E-dating: a dificuldade de conseguir um namoro pela internet – Parte 3

13 11 2008

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A parte triste de ser solteiro e fazer greve de sexo é que ninguem nota. A nao ser que voce coloque isso no twitter e surjam convites inesperados. Entre as ofertas de amor espontaneo, possessao física e caridade emocional, a que mais me chocou foi o convite para visitar a Igreja Universal do Reino de Deus. Nao pelo lugar, mas por ser na famosa “noite do descarrego“. Questao de agenda.

(Alias, alguem sabe qual é a daquela Igreja Brasil para Cristo e a Igreja Mundial? Por que ir na versao brasileira ou na Mundial se voce pode ir na Universal? )

Falando em estrangeiros, desisti de encontrar o amor no Brasil. Há muito tempo, quando o Cazé na MTV era careca e eu tinha cabelo, fiz um pacto com uma amiga de nos casarmos caso os dois chegassem aos 30 anos sem ter um par. Adiantando o acordo em quase 8 anos, liguei pra garota. Estava namorando, noiva, prestes a casar. Ter affair com mulher antes do casamento nao tem graca.

Nao tinha jeito, o próximo passo era recorrer a internet mais uma vez. Pelo Orkut, visitei comunidades do orkut com seres que tinham um certo tesao por pessoas com caracteristicas como as minhas, mas elas nunca gostavam do pacote completo. Para brasileiros, sardinhas sao peixes enlatados e nao marcas bonitinhas na pele.

Com a ginga brasileira, jeito latino e malandragem da Zona Leste, me inscrevi no MySpace e gastei meu ingles. Conheci uma garota da Inglaterra. Muito fina, muito educada e muito branca, tao branca que pedi pra ela ajustar o contraste na webcam.

A gringa era fofa e dócil. Mostrei meu quarto, minhas roupas, meu cachorro, meu pote de Biotonico Fontoura guardado no armario e ela aceitou tudo isso com uma educacao britanica digna de familia real. Pronto, eu estava apaixonado e aceito. Se um padre virtual nos casasse pelo GTalk, eu poderia viajar a Gra-Betanha com visto vitalício.

Marcamos uma data, no final de semana, para que nossa relacao ficasse mais steady. Ela me apresentaria seus pais e eu achei isso o máximo. Entrei no dia marcado e ela estava sozinha. Falou que se iamos nos casar, ela precisava conhecer meu corpinho. Isso me lembrou o NetMeeting do UOL em 2001, mas resolvi apostar na sorte.

Com muita vergonha, mostrei a barriga. A ausencia de barriga. Uma barriga magra. Mas tudo que ela notou foi que eu nao tinha umbigo. Disse que eu parecia Adao, o primeiro homem, e que isso a deixava meio desconfortavel. Citou Bíblia algumas vezes e disse que nao ia comer o fruto proibido.Tentei argumentar que era eu quem comeria, mas a gringa surtou.

Ela disse que a internet estava ruim e que podia cair a qualquer momento. Foi o gato subindo no telhado. A tela da webcam ficou preta. Depois, ela desconectou e eu fiquei ali, descamisado, sem umbigo e sem esposa. Valeu, jesus!





E-dating: a dificuldade de conseguir um namoro pela internet – Parte 2

23 10 2008

 

Quando a coisa fica feia, realmente frouxa, pior do que descrevemos no começo dos últimos posts, você percebe que está sozinho, de coração endurecido, bolso vazio e zíper aberto. Sem ninguém para amar, cansado dos pares imperfeitos que encontrou nos sites de relacionamento da internet, como em uma novela do Manuel Carlos, você pensa em apelar e ligar para o CVV.

Antes de se fechar no quarto com caixas de Dan Top e barris de Coca-Cola e cometer um suicídio diabético, nosso herói Fernando resolveu se entregar à primeira forma de fazer amigos pela internet. E não estou falando daquele horrível mIRC, que os jurássicos apenas se lembram, mas do famoso, bom e velho Bate-Papo do UOL.

Aproximadamente 54,78% da experiência de relacionamentos iniciados ou mantidos pela internet se baseia no seu nickname, ou nick, ou apelido para os leigos (caso esse seja o seu caso, por favor, clique aqui). Esse nome que você escolhe, de poucas letras e muita personalidade, é o que vai te acompanhar por um bom tempo.

