O Playground do Amor – Sexo no Parquinho

16 03 2009

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Mudar de casa para apartamento é ver a possibilidade de fazer amizades no elevador, ter a certeza que dificilmente testemunhas de jeová baterão à sua porta e ganhar a opção de jogar o seu cachorro pela janela quando este fizer muito barulho durante o season finale de Gray’s Anatomy.

Da minha janela, observo as crianças brincando no parquinho. A grama verde sintética me faz ter a certeza que elas, provavelmente, nunca irão cair por ali e ralar o joelho. Isto lembra que os colegas que mais se machucavam na escola não eram os mais “delicados”, mas sim os que hoje são mais heterossexuais (se é que há algum grau pra medir isso).

Crianças desde pequenas já mostram o que há em seu coraçãozinho, como aquele que vive implicando com o colega magrelo e, no futuro, gastará em cirurgias de reduções de estômago e implantes cerebrais. O menino esguio, vai usar seu dinheiro em calças skinny que só ele pode usar e dirá que faz disso um estilo de vida enquanto toma cerveja pra ganhar barriga.

O comportamento sexual pode ser observado se você for atento. Vi um garoto sozinho, no gira-gira, admirado com o balanço do brinquedo e o vento que levantava suas madeixas loiras ao ar. Certeza: vai crescer, virar travesti e bater cabelo em balada de terceira categoria.

Enquanto as meninas corriam pelo trepa-trepa, treinando a elasticidade e capacidade de fugir de predadores, que serão muito utilizados no futuro, um moreninho as observava, deitado na caixa de areia. Dali, podia ver as calcinhas de garotas que ele nunca vai poder pegar por estar ocupado demais amando seu próprio corpo.

Um outro não se juntava ao grupo das Luluzinhas. Como se tivesse nojo de mulher. Calma, não é gay. É um mini-misógino. Vai crescer, comprar um carro-marmita, uma picape, onde só dá pra levar o que se come e confundir eternamente Drive-In com Drive-Thru, fazendo da vida uma fast-food sexual. Pois é, detalhe ruim: fast mesmo.

É dificil julgar quando a gente não conhece. Mentira, é fácil porque não envolve sentimento de culpa. Da janela, fico brincando de observar seu crescimento como se eu jogasse The Sims. Minha próxima missão é colocá-las na piscina e tirar a escada ou fazer uma versão do No Limite dentro do playground de 10×10.





Maldades Infantis e Como Tentar (Brincando) Assassinar a Sua Irmã

12 03 2009

Há três categorias de bebês: os lindos, os engraçadinhos e os saudáveis:

-  Os lindos são bonitos, tem olhos claros, traços delicados e indicam uma vida repleta de bom sexo, vida social plena e a tal boa apresentação requirida por algumas vagas de emprego.

- Os engraçadinhos são os bebês com sorriso divertido, que fazem rir por terem pouco cabelo, uma bochechas gordinhas ou sons animados.

– Já os saudáveis, simplesmente são aqueles bebês que a gente espera que cresça com saúde e não se tornem assaltantes, usuários de drogas ou portadores de pochete. Bom, eu era um bebê saudável.

Bom, mesmo tendo 3 anos de diferença da minha irmã, quando ela nasceu, já tinha praticamente o dobro do meu tamanho. Mesmo eu sendo um bebê ruivo, já sardentinho, não era muito simpático. Minha primeira frase completa foi: “Mãe, cerque meu berço com arame farpado, por favor, gu gu dá dá (eu ainda não sabia falar ‘porra, caralho’”.

Ouvia da sala os risos e frases desconexas que as visitas disparavam à minha irmã. Ela era moreninha, tinha olhos verdes e um sorriso encantador. Quando meu pai brincava de aviãozinho com ela pelo apartamento, eu realmente sonhava que ela enroscasse no ventilador de teto.

Eu nunca me esqueço da minha mãe comigo pequeno e minha irmã bebê quando chegou uma velha senhora e falou: “Que bebê lindo! que ela seja muito muito muito feliz!”….e “que graça de menino, que ele tenha muita saúde!”.  Depois disso, nunca mais dei um espirro e a minha irmã, bom, ela deu bastante.

