Como Sobreviver ao Divórcio dos Seus Pais sem Enlouquecer ou Enlouquece-los

10 09 2009

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Ok, seus pais se separaram e reclamar disso é algo que se fazia na época do ICQ. Antes que você resolva virar emo, com toda aquela raiva juvenil guardada desde que perdeu a virgindade com o vizinho caolho manco, saiba que não há nada mais década de 90 do que procurar psicólogo pra assimilar o fato de que seus pais não transarão mais. Aliás, tem algo mais aliviador do que pensar que isso não vai mais acontecer? Só de falar nesse assunto bizarro já dá calafrios.

Agora é preciso agir de modo racional. Se você é bonzinho, saiba que teus pais te considerarão um amigo a partir de agora. É bacana, eles pagarão cervejas pra você enquanto contam as mágoas, dizem que deveriam ter sido mais presentes e tentam te compensar com presentes. E você, por favor, aceite. Felicidade material não é tudo nessa vinda, mas paga a fatura do cartão de crédito quando a gente vende o que ganhou no Mercado Livre.

Se a idéia de ter duas casas parece ser interessante, há o contraponto. Passar dois Natais e comemorar o Ano Novo duas vezes faz a vida parecer passar mais rápido. A não ser, claro, enquanto você é beijado e abraçado por aquela tia gorda que cheira a batata e naftalina. Serão os segundos mais longos da sua vida, fato. E como parente esquisito é algo universal e democrático, a sua dose de personagens bizarros será dobrada.

Antigamente, filhos de pais separados eram tratados como problemáticos. Na minha escola, tinhamos um time de futebol próprio e chamar alguém de filho da puta era um problema sério já que o ofendido não podia retrucar com um: “vou contar pro meu pai”, já que o suposto defensor poderia concordar com o agressor. Hoje, são as crianças com mais Playstation e menos espinhos no rosto.

Por isso, como guia de sobrevivência, saiba que o momento pós-rompimento é extremamente importante para estabelecer como as relações entre você e seus pais serão. Não fique tão próximo, nem tão distante. Não vire o melhor amigo, mas não seja o filho indiferente. Isso faz diferença na verba disponibilizada para a mobília do seu novo quarto. Não dê chiliques. Deixe esse direito para eles. São eles que estão perdendo o sexo garantido, recurso principal do matrimônio. Se você tem irmão mais novo, passe segurança. Se tem irmão mais velho, não apronte. Ninguém poderá te proteger agora.

O ideal é perceber que nenhuma situação de conflito é permanente. Casamento não é a questão da Palestina e, a não ser que seus pais sejam homossexuais com nomes estranhos, não se trata de Israel e Ismael. Logo, o melhor é aguardar, poupar o drama para situações mais importantes na vida, como o primeiro chifre. Divórcio hoje é algo tão natural quanto o próprio casamento. Fique atento aos erros, aprenda com eles. Assim, um dia, você pode evitar o seu casamento, se for misógino, ou divórcio, se não tiver uma política bem estabelecida sobre traições e desentendimentos.

Em caso de dúvidas, NÃO consulte a Bíblia mais próxima. Ainda não implantaram o sistema wiki naquele documento e os grandes sábios eram um pouco conservadores em relação à esse assunto. Evite também a tia solteirona, a sogra mal-amada e o seu vizinho esquisito que parece amar a mãe e querer matar o pai.





Desabafo de Um Homem Comido Por Mulheres

25 08 2009
É assim que faz, minhas amiga

"É assim que faz, minhas amiga"

Há uma espécie em extinção: a dona de casa comportada.Talvez seja culpa de uma overdose de revistas Cláudia, Nova e outras que estampam na capa “40 maneiras de enlouquecer seu homem na cama”. Elas perceberam o sexo como uma forma de dominação. Trocaram Dona Palmirinha por Sue Johansson. Sai a receita culinária por uma porta, entra o desempenho sexual e a criatividade fetichista.

Se sexo deixou de ser uma palavra suja, o orgasmo se tornou obrigatório. Se antes, poder aproveitar de uma relação bem feita parecia golpe de sorte, vejo uma nova geração de menininhas que julga os homens pelo tamanho do que carregam em suas calças. E não estou falando do celular, nem da carteira.

Você já notou a quantidade de literatura voltada à esse assunto para mulheres? E revistas?Por que, olha, elas realmente leem enquanto a gente finge que lê o que está na Playboy. E não, filme pornô não é algo educativo. E aí, se homem é solteiro aos 40 anos, é encalhado e deve ter um penis pequeno. Se uma mulher é solteira na mesma idade, é seletiva. E ela ainda conta com o bonus de poder embarcar numa produção independente, enquanto a semente masculina não é capaz de fazer nascer nem pé-de-feijão.

Tendo isso em vista, é hora de deixar os preconceitos de lado. Por isso, é claro, mulher, se você quiser que eu vire  ‘dono-de-casa’, eu viro. Aliás, aproveite e passe o carro para o meu nome também. Se elas viraram verdadeiras amazonas corporativas, nós, por outro lado, temos o dom da malandragem no cromossomo X em dose dobrada.

