Como Sobreviver ao Divórcio dos Seus Pais sem Enlouquecer ou Enlouquece-los

10 09 2009

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Ok, seus pais se separaram e reclamar disso é algo que se fazia na época do ICQ. Antes que você resolva virar emo, com toda aquela raiva juvenil guardada desde que perdeu a virgindade com o vizinho caolho manco, saiba que não há nada mais década de 90 do que procurar psicólogo pra assimilar o fato de que seus pais não transarão mais. Aliás, tem algo mais aliviador do que pensar que isso não vai mais acontecer? Só de falar nesse assunto bizarro já dá calafrios.

Agora é preciso agir de modo racional. Se você é bonzinho, saiba que teus pais te considerarão um amigo a partir de agora. É bacana, eles pagarão cervejas pra você enquanto contam as mágoas, dizem que deveriam ter sido mais presentes e tentam te compensar com presentes. E você, por favor, aceite. Felicidade material não é tudo nessa vinda, mas paga a fatura do cartão de crédito quando a gente vende o que ganhou no Mercado Livre.

Se a idéia de ter duas casas parece ser interessante, há o contraponto. Passar dois Natais e comemorar o Ano Novo duas vezes faz a vida parecer passar mais rápido. A não ser, claro, enquanto você é beijado e abraçado por aquela tia gorda que cheira a batata e naftalina. Serão os segundos mais longos da sua vida, fato. E como parente esquisito é algo universal e democrático, a sua dose de personagens bizarros será dobrada.

Antigamente, filhos de pais separados eram tratados como problemáticos. Na minha escola, tinhamos um time de futebol próprio e chamar alguém de filho da puta era um problema sério já que o ofendido não podia retrucar com um: “vou contar pro meu pai”, já que o suposto defensor poderia concordar com o agressor. Hoje, são as crianças com mais Playstation e menos espinhos no rosto.

Por isso, como guia de sobrevivência, saiba que o momento pós-rompimento é extremamente importante para estabelecer como as relações entre você e seus pais serão. Não fique tão próximo, nem tão distante. Não vire o melhor amigo, mas não seja o filho indiferente. Isso faz diferença na verba disponibilizada para a mobília do seu novo quarto. Não dê chiliques. Deixe esse direito para eles. São eles que estão perdendo o sexo garantido, recurso principal do matrimônio. Se você tem irmão mais novo, passe segurança. Se tem irmão mais velho, não apronte. Ninguém poderá te proteger agora.

O ideal é perceber que nenhuma situação de conflito é permanente. Casamento não é a questão da Palestina e, a não ser que seus pais sejam homossexuais com nomes estranhos, não se trata de Israel e Ismael. Logo, o melhor é aguardar, poupar o drama para situações mais importantes na vida, como o primeiro chifre. Divórcio hoje é algo tão natural quanto o próprio casamento. Fique atento aos erros, aprenda com eles. Assim, um dia, você pode evitar o seu casamento, se for misógino, ou divórcio, se não tiver uma política bem estabelecida sobre traições e desentendimentos.

Em caso de dúvidas, NÃO consulte a Bíblia mais próxima. Ainda não implantaram o sistema wiki naquele documento e os grandes sábios eram um pouco conservadores em relação à esse assunto. Evite também a tia solteirona, a sogra mal-amada e o seu vizinho esquisito que parece amar a mãe e querer matar o pai.





Expressando sua Raiva de Forma Sadia

26 05 2009

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Infelizmente, homicídio ainda é crime, então você não pode tirar a vida de alguém sem ser processado criminalmente, mesmo que ela mereça. Há aqueles que simplesmente despertam o que há de pior na gente, aquele lado mau que todo mundo tem. Nem sempre o confronto é a melhor alternativa e você pode utilizar essa energia toda para alguma outra coisa.

Ódio é um sentimento forte e é ele que um amigo meu utiliza na academia. Ele transfere a raiva que sente de seu chefe para o instrutor e pensa: “Eu vou fazer tudo que você tá mandando, seu viado filho da puta porque quero ficar forte o suficiente para quebrar a sua cara e ter uma boa disposição física para sair correndo depois da agressão”. Funcionou. Ele ficou fortinho, o chefe se interessou, tiveram um caso e ele foi promovido.

Se a tua frustração é com alguém que não te quer ou que ‘comeu e não gostou’, vale sair por aí, ganhar experiência, na maior vibe Stefhany. Se ele não merece nem um centímetro do seu pau, ache quem valha a pena e seja feliz. Só tome cuidado para não virar misógino e achar que o mundo está cheio de cachorros (e está), nem vá para o outro lado da linha, virando panssexual que assedia pães de forma Panco no supermercado.

Se você nasceu depois de 1985, além de ter o amor de Calvin Harris, está credenciado a utilizar a informática a seu favor de forma saudável. Mensagens de ódio no twitter, scraps mal-educados no orkut ajudam a aliviar a tensão, mas não farão de você um ex legal.

Poucas coisas motivam como a raiva. Pense comigo: você provavelmente aprendeu a andar porque não aguentava mais ficar preso em um berço, arranjou uma namorada porque não aguentava mais ver seus amigos sairem com suas companheiras e te deixarem jogando nintendo 64, passou a comprar as suas próprias roupas porque não aguentava mais usar Hering antes da marca virar grife e arranjou um emprego porque seus pais gastavam o orçamento familiar em Viagra e Prozac e prostituição não parecia uma alternativa viável e socialmente aceitável quando se tem menos de 18 anos.