Tais pensamentos negativos me tornaram uma pessoa ruim. Sou magro de ruim. Todo dia era dia de maldade comigo e com a minha irmã. Já prendi o dedo dela na porta, já acertei um bastão em sua cabeça “brincando” de beisebol (mero pretexto) e insistia em trancá-la no banheiro com meu poodle assassino.

A maior travessura foi, talvez, pegar um carrinho, daqueles de fricção, que você empurra para trás e ele volta sozinho, e passar em seu cabelo. Os fios prenderam, claro, e minha mãe precisou cortar um tufo enorme com uma tesoura escolar sem ponta. Apesar de tudo isso, minha irmã sobreviveu, hoje me ama e ainda é linda depois das cirurgias plásticas.

Falo tudo isso por que acho que ninguém leva a sério as experiências que nós temos enquanto somos pequenos, bem pequenos. Todo mundo fala da adolescência, das espinhas, da primeira vez que foi mal comido, mas na verdade, eu ainda estou cheio de mágoas de quando me tiraram minha chupeta e me deram as primeiras palmadas. Talvez isso explique muita coisa.

Aquela papinha sem graça, a babá que roubava meu Danoninho e o episódio de Ra-tim-bum que eu perdi nunca poderão ser recuperados pela terapia. Já foi. Da infância, só lembro do pega-pega e do esconde-esconde. Da adolescência, depois que descobri o sexo, só lembro também do pega-pega e esconde-esconde.

Tendo em vista o passado triste que tive e o futuro fracassado que essas experiências me impõem, resolvi apostar em meu sobrinho. Ele é ruivo, lindinho, engraçado e saudável. Serei seu amigo, darei presentes legais quando ele aprender a falar “obrigado” e sairemos juntos para baladas alternativos. Tanta proximidade vai fazer com que eu conheça seus defeitos e, sabendo que ele não é perfeito, posso dormir tranquilo. Até agora, já descobri que ele tem chulé, incontinência urinária e uma fixação inexplicável por peitos.





Como Emagrecer um Bebê e Criar um Mini-McGyver

6 02 2009
Gu-gu, dá-dá, o caralho!

Gu-gu, dá-dá, o caralho!

Crianças rolando rumo à obesidade infantil preocupam governos e comunidades católicas. Adolescentes acumulam gordura lateral, formando uma borda de panetona na cintura. Com essa crise, há quem sugira a troca de calças sociais para saias masculinas e femininas, com as bundas abundantes formando um visual meio abajour de linho e algodão.

Com medo desse futuro tenebroso, aqui em casa decidimos pelo corte de glicose e custos. Minha irmá, após a gravidez, resolveu engordar. Saiu do modelo foca direto para o tubarão-baleia, tornando-se o primeiro caso de Pokémon que evolui de mamífero para peixe.

Como se trata de um caso perdido, resolvi, ao menos, tentar salvar meu sobrinho ruivo e já gordinho. Afinal, ter cabelo vermelho já lhe daria apelidos suficientes até o colegial, coisa que sei por experiência própria. Distraí minha irmã com algumas “tetas de nega” e “morangos de Atibaia” e resgatei o bebê.

Para uma dieta rápida e eficaz, cortamos a amamentação. Agora, leite de peito apenas a cada dois dias. No intervalo, muita água. Como exercício físico, soltamos o nosso poodle-assassino-devorador-de-crianças. A seleção natural acelerou o processo e hoje a criança já sabe andar, correr e ameaçar o cachorro com um revólver.

Para desenvolver as habilidades desse pequeno McGyver, troquei os brinquedos de montar e as surpresas do McLanche Feliz que eu costumo chamar de presente por artigos realmente úteis, como tesouras, facas e estiletes. Foi uma alegria vê-lo recortar suas roupinhas tamanho GG para algo perto do P. Acho que um novo Hertchcovich acaba de nascer.

