Como Sobreviver a Um Fora e a Vida Após a Fossa

21 01 2009

 

Não é você, sou eu que não estou a fim mesmo.

Não é você, sou eu que não estou a fim mesmo.

 

Não é a primeira vez e nem será a última. Pegue o pote de sorvete, o tubo de Pringles e a Coca Cola Light e um filme da Meg Ryan under-40. Você tem todo o direito de curtir a sua fossa pós-fora pelo tempo que quiser. Mas faça-o com classe, moderação e bons modos.

É triste, eu sei. Você super não esperava, apesar de seus amigos já terem avisado. Até recados no orkut já davam conta de que o gato havia subido no telhado. Há quem se tranque no quarto e coloque Radiohead pra tocar. As músicas são tristes, o vocalista é feio e dá pra murmurar chorando na janela do quarto. Eu preferia a chamada blocterapia. Colocava Bloc Party pra tocar até me acabar. Ou até os Cds deles acabarem de tocar. Mas isso foi antes da fase Mercury, dos playbacks e shows meia-boca.

O que não pode mesmo é pagar de miguxa no MSN. Colocar mensagens deprimentos no subnick e reclamar da vida para os amigos dando uma overdose de mau humor mal amado. Se fizer isso, saiba que irá receber conselhos com a profundidade da filosofia da músicas da Pitty com mensagens a.k.a |shut up, please| como: |Ah, mas ele não te merecia. Você está melhor sem ele|, |O que é teu tá guardado|, |Olha, você vai ver. Quando a gente menos procura, aparece|.

Antes de beber água sanitária, cortar os pulsos com faquinha de rocambole Panco e comprar um exemplar de O Segredo, procure tentar atividades saudáveis de distração. Eu tenho tentado correr ultimamente. E acredite, é bem difícil lembrar das dores amorosas com aquela dorzinha na barriga típica de sedentários.

Tenho uma amiga que vai a baladas ruins para se sentir gostosa, outra que liga pra um ex que ela deu um fora para se sentir melhor e um colega chama os amigos para partidas de jogos de tabuleiro. Quando é WAR, a coisa foi grave. Sempre termina com as pecinhas voando pelo ar, parando na garganta do cachorro e gritos de: |O jogo é meu, eu ganhei|. 

Bom, se você tem dinheiro, vale passear no shopping e comprar algo. Se você gosta de comer, vale pedir um Taco ou descer a Augusta. Vale até ver o Fale que Eu Te Escuto com o telefone na mão. Já liguei pra Polishop, só pra papear com alguém, acredite. Tome um AAS como se fosse Rivotril e se engane um poquinho, é teu direito. Afogue as mágoas na piscina do SESC mais próximo.

O que vale mesmo é perceber que vai passar, que você vai ficar bem e arranjar um ourto alguém pra dar certo (ou se decepcionar). E, bom, se não rolar, você pode sempre pegar meu MSN e pedir meu telefone.





Bloc Party…with Lasers!

10 11 2008

Sou fã do Bloc Party há muito tempo, provavelmente desde antes de eles existirem o que me torna mais indie que você. Ouvi um demo da banda e resolvi que dela eu ia gostar e assim foi. Um caminho torto até a gravação do primeiro CD, que pra mim é o que há em perfeição de album indie. 

É uma banda média, de letras fracas e riffs legais. São comuns como qualquer outra bandinha inglês, mas tem um negão meio maluco no vocal que dá um toque meio world music pra coisa. Na onda da geração pós-punk, adotaram o rock como escudo mas logo trocaram o “orgânico” pelo eletrônico.

Muita gente se decepcionou com o segundo CD. Estranhou o terceiro, com o single funk-carioca-meets-tv-on-the-radio Mercury. Eu não. Bloc Party não é nem nunca vai ser a melhor banda indie, não vai tocar nas rádios nem ser adorada no MySpace. Eles são ambiciosos e gostam de experimentar, mesmo que não dê muito certo. E pagam o preço por isso. Viraram uma bandinha que é gostoso odiar.

Já tentaram ser grandiosos em A Weekend In The City. Foram minimalistas em Silent Alarm. Na ultima tentativa, Intimacy soa como um Bloc Party…with lasers! É bacana, mas completamente esquecível. Algumas faixas chegam a dar sono. E boto a culpa no Jacknife Lee, produtor do Snooze Snow Patrol.