Odeie seus vizinhos, os vendedores de amendoim do metrô, os cobradores de ônibus que não dão troco, os gordos que sentam ao seu lado porque você é magro, as velhinhas que andam em zigue-zague vagarosamente pela calçada, aqueles que acham que twitter é chat uol, quem ri no MSN usando ‘rs’, aqueles que comem de boca aberta, aqueles que comem sem reagir, aqueles que não querem dar pra você…provavelmente algum deles te odeia também.

Portanto, não tenha medo de sentir raiva. Vá ao bar e peça uma tequila! Ou um copo de leite! Bata na mesa, fale grosso! Tudo depende da forma como se faz as coisas. O rosto franzido movimenta músculos da face e massageia o rosto. Você não quer virar Ana Maria Braga quando ficar mais velho. Faça uso desse sentimento forte e tão mal compreendido. Até hoje, ninguém morreu de sentir raiva. Quer dizer, mais gente morreu de diarréia do que de ódio.





Como Identificar Empata-Fodas e Brindes em Um Relacionamento

6 05 2009

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De repente, você se descobre apaixonado. O amor é lindo e vem em doses homeopáticas de mensagens carinhosas pelo MSN. Aí tu inunda teu twitter de links felizes e declarações de amor em 140 caractereres. Esse mundinho particular, experienciado pelos enamorados, só pode ser estragado por um único personagem: o brinde!

O brinde é o(a) melhor amigo(o) do seu amor. É aquele com quem ele ou ela tem mais intimidade e por isso contará tudo a teu respeito. E mesmo com tua paixão dizendo todos os elogios possíveis a teu respeito, o brinde se encarregará de ser o contraponto, mostrar os seus defeitos e miar seus planos de motel para o sábado a noite.

Também conhecido como o empata-foda, um bom brinde não larga facilmente o seu lugar. Não pense que ele irá ceder em ser a companhia oficial de seu namorado para ir ao shopping. É bem provavel que este force encontros a três não para fazer um menage, mas simplesmente com o objetivo de estar presente.

Ninguém chega ao amor a não ser por mim” é o lema do brinde. Ao descobrir que você está saindo com o melhor amigo dele, como uma BFF furiosa, ele irá te adicionar no orkut e stalkeá-lo permanentemente. Não cometa passos falsos. Não mande scraps carinhosos para outros. O empata-foda está atento e irá relatar isso ao seu futuro namorado.

É bem possível que ele se passe por seu amigo. Comente coisas a fim de que você desabafe algumas outras. Fingirá não contar nada ao outro apenas para montar um relatório final e maldoso. Se você arranjar um amigo para fazer um double-dating, ele irá rejeitar ou ser irônico. Ele está ali para incomodar. É capaz de dar em cima de você para provocar alguma reação.

Mas, graças a Deus, os empata-fodas não são a regra. Há melhores amigos de namoradas legais, cujas amizades acabam durando de verdade. Já gostei mais de amigos dos peguetes do que do peguete em si. Mas fique atento, os brindes existem, são espertos, rápidos e estarão prontos para colocar três pessoas na cama desse relacionamento, e não de uma maneira boa.





Manual de sobrevivência para quem espera por um príncipe encantado

17 04 2009

por Cláudio Alves

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Somos parte de uma geração que viu desenhos em que o “…e viveram felizes para sempre” era o final de toda a história. Não nos importa se a Cinderela cansou do salto de cristal, se a Rapunzel não agüentou mais ter tanto cabelo e se a Bela Adormecida dormia 14 horas por dias após o casamento. Nosso final era aquele, e por isso começamos a persegui-lo com todas nossas forças (ok, elas costumam se esgotar rápido se você não carrega barras de proteína no bolso).

A busca é longa, we know, nós nos sabotamos no caminho, desenvolvemos planos mirabolantes para ter certeza de que a pessoa vai suportar tudo ao seu lado (o tudo quase sempre inclui muitos amigos seus e um ambiente bastante estranho a ele), fazemos joguinhos emocionais, fazemos drama..Enfim, fazemos tanto que até o Príncipe Felipe pediria para Malévola nos deixar dormir para sempre.

E no fim reclamamos, claro, afinal ele não era o cara ideal, você está cansado de buscar e quer que a pessoa suma para sempre. A revolta por ele não ter o cavalo branco é tamanha que você nem se deu ao trabalho de fazer aquela pessoa entender o quão incrível seria estar com você.

É, amigão. Tá na hora de mudar o jogo. Que tal fazer o papel de príncipe às vezes?

Por isso decidi entregar o ouro. Tá apaixonado por um cara que espera seu príncipe? Quer matar o dragão que fica na frente do castelo dele? Siga as 11 dicas básicas e faça com que qualquer pessoa que mordeu a maça envenenada dê uma abridinha no olho para saber o que está se passando.

1. Música é fundamental. Não force seu estilo, você não precisa ouvir Billie Holliday só porque ele achou incrível. Põe aquele cd de pop tosco velho e faça-o acreditar que a letra da música é incrível (mesmo que a letra diga “sou um trem quebrado de manhã, sou uma vadia de tarde.

2. Não saia do carro para abrir a porta. Não queremos, é cafona. Mas abra a maçaneta por dentro, para o outro só ter que puxar. Finge que foi para a comodidade do outro, sabe?