Hoje, Ícaro, o bebê, já está perto do peso ideal e estamos considerando voltar a alimentá-lo com sólidos. Como dica, sugiro refeições a base de Tic-Tac e pó de Tang. Bom, quanto à minha irmã, essa é um caso perdido. Compramos uma poltrona sob medida, com o telefone de um lado e o controle-remoto do outro para que ela possa pedir delivery e ter entretenimento sem sair do lugar. Vejo que no futuro ela irá ingressar para a Liga das Senhoras Católicas e roubar merenda de criancinhas inocentes.





Como Descobrir um Novo Talento aos 20 anos ou mais

16 01 2009

 

Quem disse que é tarde para ser um Cangaiba Idol?

Quem disse que é tarde para ser um novo Cangaíba Idol?

 

Como que alguém decide logo quando criança que quer crescer, pegar uma vara bem grande e dar um salto enorme?  Pois bem, foi essa pergunta que eu me fiz enquanto observava os atletas jovens saltarem de um lado para o outro. É um esporte, um belo esporte, mas como descobriram que tinham talento para a coisa.

Como sempre, a culpa é das mães. Elas são as principais responsáveis por identificarem nos seus pequenos filhos características, possíbildades e até, porque não, talento, nos pimpolhos fedorentos e pidões. São essas crianças que serã os futuros cantores, atores, pintores, atletas, escritores e motorista de caminhão.

Mas porque então eu não virei nada?”, você se pergunta. Bom, pelo menos eu me pergunto. O motivo é simples: nem sempre mãe é mãe. Às vezes, é madrasta e não dá apoio. Acha que o talento da criança em imitar o Fábio Assunção é encosto possuindo corpo de criança e que cantar igual ao Felipe do Fantasia é pura bichisse. Pois bem, são talentos inexplorados seus que ficaram aí, guardados, pra você descobrir num karaokê da vida ou num drag show mais para a frente, cobrando 10 reais o show na Danger.

Mas enfim, desolado por chegar além dos 20 anos sem descobrir um talento, resolvi tomar uma atitude. Se para a minha mãe, eu não passava de um ruivo sardendo com uma gripe incurável, vou mostrar para ela que posso ser um atleta. Meu pai me indicou equitação, mas não acredito que aprender a cavalgar seja algo muito excitante ou de uso efetivo em minha vida.

Assim, decidi fazer uma luta. Mas uma arte marcial light, quase gospel, algo que tenha uma faixa cafe-com-leite e um banco onde a gente possa descansar e chamar de “pix”. Kung Fu parece difícil, Karatê tem muitos japoneses que dão medo. Tai Chi Chuan pareceu uma boa, não fosse a minha alergia à pó e cheiro de naftalina.

Não é que haja medo de me machucar, mas é que eu não ralo o joelho há alguns anos e não lembro mais como são essas dores. A ultima vez que me acidentei foi por tendinite e movimentos repetitivos. To mais perto da artitre e da osteoporose do que dos charmosos três pontos na testa, saca?

Dessa forma, decidi que meu talento é a perseverança amorosa e falta de vergonha na cara. “Vc vive reclamando da sua vida amorosa.pq eu deveria acreditar em vc agora?”, perguntou Marcela Prado, no Twitter. Pois bem, você deve me dar algum crédito porque eu já passei por quase tudo e sobrevivi.

Já levei todos os tipos de fora, já faltei na festa do meu aniversário e encontrei meus pais na balada. Eu sou o Rocky, cara! Fuckin’ Rocky Balboa! Levo meus socos, apanho, mas ainda tenho força para grunhir algumas palavras com a minha boca torta de botox. Fui assediado por pedófilos e necrófilos. Até hoje tenho trauma da sequencia. “Senta. Deita. Finge de morto”. Mesmo assim, minha vida sexual continua super saudável, em termos.

Tem gente que usa pochete e viseira, tem quem faça posts enormes e interessantes em seus blogs e ganhe dinheiro com isso e há até quem estude, trabalhe na área e esteja satisfeito com isso. Pois então, eu tenho o talento de sofrer com o modo shuffle do universo, sobreviver e não ter vergonha de contar tudo isso. E você?





