Não é de hoje que a gente come moedinhas de chocolate que não valem nada e custam mais do que 30 centavos, feitas com o artificial chocolate de leite da Pan, recebe troco em balas vagabundas e semi-mastigadas e se contorce pra morder as balas de canela e Soft que assassinam crianças por esse Brasil.
O capitalismo está impregnado dentro da nossa cultura da glicose. Professores propõem nas escolas que crianças saibam assobiar e chupar cana ao mesmo tempo. Pais dizem, quando seus filhos enfrentam dificuldades, que rapadura é doce mas não é mole não. Mas porque tanto doce, minhagente?
Tanta comilança, além de trazer hiperatividade, causa cárie nos dentes. Aquele buraquinho escuro, pequeno que se forma no dente quando a gente come bobagem demais e escova os dentes de menos. Os dentes, como tudo nessa vida, inclusive os seios da sua tia velha, caem de acordo com a gravidade.
Quando somos pesquenos, nossos pais, principalmente as mães, nos enganam com a possibilidade da vinda de uma fada encantada que troca o dente caído por dinheiro. Nunca se fala exatamente quando realmente esse pequeno ser alado traz, mas creio que em tempos de crise não deve ser muito mais que 5 reais. Alguém sabe quanto tá valendo um dente?
As fadas não existem. A gente cresce e aprende que esses seres nada mais são do que alegorias, fábulas, parábolas que os pais e a sociedade contam pra nos ensinar alguma coisa, dar expectativa e nos frustarem com a verdade logo em frente.
O que é triste é que espero até hoje a tal fada do dente. Pela grana, sim, claro, mas não me chame de mercenário. Seria um conforto odontológico também. Como indie proletário e de poucos recursos financeiros, seria ótimo receber a visita da prima da Sinino para financiar meu o canal no meu lindo pré-molarzinho.
Ela poderia chegar, de mansinho e dizer: “Malz ae, cara. É culpa minha você estar com dor de dente agora. Toma aqui seu pirulito, seus 200 reais. To 15 anos atrasada. Beijomeligaquandotiverdesdentado“. Mas não. Nem pra isso essa vaca mitológica capitalista serviu. Se, como no Peter Pan, as fadas morrem quando a gente não acredita nelas, morra Fada do Dente, morra Julia Roberts como Sininho e todos os doces em forma de dinheiro. Nem te acredito. Real é meu cheque-especial.