Mas o mundo feminino é muito mais divertido. Homem que é homem não fala de sexo, só conta quem e como comeu. É hora de tratar esse assunto com mais leveza. No meio desses extremos de fetiche e reprodução humana, há algo que se espelha a um esporte que, bem ou mal, é praticado por todos. E se no futebol, natação e corrida, nós levamos vantagem, na cama estamos bem atrás. E acredite, a linha de chegada não é o orgasmo.





A Internet Matou o Pornô

13 08 2009

A internet matou o pornô. Sim, é verdade. Se você pensa que a grande rede foi a responsável pela divulgação livre de partes do corpo, está enganado. Ela reduziu a arte da excitação à exposição de corpos nus como pedaços de carne em galerias de fotos em sites russos.

Você se lembra das Playboys antigas, onde você comprava as revistas para ver 12 páginas de alguma aspirante a famosa nua. Sabe que hoje quer variedade. Jamais iria aguentar ficar vendo a mesma mulher pelada várias vezes em poses diferentes. Mesmo assim, nessa época, a gente ia para o jornaleiro de confiança, entregava o dinheiro da mesada e levava Glória Menezes em seus tempos áureos para casa.

Mais triste que isso era ficar esperando o Cinê Privê, que tinha a energia sexual de um programa de auditório. Cenas pseudo-sensuais, atrizes feias e músicas de péssima qualidade, hoje consideradas kitsch e adotada por bandas indies filandesas. Era o que tinha pra noite e resolvia o seu problema.

Pornô é algo que todo mundo já viu ou vai ver. Os mais ousados, fazem sua própria arte em casa, mesmo tendo a certeza que hoje, na era da informação, esse vídeo irá parar no Pornotube. A gente não conversa sobre isso, os pais fingem que não sabem e só vira assunto de rodinhas quando termina o Big Brother e a gente especula sobre qual a próxima gostosa a sair na capa da revista.

Quando surgiu a internet, a pornografia era um desafio. Você precisava se aventurar em sites de linguas diferentes, ver galerias bizarras com fotos em baixa resolução e montagens feitas em Paint Brush. Você baixava as fotos e guardava no computador, mesmo sabendo que nunca mais as veria porque figurinha repetida não completa álbum e você já ‘comeu’ mentalmente aquelas garotas.

Aí surgiram os vídeos. Primeiro, em baixa qualidade e modelos feias. Uma galeria exibia curtas-metragens com até 1m30s, exibidos como sequencias, apesar do erro de continuidade e trocas de cenários. A gente fingia que tava tudo bem, fazia parte da brincadeira aceitar aquilo como normal. Afinal, era pornografia, e reclamar dela é como bater na mãe por causa de mistura.

Então, apareceu a internet banda-larga, que explorou os limites da sacanagem. Se antes, entrar em uma vídeo-locadora e alugar um filme pornô era um ato de coragem, agora era possível baixar um longa-metragem e assistir em casa, no conforto do lar, sem ser julgado pela sua vizinha por entrar naquela sala pequena e escura do video clube. Tudo bem, o filme tinha 1h30min, mas a gente sabe que você não passsava dos 15 minutos inicias.

As redes sociais tomaram  conta da web e a gente quer agilidade e variedade. Fulano está ficando velho e quer resolver seus problemas em dois-cliques. Joga no Google e quer a musa nua em montagem perfeita. Achar amadoras em vídeos do leste-europeu e conseguir seu contato no MSN. Quer seguir no Twitter e gozar em 140 caracteres sem que isso seja chamado de ejaculação precoce.

A internet matou o pornô porque acabou com a curiosidade, com o tempo de espera. O instantâneo vulgarizou o que já era vulgar, expôs o mistério da sensualidade como vitrine de açougue. Não é funcional, não é sexy e, por isso, não tem mais nada a ver com sexo. Cadê a libido?





Promiscuidade Emocional e Como Não Ser Cachorro, Galinha ou pegador

27 07 2009
*** Lembram do Saulo Henrique Oliveira, vencedor da último concuso do PinkEgo, com um texto fantástico sobre Como Perder a Virgindade e a Vida Social Escolar? O cara é bom e está de volta com um texto novo, sobre promiscuidade emocional. Leiam:

Chega aquela sexta-feira, sem planos para depois do trabalho e você, que já está umas semaninhas sem dar uma bitoca, solta aquela meio desesperada para o seu amigo: “então, já que você tem tipo um encontro hoje porque você não fala para ela levar uma amiga?”. Seu amigo, que deve ter uns parafusos a menos para te dar ouvidos, propõe a idéia para a garota e ela bizarramente concorda.

Aí você ajeita os cabelos, checa o hálito, passa desodorante para dar aquele tapa depois de um dia de trabalho árduo e parte com coragem para o desconhecido. Desconhecido literalmente, porque seu amigo esqueceu de mencionar que era um encontro às escuras. Essa designação traz lembranças da última vez em que você foi arranjado para se encontrar com uma menina, e descobriu só na hora que ela raspava a cabeça. Mas é sexta-feira, você não tinha nada programado mesmo e um encontro às escuras parece mais promissor do que sua cama vazia. Fora que dois raios carecas dificilmente caem no mesmo travesseiro.