Sobre Como Quase Perdi um Bebe

7 01 2009

 

Ooops, I've dropped my baby

Ooops, I've dropped my baby

 

Sabe aqueles filmes em que o pai se disfarca de babá para ficar mais perto dos filhos? Ou em que um policia vira babysitter pra salvar uma família? Aqueles onde a mocinha recebe estranhos telefonemas durante seu trabalho, mas se esquece de checar as criancas? Pois bem, todos eles sao melhores babás do que eu.

Nao é que nao goste de criancas. Tudo bem que tenho vontade de chutar pequenos bebados que andam em zigue-zague no shopping e suas maes com as maos ocupadas com sacolas da Renner, mas tudo isso é superado quando olho nos olhos do meu sobrinho.

Antes de ele chegar por aqui, eu era o mais ruivo da família e, sabe, até meus olhos eram mais claros. Estranho ver que uma criatura tao pequena, de apenas 1 ano, ja tem quase o mesmo peso que eu. Mesmo assim, nos damos bem, temos uma convivencia pacífica e ja decidi que meu filho será albino para chamar mais atencao do que ele.

Minha irma, dona da crianca, resolveu ir cuidar dos cabelos maltratados pela maternidade e péssimo gosto por penteados. Como eu estava com minhas pernas magrelas para o ar, coube a mim observar o bebe por algumas horas.

Sempre fui do tipo de cara que se voce me der tres tartarugas para cuidar, uma foge, a outra engravida e a terceira faz uma tatuagem. Mas cuidar daquele pequeno ser vermelho parecia fácil. Nao ha segredo. Bebes nao fogem. Pelo menos, nao sozinhos e ninguem rouba criancas de fraldas sujas.

Eu olhando ele, ele me olhando e o DVD do Cocoricó bombando na TV. Icaro me observava com tédio, com as maozinhas fechadas como se sua primeira oracao fosse para que Deus lhe desse um tio menos chato e pobre.

Dessa forma, resolvi dois problemas. Com um bebe no colo, cachorro na coleira e iPod nos ouvidos, fui passear e fazer amizades, pagando de bom pai e confiável. Afinal, quem tem cachorro nao tem medo de compromisso, certo? Eu me sentia um Zé Bob, com menos cabelo e maior amor por Donatella Versace do que Claudia Raia.

Lembra do comeco, quando citei os filmes? Entao, nessa hora, voce ja sabe o que ira acontecer. Aqui, tudo fica tenso:

Um gato (animal) passou e meu cachorro latiu, disparando atrás do felino. Tentei acompanhar, mas nao consegui e tive que deixar o Johnny sair correndo.

Meu fone do iPod caiu, o bebe chorava no meu colo e meu cachorro se perdia no horizonte do Tatuapé. Num impulso, encontrei um transeunte qualquer, um estranho, que passava por ali e pedi a ele que segurasse meu sobrinho por alguns minutos.

Saí correndo e recuperei meu cachorro, que mijava num canteiro do supermercado, em protesto ao meu esquecimento de alimentá-lo naquele dia. Feliz, orgulhoso pela minha breve corridinha rápida e suado, eu vibrava com o resgate de Johnny! 

Continuei a levar o cachorro a passear quando, num tropeco, deixo cair o iPod e grito: “Ooops, I’ve dropped my baby“. Assim, em ingles, sem mais nem menos. Baby….bebe…Icaro, meu sobrinho, meu Deus! Eu esqueci do meu sobrinho. Ja imaginei minha irma dando entrevistas a Sonia Abrao, eu sendo linxado em praca publica, me perguntando que tipo de praca nao é publica.

Voltei ao local inicial do crime e estava la, o estranho, brincando com o ruivo alegremente. Ao me ver retornar, fechou a cara. Despediu-se do bebe e me entregou a contragosto e eu voltei pra casa. Ok, serei um péssimo pai, mas um ótimo dono de cachorros, falaí?!  Robin Williams manja nada.