Deixem Meus Brinquedos em Paz!

12 08 2009
Pac-Man: melhor no museu do que no cinema

Pac-Man: melhor no museu do que no cinema

Você sabe que Hollywood está em crise quando um grande diretor prepara uma adaptação de Banco Imobiliário para os cinemas. Se a imaginação, utilizada por nós há 10 anos para dar vida aos brinquedos tinha uma fonte criativa, hoje ela serve para explorar novos efeitos-especiais e visuais em 3D. Por isso, eu peço: deixem meus brinquedos em paz.

Não, eu não quero ter a sensação de ver Bruce Willis cuspindo na minha cara enquanto vejo um filme baseado em Tetris. Também não quero que Playmobil vire série dramática com cara de Ally McBeal. Parem de massacrar a minha memória infantil. Confesso que me senti violentado quando Transformers virou uma versão Megazord de milhões de dólares. Juro que preferia que a história contasse os percauços de transformistas e travestis, desde que tivesse um roteiro e não desculpa para explosões e caras de espanto de Shia Labouf.

Tenho medo que um dia Pac-Man vire um longa-metragem nipo-pornô, sobre um amarelo comedor, ou uma história de crítica religiosa, com fantasmas testemunhas de jeová perseguidores de jovens usuários moderados de drogas. Até um certo tempo, era bacana ver nossos pais contentes com séries antigas que viravam filmes. Os nomes, cenários e até a trama era qalterada, mas o nome tava lá, e os velhos pareciam contentes o suficientes com isso.

No entanto, de um tempo pra cá, a gente sabe que os fanboys pegam pesado sempre que há alguma mudança nada sutil em uma adaptação de quadrinhos. Deve ser por isso que os produtores atacaram o baú de brinquedos. Ninguém ficaria magoado se Twister virasse uma película com toques de Jogos Mortais sobre um assassino que despedaça cruelmente suas vítimas que perdem no jogo.

Isso é um precedente. Em um futuro próximo, pode macular a reputação de passatempos que nos distraíam à tarde em uma época em que TV a Cabo era cara e internet era pra gente velha ver pornografia. Pode acabar com o pouco que resta de uma certa parte de nossa memória que guarda, com carinho, jogos e brincadeiras que já não podem mais ser repassadas aos filhos, mas apenas lembradas com carinho e nostalgia. Deixem a Estrela em paz; fechem esse baú.





Padronização de Encontros, Saídas, Datings e Afins

14 01 2009

 

Fair Play - Dating como esporte. Padronização Já!

Fair Play - Dating como esporte. Padronização Já!

 

Quando sua vida afetiva e sexual vai mal e você começa a considerar a castração química como uma forma de evitar frustrações, meu amigo, algo precisa mudar. Você precisa sair, conhecer pessoas novas e sair dessa historia de ficar papeando com desconhecidos que, muito provavelmente, se passam pelas mulheres que você conversa no MSN.

Agora, se assistir Zorra Total com a sua mãe no sofá da sala já é ruim, pior ainda é sair com alguém sem saber se é ou não um verdadeiro date (ou encontro). Muitas opiniões diferentes são levantadas quando a gente fala sobre encontros. Alguns dizem que o que define é o lugar, outros falam sobre o convite e a forma em que ele é feito. 

Eu costumo seguir o padrão americano. Nada de beijos no primeiro encontro, mas também sem levar a acompanhante até a sua casa, já que ela pode morar em Cangaíba e aí, no way! Aqui no Brasil o que impera é a pegação total, onde o convite para sair é um date implícito podendo rolar cama, mesa e banho, não necessariamente nessa ordem, mas talvez com café da manhã grátis dependendo do motel.

Para evitar apuros, desilusões e tardes de mágoa assistindo a Sonia Abrão, o PinkEgo propõe a Padronização Universal das Regras sobre Encontros (ou PURE, gostou?). Claro que estou me baseando num modelo um tanto quato do ponto de vista masculino, mas acho que ajuda a gente a chegar num denominador comum sem ter que chamar o Celso Russomano.

Primeiro Encontro

Ok, quer levar ao cinema? Escurinho, filme gostoso, poltronas confortávels, clima bom, né? Se quer levar ao cinema, tem que pegar. Nada de enrolar. Pode ser Cinemark ou Belas Artes. Levou, pegou, por favor. Quem quer conversar, que vá tomar um café no Starbucks ou até mesmo passear na FNAC. Baladas, também. Nada de levar bolo pra festa. Só leve se for como amigo, para caçarem juntos ou pra ter alguém pra te levar pra tomar glicose no Hospital das Clínicas. Para deixar claro, diga algo como: “Hey, vou ao Vegas amanhã. Aparece lá!” e não “Vamos comigo ao Vegas amanhã?”. Pescou a diferença?