Mesmo com tanta crítica, me considero fã n.1. Sou apaixonado pelos caras, acho que o som deles é sincero no que há de oposto ao “indie comercial” (e sim, ele existe). O guitarrista nunca mostra o rosto, o vocalista canta mal e desafina e parece que eles tão sempre tentando ser algo que não são. E não há nada nesse mundo mais adolescente que isso, mesmo que eu já não seja mais teen.

No show do Planeta Terra tive a oportunidade de ver o que eu desconfiava: uma banda que não funciona pra grandes públicos. Não cabe no tamanho stadium e sempre perde quando colocada em um line-up mais forte. Não sabem montar set-list, alternam hits com músicas mais desconhecidas e causam bocejos algumas vezes.

Mas tudo isso não me impediu de chorar em This Modern Love, ou lembrar de muita coisa com Helicopter, balançar os quadris em Banquet, porque eu não rebolo e gritar em Positive Tension. Faltou no show o senso de urgência que a banda imprime no som dos Cds. Ficou monotono, mas, de certo modo, simplesmente eficiente.

Com ou sem playback, eu fiquei. Preferia que eles tivessem tocado o CD ao invés de uma sub-versão ao vivo. O show foi fraco. Pouca presença de palco, pouco envolvimento, set equivocado. 

O que fica é que Bloc Party não está aqui para salvar o mundo. Eles não decidiram ainda se o que tocam é rock, pop ou eletrônico. Estão sempre mudando. Se você gostou deles por Silent Alarm ou qualquer outro Cd, saiba que provavelmente a banda nunca mais vai voltar à este ponto. Cabe a você decidir se acompanha as mudanças ou se parte pra novos sons. O que não falta são alternativas. 

Contribuição de Felipe Torres





Virgem de Festival pede ajuda

6 11 2008

 

 

indie que é indie pede ajuda. e assume quando faz playback. mentchira!

indie que é indie é humildae e pede ajuda. e assume quando faz playback. mentchira!

Sou virgem de festivais. Nunca fui, nunca quis ir e agora vou porque o Bloc Party vai. Sempre achei meio coisa de micareta indie, cheio de gente drogada, bem-vestida, mal-amada, ouvindo bandinhas que ninguém ouviu falar.

Podia ser só preconceito, mas vou saber somente sábado após o Planeta Terra. Estranho saber que meu primeiro festival se chama Terra, que tipos é o nome mais simples dos simples dos kings dos blasé, mas tudo bem, vamos que vamos se não for tocar Loser Manos. Sim, estamos na pegada da rima pobre hoje.

O desafio será ir sozinho, sem ninguém, chegar sozinho, fazer o roteiro, abrir uma cerveja e tentar fazer amizade com o povo. Tá certo que ninguém ali vai pra conversar, mas aposto que esse povo todo tem orkut, msn, twitter e até facebook, então vamos socializar, Brasil. 

Depois de alguns episódios de Manuais onde ajudei manes e manuéis a se comportarem em eventos sociais, não faço a mínima idéia de como ir a um festival. Dei uma olhada em alguns antigos, daqueles que passam no canal Brasil, mas acho que tye-die ta fora de moda. Cabelos tipo “Meu nome é Gal” também. Logo, estou sem referencial.

Uso ou não chapéu? Vale óculos vermelho ou fica muito baiano? Cores ou p&B básico? All-star dá dor no pé depois de pular por “Everyday I Love You Less and Less”? Chamo um amigo? É mico ir sozinho? Levo meu CD do Bloc Party pra eles tocarem como playback no show? Arrgh. Me ajuda. Quem é você no Terra?





iPod Shuffle roubado, sim, de novo!

5 11 2008

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Depois de uma festa de Halloween indie com fantasias, bebidas e Klaxons, percebo na minha mochila que meu querido iPod Shuffle não está lá. Foi roubado por algum outro ladrão indie que levou consigo uma bela de uma playlist perfeita, mas tudo bom, tudo bem.

Eu e muitos outros, com a popularização da música portátil, nos acostumamos a ficar com os fones enfiados nos ouvidos, colocando um pouco de trilha sonora londrina nessa dura vida paulista. Se não há romantismo no Minhocão, Fiona Apple guia meus caminhos. Se o metrô tá lotado, Mika me deixa ver a vida mais divertida.

Um pouco de felicidade em mp3, uma vida em 2 gigabytes e uma grande chance de escapismo de um cotidiano chato. A distração, que vira mania, falam que até causa surdez. Mas a gente nem liga. Devem criar uma cura pra isso algum dia e as pessoas voltarão a ouvir. A não ser que surja um Ensaio sobre a surdez.

