for rejeitado socialmente, pode deletar e recomeçar com outras pessoas, por mais freak que seja.

Se os problemas e preocupações são compartilhados, você constrói uma rede cada vez maior de contatos. Digitais? Sim. Se você souber não perder a auto-crítica e uma certa dose de senso comum, pode encontrar solidariedade e afeto de verdade e amizades que sejam eternas enquanto dure a conexão.





Sleep Drunk ou Vida Sexual Digital Aleatória na Madrugada

8 07 2009

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A internet realmente revolucionou o mundo. Criou amizades à distância, tornou possível ver pornografia sem que o jornaleiro soubesse algo sobre a sua sexualidade e até faz com que pessoas feias sejam famosas no meio digital.

Se, durante o dia, parece algo criado por Deus para que as pessoas sejam mais felizes e finjam trabalhar em horário comercial, à noite, a gente sabe muito bem que ela tem uma única finalidade: sexo (ou a procura do mesmo).

Eu sei que você é bem intencionado. Consigo imaginar seu quarto, a cama bagunçada, os sapatos jogados pelo chão e como você gostaria que tudo isso fosse um cenário pós-sexo. Mas não é. É apenas você, com insônia, procurando amigos para conversar.

Sei também que não é sua culpa quando você entra no UOL e ele oferece banners de sites eróticos com modelos da Playboy de 1988. Procura no Google por subitramina e ele te oferece camisinhas coloridas e os anúncios relacionados do teu Gmail trazem garotas de programa à preço de cesta básica. Soa tentador.

É quase possível sentir o cheiro do desespero. O Twitter fica mais sensual, aquelas pessoas ocupadas durante o dia se tornanm disponíveis no MSN e até mesmo os SPAMs ficam mais atraentes.

É como se, depois da meia-noite, a internet virasse um parque de diversões para insones. A gente sabe que não há nada melhor que aquele soninho pós-coito, mas se você não consegue dormir, conecte-se e adote um estranho. Tenha um papo estranho e depois diga que estava “sleep drunk”. Lembre-se: promiscuidade não existe, o que há é vida sexual aleatória.E quando é pela a internet, a chance de um carinho depois é maior. Deve rolar pelo menos um emoticon.





E-dating: a dificuldade de conseguir um namoro pela internet – Parte 3

13 11 2008

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A parte triste de ser solteiro e fazer greve de sexo é que ninguem nota. A nao ser que voce coloque isso no twitter e surjam convites inesperados. Entre as ofertas de amor espontaneo, possessao física e caridade emocional, a que mais me chocou foi o convite para visitar a Igreja Universal do Reino de Deus. Nao pelo lugar, mas por ser na famosa “noite do descarrego“. Questao de agenda.

(Alias, alguem sabe qual é a daquela Igreja Brasil para Cristo e a Igreja Mundial? Por que ir na versao brasileira ou na Mundial se voce pode ir na Universal? )

Falando em estrangeiros, desisti de encontrar o amor no Brasil. Há muito tempo, quando o Cazé na MTV era careca e eu tinha cabelo, fiz um pacto com uma amiga de nos casarmos caso os dois chegassem aos 30 anos sem ter um par. Adiantando o acordo em quase 8 anos, liguei pra garota. Estava namorando, noiva, prestes a casar. Ter affair com mulher antes do casamento nao tem graca.

Nao tinha jeito, o próximo passo era recorrer a internet mais uma vez. Pelo Orkut, visitei comunidades do orkut com seres que tinham um certo tesao por pessoas com caracteristicas como as minhas, mas elas nunca gostavam do pacote completo. Para brasileiros, sardinhas sao peixes enlatados e nao marcas bonitinhas na pele.

Com a ginga brasileira, jeito latino e malandragem da Zona Leste, me inscrevi no MySpace e gastei meu ingles. Conheci uma garota da Inglaterra. Muito fina, muito educada e muito branca, tao branca que pedi pra ela ajustar o contraste na webcam.

A gringa era fofa e dócil. Mostrei meu quarto, minhas roupas, meu cachorro, meu pote de Biotonico Fontoura guardado no armario e ela aceitou tudo isso com uma educacao britanica digna de familia real. Pronto, eu estava apaixonado e aceito. Se um padre virtual nos casasse pelo GTalk, eu poderia viajar a Gra-Betanha com visto vitalício.