3. Se o outro disser “não sei o que faremos, não sei se quero peixe ou suflê” escolha por ele. Ok, gente indecisa é chato, mas às vezes a pessoa não sabe o que fazer. Leve-a e não pergunte. Só faça. E, se possível, surpreenda.

4. Mime. Ligações de madrugada agradam quando é sexta a noite. Ou se a pessoa não acorda cedo. Visitas quase inesperadas também (ligue antes para confirmar, nunca se sabe se a pessoa estará extremamente ocupada naquele momento).

5. Vi em diversos artigos sobre príncipes. E concordo: “Certas verdades não precisam ser ditas.”

6. Lembre do que a pessoa não come. Ou o que ela sempre come. Adiante-se ao avisar que o café dela tem que ter duas colheres de açúcar mascavo ou uma pequena de açúcar cristal ou qualquer detalhe do gênero. É atencioso.

7. Não fale de ex com rancor. Melhor saber que vocês viraram amigos do que saber que existe muito ódio. Porém, depois de ficar sério, fale que você detesta seu ex. É o melhor a fazer.

8. Pagar tudo não é necessário. Ok, a gente espera que isso aconteça, mas estamos em época de crise e a cidade tem muitas coisas gratuitas (caso nenhum dos dois tenha dinheiro). As vezes um passeio na Casa das Rosas é muito mais romântico do que ir no teatro e jantar no Terraço Itália (apesar de ser um encontro bom o bastante para você querer um diamante no dedo).

9. Termine um encontro no café da manhã. Pode não haver sexo. Mas veja o sol junto. Fale merda, abrace a pessoa.

10. Ache algo – qualquer coisa – e faça a pessoa guardar. Ou escreva algo – qualquer coisa – e coloque no meio da carteira dele sem ele ver. Isso faz milagres.

E a mais importante:

11. Não seja príncipe na cama. É este o momento certo de virar sapo, e só lembrar que é príncipe no dia seguinte.

PS: E se você cansar de ser Bela Adormecida, Cinderela ou Rapunzel, declare a Chapéuzinho Vermelho para a vida e dispense a procura pelo principe. Afinal, no final, ela é comida pelo lobo, casa com o lenhador e ainda fica com os doces que entregaria para a vovó.(comentário inapropriado por Felipe Luno.)





Branco Filosófico e Como Se Dar Bem em Discussões Aleatórias

11 03 2009

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Discussões em mesas de bar com amigos ou conhecidos sempre tendem a ficar interessantes antes de passarem por aquele ponto que cai na putaria, escatologia e declarações espontâneas de amor mútuo.

São esses pequenos momentos preciosos que a gente tem para mostrar a clareza dos nossos pensamentos, mostrar que somos inteligentes, que pensamento sobre a vida e somos mais que um corpinho bonito com roupas estilosas.

No entanto, é justamente nessa hora em que não sai nada. Explico: todos expõem sobre a importância de se tratar bem os velhinhos, por sua experiência de vida, fragilidade e possibilidade de receber a herança dos mesmos. Todos falando coisas bonitas, sensatas, leves e criativas. Chega na sua vez, você não sabe o que dizer. Pronto, esse é o que chamamos de BRANCO FILOSÓFICO.

Branco filosófico não é seu amigo nerd que lê Platão. É aquele momento decisivo que todos os pensamentos bons somem e ficam apenas os mais simples como: “Preciso de mais uma cerveja”, “preciso fazer xixi” ou “quem vai me dar carona para casa essa noite?”.

Em vez de dizer algo estúpido ou irrelevante, uma boa saída é citar veículos inexistentes, já que ninguém tem como checar naquele momento. Eu costumo dizer: “Ah, eu li numa revista que (complete aqui com qualquer assunto aleatório que pareça interessante e fantástico a ponto de mudar o rumo da conversa para algo que você domine)”.

O Branco filosófico na verdade é uma sacanagem do nosso cérebro na hora em que precisamos impressionar algum amigo ou peguete. Pode reparar, as melhores idéias vem quando estamos deitados na cama, sozinhos, e sem papel e caneta para anotar. Ou no metrô, quando o vai-e-vem do vagão te faz refletir sobre algo profundo que não pode ser compartilhado com os demais passageiros da estação Brás.

Eu, por exemplo, só consigo ter idéias quando estou lavando o cabelo. É como se meus neurônios fossem ativados por uma estranha combinação de água, shampoo e movimentos manuais. Guarde algumas  tags de assuntos aleatórios que te ofereçam segurança para fugir de qualquer beco fiolsófico.

Lembre-se: NUNCA diga: “Eu li na Veja que…”. Isso já mata qualquer argumento, não importa o assunto. Na dúvida, cite o Twitter.





O Kit-Ladrão e Como Sobreviver a Roubos e Outros Toques Não-Solicitados

2 03 2009
Xadrez tendência.

Xadrez tendência.

Com tanta gente querendo roubar bolsa, carteira e virgindade alheia, fica difícil sabe quem é ou não um bom ladrão. Tendo isso em vida, é melhor se precaver. Cuidar do que é seu envolve mais do que a higiene básica. É preciso pensar como um meliante e encontrar uma forma de enganá-lo, na maior vibe malandra classe-média indie paulistana, se é que isso é possível.

