Motéis são divertidos, hotéis são legais. Apesar do nome parecido, são duas noções diferentes de serviço de quarto, a não ser que você tenha tido uma experiência parecida com a minha.
Feriado prolongado em São Paulo, um pouco de dinheiro no bolso e um amigo e eu resolvemos fugir um pouco da monotonia paulistana típica da ausência da labuta proletária. Como a verba não era extensa, o destino tinha que ser próximo: Campinas. Hotel barato, duas camas de solteiro e dessa vez, meu amigo não levou um pijama anti-sexo, escrito: “Vestibular 2006 Uninove, Matricule-se Já!”
Final de noite, balada por lugares desconhecidos, bebida para fazer amigos e, tentando ser sociável, percebi que estava apresentando meu próprio talk-show entrevistando pré-universitários alcoólatras e plantas ornamentais. Era hora de ir embora. Ou para o próximo bar.
Voltamos ao hotel e eu perdi na disputa dos palitinhos. Fiquei encarregado de subir e pegar o GPS para encontrar o próximo destino. Entro no hotel, tonto de bêbado, com a seguinte estratégia: passar pela recepção em linha reta, o mais rápido possível, para não demonstrar o meu grau de embriaguez.
Pulo no elevador e, logo em seguida, antes que a porta se feche, entra um cara alto, meio forte, de cabelo enrolado, tomando uma água. “O Diabo bebe Prata”, penso, fazendo uma piadinha com o nome da garrafinha de água que só fez sentido naquele momento. “Ah, vai para o 13º andar também?”, diz ele. Eu sorrio, digo que sim enquanto o elevador sobe em espiral.
Educado, digo um “boa noite”, vou para o quarto, entro, localizo o GPS e abro a porta para sair. Aí a surpresa: o fulano está parado, na porta, com o “documento” em mãos e pergunta: “E aí, você gosta de uma rola?”….Eu fico branco. Após esse microssegundo-michael-jackson, eu balanço a cabeça, começo a tremer e falo que NÃO. Ele balança o negócio, como quem finge jogar uma bolinha para um cachorro e pergunta: “Tem certeza?”.
Era o típico prelúdio do estupro. Eu tinha tomado vodkas demais para me defender com propriedade e não tinha crédito no celular para pedir socorro. Era preciso fugir. Saí correndo pelo corredor do hotel gritando a melhor desculpa que conheço para espantar desconhecidos feios: “Eu estou acompanhado! To acompanhado!”.
Seria a salvação. Entrar no elevador, descer, entrar no carro e fingir que nada aconteceu. Mas não. Eu tinha esquecido a porta aberta. E o fulano continuava lá, parado, em frente a porta porque sabia que eu tinha que voltar.
Nesse momento, fui coberto de uma genialidade e malandragem espontânea. Eu teria que atuar, meus amigos. Era preciso dissimular. Se eu fizesse cara de pânico, ele poderia entrar no quarto e nunca mais sair de lá. Ensaiei uma caminhada sexy. Apliquei ali tudo que aprendi com America’s Next Top Model. Sorrisinho maroto. Olhar 43. Chego perto, coloco a mão na barriga dele, bato com o GPS no pau dele, fecho a porta do quarto e saio voando, correndo, gritando: “Tarado! Tarado! Tarado!”.
Desci na recepção e reclamei com o gerente. Agora pasmem: não havia ninguém hospedado no 13º andar além da gente. Meus amigos acharam que dei uma de Tarso Cadore depois da sibutramina. Eu não tenho dúvidas. Eu sei que aquele “Você curte uma rola?” foi de verdade. Não há experiência em pornografia que poderia me proporcionar a imaginação de criar aquele negócio balançando sem ver nada. Por sorte, não aconteceu nada. Isso que é serviço de quarto.
::
Faltou partes descritas no Burn Book Live MSN, mas ficou ótemo! XD
::
::
Faltaram, analfabeto. Faltaram partes…
XD
::
Era grande pelo menos?
/aloca
Gostaria de ver o andar sensual, estilo America’s Next Top Model…kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
a única maneira de me ver com esse andar ela me perseguir por um hotel. isso não vai acontecer de novo. acho. espero. rezo.
daí, lê esse texto com a chefe na sala e não ri…
não é pra mim. hahaha.
(gosto de como você narra porque faz com que eu imagine cada detalhe, hahaha. )
bem vindo à campinas.