Impagável é a “cara de quem comeu e não gostou” do seu amigo quando você avista ele e duas raparigas esperando em um canto de estação de metrô. Pela expressão dele, você já tem plena certeza de que se meteu em uma furada. Com olhos de águia, faz uma rápida análise das acompanhantes. Uma é bem mediana, nenhuma beleza excepcional tanto de rosto quanto de resto. A outra já está um bocado abaixo da média, próxima daquele limiar que apenas os mais bravos e destemidos ousam cruzar. Pela formação que o trio apresentava, você já sabe dizer com um certo grau de certeza qual é a sua e qual é a dele. Realmente a situação não é lá das melhores.

Você chega com o maior sorriso estampado no rosto, cumprimenta a todos e se apresenta. Em meio as apresentações, de canto de olho, percebe que as meninas trocam cochichos e soltam risadinhas. Em contrapartida, seu amigo lhe passa discretamente aquele sinal de truco que quer dizer “fudeu”, em pleno e bom francês. Na verdade, o sinal de truco é só uma expressão de quem grita “socorro, me tira daqui”. Usando toda sua finesse de agente secreto, você faz o que qualquer homem de bom senso faria numa situação dessas e fala: “e aí? vamos pro bar?”.

No caminho do bar, rola toda uma segregação. As garotas seguem uns metros a frente e provavelmente tiram o atraso das fofocas. Você e seu amigo fazem o mesmo uns passos atrás, ora ou outra soltando comentários sobre o encontro às cegas não ter saído como o planejado. Seu amigo já rejeita qualquer hipótese de ósculo por parte dele. Como previsto, confirma-se que a garota mediana é o par do seu amigo e que lhe resta a outra guria. Novamente, o que você tem a perder? A solução lógica para essa situação desconfortável surge num passe de mágica quando vocês sentam na mesa do bar: “Garçom, me vê uma cerveja!”

Muitas conversas, copos de cerveja e um de dreher com cacau depois, o assunto passa a fluir bem e você se sente estranhamente atraído pela garota supostamente do seu amigo. Aquela de beleza mediana, que mostrou que tinha muito mais do que beleza, exibindo um papo legal, conteúdo, um sorrisinho matador e bochechas que ficam vermelhas quando constrangimento bate nas portas. Contudo ela também demonstra outra coisa: uma certa agressividade para com as escolhas amorosa do encontro dela, o seu amigo, um sinal claro de que ela nutre algum sentimento por ele. Quando você se dá conta, já é tarde demais e você se vê preso num triângulo.

Só que vai mandar seu coração ficar quieto! O carinha começa a bater cada vez mais forte no seu peito e o pior, você descobre que não, não é uma ereção. Surge de repente aquele frio na barriga e uma suadeira filha da puta. Você entra naquele modo bobo e infantil de ficar fazendo piadinha e irritando a moça para chamar a atenção e ver se ela para de perguntar do seu amigo. Nada. Você sente como se todos seus anos de prática na arte do xaveco escorressem pelo ralo, tipo aquele branco na prova de história da quinta série.

É nessas horas que você xinga cada átomo e molécula do universo por ter nascido tão emocionalmente promíscuo. Parece que é só a menina não ser careca, ter quase todos os dentes e mostrar uma conversa legal que seu coração já está lá, pulsando por ela. As vezes, você nem consegue ver nada demais na pessoa. Totalmente banal. Tipo, ela foi legal com você UMA vez e pimba, pulsação, suadeira e todo o resto. Você faz as contas e percebe que teve mais paixões do que ejaculações memoráveis. E isso definitivamente não é um saldo positivo.

No fim da noite, todos se despedem e vai cada um para o seu canto. Você passa a noite pensando na moça, sem entender muito bem o porquê. Decide se fazer de difícil e fingir que o encontro foi apenas um lapso. Dois dias depois quando ela te adiciona no orkut e te manda um scrap suas pernas ficam até bambas e você percebe o quanto você queria ter ido falar com ela e ver as bochechas vermelinhas de novo. Trocados scraps, mensagens e após um encontro ocasional no gtalk, ela fica perguntando demais do seu amigo e você percebe que ser emocionalmente promíscuo pode ser ainda pior do que você pensa.

Por que raios eu não fui nascer cachorro/galinha/pegador?





Sleep Drunk ou Vida Sexual Digital Aleatória na Madrugada

8 07 2009

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A internet realmente revolucionou o mundo. Criou amizades à distância, tornou possível ver pornografia sem que o jornaleiro soubesse algo sobre a sua sexualidade e até faz com que pessoas feias sejam famosas no meio digital.

Se, durante o dia, parece algo criado por Deus para que as pessoas sejam mais felizes e finjam trabalhar em horário comercial, à noite, a gente sabe muito bem que ela tem uma única finalidade: sexo (ou a procura do mesmo).

Eu sei que você é bem intencionado. Consigo imaginar seu quarto, a cama bagunçada, os sapatos jogados pelo chão e como você gostaria que tudo isso fosse um cenário pós-sexo. Mas não é. É apenas você, com insônia, procurando amigos para conversar.