Há quem saia de casa com medo de perder tudo que tem. Tenho um amigo que anda por aí com duas cuecas, temendo encontrar quem queira roupar sua underware e ficar sem backup. Eu tento o estilo Caetano Veloso, sem echarpe e sem documentos originais, carregando apenas o necessário (deixando o cabelo em casa, por vezes, com medo que roubem pra fazer Bombril).

Pensando nessas dificuldades modernas da vida da gente, na dignidade da pessoa e na valorização do ser humanos, propomos a institucionalização do Kit-ladrão. Ao contrário do que você pensou, ele não é aquele seu amigo reluzente que carrega carteira, cartões, dinheiro e um iPod valioso.

O Kit-Ladrão é a forma de você, meu caro, pagar de barato e enganar o criminoso. Sair de casa com poucos documentos, com a xérox, de preferência, guardar o dinheiro dentro da meia, usar relógio Tonny Hilfiger e fazer cara de mau. Eu sei que você, indie como é, não sabe fazer cara feia nem tem maldade no seu coração twee, mas tente. Pense em algo como Deadfish abrindo show do Radiohead. Revoltante, não?

Se for abordado, entregue o que tem. É pouco, eu sei, mas assim você não corre riscos. Há quem tente chamar a polícia, mas no Brasil nossos fardados, preferem queimar as roscas alheias a comerem uma rosquinha e eu não sei se você está preparado para isso. Espero que não.

Provida do kit-ladrão, fantasiada de gente como a gente, uma amiga foi assaltada. Leia o relato:

- Hey, me passa seu iPod.

- Toma, mas não é um iPod, é um MP3.

- Então não quero. Me passa seu celular, garota!

- Toma!

- Não, fala sério. Esse é o celular que você usa pra entregar pra ladrão quando é assaltada. Me passa o verdadeiro.

- Mas esse É o meu celular!

- Oh, ai que dó! Quer um chiclete?

Depois dessa experiência, esta colega que não quis se identificar pode espalhar por aí que não foi assaltada graças ao Kit ladrão. Tudo bem, se você for ver bem, o criminoso acabou roubando sua dignidade e auto-estima, mas não é nada que ela não possa resolver enviando e recebendo SMS de sua terapeuta favorita.

O Kit-Ladrão proporciona uma vida mais simples e segura, como camisinha de carnaval distribuída por governo petista. Se por acaso você se sentir leve, mas carente, carregue uma carteira vazia no bolso de trás. Ela aumenta a bunda e faz companhia.

E não se esqueça: se você é da categoria Atóron Perigon, só saia correndo em assaltos se puder fazer algo meio Forrest Gump, sem olhar para trás. Agora, se você é daqueles que sentem uma dorzinha de sedentário na barriga quando dão um pique até a geladeira pra pegar um Dan Top, é melhor providenciar um Kit-Ladrão.





Como Agradar Gringos e Goianos

31 01 2009

 

Porque gregos e troianos estão em baixa no mercado.

Porque gregos e troianos estão em baixa no mercado.

Ok, você estava sem opções onde mora por estar sem grana, sem baixo nível de aceitação social ou com alergia a paulistanos. Nem tudo está perdido. Graças ao Skype, MySpace, Facebook e afins é possível encomendar novas companhias pela internet [for free].  Nada mais cômodo do que essa vida delivery. Conhecer, conversar, e, se interessar e pedir para entregar em casa.

No entanto, não é fácil manter o interesse de quem vem de fora. Sabe como é, o padrão estrangeiro é meio alto. Esses forasteiros normalmente vêm à procura de diversão non-stop. Se você não for cool o suficiente, podem te deixar de lado no meio do caminho e aí não adianta reclamar com a embaixada.

Quando tudo segue à distância, fica difícil manter a expectativa nessa rotina chata de proletário universitário. Usando a criatividade, eu inventei que várias coisas super legais aconteciam aqui no Brazil. Tomei uma licença geográfica [a la Glória Perez] e transferi a Cidade de Deus para São Paulo [sem medo de ser descoberto pelo Google]. Acabei despertando um certo interesse nessa relação internacional.

Não tinhamos muito em comum além da posição em que gostamos de ficar na cama para dormir. [Eu sempre achei que fosse uma modalidade exclusivamente brasileira dormir com ambas as mãos no travesseiro]. Nós nos dávamos bem, a conversa era boa, o inglês era básico e fui apresentado a MGMT e The Whip antes que virassem modinha no Glória.

O gringo veio, de surpresa. Hospedou-se num hotel próximo à minha casa para passar uma semana. Planejei vários lugares para apresentar um pouco do nosso país. Mostrar o que há de bom e o que há de ruim, parecer uma boa companhia e torcer para ele me levar na mala direto para a terra da Rainha. 

Como Deus é brasileiro e curte um pandeiro, no primeiro encontro, ele me pede pra sambar. Ao ver os primeiros passos, solta: “Err, you don’t really need to do that”. Todos meus sonhos de sair na Sapucaí um dia foram por água a baixo ao serem ignorados por um gringo ginga- less.

Um dia como paulista reserva cenas interessantes como mudanças repentinas de edtação durante o dia, trânsito caótico e metrô lotado. Foi engraçado vê-lo pendindo licença dentro do vagão. Não por educação, mas para pedir que as pessoas se afastassem dele! “Too close. Too close”. Falei que brasileiro é assim, se agrupa em muvuca.  Em horário de pico, morre mais gente que em Tropa de Elite.