Apesar de ser contra, sim, vale beijo no primeiro encontro, mas pegue leve na pegação. Deixe um gostinho pra uma nova saída e garantir novas estradas (ui!). Não, você não precisa levá-lo(a) para casa, a não ser que seja para a sua casa, para um after date, mas dessa parte eu ainda não elaborei a filosofia.

Convite

MSN e Telefone vale. SMS são legais, mas tente combinar tudo com antecedência, com pelo menos 24 horas. Aí dá tempo de ela acertar o cabelo devidamente e de ele fazer a barba (ou não, caso você curta comunistas). 

Tente deixar claro as suas intenções. Se é um encontro de amigos, haja como tal. Mas se é um date, apele para as ferramentas mais básicas e bobas de sedução como risadinhas, piadinhas de duplo sentido e tiradas inteligentes. Atenção: escrever “rsrs” no MSN não é NADA excitante. Evite.

Num date, não vale convidar terceiros (a não ser que planeje um menage, mas vale consultar o futuro parceiro antes). 

Durante o date

Checar o celular o tempo todo é chato. Dá a impressão que você está olhando as horas para ir embora. Atender a mãe durante o encontro também é chato. Evite. Falar de ex-namorados, chefes e histórias sobre seu cãozinho de estimação também é bola fora. 

Ah, o olho no olho, esbarrar de vez em quando ao andar na rua e tocar os ombros ou braços do outro vale alguns pontinhos. Não faça isso se não estiver in the mood. Vamos evitar mal-entendidos (e não estou falando de bichas malvadas).

No pós-date

Mandar uma celular é nice. Deixar um scrap também. Ligação vale mais pontos. Mesmo que não curtir, seja bonzinho sem dar muitas esperanças. Se gostou, por favor, não seja blasé. Vamos iniciar uma época baseada em feedback, baby, e é sempre bom saber exatamente onde estamos pisando. No entanto, isso não significa começar DR desnecessárias. Um pouco de sagacidade e esperteza emocional é requisito básico.

Sua colaboração

Se você não acha justo alguma das propostas ou acha que algo deveria ser incluso, por favor, deixe um comentário. Help me help you e vamos padronizar os dates, encontros e afins.





Vá ao Cinema

15 08 2008

Sinto falta do barulho no cinema. Pronto, falei! E que todos saibam que cinema é experiência coletiva para ser compartilhada com a pessoa ao lado. E isso inclui risadas espontâneas, cochichos e comentários, disputas pelo encosto de braço e chutes na cadeira da frente.

E que, ao contrário do que o Cinemark diz, você pode, sim, deixar pipoca cair no chão. E se um celular ou outro tocar uma vez, ou outra, tudo bem, faz parte. Pra gente lembrar, desligar, e perceber que estamos diante de um portal pra um mundo paralelo bem nosso, uma experiência cinematográfica explorada em som e imagem para que você se desligue do planeta azul e preste atenção do que está ali, na tela. Verdade ou não, esse é seu mundo por 90 ou mais minutos, caso você esteja assistindo algum filme do Peter Jackson.

Quem quer silêncio daqueles absolutos de se ouvir a respiração que espere e alugue ou DVD ou vá ao The Pirate Bay.org e resolva sua vida. Sou fã de cinema, sou fã de filmes e fã DO cinema. Da sala, dos bancos, das cabeças mais altas que sentam à minha frente e me impedem de ver algumas cenas. E filme foi feito pra ver assim, aos montes, em grupos, em bandos.

Cinema é arte. Seja a sétima ou que número for, deve ser apreciada como tal. Seu veículo principal não é a cópia pessoal, o DVD, o *.mpg, mas a telinha, ver se os outros estão rindo. Ouvir alguém soluçar de choro, do outro lado da sala. Os bancos balançando de casais se pegando no fundo, lá no escurinho.

Não há registro de arte tão cara e elitista. Mesmo independente, fazer filme custa muito dinheiro. Não há sentido em fazer isso para poucos. Fazer um filme cabeça para dois ou três seria criar uma cultura que valoriza as bundas dos assentos mais caros do pedaço. Vamos popularizar o cinema. Menos glamour e mais arte. Menos papo-cabeça e mais bundinhas nos assentos, por favor. Vamos qualificar nossas poupanças. Em vez de dar pão e circo, sugiro pipocas!

Aqui, o que vale mesmo é inovar, ir além, conhecer as regras do jogo e mudá-las. Brincar com o visual. Sentir o 5.1 Dolby Surround estourar os seus tímpanos. Assistir a David Lynch e não dormir. Ver Woody Allen e não bocejar. Spielberg e sua máquina de sonhos, Spike Lee e seu engajamento ever-present, a competência de Clint Eastwood e a medriocridade de Ron Howard. Isso é cinema. Isso é gostar de cinema. Veja filmes. Vá ao cinema.