Sei também que não é sua culpa quando você entra no UOL e ele oferece banners de sites eróticos com modelos da Playboy de 1988. Procura no Google por subitramina e ele te oferece camisinhas coloridas e os anúncios relacionados do teu Gmail trazem garotas de programa à preço de cesta básica. Soa tentador.

É quase possível sentir o cheiro do desespero. O Twitter fica mais sensual, aquelas pessoas ocupadas durante o dia se tornanm disponíveis no MSN e até mesmo os SPAMs ficam mais atraentes.

É como se, depois da meia-noite, a internet virasse um parque de diversões para insones. A gente sabe que não há nada melhor que aquele soninho pós-coito, mas se você não consegue dormir, conecte-se e adote um estranho. Tenha um papo estranho e depois diga que estava “sleep drunk”. Lembre-se: promiscuidade não existe, o que há é vida sexual aleatória.E quando é pela a internet, a chance de um carinho depois é maior. Deve rolar pelo menos um emoticon.





Como NÃO Flertar em uma Balada Indie

26 06 2009

Mesmo que balada indie seja um ambiente tão sexy quanto um orquidário em Brasilia, é possível encontrar o amor em um lugar que reúne xadrez e óculos sem lentes. Apesar da semelhança com festa junina, não há fogueira e é possível se jogar sem virar Joana d’Arc. Com o olhar um pouco atento, você pode observar a paixão surgindo em alguns cantos mesmo enquanto toca Klaxons.

Mas aí aparece o herói, aquele pequeno indie obstinado, que quer encontrar sair dali com alguém. Para ele, namorado de amigo é homem e, por isso, qualquer um pode se tornar um alvo fácil. No entanto, moleza não é alternativa, logo, é preciso conquistar alguém difícil e ele resolveu chegar no cara mais misterioso da balada.

Este cara se posicionava em um canto, fumando um cigarro de marca desconhecida, talvez, feito pela natureza. Olhar para ele era sentir a serenidade de um Clint Eastwood naqueles filmes que passam durante a madrugada na TV. Dava também para imaginar as bolas de feno passando, trilha country, vento do além. Blasé era pouco.

O herói tomou coragem em forma de vodca barata, engoliu a Natasha e foi.

Erro n.01: “Oi, tudo bem? De onde você é?”. “De longe…muito longe”, foi a resposta. Nunca pergunte de onde a pessoa é a não ser que ela tenha cara de gringa. Nesse caso, faça a pergunta em inglês ou espanhol. Eu costumo emular idiomas latinos quando desconheço a nacionalidade alheia. E acredite, quando alguém coloca reticências na frase, ele não está interessado e quando alguém diz que é de longe, a não ser que diga que é de “um reino muito muito distante”, não, ele não é o seu príncipe encantado.

Erro n.02: Nosso amigo resolve dançar perto na pista e observa que o forasteiro pouco mexe as pernas. Na verdade, o misterioso apenas balança levemente o corpo como se dançasse. Talvez fosse o álcool, mas certamente não era no ritmo da música. Eis que ele diz: “Calma, vai pra lá que você está muito perto, isso me irrita”. Além dessa frase identificar que ele não está acostumado com transporte público, mostra que seu corpo não está sendo bem avaliado. Nesse caso, não adianta fazer o garoto de mastro e encarar um pole dance. Tire o time de campo, com classe.

Erro n.03: Cansado de tentar agir sozinho, o herói pede amigo da cavalaria, que geralmente é composta por amigos que já beberam demais ou estão fora do mercado. O mais desinibido ajeita a camisa, injeta um pouco de ar na calça skinny e parte em direção ao escolhido para salvar o amigo: “Ei, gato…”. É interrompido. “gato não, porque gato é animal”. Tipo, FAIL. Sim, ficou feio. Sorria e acene e fique duas rodadas sem jogar.

Erro n.04: Última chance de jogar a simpatia, você não desiste. Compra uma bebida colorida para parecer descolado e toma de canudinho. Encara aquele sorriso super simpático de promotor de boa e solta: “Oi, tudo boooooommmmm?”. “Oi por que? Eu não te conheço, conheço?”. Hora de aproveitar a deixa do DJ e trocar de área da pista.

Acredite se quiser, há quem goste de estar solteiro, curtindo sozinho ou simplesmente não está a fim de você. Mesmo sem parecer, ele pode ser uma pessoa feliz, usar as suas endorfinas sexuais para o bem e a rabugice para espantar gente inconveniente. É uma prática de auto-preservação. E lembre-se: você não tem que provar nada pra ninguém. Preserve a sua integriodade. Caso contrário, nem São Longuinho vai te ajudar a achar a tua dignidade perdida no dark room da Tunnel. Sorry.

Dicas by MUFU, que, acredite, não era o herói!





Sincericídio – Como Matar Amigos e Desconhecidos com a ‘Verdade’

15 06 2009

“Nossa, essa foto é de quando? Três anos atrás? Ah, só dois meses?! Nossa, você tá bem melhor na fotografia, não? Uau, mas bem melhor na fotografia. E olha que era foto de máquina antiga, então nem rolou Photoshop. Essa vida corrida de hoje em dia acaba com a gente, não?”. E foi assim que minha mãe matou uma visita.