Com o tempo, cansa. De tanto enrolar a língua, quando esbarrava em alguém na Paulista, já soltava um: “Desculpe-me”, com sotaque britânico.  Eu fiquei entediado, he was bored, cansei de ser receptivo.  Soltei o gringo na Augusta e fiz um estrangeiro feliz. Ele ficou alegre ao experimentar caipirinha, ouvir samba e comprar camisas floridas e achou a galere indie toda feia. Chamei o britânico de dízimo e entreguei pra Deus. Já deu.

Em outra ocasião, recebi a visita de uma amiga, linda, loira, olhos claros, vinda direto de Goiânia, em Goiás. Levei a um showzinho do Vanguart e apresentei Mallu. Ela queria ir no Vitor & Léo, no Rancho do Cowboy e no Estãncia Alto da Serra.

Lições aprendidas, prestenção:

- Programas culturettes não são legais. Eles não querem ver um filme da Audrey Tatou se podem pegar um trem e vê-la pessoalmente comprando em um brechó na Europa.

- Induza comida brasileira com moderação, o estômago deles é refinado e fraco.

- Por alguma razão absurda, nossa água é terrível para os estrangeiros. Devíamos usá-la como arma química em casa de invasão [yeah, right]

- Eu sei que você é suuuperlegal, super descolado e divertido, mas leve os importados onde eles querem ir! Jogue pra torcida! 

- Se ele comprar uma daquelas camisetas ridículas amarelas com Brasil escrito bem grande em verde [e um chapéu, talvez], não o julgue, não fique bravo, apenas mantenha uma distância segura para que ninguém saiba se ele está ou não com você.

- Em caso de assédio forte, tentativa de abuso ou falta de approach internacional, procure a Polícia Federal mais próxima e providencie a deportação.





Como Sobreviver a Um Fora e a Vida Após a Fossa

21 01 2009

 

Não é você, sou eu que não estou a fim mesmo.

Não é você, sou eu que não estou a fim mesmo.

 

Não é a primeira vez e nem será a última. Pegue o pote de sorvete, o tubo de Pringles e a Coca Cola Light e um filme da Meg Ryan under-40. Você tem todo o direito de curtir a sua fossa pós-fora pelo tempo que quiser. Mas faça-o com classe, moderação e bons modos.

É triste, eu sei. Você super não esperava, apesar de seus amigos já terem avisado. Até recados no orkut já davam conta de que o gato havia subido no telhado. Há quem se tranque no quarto e coloque Radiohead pra tocar. As músicas são tristes, o vocalista é feio e dá pra murmurar chorando na janela do quarto. Eu preferia a chamada blocterapia. Colocava Bloc Party pra tocar até me acabar. Ou até os Cds deles acabarem de tocar. Mas isso foi antes da fase Mercury, dos playbacks e shows meia-boca.

O que não pode mesmo é pagar de miguxa no MSN. Colocar mensagens deprimentos no subnick e reclamar da vida para os amigos dando uma overdose de mau humor mal amado. Se fizer isso, saiba que irá receber conselhos com a profundidade da filosofia da músicas da Pitty com mensagens a.k.a |shut up, please| como: |Ah, mas ele não te merecia. Você está melhor sem ele|, |O que é teu tá guardado|, |Olha, você vai ver. Quando a gente menos procura, aparece|.

Antes de beber água sanitária, cortar os pulsos com faquinha de rocambole Panco e comprar um exemplar de O Segredo, procure tentar atividades saudáveis de distração. Eu tenho tentado correr ultimamente. E acredite, é bem difícil lembrar das dores amorosas com aquela dorzinha na barriga típica de sedentários.

Tenho uma amiga que vai a baladas ruins para se sentir gostosa, outra que liga pra um ex que ela deu um fora para se sentir melhor e um colega chama os amigos para partidas de jogos de tabuleiro. Quando é WAR, a coisa foi grave. Sempre termina com as pecinhas voando pelo ar, parando na garganta do cachorro e gritos de: |O jogo é meu, eu ganhei|. 

Bom, se você tem dinheiro, vale passear no shopping e comprar algo. Se você gosta de comer, vale pedir um Taco ou descer a Augusta. Vale até ver o Fale que Eu Te Escuto com o telefone na mão. Já liguei pra Polishop, só pra papear com alguém, acredite. Tome um AAS como se fosse Rivotril e se engane um poquinho, é teu direito. Afogue as mágoas na piscina do SESC mais próximo.

O que vale mesmo é perceber que vai passar, que você vai ficar bem e arranjar um ourto alguém pra dar certo (ou se decepcionar). E, bom, se não rolar, você pode sempre pegar meu MSN e pedir meu telefone.





Sobre Como Quase Perdi um Bebe

7 01 2009

 

Ooops, I've dropped my baby

Ooops, I've dropped my baby

 

Sabe aqueles filmes em que o pai se disfarca de babá para ficar mais perto dos filhos? Ou em que um policia vira babysitter pra salvar uma família? Aqueles onde a mocinha recebe estranhos telefonemas durante seu trabalho, mas se esquece de checar as criancas? Pois bem, todos eles sao melhores babás do que eu.

Nao é que nao goste de criancas. Tudo bem que tenho vontade de chutar pequenos bebados que andam em zigue-zague no shopping e suas maes com as maos ocupadas com sacolas da Renner, mas tudo isso é superado quando olho nos olhos do meu sobrinho.

