Ensaio sobre a Testa

4 11 2008

Ou Manifesto contra a banalização das franjas.

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Seguindo a onda neo-pós-conservadora iniciada pelo Pedro Cardoso, o PinkEgo vai na contramão do pudor republicano ao propor que todos nós desnudemos a nossa testa e votemos pela abolição da maldita franjinhas que fica caindo em cima de olho.

Não é de hoje que a franja faz sucesso. Há quem diga que o próprio Jesus, lá na Galiléia, mantinha aquela porçãozinha de cabelo em cima da testa, com direito a jogadinha sexy e tudo antes de realizar milagres que ficaram escritos na história.

No entanto, apesar da franjinha ficar legal em algumas pessoas, como na pequena india Tainá e…só, a popularização deste artefato capilar faz com que muita gente ache que isso é estilo, e não é. Franja é um cabelo crescido pela metade e jogado na frente do rosto. Você não precisa dele se é bonitinho.

Na escola onde eu estudava, era proibido que alunos tivessem franja. Atrapalhava o aprendizado, diziam as professoras. Com a finalidade pedagógica, era comum ver docentes acompanhando alunos e alunas até a enfermaria e cortando os fiozinhos dos alunos mais rebeldes do Ensino Fundamental.

A franja atrapalha, não deixa os outros verem se você é bonito ou feio. Tudo bem, isso pode ser até conveniente às vezes, mas ela atrapalha a leitura. Não se esconda atrás de alguns fios de cabelo. Eles podem te trair caso chova e você usar chapinha ou se houver um ataque repentino de um frizz violento.

Estamos na era do botox. Já está bem difícil saber se alguém está feliz, triste ou com raiva. As testas já não franzem mais. Mostre sua emoção ao mundo, deixe as pessoas saberem quem você é. Desnude a sua testa! Não caia na banalidade das franjas! Seja feliz!

PS: Se você é careca, por motivo de diversão alheia, o uso de franjas está liberado.





Porque não se fantasiar de Coringa no Halloween

31 10 2008

Agora você vai sentir só uma picadinha...

Agora você vai sentir só uma picadinha...

No país onde pumpkin é jerimum, o Halloween pode perder um pouco do significado. Mas nem por isso a gente deixa de comemorar, do nosso jeito, o Dia das Bruxas. Vale se vestir de mulher e assustar a vizinha, usar a fantasia do carnaval passado e até colocar o abadá da micareta do avesso.

Em um posicionamento político, prestando um serviço público de primeira qualidade, estamos dizendo pra você não se fantasiar de Coringa a.k.a Joker neste Halloween. Sim, sabemos, a tentação é grande e a fantasia está barata na Ladeira Porto Geral. Além disso, você mesmo pode fazer a maquiagem usando seu estojinho emo, mas resista! Não vale a pena, amigguinho.

Nesta data veremos vários amigos fantasiados de Joker pelo sucesso do personagem interpretado pelo Heath Ledger. A falta de criatividade é a doença mais epidêmica hoje em dia. Esta é uma oportunidade única pra você se destacar na multidão de zumbis que se encaminham para a glória (ou para O Glória).

Pense: você vai chegar na festa e vai encontrar alguém com um cabelo mais verde que o seu, com mais maquiagem e mais alcool no corpo, interpretando um Joker muito mais wicked. Aí você chora, o Coringa vira o desbotado Edward Mãos de Tesoura e mata todo mundo como Carrie, a Estranha.

Ou pior, worst case scenario: há um verdadeiro ataque de zumbis, daquele que está programado pra acontecer logo logo, e você fica nervoso, a maquiagem entra nos olhos e você é mordido por um amigo que tem mau hálito! Se houver um surto de vírus alienígina que nos transforma em canibais, tenho certeza que você preferia estar sem maquiagem. 

Para fugir ao padrão, vamos lembrar dos filmes antigos, das bruxas do Hocus Pocus, dos monstrengos dos Goonies. Os anos 80 estão sempre na moda e vale a pena revisitar. Se você não era nascido na época, visite o Google. Se já tinha uns 15 anos, veja seu próprio armário. Certeza que há algo bacana e assustador lá pra usar, algo da coleção Purple Rain, do Prince, saca?

Se não achar e quiser algo mais pop collection, mais Pitty, outras sugestões assustadoras são: Maísa – a menina prodígio, Dilma Roussef, Sarah Jessica Parker, Willem Dafoe, Steve Buscemi. Mas se você quer mesmo, mas mesmo mesmo ir de Coringa, vá de Nurse Joker. Beeem mais fun. Drag meets horror. Eu vou de psycho-emo-zombie.





Exército Emo? Aliste-se já. Maquiagem é obrigatória.

3 06 2008

Há duas semanas, o Daily Mail, jornal britânico, divulgou uma reportagem onde abordava o fenômeno conhecido como “emomania”. A matéria atentava sobre o perigo que a letra das bandas “emo” representa aos adolescentes. Para o jornalista que escreveu, grupos como o My Chemical Romance são um culto e têm uma personalidade suicida.

Resultado: Neste último domingo, às 10 horas da manhã, horário de Londres, milhares de “emos” protestaram frente à redação do jornal Daily Mail, com faixas onde liam-se “Não temos medo de continuar a viver” e “Não somos um culto, somos um exército”.

Resultado 2: O protesto virara filme, como o que foi gravado pelo site Audio Junkies. O trailer já pode ser conferido na internet. Os comentários têm sido de apoio, e até de críticas muito negativas.

PEB: Em Março, milhares de emos mexicanos (sim, eles existem e choram assistindo Maria do Bairro ouvindo 30 Seconds to Mars) saíram às ruas com muito pó compacto e lápis nos olhos para protestarem contra o preconceito que enfrentam na escola, no metrô, no shopping, na seção de tinturas do supermercado. Não achamos bonito, mas não vamos comentar sobre isso. Preferimos citar Vive la Fête e deixar no ar: Maquillage. Cest camouflage.