Se te falta aptidão social e sobra apetite sexual, como no caso de Fernando, tente apelidos diretos, como o clássico Gatinho23aSP. Já falou tudo: status de beleza, idade, sexo e local. Foi o que nosso amigo fez e entrou na sala do Por Idade, do UOL.

Não é fácil hoje em dia puxar papo nas salas. Aboliram o famoso “oi, quer tc?”. Agora já se pede logo o MSN da pessoa e a página nada mais é do que um grande vazio onde as pessoas conversam no reservado. Sem falar nos bots, claro, que disparam spams com sites de pornografia e a administração do UOL lembrando que pornografia infantil é crime.

Eis que, de repente, Gatinha23aSP entra na sala. Se ela tinha o mesmo nick que eu, só poderia ser a minha cara-metade, como é dito em letras de pagode e no alcorão baiano. Coisa do destino.

Puxei assunto, de forma tranqüila, perguntando onde morava em São Paulo, que tipo de música ouvia e o que gostava de fazer. Infelizmente, ela não gostava de piña coladas, nem de ser pega de surpresa pela chuva, mas tudo bem, nem tudo é música.

Continuar o papo era um desafio. A gente nunca sabe que tópico abordar. Cinema é uma arte ingrata. Não importa quantos filmes você já viu, sempre haverá vários que você nunca ouviu falar. E tenha certeza: esse assunto vai vir a tona justamente quando você estiver por fora, pra ficar na periferia do papo, com cara de sulfite A4 branco.

Com mais intimidade com a Gatinha, resolvi passar o meu MSN e levar nosso relacionamento para o próximo nível na internet. Se correr tudo bem, eu colava o link do meu orkut na conversa e a gente já ficaria mais íntimo. Até amigo. Adicionar na crush-list, poder stalkeá-la e acompanhar os scraps. Descobrir a sua senha, quem sabe…

Risadinhas e emoticons rolando, a conversa fluía bem. Hoje é tão difícil conhecer alguém assim, tão parecido com a gente, com o mesmo tipo de humor, visão de mundo, ambições, perspectivas…dá até uma certa dúvida, uma inquietação.

Essa desconfiança era sexto – sentido. Quando passei meu telefone, Gatinha se apresentou. Seu nome era Renato, tinha 27 anos, 20 centímetros e era gay. E ativo. Na dúvida, resolvi passar. Há amor online?





E-dating: a dificuldade de conseguir um namoro pela internet I

17 10 2008

Depois de ser apresentado aos pais a estudantes de Fisica da USP, violinistas vegetarianos e fas de Snow Patrol e a uma garota que tinha a personalidade de uma samambaia, um dos membros do PinkEgo (ui!) resolveu apelar. Cansado de esperar pelo cupido e pela morte, o que quer que viesse antes, nosso amigo tomou a decisao de usar a internet para conhecer pessoas interessantes. Ou que pelo menos rendessem uma noite de diversao, if you know what i mean.

Para atingir o melhor publico possivel e explorar todas as possibilidades que essa vida online que a gente leva pode nos dar, o querido Fernando* (*nome ficticio) se cadastrou no ParPefeito, tentou um DiskAmizade pelo ChatLine e apelou pro Bate-papo do UOL. O que voce vera nos proximos posts sao relatos dessa experiencia social solitaria e bizarra, mas com um final feliz:

Nada melhor do que contar com as gratuidades da internet pra tentar achar um par. Se a danca do acasalamento no Discovery Channel esta te animando, meu caro, é hora de apelar. E Fernando, nosso amigo, sabia que precisava tomar uma atitude. Nao podia passar mais os sabados assistindo ao Zorra Total ou lendo Paulo Coelho. Era hora de agir!

Por 7 dias, sem pagar, ele podia testar os servicos do ParPerfeito. Um puta negócio. Mesmo desconfiando da necessidade de registrar ali os dados de seu cartao de credito, Fernando sabia que mesmo que fosse cobrado, sairia mais barato do que procurar por diversao na Augusta. Tentou ver se estudante pagava meia, mas nao havia nenhuma indicacao no site.