Antes de ele chegar por aqui, eu era o mais ruivo da família e, sabe, até meus olhos eram mais claros. Estranho ver que uma criatura tao pequena, de apenas 1 ano, ja tem quase o mesmo peso que eu. Mesmo assim, nos damos bem, temos uma convivencia pacífica e ja decidi que meu filho será albino para chamar mais atencao do que ele.

Minha irma, dona da crianca, resolveu ir cuidar dos cabelos maltratados pela maternidade e péssimo gosto por penteados. Como eu estava com minhas pernas magrelas para o ar, coube a mim observar o bebe por algumas horas.

Sempre fui do tipo de cara que se voce me der tres tartarugas para cuidar, uma foge, a outra engravida e a terceira faz uma tatuagem. Mas cuidar daquele pequeno ser vermelho parecia fácil. Nao ha segredo. Bebes nao fogem. Pelo menos, nao sozinhos e ninguem rouba criancas de fraldas sujas.

Eu olhando ele, ele me olhando e o DVD do Cocoricó bombando na TV. Icaro me observava com tédio, com as maozinhas fechadas como se sua primeira oracao fosse para que Deus lhe desse um tio menos chato e pobre.

Dessa forma, resolvi dois problemas. Com um bebe no colo, cachorro na coleira e iPod nos ouvidos, fui passear e fazer amizades, pagando de bom pai e confiável. Afinal, quem tem cachorro nao tem medo de compromisso, certo? Eu me sentia um Zé Bob, com menos cabelo e maior amor por Donatella Versace do que Claudia Raia.

Lembra do comeco, quando citei os filmes? Entao, nessa hora, voce ja sabe o que ira acontecer. Aqui, tudo fica tenso:

Um gato (animal) passou e meu cachorro latiu, disparando atrás do felino. Tentei acompanhar, mas nao consegui e tive que deixar o Johnny sair correndo.

Meu fone do iPod caiu, o bebe chorava no meu colo e meu cachorro se perdia no horizonte do Tatuapé. Num impulso, encontrei um transeunte qualquer, um estranho, que passava por ali e pedi a ele que segurasse meu sobrinho por alguns minutos.

Saí correndo e recuperei meu cachorro, que mijava num canteiro do supermercado, em protesto ao meu esquecimento de alimentá-lo naquele dia. Feliz, orgulhoso pela minha breve corridinha rápida e suado, eu vibrava com o resgate de Johnny! 

Continuei a levar o cachorro a passear quando, num tropeco, deixo cair o iPod e grito: “Ooops, I’ve dropped my baby“. Assim, em ingles, sem mais nem menos. Baby….bebe…Icaro, meu sobrinho, meu Deus! Eu esqueci do meu sobrinho. Ja imaginei minha irma dando entrevistas a Sonia Abrao, eu sendo linxado em praca publica, me perguntando que tipo de praca nao é publica.

Voltei ao local inicial do crime e estava la, o estranho, brincando com o ruivo alegremente. Ao me ver retornar, fechou a cara. Despediu-se do bebe e me entregou a contragosto e eu voltei pra casa. Ok, serei um péssimo pai, mas um ótimo dono de cachorros, falaí?!  Robin Williams manja nada.





Guia de Sobrevivência: Como Não Morrer

29 10 2008
Balas Soft - Assassinando crianças desde 1980

Balas Soft - Assassinando crianças desde 1980

 

Muita gente fala sobre o horror de morrer queimado, afogado na Praia Grande, sufocado com saco plástico do Barateiro ou cortando os pulsos com a faquinha de rocambole Pamco, lentamente. O PinkEgo (uepa!) vem dizer pra você que na verdade há formas muito piores de se morrer e você deve fazer o máximo, enquanto vivo, para evitá-las.

Um grande pavor que acomete aos adolescentes é o de passar mal no banheiro e não me refiro à dores de barriga ou adorações ao vaso sanitário. Estamos falando sobre desmaiar no banho, cair pelado no chão do box e ter o desprazer de ter seus pais arrombando a porta ou pior, um bombeiro, te resgatando sem roupa. Você, não ele.

Quando pequeno e não muito esperto, coloquei escondido uma bala Soft, aquela assassina de crianças, na boca e fui tomar meu curto banho. Em meio às ensaboações, comecei a engasgar com a arma em forma de doce. O ar me faltava, tentei apertar o peito e comprimi-lo pra fazer a bala pular e nada. Meu medo não era encontrar Jesus. Mas ter a minha mãe, arrombando a porta, me vendo pelado, morto pela bala que ela proibiu que eu comesse. Imagine o desgosto. Eu provavelmente iria para o inferno por desobedecer meus pais.

Ainda mais novo, quando jogava futebol, eu era um ótimo goleiro. Desenvolvi a habilidade de agarrar bolas difíceis porque ninguém me escolhia pra jogar na linha. Ultimo a ser selecionado, me sobrava mesmo o gol. Pouco a pouco fui aprendendo a pular e alcançar os cantos.

No entanto, havia um ponto fraco: meu nariz. Apesar de ser bonitinho, ele é frágil. Sempre que atingido, sangra sem parar, vira uma cachoeira de glóbulos brancos e vermelhos. Acredito hoje que meus amigos faziam apostas parar acertar no alvo. 

