Como Identificar Empata-Fodas e Brindes em Um Relacionamento

6 05 2009

cdn2myxercom

De repente, você se descobre apaixonado. O amor é lindo e vem em doses homeopáticas de mensagens carinhosas pelo MSN. Aí tu inunda teu twitter de links felizes e declarações de amor em 140 caractereres. Esse mundinho particular, experienciado pelos enamorados, só pode ser estragado por um único personagem: o brinde!

O brinde é o(a) melhor amigo(o) do seu amor. É aquele com quem ele ou ela tem mais intimidade e por isso contará tudo a teu respeito. E mesmo com tua paixão dizendo todos os elogios possíveis a teu respeito, o brinde se encarregará de ser o contraponto, mostrar os seus defeitos e miar seus planos de motel para o sábado a noite.

Também conhecido como o empata-foda, um bom brinde não larga facilmente o seu lugar. Não pense que ele irá ceder em ser a companhia oficial de seu namorado para ir ao shopping. É bem provavel que este force encontros a três não para fazer um menage, mas simplesmente com o objetivo de estar presente.

Ninguém chega ao amor a não ser por mim” é o lema do brinde. Ao descobrir que você está saindo com o melhor amigo dele, como uma BFF furiosa, ele irá te adicionar no orkut e stalkeá-lo permanentemente. Não cometa passos falsos. Não mande scraps carinhosos para outros. O empata-foda está atento e irá relatar isso ao seu futuro namorado.

É bem possível que ele se passe por seu amigo. Comente coisas a fim de que você desabafe algumas outras. Fingirá não contar nada ao outro apenas para montar um relatório final e maldoso. Se você arranjar um amigo para fazer um double-dating, ele irá rejeitar ou ser irônico. Ele está ali para incomodar. É capaz de dar em cima de você para provocar alguma reação.

Mas, graças a Deus, os empata-fodas não são a regra. Há melhores amigos de namoradas legais, cujas amizades acabam durando de verdade. Já gostei mais de amigos dos peguetes do que do peguete em si. Mas fique atento, os brindes existem, são espertos, rápidos e estarão prontos para colocar três pessoas na cama desse relacionamento, e não de uma maneira boa.





Branco Filosófico e Como Se Dar Bem em Discussões Aleatórias

11 03 2009

picture44

Discussões em mesas de bar com amigos ou conhecidos sempre tendem a ficar interessantes antes de passarem por aquele ponto que cai na putaria, escatologia e declarações espontâneas de amor mútuo.

São esses pequenos momentos preciosos que a gente tem para mostrar a clareza dos nossos pensamentos, mostrar que somos inteligentes, que pensamento sobre a vida e somos mais que um corpinho bonito com roupas estilosas.

No entanto, é justamente nessa hora em que não sai nada. Explico: todos expõem sobre a importância de se tratar bem os velhinhos, por sua experiência de vida, fragilidade e possibilidade de receber a herança dos mesmos. Todos falando coisas bonitas, sensatas, leves e criativas. Chega na sua vez, você não sabe o que dizer. Pronto, esse é o que chamamos de BRANCO FILOSÓFICO.

Branco filosófico não é seu amigo nerd que lê Platão. É aquele momento decisivo que todos os pensamentos bons somem e ficam apenas os mais simples como: “Preciso de mais uma cerveja”, “preciso fazer xixi” ou “quem vai me dar carona para casa essa noite?”.

Em vez de dizer algo estúpido ou irrelevante, uma boa saída é citar veículos inexistentes, já que ninguém tem como checar naquele momento. Eu costumo dizer: “Ah, eu li numa revista que (complete aqui com qualquer assunto aleatório que pareça interessante e fantástico a ponto de mudar o rumo da conversa para algo que você domine)”.

O Branco filosófico na verdade é uma sacanagem do nosso cérebro na hora em que precisamos impressionar algum amigo ou peguete. Pode reparar, as melhores idéias vem quando estamos deitados na cama, sozinhos, e sem papel e caneta para anotar. Ou no metrô, quando o vai-e-vem do vagão te faz refletir sobre algo profundo que não pode ser compartilhado com os demais passageiros da estação Brás.

Eu, por exemplo, só consigo ter idéias quando estou lavando o cabelo. É como se meus neurônios fossem ativados por uma estranha combinação de água, shampoo e movimentos manuais. Guarde algumas  tags de assuntos aleatórios que te ofereçam segurança para fugir de qualquer beco fiolsófico.

Lembre-se: NUNCA diga: “Eu li na Veja que…”. Isso já mata qualquer argumento, não importa o assunto. Na dúvida, cite o Twitter.





O Kit-Ladrão e Como Sobreviver a Roubos e Outros Toques Não-Solicitados

2 03 2009
Xadrez tendência.