Com os olhos fechados, preencheu o cadastro necessario ate que chegou na parte de preencher o perfil. Eis que surge a grande primeira duvida: utilizar ou nao uma foto de mim mesmo (digo, dele). Se Fernando realmente procurava por paz, amor e compreensao, deveria utilizar sua propria foto, uma honesta, que tivesse passado por um processo de Photoshop simples. Agora, se quiser algo mais quente, talvez devesse usar o retrato de alguem mais bonitao, tipo /galhardi. Ou apelar pros brushes dos programas da Adobe e fazer sumir as sardas, trocando a melanina por pixels morenos.

Usando a propria foto e preenchendo o perfil com dados sinceros, Fernando foi vendo como esta dificil hoje em dia conseguir achar alguem que nos aceite por inteiro. Ficou incomodando com o campo que perguntava sobre o tamanho do seu penis e resolver colocar “Nao definido“. Nao era nada que uma regua nao resolvesse, mas melhor manter um pouco de misterio. Pensou em colocar que era ruivo, mas dependendo de como o sol bate em sua cabeca, ele pode ser considerado castanho ou ate careca. Melhor nao mentir para o possivel amor de sua vida.

Perfil completo. Foto postada. Sorriso bonito e pronto para procurar pelo amor online. Ah, o amor. Mas, que amor? Talvez fosse melhor deixar suas opcoes em aberto. Resolveu deixar o sexo do par ideal indiferente. É sempre bom analisar as opcoes do mercado, mesmo que a gente nao prove do fruto. Pensou que talvez fosse bom pro ego levar uma cantada ou outra, talvez ate mudasse de ideia, mas ai é pra outro post…

GarotaSafada169*, MulekeBH27* e Jornalista25* foram os perfis que mais chamaram a atencao. As fotos, interessantes, mostravam nos possiveis pares na praia, bebendo com amigos, praticando hobbies como futebol e culinaria. Pareciam pessoas normais, com quem ele poderia conversar ou comer Pringles assistindo ao Faustao no domingo.

Para manter a disputa justa entre os tres, mandou a mesma mensagem padrao:

Oi, tudo bem? Meu nome é Felipe (digo, Fernando), tenho 23 anos, sou solteiro e gostei muito do seu perfil. Sera que poderiamos conversar mais um pouco? Um abraco

Era curto e romantico. Polido. Interessante. Nada misterioso, ok, mas parecia simpatico. Era o tipo de mensagem que Fernando gostaria de receber. E nos primeiros dias, silencio foi tudo o que chegou em sua Caixa de Entrada. O perfil, quase nada visitado, cada vez mais dava a impressao de que o destino do nosso amigo era acompanhar a mae nas rodadas de bingo beneficente da igreja ou cuidar do sobrinho quando a irma ia para o motel com o namorado novo da semana. Era o fim.

Eis que, entao, quase 36 horas depois, ja beirando o fim do periodo gratuito, Fernando recebe uma mensagem. Deu tres pulinhos, agradeceu a Santo Expedito e cancelou a e-macumba. Ate revogou a oferenda de Chocookys a Iemanja:

Resposta da GarotaSafada169:

Oie gato, to mandndo pra vc umas fotos q tirei pra vc me conhece melhor. Bjus mi add no msn xxxxxx@hotmail.com

Em anexo, o que veio foram fotos do corpo de GarotaSafada. O rosto, corpo inteiro, a barriga, as pernas, os pes…o pe esquerdo…o pe direito…e uma foto, em separado, de cada dedinho do pe da menina! ele realmente a conheceu melhor, quase biblicamente falando. Nomeados como d_1.jpg, d_2.jpg, em sequencia, formavam uma coletania que faria qualquer podolotra perder a razao. Mas nao e o caso. Fernando odeia pé, se pudesse, viveria sem eles. Assustado, exibiu as fotos para alguns amigos em uma sessao private em sua casa. Ao ver o podo-album, 2 deles deixaram o recinto. Um deles foi ao banheiro.

Mais assustadoras do que filme do Uwe Boll, Fernando ficou triste. Pensou que se alguem achasse as fotos em seu computador, poderiam pensar que ele era um esquartejador de pés. Engracada a palavra esquartejar. Seriam as pessoas esquartejadas divididas em 4 pedacos iguais, ou mortas em um quarto e espalhadas pelo criado-mudo, armario e penteadeira?

Com a consciencia pesada pela piadinha do mal, Fernando viu que talvez suas exigencias estivesse alem do que o servico poderia proporcionar. O amor nao estava online dessa vez, estava ocupado e podia nao responder. Offline pra vida, pegou o telefone e tentou o ChatLine….

continua…

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