Toda mundo é um assassino em potencial e, para isto acontecer, basta abrir a boca. Não estou falando em crimes cometidos em atos orais mal-sucedidos ou mordidas de vampiro em pescoço, mas na forma mais antiga de se matar alguém: o sincericídio. Uma dose certa de verdade é capaz de acabar com a vida de uma pessoa.

Digo que minha mãe matou uma visita porque a senhora, retratada na foto, ficou realmente mal. Foi como se aquela sequência de frases desastradas tivesse feito com que ela percebesse o quanto envelheceu em pouco tempo. A tal fulana morreu em menos de dois meses. Há quem diga que foi em um acidente de carro, eu ainda acho que foi minha mãe.

Todo mundo gosta de “gente que fala o que pensa”. O problema é que gente pensa muita merda. Somos humanos, cometemos erros de julgamento. Muitas vezes, a sinceridade é usada pra disfarçar a grosseria. A pessoas diz, com aquele alívio incomum do “pronto, falei”, e quem ouve ainda deve agradecê-la por ter falado a verdade. Que nada. Muitas coisas não passam de ponto de vista e se o que você pensa não vai trazer um bem comum entre você e a vítima, não diga. Se falar algo vai apenas fazer com que o outro se sinta mal em troca do teu alívio, fique quieto, compre um sorvete e seja feliz.

Há dois tipos de sinceridade:

Sinceridade boa: quando um amigo te previne de sair de casa com um cachecol no verão porque está ‘friozinho’, quando tua mãe te avisa que você é feio demais pra aparecer na tv e que por isso deve fazer faculdade, quando o Windows pergunta “tem certeza que deseja desligar o computador” e você sabe que quer ficar mais um pouco ou quando a bula do remédio que você usa te avisa antes que os efeitos colaterais podem causar perda da libido.

Sinceridade ruim: quando o garçon pergunta se eu quero MAIS uma vodka! Mais uma? Quem é ele pra julgar o quanto eu bebo? E a moça do supermercado, que pergunta: “É só isso, senhor?”. Meu orçamento é curto, mas ela não precisa me lembrar disso. A sinceridade bancária também é ruim, porque ela não te trata com carinho. Em vez de dizer que você está devendo, ela fala, com todas as letras e numeros, o tamanho da sua dívida.

Eu, por exemplo, estou a beira de um sincerício sempre que o Gmail diz: “Você não tem mensagens novas”. Sou salvo da morte sempre que chega um SPAM pra me lembrar que eu existo digitalmente.





Cemitério dos Amores Não-Correspondidos

21 05 2009

Há algo de belo no Cemitério dos Amores Não-Correspondidos. Ele é teu, esse amor, e ninguém pode tirar isso de você. Não é incondicional ou sem limites. É simples: você pode amar a quem quiser, sem troco, sem volta. Afinal, você é o que você ama não o que ama você.

Mesmo assim, é possível revogar as palavras ditas e esconder os pensamentos. Gritar, bem alto: “Hoje, eu já não penso mais em você e me lembro disso todos os dias”. Ou pode ficar em silêncio, sabendo que, muitas vezes, quem cala produz prova contra si mesmo. Não há fórmula ou guia de sobrevivência.

Talvez você encontre uma forma de superar essa falta na décima-terceira colherada no pote de sorvete ou quando escrever 782 caracteres de uma carta de ódio e repúdio.  E, para mim, se engana quem diz que é preciso sofrer para ficar mais forte. Não é questão de sofrimento, não há redenção. Tampouco trata de força. É valor. Porque amor tem preço sim e vale exatamente o quanto você está disposto a gastar nisso sem medidas.

No fim, é questão de se preparar para estar disposto. É se resguardar para, em pouco tempo, estar de braços abertos para passar por tudo isso de novo. Se amar é se entregar, é preciso viver tudo. Cada segundo. E eu quero tudo. Não é sobre o quão forte você bate, mas como pode ser atingido e continuar seguindo em frente. E, acredite, você precisa estar disposto a ser atingido.

E quem diria que Rocky filosofa..





Saindo da Fossa: Procure a Doceria mais Próxima

4 05 2009

Precisamos reconhecer o poder terapeutico dos doces. Se uma panela de brigadeiro faz milagres e tira da fossa, camisinha com sabor é felicidade pra quem não é alérgico a frutose. Pra quem é chocólatra, Johnny Depp na Fantástica Fábrica de Chocolate é filme pornô.

Para quem pensa que o cômodo da casa onde se come oficialmente seja o quarto, já vi relacionamentos terminarem na cozinha, brigando em frente a dispensa. O pequeno armário, depósito de bolachas, doces e balas, era quase um closet para um casal que utilizava glicose como forma de esquentar a relação com danone e danete seguindo a rima. Um deles trocou sal por açucar, sem querer e quase matou o companheiro engasgado com pressão alta.

