
Pac-Man: melhor no museu do que no cinema
Você sabe que Hollywood está em crise quando um grande diretor prepara uma adaptação de Banco Imobiliário para os cinemas. Se a imaginação, utilizada por nós há 10 anos para dar vida aos brinquedos tinha uma fonte criativa, hoje ela serve para explorar novos efeitos-especiais e visuais em 3D. Por isso, eu peço: deixem meus brinquedos em paz.
Não, eu não quero ter a sensação de ver Bruce Willis cuspindo na minha cara enquanto vejo um filme baseado em Tetris. Também não quero que Playmobil vire série dramática com cara de Ally McBeal. Parem de massacrar a minha memória infantil. Confesso que me senti violentado quando Transformers virou uma versão Megazord de milhões de dólares. Juro que preferia que a história contasse os percauços de transformistas e travestis, desde que tivesse um roteiro e não desculpa para explosões e caras de espanto de Shia Labouf.
Tenho medo que um dia Pac-Man vire um longa-metragem nipo-pornô, sobre um amarelo comedor, ou uma história de crítica religiosa, com fantasmas testemunhas de jeová perseguidores de jovens usuários moderados de drogas. Até um certo tempo, era bacana ver nossos pais contentes com séries antigas que viravam filmes. Os nomes, cenários e até a trama era qalterada, mas o nome tava lá, e os velhos pareciam contentes o suficientes com isso.
No entanto, de um tempo pra cá, a gente sabe que os fanboys pegam pesado sempre que há alguma mudança nada sutil em uma adaptação de quadrinhos. Deve ser por isso que os produtores atacaram o baú de brinquedos. Ninguém ficaria magoado se Twister virasse uma película com toques de Jogos Mortais sobre um assassino que despedaça cruelmente suas vítimas que perdem no jogo.
Isso é um precedente. Em um futuro próximo, pode macular a reputação de passatempos que nos distraíam à tarde em uma época em que TV a Cabo era cara e internet era pra gente velha ver pornografia. Pode acabar com o pouco que resta de uma certa parte de nossa memória que guarda, com carinho, jogos e brincadeiras que já não podem mais ser repassadas aos filhos, mas apenas lembradas com carinho e nostalgia. Deixem a Estrela em paz; fechem esse baú.