Xadrez tendência.

Com tanta gente querendo roubar bolsa, carteira e virgindade alheia, fica difícil sabe quem é ou não um bom ladrão. Tendo isso em vida, é melhor se precaver. Cuidar do que é seu envolve mais do que a higiene básica. É preciso pensar como um meliante e encontrar uma forma de enganá-lo, na maior vibe malandra classe-média indie paulistana, se é que isso é possível.

Há quem saia de casa com medo de perder tudo que tem. Tenho um amigo que anda por aí com duas cuecas, temendo encontrar quem queira roupar sua underware e ficar sem backup. Eu tento o estilo Caetano Veloso, sem echarpe e sem documentos originais, carregando apenas o necessário (deixando o cabelo em casa, por vezes, com medo que roubem pra fazer Bombril).

Pensando nessas dificuldades modernas da vida da gente, na dignidade da pessoa e na valorização do ser humanos, propomos a institucionalização do Kit-ladrão. Ao contrário do que você pensou, ele não é aquele seu amigo reluzente que carrega carteira, cartões, dinheiro e um iPod valioso.

O Kit-Ladrão é a forma de você, meu caro, pagar de barato e enganar o criminoso. Sair de casa com poucos documentos, com a xérox, de preferência, guardar o dinheiro dentro da meia, usar relógio Tonny Hilfiger e fazer cara de mau. Eu sei que você, indie como é, não sabe fazer cara feia nem tem maldade no seu coração twee, mas tente. Pense em algo como Deadfish abrindo show do Radiohead. Revoltante, não?

Se for abordado, entregue o que tem. É pouco, eu sei, mas assim você não corre riscos. Há quem tente chamar a polícia, mas no Brasil nossos fardados, preferem queimar as roscas alheias a comerem uma rosquinha e eu não sei se você está preparado para isso. Espero que não.

Provida do kit-ladrão, fantasiada de gente como a gente, uma amiga foi assaltada. Leia o relato:

- Hey, me passa seu iPod.

- Toma, mas não é um iPod, é um MP3.

- Então não quero. Me passa seu celular, garota!

- Toma!

- Não, fala sério. Esse é o celular que você usa pra entregar pra ladrão quando é assaltada. Me passa o verdadeiro.

- Mas esse É o meu celular!

- Oh, ai que dó! Quer um chiclete?

Depois dessa experiência, esta colega que não quis se identificar pode espalhar por aí que não foi assaltada graças ao Kit ladrão. Tudo bem, se você for ver bem, o criminoso acabou roubando sua dignidade e auto-estima, mas não é nada que ela não possa resolver enviando e recebendo SMS de sua terapeuta favorita.

O Kit-Ladrão proporciona uma vida mais simples e segura, como camisinha de carnaval distribuída por governo petista. Se por acaso você se sentir leve, mas carente, carregue uma carteira vazia no bolso de trás. Ela aumenta a bunda e faz companhia.

E não se esqueça: se você é da categoria Atóron Perigon, só saia correndo em assaltos se puder fazer algo meio Forrest Gump, sem olhar para trás. Agora, se você é daqueles que sentem uma dorzinha de sedentário na barriga quando dão um pique até a geladeira pra pegar um Dan Top, é melhor providenciar um Kit-Ladrão.





Guia de Sobrevivência: Como Não Morrer

29 10 2008
Balas Soft - Assassinando crianças desde 1980

Balas Soft - Assassinando crianças desde 1980

 

Muita gente fala sobre o horror de morrer queimado, afogado na Praia Grande, sufocado com saco plástico do Barateiro ou cortando os pulsos com a faquinha de rocambole Pamco, lentamente. O PinkEgo (uepa!) vem dizer pra você que na verdade há formas muito piores de se morrer e você deve fazer o máximo, enquanto vivo, para evitá-las.

Um grande pavor que acomete aos adolescentes é o de passar mal no banheiro e não me refiro à dores de barriga ou adorações ao vaso sanitário. Estamos falando sobre desmaiar no banho, cair pelado no chão do box e ter o desprazer de ter seus pais arrombando a porta ou pior, um bombeiro, te resgatando sem roupa. Você, não ele.

Quando pequeno e não muito esperto, coloquei escondido uma bala Soft, aquela assassina de crianças, na boca e fui tomar meu curto banho. Em meio às ensaboações, comecei a engasgar com a arma em forma de doce. O ar me faltava, tentei apertar o peito e comprimi-lo pra fazer a bala pular e nada. Meu medo não era encontrar Jesus. Mas ter a minha mãe, arrombando a porta, me vendo pelado, morto pela bala que ela proibiu que eu comesse. Imagine o desgosto. Eu provavelmente iria para o inferno por desobedecer meus pais.

