E-dating: a dificuldade de conseguir um namoro pela internet – Parte 2

23 10 2008

 

Quando a coisa fica feia, realmente frouxa, pior do que descrevemos no começo dos últimos posts, você percebe que está sozinho, de coração endurecido, bolso vazio e zíper aberto. Sem ninguém para amar, cansado dos pares imperfeitos que encontrou nos sites de relacionamento da internet, como em uma novela do Manuel Carlos, você pensa em apelar e ligar para o CVV.

Antes de se fechar no quarto com caixas de Dan Top e barris de Coca-Cola e cometer um suicídio diabético, nosso herói Fernando resolveu se entregar à primeira forma de fazer amigos pela internet. E não estou falando daquele horrível mIRC, que os jurássicos apenas se lembram, mas do famoso, bom e velho Bate-Papo do UOL.

Aproximadamente 54,78% da experiência de relacionamentos iniciados ou mantidos pela internet se baseia no seu nickname, ou nick, ou apelido para os leigos (caso esse seja o seu caso, por favor, clique aqui). Esse nome que você escolhe, de poucas letras e muita personalidade, é o que vai te acompanhar por um bom tempo.

Se te falta aptidão social e sobra apetite sexual, como no caso de Fernando, tente apelidos diretos, como o clássico Gatinho23aSP. Já falou tudo: status de beleza, idade, sexo e local. Foi o que nosso amigo fez e entrou na sala do Por Idade, do UOL.

Não é fácil hoje em dia puxar papo nas salas. Aboliram o famoso “oi, quer tc?”. Agora já se pede logo o MSN da pessoa e a página nada mais é do que um grande vazio onde as pessoas conversam no reservado. Sem falar nos bots, claro, que disparam spams com sites de pornografia e a administração do UOL lembrando que pornografia infantil é crime.

Eis que, de repente, Gatinha23aSP entra na sala. Se ela tinha o mesmo nick que eu, só poderia ser a minha cara-metade, como é dito em letras de pagode e no alcorão baiano. Coisa do destino.

Puxei assunto, de forma tranqüila, perguntando onde morava em São Paulo, que tipo de música ouvia e o que gostava de fazer. Infelizmente, ela não gostava de piña coladas, nem de ser pega de surpresa pela chuva, mas tudo bem, nem tudo é música.

Continuar o papo era um desafio. A gente nunca sabe que tópico abordar. Cinema é uma arte ingrata. Não importa quantos filmes você já viu, sempre haverá vários que você nunca ouviu falar. E tenha certeza: esse assunto vai vir a tona justamente quando você estiver por fora, pra ficar na periferia do papo, com cara de sulfite A4 branco.

Com mais intimidade com a Gatinha, resolvi passar o meu MSN e levar nosso relacionamento para o próximo nível na internet. Se correr tudo bem, eu colava o link do meu orkut na conversa e a gente já ficaria mais íntimo. Até amigo. Adicionar na crush-list, poder stalkeá-la e acompanhar os scraps. Descobrir a sua senha, quem sabe…

Risadinhas e emoticons rolando, a conversa fluía bem. Hoje é tão difícil conhecer alguém assim, tão parecido com a gente, com o mesmo tipo de humor, visão de mundo, ambições, perspectivas…dá até uma certa dúvida, uma inquietação.

Essa desconfiança era sexto – sentido. Quando passei meu telefone, Gatinha se apresentou. Seu nome era Renato, tinha 27 anos, 20 centímetros e era gay. E ativo. Na dúvida, resolvi passar. Há amor online?


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5 respostas

23 10 2008
Marcela

Nossa, eu nunca respondo os com nick de Gatinho, Gostoso, Sarado, e etc…

24 10 2008
Nádia:::

Sou gatinha, tenho 22 e tb moro em SP, quer ser meu amigo?

24 10 2008
brunogalhardi

Na dúvida, crie um blog com textinhos marotos e aguarde comentários. Dizem que funciona, se vc é adepto da zoofilia.

16 03 2009
Denise Moura

Hahahahahaha! Muito bom! Mas sabe que para mim tem dado certo? Tá bom, tá bom, os caras quase sempre mentem, mas quase sempre não é sempre. Vale a pena tentar pela experiência e pelo assunto do post.
rsrsrsrsr

23 07 2009
Ms. Jackson

Bah! Se tem uma coisa que eu penso que não funcione é essa coisa de sala de bate-papo! Qualquer um pode estar mentindo e a outra pessoa nem sabe… Sem falar que, geralmente, as únicas coisas que se vê dos outros são “bandalieras”! (é assim a ortografia disto?)
Se há amor na net? É possível, sim! Conheci meu namorado por acaso no orkut de uma colega minha (minha colega e eu frequentávamos um curso de Italiano e pensei q ele tb pudesse ser do msm curso, já que havia escrito uma msg com algumas coisas no idioma) e começamos a nos falar por orkut. Depois passamos para o msn, até que nos encontramos pessoalmente. E o melhor de tudo é que somos incrivelmente parecidos! Coincidência? Sorte grande? Destino? Talvez possa ser tudo isso, mas sei que fui muito sortuda!!

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