Para o que não há remédio é essa indiferença, esse mundinho particular. Não que não seja ótimo ir trabalhar ouvindo Coldplay, ir pra faculdade pulando com Bloc Party ou dormir com Snow Patrol. Mas, pouco a pouco, nos desligamos do mundo externo, dos outros, do que há no caminho.

A realidade não é bonita, sabemos. Há gente que usa pochete, corrente de prata grossa, regata, calça tactel, entre outros. Mas, mesmo assim, melhor encarar as coisas de frente e tentar ver porque é que a gente está aqui de verdade. Deixe de ouvir e cante as músicas que gosta.

Vamos deixar de ser esses jovenzinhos com seus fones de ouvido brancos estéreis. Não quero mais ser branco e estéril. Sem meu iPod Shuffle, estou mais colorido e de mente fértil. Pelo menos até comprar meu iPod Touch.





Ladrões, Medo e Daiane dos Santos

27 10 2008

 

Eu adoro fazer exames not. Mas como barriga doía a ponto de me atrapalhar ao dançar Joy Division e podia ser gastrite ou cirrose, resolvi marcar uma endoscopia para tirar a dúvida e um dia de folga do trabalho. Por mais invasivo que fosse, ouvi falar que a anestesia era bacana e dava um barato seguro e medicinal.

Na sala de espera, mães gordinhas, velhinhas enrugadas, um senhor que tinha cara de ser porteiro quando era vivo e eu, com meus fones brancos, ouvindo Intimacy do Bloc Party esperando que o CD se tornasse bom na 136º listening. O silêncio daquele lugar só era distraído pela voz da Sandra Annenberg e seu Jornal Hoje.

Entre jingles de Kassab e Marta na TV, o movimento do lugar foi aumentando lentamente. Como a estação Brás do Metrô, eu achei que o consultório já estava cheio até que a gente descobre que o que mais havia era lugar e muda nosso conceito sobre tempo-espaço. Pra mim, nunca me incomodou muito se o copo estivesse meio cheio ou vazio de água, mas preferia que fosse vodca.

Uma moça, provavelmente mãe de dois filhos pelo acúmulo de gordura na cintura, lia a revista Nova de 1996 do consultório. De onde eu estava sentado, via quem chegava ali pelo elevador e ela, à minha frente, tinha a visão inversa, enxergando o fundo do consultório. Nos olhávamos brevemente, trocando sorrisos curtos. Uma outra senhora sentava a seu lado, lendo um livro do Paulo Coelho, contida.

Tudo parecia bom, tudo parecia bem em um dia comum que eu chamo de quinta-feira até quando uma moça sai do elevador e simplesmente dá um grito. Eu me levanto para ver o que é, tentando enxergar o fim do corredor, pra onde a recém-chegada olhava, assustada.

Eis que a tal “mãe” me agarra, me põe entre seus peitos como Pamela Anderson fazia em tempos de SOS Malibu e me puxa pra trás de uma coluna de gesso, me escondendo. Confuso se estava sendo salvo, sequestrado ou sexualmente abusado, tento fugir, mas a mulher me segura e não me deixa ver o que estava acontecendo.

A outra senhora que lia Paulo Coelho deu um salto para trás do sofá e se escondeu. O pulo, digno de Daiane dos Santos, era causado pelo mais brasileirinho dos sentimentos: medo. O consultório inteiro se mexeu de repente, com pessoas se levantando e eu ali, sem saber o porquê.

Meu iPod Shuffle no chão, com o fio enroscado no cinto da mulher que me agarrou, tocava Franz. Eu me viro e ouço a mulher dizer: “ladrão”. Assustada, ela tremia e me segurava como se eu fosse um porto seguro. Coitada. Ao ouvir a palavra de cinco letras, tive um remember do meu último assalto e a meu killer instinct falou mais alto: me soltei, peguei um extintor de incêndio e fui ao encontro dos supostos ladrões.

A cena seguinte foi broxante. Eu entro na sala, com um extintor na mão e há um homem caído no chão. Não há sangue, mas pessoas estão em volta do rapaz, atônitas. O que aconteceu foi o seguinte: o homem, gordo e largo, sentou em uma cadeira de plástico. O assento foi cedendo, em camera lenta, cena vista pela moça que acabava de chegar pelo elevador. Ao ver o desastre iminente, ela deu um grito.

A mulher de seios fartos que lia a Nova, por um distúrbio de comunicação, ouviu a palavra “ladrão” e tentou se proteger e me proteger com meu corpinho magro e indefeso.  Sem graça, ela pediu desculpas por ter reagido daquela maneira e voltou a ler a velha revista Nova.