Uma vez, fui atingido e saí em disparada em direção ao meu apartamento. Eu morava no 16º andar e fui de escadas. Desmaiei lá pelo 10º andar. Acordei com uma comitiva de moradores e síndicos, me carregando escada abaixo. Dada a quantidade de sangue na escadaria, eles acharam que alguém podia ter sido assassinado. Um dos moradores estava armado para proteger a vizinhança. Mas não, era apenas o meu nariz.

Eu não sei nadar, nunca soube e sei que não vou saber. É simplesmente a evolução humana. Eu não nada. Caminho pela piscina de um lado para outro, com água abaixo do umbigo, claro. Na praia, ao lado do meu pai, que tem 1,90m, eu fico mais tranquilo. Pena que meu calção começou a cair e eu não conseguia ajeitá-lo. Fiquei tão preocupado com as minhas poucas vestes, não notei que o mar começava a me engolir.

Não pedi socorro. Não tentei pular. Com medo de ser descoberto sem calção ou resgatado por um salva-vidas que pudesse fazer respiração boca a boca enquanto eu ficava à milanesa na praia, resolvi aceitar o destino. Virar oferenda para Iemanjá. Mas ela me rejeitou. A maré abaixou, eu levantei o meu calção e comprei um Chicabon.

Não tenho medo de morrer. Não tenha medo de morrer. Apenas espero fazê-lo com graça e um pouco de dignidade. Partir desta para a melhor deixando uma boa imagem, sem expor o meu corpinho. Já avisei meus pais que se eu entrar no banheiro e demorar a sair, não batam na porta, não façam escândalo, não arrombem o cômodo. Esperem a decomposição antes de abrir. Quero ser um belo cadáver.





Como sobreviver a uma balada indie sozinho

15 10 2008
Nem sempre a gente tem companhia, mas a música está lá do mesmo jeito. O bar também.

Nem sempre a gente tem companhia, mas a música está lá do mesmo jeito. O bar também.

 

Hoje é quarta-feira, dia de cinema mais barato e de mais um guia de sobrevivência nesse nosso mundo pós-moderno, pós-punk, mas pré-pago. Caso você tenha tempo disponível, saiba que hoje é o dia da semana onde as melhores baladas são realizadas pela cidade.

Sim, é hoje o dia em que os proletários estão fora de circulação, logo, o público fica melhor. A nata metropolitana, com direito a Paris Hilton(s), Nicole Ritchies(s) e Lindsay Lohan(s), sairá para balançar o esqueleto e tomar bebidas coloridas , just for fun!

Caso você yourself seja proletário, há duas opções: sair, fingir que não trabalha e depois segurar o sono no ‘trampo’ ou ficar em casa, jantar com seus pais e contar sobre o seu dia de trabalho. Não se esqueça de dormir cedo. Mas tudo bem, a sua vez chegará meu amigo, e com as férias e o décimo terceiro salário, você poderá curtir a noite como deve ser feito.

Se resolver sair, é bem possível que saia sozinho. Muitos de seus amigos estarão trabalhando ou estudando. Gerúndio é coisa de gente ocupada então, não se reprima, não se deprima e saia preparado para fazer novas amizades.

Aqui, o importante é se mostrar disponível e bem resolvido. Sabe o cara low-profile/gente boa/sussa da balada? Então, você será ele hoje. Antes de sair de casa, coloque uma roupa sociável que diga: “oi, posso ser seu amigo“. Atenção: evite as roupas “oi, quero ser seu amigo“.

Há uma grande diferença entre querer e poder. A possibilidade abre o caminho pra dúvida, mantém a sua pose blasé e ajuda com um certo mistério. Querer te torna meio nível baixo, desesperado e solitário e você não quer parecer assim, certo?

Passe perfume, use com moderação e não esqueça do desodorante. Roupas confortáveis, novas, limpas e bem passadas. Cabelo à gosto. Não chegue muito cedo se for de metrô. É importante chegar quando a coisa já está fervendo. A pista parece ficar maior quando está vazia e não é bom se destacar no tédio.

Agora, a parte mais importante que fará toda a diferença nesta sua night out. Os acessórios. É importante em uma balada sozinho aliar oportunidade à sorte. Esteja preparado para tudo. Use relógio. Seja o cara para quem alguém bonito(a) pode perguntar as horas. Isso pode te garantir alguns minutinhos de papo!

Se você fuma, não leve isqueiros. Se não fuma, leve cigarros. Seja útil, meu amigo. Se precisar, peça para alguém te dar um fogo, meu bem. Esquente o papo. Ou então, abasteça o vício de um outro com seu LA mentolado. Ele vai morrer antes que você, de câncer de pulmão, ok, mas não significa que será essa noite.

Na pista, comporte-se discretamente. Caso seja sociável, sorria para alguém, ensaiando uma aproximação. Se o riso não voltar, finja que não viu e mude a mira. Evite se aproximar de grupos de amigos. Eles podem parecer legais no início, mas podem falar mal de você e usá-lo como motivo de piadas. 

Um detalhe importante: nunca nunca beba demais. Não há ninguém para levá-lo para casa, escutar seus papos de bêbado, a quem você possa dizer o quanto o ama ou segurar o seu cabelo enquanto você passa mal no banheiro da balada. Hoje é você por você, meu caro. Faça valer a sua própria companhia.





Como sobreviver à queda de um avião?