Quando eu era pequeno, felicidade se chamava Kinder Ovo. Eu era especialista em engolir o pequeno chocolate oval com surpresa e tudo e brincava de arrotar o brinquedo. Quando ia ao supermercado, minha mãe me distraía jogando Sparkies e Tic Tacs de longe, mantendo minha boca ativa e distraída enquando ela enchia o carrinho com coisas saudáveis e ruins. A coitada preparava refeições coloridas mas nada aquilo tinha sabor de corante e nem deixava a minha boca colorida.

Temo que o mundo esteja ficando chato. Barrinhas de cereal passam por apertivo e, por vezes, como refeição. Gente que acha açaí gostoso e não percebe o gosto de terra daquele semi-alimento roxo, com cara de emulsificado. Para mim, no máximo, parece produto capilar de cor duvidosa.

A seção de doceria foi tomada por produtos sugar-free. Tiraram todo o sabor da coisa. Dessa forma, para me divertir, vou ter que trocar o supermercado pela farmácia, com camisinhas e caixas de gardenal. Quem toma sorvete e não leite no café da manhã tem mais medo da diabetes e da gripe suína. Mais gostoso que menage à trois só dividir um bom pote de Haagen-Dasz com um amigo.

Para o Brasil, sugiro a bolsa-doce. Uma cesta básica contendo um verdadeiro kit-glicose. Doce é a solução para a paz mundial. As pessoas seriam muito mais felizes se comessem doces. Se o seu chefe estiver chato, enfie um pirulito na boca dele. Se o ex te incomoda, dê um pé-de-moleque na bunda dele. Por um mundo mais feliz, mesmo que com mais cáries. Aumente o consumo de cana e o lucro da Colgate. Coma e sorria. (Se for chocolate, cheque no espelho antes para não aparecer com dentes sujos). Vai dizer que você não olha um picolé e o ouve dizer: “me chupa!”?

PS: Tenho andado meio relapso com o blog, i know, mas o amor acabou e a mágoa voltou. Jornalistas mal-comidos escrevem melhor então esperem uma semana, um mês e talvez um ano lotado de posts.





Manual de sobrevivência para quem espera por um príncipe encantado

17 04 2009

por Cláudio Alves

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Somos parte de uma geração que viu desenhos em que o “…e viveram felizes para sempre” era o final de toda a história. Não nos importa se a Cinderela cansou do salto de cristal, se a Rapunzel não agüentou mais ter tanto cabelo e se a Bela Adormecida dormia 14 horas por dias após o casamento. Nosso final era aquele, e por isso começamos a persegui-lo com todas nossas forças (ok, elas costumam se esgotar rápido se você não carrega barras de proteína no bolso).

A busca é longa, we know, nós nos sabotamos no caminho, desenvolvemos planos mirabolantes para ter certeza de que a pessoa vai suportar tudo ao seu lado (o tudo quase sempre inclui muitos amigos seus e um ambiente bastante estranho a ele), fazemos joguinhos emocionais, fazemos drama..Enfim, fazemos tanto que até o Príncipe Felipe pediria para Malévola nos deixar dormir para sempre.

E no fim reclamamos, claro, afinal ele não era o cara ideal, você está cansado de buscar e quer que a pessoa suma para sempre. A revolta por ele não ter o cavalo branco é tamanha que você nem se deu ao trabalho de fazer aquela pessoa entender o quão incrível seria estar com você.

É, amigão. Tá na hora de mudar o jogo. Que tal fazer o papel de príncipe às vezes?

Por isso decidi entregar o ouro. Tá apaixonado por um cara que espera seu príncipe? Quer matar o dragão que fica na frente do castelo dele? Siga as 11 dicas básicas e faça com que qualquer pessoa que mordeu a maça envenenada dê uma abridinha no olho para saber o que está se passando.

1. Música é fundamental. Não force seu estilo, você não precisa ouvir Billie Holliday só porque ele achou incrível. Põe aquele cd de pop tosco velho e faça-o acreditar que a letra da música é incrível (mesmo que a letra diga “sou um trem quebrado de manhã, sou uma vadia de tarde.

2. Não saia do carro para abrir a porta. Não queremos, é cafona. Mas abra a maçaneta por dentro, para o outro só ter que puxar. Finge que foi para a comodidade do outro, sabe?

3. Se o outro disser “não sei o que faremos, não sei se quero peixe ou suflê” escolha por ele. Ok, gente indecisa é chato, mas às vezes a pessoa não sabe o que fazer. Leve-a e não pergunte. Só faça. E, se possível, surpreenda.

4. Mime. Ligações de madrugada agradam quando é sexta a noite. Ou se a pessoa não acorda cedo. Visitas quase inesperadas também (ligue antes para confirmar, nunca se sabe se a pessoa estará extremamente ocupada naquele momento).

5. Vi em diversos artigos sobre príncipes. E concordo: “Certas verdades não precisam ser ditas.”

6. Lembre do que a pessoa não come. Ou o que ela sempre come. Adiante-se ao avisar que o café dela tem que ter duas colheres de açúcar mascavo ou uma pequena de açúcar cristal ou qualquer detalhe do gênero. É atencioso.

7. Não fale de ex com rancor. Melhor saber que vocês viraram amigos do que saber que existe muito ódio. Porém, depois de ficar sério, fale que você detesta seu ex. É o melhor a fazer.