Minutos depois, com todo mundo mais calmo, coloquei o extintor no lugar e a velhinha sai de trás do sofá. Pergunto: “E a senhora, porque pulou toda acelerada?”

- “Ouvi a palavra BOMBA e pulei. Já pegaram o ladrão?”

Lembra daquela brincadeira infantil, telefone sem fio? Score.

 





Review: Tokyo Police Club – Elephant Shell

9 06 2008

Entre um dos melhores discos lançados em 2006, está o EP A Lesson In Crime dos canadenses Tokyo Police Club. Isso mesmo, um EP. Com uma roupagem moderninha, debruçada sobre o modismo que o Strokes lançou em meados dos anos 2000 – e remixada após Franz Ferdinand, Bloc Party e, principalmente The Rakes – o TPC recebeu da Rolling Stone americana o termo: a melhor banda neo-punk-post-anti-rock. Se já é difícil de ler isso, imagine para quem tentou enquadrá-los.

Lançaram até outros EPs, ainda mais compactos, mas não chamaram tanta atenção. Mesmo assim, conquistaram o coração de muitos críticos indies afora e foram apontados como a salvação do rock. Chegaram a tocar até aqui no Brasil, ano passado, no festival Planeta Terra. Nada melhor do que subir no mesmo palco que o CSS subiria mais tarde – cunhado de “Indie Stage” – para provar que uma banda não precisa necessariamente de um disco lançado para fazer sucesso hoje em dia, e sim de MySpace.

Mas voltando ao tópico desse post, esse quarteto canadense lançou recentemente Elephant Shell, o primeiro e tão aguardado disco da banda. São 27 minutos com 11 músicas rápidas e fortes, que lembram aquele pós-punk marcante em A Lesson. No mais, encontramos aquelas palmas que marcam tempos, uma percussão competente e as vozes de coro nos refrões. Cheio de referências à cultura pop, adolescência, as letras são tão bem escritas que nos fazem pensar se eles são muito melhores construindo ritmos ou escrevendo letras competentes. Temos como exemplos do primeiro caso como “In a Cave”, “Tessellate” e “Your English Is Good”; do segundo “Graves”, “Juno” e “The Harrowing Adventures Of…”.

Essa não é provavalmente a nova salvação do rock, mas sim da semana. Elephant Shell garante diversão para os amantes do indie-rock. E de malandragem, aproveitaram o hype para chamarem outras bandas para fazerem remixes das músicas desse disco, com Dntel e Tom de Los Campesinos! entre os convidados. Vale a pena conferir.

E se esse disco não fizer o sucesso que prometia, tudo bem. Eles já entraram para a história com A Lesson in Crime. Veja abaixo o primeiro sucesso deles, “Cheer It On”:





De volta à Era dos Festivais

1 06 2008

Psychocandy, o álbum mais famoso da banda que “reviveu” na trilha sonora de “Lost In Translation” de Sofia Coppola.

Não, não estamos falando de MPB. Mas ainda assim, ao que parece 2008 promete. Segundo Lúcio Ribeiro, colunista da Folha de São Paulo e puxa saco oficial de qualquer bandinha desconhecida, os organizadores do Tim Festival e do Planeta Terra preparam algumas surpresas pro fim deste ano. Para o primeiro, estão confirmados The Gossip, Klaxons, MGMT – para alegria das putaseviados </tedouumdado> de plantão, SANTOGOLD (who?) e Gogol Bordello (whooooo?). Na lista daqueles que foram sondados, mas sem confirmação, configuram Radiohead, Amy Winehouse, Mika, Beirut e Leonard Cohen.

PEB: Só eu acredito que a Amy não vem? E que se vier eu não vou poder passar pó nesse dia?

Já para o segundo, que esse ano parece vir finalmente disposto a desbancar o Tim Festival, as atrações prometidas incluem Kaiser Chiefs, Jesus and Mary Chain uhuuuu e Bloc Party. Este último tem em vista 3 shows, sendo um em Sampa, outro no Rio e mais um em Curitiba.

Off topic: boss, esta colunista terá um prazer quase que sexual em vê-lo chorar que nem uma menininha assistindo à “Um Amor para Recordar” no show do Bloc Party. Viva o Lucio Ribeiro, Viva o Brasil! </mode zé simão off>

Portanto, preparem os bolsos. Os gringos vêm aí.

Câmbio desligo.