9 10 2008

A questão não é SE mas QUANDO teremos um ataque de zumbis morto-vivos como disse o Olhometro e se esse pandemonium acontecerá antes ou depois da revolta dos robôs, tomados uma uma inteligência artificial malévola (check Terminator). Se tudo isso te parece enredo de filme ruim do Michael Bay produzido pelo Jerry Buckheimer, vamos apelar para o medo REAL de todo e qualquer ser humano que saiba o que é perigo. 

Ao contrário do que dizem McCain e Obama, você corre mais risco de morrer de devido à queda de um avião do que em um ataque terrorista (a não ser que ele concilie as duas coisas, como a história já provou que é possível, check 9/11).

Pensando na sua segurança e na manutenção de page views do PinkEgo (\o/), segue abaixo um roteiro de como sobreviver à uma queda de avião, desde a prevenção até se manter atento à sinais de que a gravidade está falando mais forte que as turbinas.

Estatísticas do governo ( não do nosso, mas do americano) dizem que 19 em 20 pessoas, em média, sobrevivem à uma queda de avião. Travis Baker que o diga. Suas chances são de mais de 95% para a sobrevivência. O importante é somar aqui alguns comportamentos que possam garantir que você esteja na maioria e não no lado infeliz da porcentagem. Mas, vale a pena reforçar, são apenas dicas e não venha me processar caso você morra.

Dicas:

- Use sapatos confortáveis. Isso exclui aquelas suas Havaianas. Por mais que elas estejam na moda na Europa, não são muito boas para correr de um avião em chamas, certo? Não exponha seus pezinhos ao perigo. Eles podem se cortar caso você caia na Floresta Amazônica (ou o que resta dela). Calças longas e mangas compridas são uma boa pedida. Elas vão proteger a sua pele do fogo, pelo menos por um tempo, e do frio, caso você caia em alguma calota polar.

- Tenha sempre um plano de fuga. Observe a saída e trace possíveis rotas para alcançar a porta. Não meça esforços. Veja a quantidade de gordinhos no caminho, velhinhos ou demais pessoas que se movem devagar. Numa hora de pânico, ninguém se manterá a direita deixando a esquerda livre pra circulação. Saiba que quando a hora surgir, pode ser necessário fazer sua ética cair por terra e acotovelar alguns seres humanos pelo caminho. Uma dica é mentalizar que você está preservando a espécie e agindo por puro instinto. Se você sobreviver, ninguém irá te julgar e talvez role uma indenização (=$$). Fique sempre perto das portas, entre as 7 primeiras filas.

- Apesar dos barulhos do seu companheiro de poltrona, pequenas turbulências e sono, leia atentamente as indicações de segurança do avião. Ela faz a diferença entre aqueles que caíram no mar por não prenderem o sinto e aqueles que caíram na ilha de Lost. Alguns morreram depois, por razões inexplicáveis, mas tudo bem. Conte o número de assentos a percorrer até cada saída do avião. Desse modo, se houver fumaça, você já sabe qual é a mais próxima. Use o cinto de segurança e pratique por pelo menos 6 vezes o ator de abrir e fechá-lo. Aja como se tivesse TOC e ninguém vai perguntar nada. Repita o processo com os olhos fechados, só pra garantir.

- Ok, as coisas podem ficar bem feias quando um grande pedaço de metal pega fogo nos ares ou começa a cair indiscriminadamente (e quem cai com foco?). Ouça as comissárias de vôo, de bordo, ou qualquer mulher uniformizada que fale separando as sílabas corretamente e fingindo tranqüilidade. Elas sabem o que fazer, foram treinadas para isso e ganharão milhas quanto maior for o número de sobreviventes da tragédia. Continue calmo e prepare-se para um possível choque. Sente-se confortavelmente, com os braços cruzados e as pernas entre os braços. Reduza o espaço que sua cabeça possa girar em caso de uma aterrisagem. Isso ajuda a sua dor de cabeça a ser menor ou, no pior dos casos, torna a identificação do seu corpo um pouco mais fácil. Se a máscara de oxigênio cair, use-a. Não tenha medo de parecer bobo. As cores não são as melhores, eu sei, e o ar pode não cheirar tão bem, mas podem ser seus últimos segundos de vida, então, dê uma ajuda ao destino e respire fundo.

- Quando o avião cair, segure-se forte ao seu assento. Mantenha-se abaixado caso haja fumaça e corra para a saída mais próxima. Não seja o idiota que se atrasa e atrasa todo mundo ao tentar pegar a bagagem de mão!  Perceba: o avião caiu e não há nada mais importante do que preservar o seu corpinho intacto. Abra a porta. Caso haja alguma danificação na lateral do avião, observe se é uma boa e possível saída. Caso seja uma distância muito alta, penseo: o que é pior, quebrar as duas pernas ou morrer queimado e sufocado? Pule. 

Ao sair do avião, você ainda não está a salvo. A questão agora é agilidade. Fique a distância do avião. Corra, se arraste, saia de perto. Ele pode explodir. Segundo estatísticas confiáveis, mais gente morre pela explosão do que pela queda. Apesar de distante, não saia para muito longe da zona da queda. Isso pode dificultar a busca por você/seu corpo.

Fim.

Caso você sobreviva, escreva um livro ou pelo menos um post em um blog sobre o assunto. Se cair em uma ilha esquisita, cuidado com Os Outros. Se cair no meio do ártico com outras pessoas, por favor, nunca coma os seus companheiros, mesmo que haja falta de comida. É extremamente anti-ético.