Marcamos uma data, no final de semana, para que nossa relacao ficasse mais steady. Ela me apresentaria seus pais e eu achei isso o máximo. Entrei no dia marcado e ela estava sozinha. Falou que se iamos nos casar, ela precisava conhecer meu corpinho. Isso me lembrou o NetMeeting do UOL em 2001, mas resolvi apostar na sorte.

Com muita vergonha, mostrei a barriga. A ausencia de barriga. Uma barriga magra. Mas tudo que ela notou foi que eu nao tinha umbigo. Disse que eu parecia Adao, o primeiro homem, e que isso a deixava meio desconfortavel. Citou Bíblia algumas vezes e disse que nao ia comer o fruto proibido.Tentei argumentar que era eu quem comeria, mas a gringa surtou.

Ela disse que a internet estava ruim e que podia cair a qualquer momento. Foi o gato subindo no telhado. A tela da webcam ficou preta. Depois, ela desconectou e eu fiquei ali, descamisado, sem umbigo e sem esposa. Valeu, jesus!





E-dating: a dificuldade de conseguir um namoro pela internet – Parte 2

23 10 2008

 

Quando a coisa fica feia, realmente frouxa, pior do que descrevemos no começo dos últimos posts, você percebe que está sozinho, de coração endurecido, bolso vazio e zíper aberto. Sem ninguém para amar, cansado dos pares imperfeitos que encontrou nos sites de relacionamento da internet, como em uma novela do Manuel Carlos, você pensa em apelar e ligar para o CVV.

Antes de se fechar no quarto com caixas de Dan Top e barris de Coca-Cola e cometer um suicídio diabético, nosso herói Fernando resolveu se entregar à primeira forma de fazer amigos pela internet. E não estou falando daquele horrível mIRC, que os jurássicos apenas se lembram, mas do famoso, bom e velho Bate-Papo do UOL.

Aproximadamente 54,78% da experiência de relacionamentos iniciados ou mantidos pela internet se baseia no seu nickname, ou nick, ou apelido para os leigos (caso esse seja o seu caso, por favor, clique aqui). Esse nome que você escolhe, de poucas letras e muita personalidade, é o que vai te acompanhar por um bom tempo.

Se te falta aptidão social e sobra apetite sexual, como no caso de Fernando, tente apelidos diretos, como o clássico Gatinho23aSP. Já falou tudo: status de beleza, idade, sexo e local. Foi o que nosso amigo fez e entrou na sala do Por Idade, do UOL.

Não é fácil hoje em dia puxar papo nas salas. Aboliram o famoso “oi, quer tc?”. Agora já se pede logo o MSN da pessoa e a página nada mais é do que um grande vazio onde as pessoas conversam no reservado. Sem falar nos bots, claro, que disparam spams com sites de pornografia e a administração do UOL lembrando que pornografia infantil é crime.

Eis que, de repente, Gatinha23aSP entra na sala. Se ela tinha o mesmo nick que eu, só poderia ser a minha cara-metade, como é dito em letras de pagode e no alcorão baiano. Coisa do destino.

Puxei assunto, de forma tranqüila, perguntando onde morava em São Paulo, que tipo de música ouvia e o que gostava de fazer. Infelizmente, ela não gostava de piña coladas, nem de ser pega de surpresa pela chuva, mas tudo bem, nem tudo é música.

Continuar o papo era um desafio. A gente nunca sabe que tópico abordar. Cinema é uma arte ingrata. Não importa quantos filmes você já viu, sempre haverá vários que você nunca ouviu falar. E tenha certeza: esse assunto vai vir a tona justamente quando você estiver por fora, pra ficar na periferia do papo, com cara de sulfite A4 branco.

Com mais intimidade com a Gatinha, resolvi passar o meu MSN e levar nosso relacionamento para o próximo nível na internet. Se correr tudo bem, eu colava o link do meu orkut na conversa e a gente já ficaria mais íntimo. Até amigo. Adicionar na crush-list, poder stalkeá-la e acompanhar os scraps. Descobrir a sua senha, quem sabe…

Risadinhas e emoticons rolando, a conversa fluía bem. Hoje é tão difícil conhecer alguém assim, tão parecido com a gente, com o mesmo tipo de humor, visão de mundo, ambições, perspectivas…dá até uma certa dúvida, uma inquietação.

Essa desconfiança era sexto – sentido. Quando passei meu telefone, Gatinha se apresentou. Seu nome era Renato, tinha 27 anos, 20 centímetros e era gay. E ativo. Na dúvida, resolvi passar. Há amor online?