Ainda mais novo, quando jogava futebol, eu era um ótimo goleiro. Desenvolvi a habilidade de agarrar bolas difíceis porque ninguém me escolhia pra jogar na linha. Ultimo a ser selecionado, me sobrava mesmo o gol. Pouco a pouco fui aprendendo a pular e alcançar os cantos.

No entanto, havia um ponto fraco: meu nariz. Apesar de ser bonitinho, ele é frágil. Sempre que atingido, sangra sem parar, vira uma cachoeira de glóbulos brancos e vermelhos. Acredito hoje que meus amigos faziam apostas parar acertar no alvo. 

Uma vez, fui atingido e saí em disparada em direção ao meu apartamento. Eu morava no 16º andar e fui de escadas. Desmaiei lá pelo 10º andar. Acordei com uma comitiva de moradores e síndicos, me carregando escada abaixo. Dada a quantidade de sangue na escadaria, eles acharam que alguém podia ter sido assassinado. Um dos moradores estava armado para proteger a vizinhança. Mas não, era apenas o meu nariz.

Eu não sei nadar, nunca soube e sei que não vou saber. É simplesmente a evolução humana. Eu não nada. Caminho pela piscina de um lado para outro, com água abaixo do umbigo, claro. Na praia, ao lado do meu pai, que tem 1,90m, eu fico mais tranquilo. Pena que meu calção começou a cair e eu não conseguia ajeitá-lo. Fiquei tão preocupado com as minhas poucas vestes, não notei que o mar começava a me engolir.

Não pedi socorro. Não tentei pular. Com medo de ser descoberto sem calção ou resgatado por um salva-vidas que pudesse fazer respiração boca a boca enquanto eu ficava à milanesa na praia, resolvi aceitar o destino. Virar oferenda para Iemanjá. Mas ela me rejeitou. A maré abaixou, eu levantei o meu calção e comprei um Chicabon.

Não tenho medo de morrer. Não tenha medo de morrer. Apenas espero fazê-lo com graça e um pouco de dignidade. Partir desta para a melhor deixando uma boa imagem, sem expor o meu corpinho. Já avisei meus pais que se eu entrar no banheiro e demorar a sair, não batam na porta, não façam escândalo, não arrombem o cômodo. Esperem a decomposição antes de abrir. Quero ser um belo cadáver.





Faça as pazes com seu cabelo crespo

22 10 2008

Inspirados pelo texto “Faça as Pazes com Seu Filho Gay”, continuamos a série B de auto-ajuda. Faça as pazes com o seu cabelo crespo. Não o odeie. Não o reprima. Não o chame de cabelo ruim. Ele tem sentimentos e pode ficar ainda mais rebelde. Não saia dizendo por aí que está em um bad hair day, não culpe seu cabelo pelo chifre que teu namorado te deu ou por você ter uma chefe mala. É a vida.

Não sinta culpa de ter um cabelo que cresce pra cima, desafiando as leis da gravidade. Ele é único. Sentir culpa leva à raiva, a raiva leva ao ódio e o ódio leva ao lado afro-brasileiro da força. Pense em Marge Simpson. Ela tem cabelo crespo, que segue sem limites para o alto e, além de tudo, ele é azul

Não abuse de cremes. É desconfortável no Metrô quando você encosta seu cabelo lambuzado de Kolene em camisetas alheias. Saia de casa com os cabelos secos e bem tratados. Procure uma linha de beleza voltada ao seu tipo capilar, mesmo que ela contenha mais de 50% de formol. Os tubinhos coloridos de creme são divertidos. Colecione.

Aos meninos, não tenha medo de cortar o mal pela raiz. Se o seu cabelo não colabora, corte. Não mantenha um ninho em sua cabeça. Faz mal pra você, acredite. Não confunda cabelo enrolado com carapinha. Os dois dão voltinhas, mas um é cacheado e o outro é simplesmente em forma de molas.

Se você tiver uma vida bem resolvida e um bom estoque de pilulas anti-depressivas, deixe seu cabelo crespo crescer e dominar o mundo. Visite um cabeleireiro ou um jardineiro sempre que possível, pra manter os fios devidamente aparados, sem ferir ninguém na rua.

Evite as chapinhas se o seu cabelo ficar parecendo um Playmobil, fuja dos alisamentos se ficar parecendo que o seu penteado faleceu e, se você fizer um permanente e ficar parecendo um despacho ambulante, talvez a única saída seja se entregar como oferenda pra Iemanjá.

Não tenha medo de ser feliz. Não tenha medo de invejar a peruca de Taís Araújo, que foi de Xica da Silva para Tainá. Há espaço para todo mundo. Pare de lutar contra, de xingar, fazer promessa e macumba. Aceite seu cabelo como ele é e invista na sua beleza anterior. Você ainda pode ser uma boa pessoa.