8. Pagar tudo não é necessário. Ok, a gente espera que isso aconteça, mas estamos em época de crise e a cidade tem muitas coisas gratuitas (caso nenhum dos dois tenha dinheiro). As vezes um passeio na Casa das Rosas é muito mais romântico do que ir no teatro e jantar no Terraço Itália (apesar de ser um encontro bom o bastante para você querer um diamante no dedo).

9. Termine um encontro no café da manhã. Pode não haver sexo. Mas veja o sol junto. Fale merda, abrace a pessoa.

10. Ache algo – qualquer coisa – e faça a pessoa guardar. Ou escreva algo – qualquer coisa – e coloque no meio da carteira dele sem ele ver. Isso faz milagres.

E a mais importante:

11. Não seja príncipe na cama. É este o momento certo de virar sapo, e só lembrar que é príncipe no dia seguinte.

PS: E se você cansar de ser Bela Adormecida, Cinderela ou Rapunzel, declare a Chapéuzinho Vermelho para a vida e dispense a procura pelo principe. Afinal, no final, ela é comida pelo lobo, casa com o lenhador e ainda fica com os doces que entregaria para a vovó.(comentário inapropriado por Felipe Luno.)





O Primeiro Teste: Viajando como Casal, Pijamas e Roupões no Hotel

15 04 2009
É quase um Big Brother particular. Ou 'little', dependendo do caso. Mas isso não importa...né?

É quase um Big Brother particular. Ou 'little', dependendo do caso. Mas isso não importa...né?

Primeira viagem como casal? Ah, que gostoso, sair da zona de conforto urbana e ver se a relação sobrevive à ação da areia e do sol. Conferir se o outro tem uma boa habilidade em passar protetor solar em suas costas, qualidade desejável em futuros maridos que não querem que você se queime pelas costas.

No entanto, ficar sozinho assim, logo no começo, pode intensificar aquelas coisinhas chatas que a gente finge que não vê pra falar que está tudo bem e não precisar voltar ao bate-papo do uol para caçar namoro. Fiquemos atentos aos detalhes. É melhor previnir do que tentar arranjar namorado comprando camisinha na farmácia mais próxima.

Tudo pronto, gasolina no carro e alcool no porta-malas. Logo cedo, levo minha primeira crítica: minha mala é grande demais e mal cabe no carro. Você, como eu, caro leitor neurótico, deve entender as razões de uma mala grande. Eu preciso ter opções. É preciso ter alternativas. Um ladrão chegar e falar: “e aí, cumpadi, quer morrer afogado ou queimado?” é uma coisa, é mais tranquilo poder escolher. Mas se ele vier e disser: “tu vai morrer agora à bala”, isso sim é desesperador.

Passado o estresse do embarque, encaramos o desafio do silêncio no carro. Preste atenção se ele batuca enquanto ouve Fergie no rádio. É um mal sinal. Beyonce é aceitável. Saber cantar alguma do NXZero vale menos 20 pontos e cantarolar Charlie Brown Jr. merece um acidente de carro gravíssimo como multa por mau comportamento. Valorize o silêncio, ele evitará que você diga bobagens e até soa confortável. Levei um livro, deixei-o no colo mas não abri, para parecer culto e ter opções caso o papo ficasse chato.

Até então, tudo ia bem. Minha companhia foi muito amável, vez em quanto tirava a mão do câmbio para colocar na minha perna e atropelou menos pombos na estrada do que faço com minha bicicleta na cidade. Eu esperava algo romântico como que me carregasse pelas escadas e se oferecesse para pagar a minha diária do hotel. No entanto, subimos de elevador e paguei a conta com tickets-refeição que economizei.

Chegando no quarto, já era noite e hora de dormir. Ou não. Nesse momento de indefinição sobre se ataco ou não ataco, resolvi desfazer as malas enquanto ele trocava de roupa. Fulano entra no banheiro e sai de pijama. De pijamas. Quer algo mais “não vou transar contigo” do que usar pijamas? Pior que isso, só se ele resolvesse cortar o mal pela raiz decepando o pênis e entrando para alguma seita budista ou simplesmente virando indie.

Hotel é a oportunidade de você usar pouca roupa e vestir roupão sem que isso seja socialmente reprovado. É quando a gente tem orgulho de vestir quase nada para atender a porta e constranger os funcionários da hotelaria, fazendo aquela cara de “eu estava transando e você interrompeu. No entanto, mesmo com essa chance de ouro, minha companhia resolveu usar um pijama. Semi-pijama, já que se tratava de uma bermuda velha e uma camiseta que dizia vestibular “Uninove 2005. Matricule-se já”.

Mesmo com tantos pontoss negativos, aos poucos, a situação foi se tornando mais aceitável quando percebi sua tolerância pelo meu medo de chinelos de dedo e pavor de grãos de areia. São poucas pessoas que tem coragem de ficar ao lado de alguém quando este usa sapatos na praia. Deve ser amor.

