O “Fim dos Tempos” dos bons filmes de Shyamalan

13 06 2008

Nesta sexta-feira, 13 de junho, estréia aqui no Brasil e nos EUA, o novo filme do diretor indiano M. Night Shyamalan, chamado “Fim dos Tempos” (The Happening). Além de ter um dos nomes mais complicados do show business, a produção conta também com Mark Wahlberg, Zooey Deschanel e John Leguizamo.

O roteiro começa sem aviso - estranhas e perturbadoras mortes com as dúvidas sobre seus motivos, tentando trazer terror e medo em um thriller que fala sobre um colapso do comportamento humano. Injetando elementos de suspense, sustinhos para os desprevenidos, a testa franzida de Mark Wahlberg e uma cara insossa de espanto de Zooey, “Fim dos Tempos” nunca chega a fazer ninguém pular da cadeira de susto. Na verdade, esse pesadelo sem fim dá vontade de levantar e ir embora.

Não é de hoje que o escritor e diretor M. Night Shyamalan segue formulaico em um formato que ele mesmo criou. Roteiro que começa lento, segue apoiado em personagens coadjuvantes enquanto o ator principal interpreta alguém sofrido, com um passado duro e algo a provar. Há lição de moral, suspense para segurar o espectador e aquilo em que ele se especializou como ninguém: finais inusitados, diferentes dos demais de Hollywood. Mas diferente não precisa ser, exatamente, crível.

Em “O Sexto Sentido”, “Sinais” e “A Vila”, Shyamalan já havia abusado do recurso de reviravoltas e detalhes sem sentido exibidos ao longo da história, mas que, ao fim, fazem sentido para justificar as ações das personagens. Funciona, muitas vezes funciona. Mas a partir de “A Vila”, a coisa começou a descambar. Apesar de um fechamento mais “pé-no-chão”, a formula já dava sinal de cansaço. O filme, um labirinto de idéias desconexas, diálogos soltos e frios e uma atuação abrilhantada pror Bryce Dallas Howard, desagradou até fã xiitas do diretor.

Mas nada, nada, se compara a “A Dama na Água”. Apresentada como uma bedtime story escrita por ele, o indiano fã absoluto de Steven Spielberg, criou uma aventura que pudesse reunir elementos do mundo real e de um paralelo, fantástico. As reviravoltas são tantas a ponto de confundir o mais interessado dos cinéfilos. O filme parece primário, mal escrito, sem qualquer compromisso com a razão e senso de história. Soa  como uma adaptação de um livro de prateleira infantil seguindo o modelo da Jornada do Herói. Shyamalan errou a mão, mais uma vez. E feio.

O que mais assusta nessa sexta-feira 13 é ver como um diretor que havia revigorado o gênero do suspense com novas idéias de história, sustos e medos, se tornou prisioneiro de suas próprias formulas. Confundiu liberdade criativa com falta de compromisso com o storytelling e se perdeu. O resultado é desastroso. Shyamalan, fique duas rodadas sem jogar, por favor.

PEB: E esse pessoal não engana a gente não. Apesar da indicação ao Oscar por “Os Infiltrados”, Mark Wahlberg ainda é Marky Mark, cantor pop que fazia shows sem camisa e o não-ator de “Planeta dos Macacos”. Zooey Deschanel como cantora indie-folk convence tanto quanto Scarjo, ou seja, not so much. E John Leguizamo pode estar velhinho, mas ele ainda é “O Peste”, daquele filme que passava tanto no SBT.


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5 respostas para “O “Fim dos Tempos” dos bons filmes de Shyamalan”

13 06 2008
Felipe Luno (11:18:01) :

PEB2: E essa mania PERTURBADORA do Shyamalan de aparecer em seus filmes. Péssimo, péssimo! Vai trabalhar, mané.

13 06 2008
Má. (12:24:20) :

Adorei…
Realmente 2 rodadas sem jogar no mínimo!

13 06 2008
Señor Montero (19:51:04) :

Sinceramente, sou um dos fãs xiitas do Shyamalan. Como um cinéfilo de carteirinha, talvez “Dama na água” seja um dos filmes que eu mais seja reprovado por gostar. Realmente, os trejeitos do Mr. Night são diferenciados. É triste e ao mesmo tempo agradável que os filmes dele caiam fora do gosto popular. No meu caso, adoro ficar caçando a hora que ele vai aparecer nos filmes (como por exemplo a aparição sutil em “A Vila”). O elenco do filme realmente deixa a desejar (Mark Wahlberg? Can someone teach this guy how to act, please?), com exceção do John Leguizamo, que na minha opinião foi injustiçado pelo PEB. Certamente, “O Peste” não foi lá merecedor de nenhum Oscar. Mas nos poucos episódios de E.R. em que ele apareceu, o cara deu um show de interpretação.

17 06 2008
Fábio Cardoso (11:46:59) :

Odiei muito esse filme. Conseguiu ser pior que Dama D’água.

29 06 2008
PriS (18:19:47) :

Apesar de todas as críticas que li até o momento e de todos os filmes do M. Night Shyamalan nenhum me decepcionou, muito pelo contrário todos os filmes me reservaram uma agradável surpresa, mesmo em “Fim dos Tempos”, que teve em seus primeiros minutos um desagradável “bombardeio” de suicídios. Claro que não podemos comparar com “Sinais” (que tenho pra mim como o melhor filme do Shyamalan) ou mesmo com o “Sexto sentido”, filmes com atores consagrados pelo cinema. Mas mesmo com todos os agravantes de um “filme B”, tenho “Fim dos Tempos” como um filme com a originalidade que só poderia esperar do Shyamalan.

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