Há aqueles que se afogam em culpa, mergulhados em arrependimentos e tristezas. Com mágoa até o pescoço, são incapazes de dar um passo em direção à costa. Eu resolvi nadar e escrever um SOS bem grande na praia. Mas não espero salvação alheia. Não torço por respiração boca-a-boca. É hora de secar ao sol e andar na areia.
Eu não sei gostar. Acredite, isso é pior do que não saber amar. O amor é algo mais raro, leva mais tempo e é direcionado. O gostar é comum, faz parte da rotina apreciar a alguém ou a alguma coisa. Eu queria a calma e o tranquilo conforto de quem sabe onde está. De quem sabe curtir as coisas como elas são, de ter um pouco de surpresa, em vez de enfrentar frustrações cada vez que as coisas não saem como planejado. Em aproveitar as coisas como elas são, não como poderiam ser.
E para isso talvez seja preciso guardar as expectativas dentro de uma caixa. Você pode abrir, vez ou outra, pra arrumar a rota e lembrar do que realmente te faz falta. O que não dá é se aprisionar dentro desse baú de memórias não-vividas. Criar duas vidas paralelas: a que acontece, e a que falta.
Nessa intensidade de querer tudo ao mesmo tempo, de precisar de provas, atitudes, declarações, manifestos, acordos, relatórios e feedbacks, sobra pouco espaço para o espontâneo. Sobra pouco espaço para o acaso. E aí, nesse caso, o caminho é sempre certo: todas as suas relações se parecem umas com as outras porque você age da mesma forma.
Então é preciso romper o padrão. É hora de se expor, de aceitar que ninguém morre de amor, que é possível acreditar nas possibilidades, que a vida é baseada em sintonia e que é assim que as pessoas e situações são atraídas à você. E que a base disso é não deixar perder o aprendizado do que já passou. Aprender a perdoar não é livra o outro da sua mágoa, é cicatrizar a própria ferida. É desfazer o nó.
Sempre se pode culpar ao outro por não corresponder as expectativas, por não indicar caminhos claros de como as coisas serão daqui pra frente e por omitir verdades. Eu resolvi aceitar pra mim que, na maioria das vezes, as pessoas não vão agir como eu quero. E que aí, dado o resultado dessas ações, cabe a mim decidir se posso conviver com o que se passa, ou se trata de algo inaceitável. Em basear o futuro em escolhas, e não expectativas.
Parece que quem procura se encher daquilo que lhe falta acaba encontrando mais espaços vazios do que aquele que transborda daquilo que lhe satisfaz. Não quero pra mim complementos, muletas, não quero preencher os espaços vazios. Quero estar cheio e abundante daquilo que me faz bem.
Se você está na praia, você sabe onde está. É naquele trecho do mapa, exato ponto, que une o azul ao amarelo, o mar à terra, o contorno da costa. Não há trilha fácil. Se vai caminhar pela areia ou pela água, a escolha é sua.
“Eu resolvi aceitar pra mim que, na maioria das vezes, as pessoas não vão agir como eu quero. E que aí, dado o resultado dessas ações, cabe a mim decidir se posso conviver com o que se passa, ou se trata de algo inaceitável.”
Filosofia de vida que sigo desde 2006.
Ótimo post.
Tenho um problema com as expectativas. Mas tô melhorando sabe, tô respirando mais.
Excelente texto, PARABÉNS. De fato, viver de expectativas é deixar de viver.
adorei, adorei e adorei. saudades suas
Huauu.. um dos melhores post que já li. Parabéns! =)