Foram apenas três dias, ou quase 72 horas bem aproveitadas. O tempo passou rápido e eu quase nem percebi que tinha perdido um episódio do Zorra Total. Ele ficou bravo quando descobriu que comprei metade da feirinha de artesanato, aumento o PIB da cidade em cerca de 22% mas o enganei jogando Dan Tops em sua direção.

E mesmo com os surtos paranóicos, ligações escondidas, toalhas roubadas do hotel, declarações escatológicas de amor e celulares atirados pela janela, tudo foi bem, a tudo isto sobreviveu e tem, por bem, atrapalhado em muito a minha criatividade para postar. Afinal, reclamação, ironia e celibato imposto pela sociedade sempre foi meu forte. Como mulher de malandro ou simplesmente Alanis Morissette, estou à espera de um bom pé na bunda para escrever melhor. Até lá.





Como Escapar da Depressão Pós-Coito sem Cartão de Crédito

31 03 2009

 

*Texto de Bruno Galhardi, segundo colocado na Promoção do PinkEgo. Coleciona serras circulares, é viciado em comprimidos e trabalha com mentiras.

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“Quando o pau fica duro, o miolo fica mole”

G. A. Matiasz

Na real, eu sofro de uma depressão pós-coito fudida. Não estou falando daquela preguiça e vontade de dormir após o ato. Falo daquela vontade ABSURDA de evaporar no instante seguinte.

E veja, não é algo relacionado com amor. A reação pode acontecer, em variados níveis de intensidade, com aquela namorada por quem você é apaixonado loucamente ou por aquela profissional da Rua Augusta que te enrolou e levou todo seu dinheiro por uma transa ruim.

Seja como for, é algo que incomoda muito, a ponto de, por vezes, bater um arrependimento. Acredito que o Vaticano teria muito mais sucesso em coibir o sexo casual elaborando uma cartilha sobre os males da depressão pós-coito. Ficaadica ao Bento XVI.

Enfim, todo essa intro tosca para explicar que esse problema já me trouxe muitos problemas. O desespero de sumir me leva a desordens de toda a sorte. Esquecimentos, lamentações, culpa por sentir culpa, e tudo mais que um sociopata terminal de responsa pode ter.

Lá estava eu num sábado pela manhã, com um telefone nas mãos. Pensei: “Por que não?”. Liguei para a garota, arquitetando os planos para o dia (e isso é o mais INCRÍVEL de tudo: como você se transforma de um ardiloso calculista inteligentíssimo nos momentos que antecedem a coisa toda para um debilóide depressivo depois de tudo, sem nem mesmo ter ido a um show do Radiohead na vida).

Cinema, cerveja, amenidades e, enfim, chega a hora derradeira. “A gente pode terminar essa conversa em outro lugar”, ela sugere. “Sei lá, tipo uma banheira de hidromassagem”. Acende-se a luz amarela, e já dá aquela vontade de fazer um exame de sangue no dia seguinte. Na dúvida, vale tomar um banho antes, e outro depois, mas enfim, assim é a vida, vamos nessa. 

Depois de uma transa que, se fosse musicada pelos Raimundos (com Rodolfo), teria um verso como “Eu sei, você é bonita, e tem sempre razão, mas acho que seu aparelho prendeu minha circulação”, a bad vibe começa. 

Texto por Bruno Galhardi, segundo colocado na promoção do PinkEgo.

Aliás, deve ser por isso que a maioria dos filmes pornôs termina nessa hora. Na real, nada mais patético do que aquilo: você com o pinto na mão, a garota com uma cara de satisfeita, que quase sempre é falsa. Um cigarro é praticamente uma tábua de dignidade no meio do mar de desespero e indiferença em que você se meteu (durma com essa, Thom Yorke!).

Ah, meus senhores, mas a CILADA estava apenas começando. Após o banho regulamentar, e o furto de shampoo perpetrado pela garota não menos regulamentar, já estava no carro acelerando loucamente.

Sério, tava um DANO CEREBRAL feelings, eu queria sair dali o mais rápido possível, era incontrolável. Mas opa, fanfarrão, cadê o cartão? E dinheiro é algo que não faz parte do meu nécessaire.

Aí, meus amigos, fudeu. Senti a gotinha de suor pingar do rosto. Barrado na saída, sem cartão ou dinheiro, acompanhado de uma periguete furiosa no banco do carona, me senti dentro de um dos melhores remakes de Porky’s.

Volto pro quarto, reviro colchão, toalha, tudo. E, vale lembra, a nóia da depressão pós-coito começa a bater fundo. E começam a rolar as acusações. “Você pegou meu cartão de propósito! Devolve!”. Carinho é isso.

Quando já estava puxando pela memória aquele texto do Hunter Thompson em que ele foge de um hotel em Cozumel sem pagar uma conta de 500 doláres, me rendo à realidade. Sim, ligar pra alguém que possa pagar a conta, me tirar de lá e, com sorte, que tenha uma Magnum .357 para me dar um belo tiro na nuca.

Fato é que, após longas e constrangedoras ligações, me tiraram de lá. Pouparei os detalhes porque constranger e chantagear terceiros é meu trabalho, e esse texto aqui é hobby. O cartão? Achei no dia seguinte, embaixo do meu banco. Lamentável.