É tempo de cair na estrada

3 06 2008

Christopher McCandless e sua versão cinematográfica, respectivamente.

Les temps sont difficiles pour les rêveurs. E por isso mesmo, nunca se falou tanto em cair na estrada - sintoma do escapismo dessa geração. O recém lançado (e aqui comentado) “My Blueberry Nights” de Wong Kar-Wai mostra sua protagonista atravessando os EUA na tentativa de curar uma dor de amor, da mesma forma que o jovem Che Guevara de Walter Salles em “Diários de Motocicleta” escolheu para conhecer as entranhas - ou nas palavras de Eduardo Galeano - as veias abertas da América Latina.

Não importa qual seja o pontapé inicial, todos acabam por seguir os passos da mais famosa produção da geração beat: “On The Road” de Jack Kerouac. Ele, poeta maldito de suas próprias agruras, passou anos na estrada para compor a obra, que reza a lenda, foi escrita em apenas 20 dias - fast because the road is fast. O livro retrata toda a ânsia de viver dos jovens no pós-2ª Guerra e o clássico “American Dream”.

Seguindo este mesmo sonho estava Christopher McCandless, cuja história de vida deu origem à “Into the Wild” de Sean Penn. O filme, baseado nos escritos deixados por Christopher, narra sua trajetória desde a saída de casa, logo após o termino da faculdade em Maio de 1990 até Agosto de 1992. Sem afetações, com paisagens bonitas e frases fortes, a película cativa; deixando o espectador em carne viva, completamente exposto às emoções e à aventura particular do protagonista. A moldura é dada por Eddie Vedder, que construiu uma trilha sonora crua e tocante especialmente para o filme.

Como diretor, Sean Penn revela-se hábil em conduzir cada um ao seu extremo selvagem, às suas próprias buscas, a se encontrar. Porque afinal, quando se cai na estrada, não é essa a verdadeira finalidade?

Câmbio desligo.

Nota PEB: Les temps sont difficiles pour les rêveurs (”São tempos difíceis para os sonhadores”) - Jean-Pierre Jeunet, Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain, 2001.


Ações

Informações

8 respostas para “É tempo de cair na estrada”

3 06 2008
Felipe Luno (17:37:17) :

mal posso esperar para a adaptação que Walter Salles está há anos para fazer de On The Road. Será em preto-e-branco. Durantes muitos anos, Johnny Depp esteve cotado para o papel. Por agora, acho que Emile Hirsch cairia bem.

3 06 2008
Señor Montero (22:54:51) :

Honestly, Dreaming is all I’ve got. Diga que meus tempos são difíceis. Eu lhe replico lembrando que as estradas mais díficeis de trilhar são aquelas que levam aos melhores lugares.

3 06 2008
Mariana (23:59:49) :

reply 1: Johnny Depp e ninguém tasca.

reply 2: indeed.

9 06 2008
Rafa (21:54:31) :

ê filminho bom..

11 06 2008
Cesar (09:54:52) :

Gostei da resenha, foi escrita de forma a tornar o assunto interessante e agradavel ao leitor.
Nao li muitas resenhas sobre o Into the Wild, mas todas aquelas que li fazem links/analogias para aspectos/movimentos que nao sao determinantes sobre o que aconteceu ou sobre o que realmente trata o filme…
Kerouac, ok, Guevara, ok, Wong, ok também, afinal o filme pode mesmo remeter também a essas referencias, mas e o transcendentalismo norte-americano? Thoreau, Emerson etc. E os escritores “aventureiros-naturalistas?” London, Twain etc. Pois muito mais do que contracultura, o filme retrata algo que aconteceu nos anos 90 mas que tinha raizes e inspiraçao em outros movimentos, em outros acontecimentos, de mais de um seculo atràs…
Resumindo, McCandless nao tinha em mente Che ou Kerouac, ele tinha lido Thoreau, London, Twain e outros tao velhos quanto, e esse foi o seu contexto (por isso o titulo…).
Engraçado como a critica conseguiu encontrar tanta proximidade com a contracultura, deixando de lado o universo apontado pelo filme…
Nada pessoal. Repito a resenha é bem simpatica.

11 06 2008
Mariana Araújo (22:51:45) :

O que eu queria era realmente fugir do óbvio (que pra mim seria citar o que o influenciou). Mas parece que foi exatamente onde caí, não é?

Talvez porque a contracultura seja a minha tendência em particular…

13 06 2008
Cesar Zanin (20:10:08) :

Eu tentei mas nao encontrei seu email…
“(…)todos acabam por seguir os passos da mais famosa produção da geração beat(…)”; “Seguindo este mesmo sonho estava Christopher(…)”:
Olha, sinceramente nao consegui perceber a sua inteçao de fugir do obvio. Parecia mais uma associaçao entre o filme e as citaçoes usadas. Mas nao quero criar mais inimizade do que ja devo ter criado por ter me manifestado… Provavelmente quem escreveu as outras resenhas que li queriam mesmo fugir do obvio, assim como voce, nao citando as influencias que o proprio Penn citou no filme.
Para eu superar a culpe besta por esse meu “policiamento inutil”, passo aseguir alguns links para clipes legais que achei no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=O-V_sInAw5M
http://www.youtube.com/watch?v=9BGERrPCic8
http://www.youtube.com/watch?v=waWGnTbVIEE
Ciao!

14 06 2008
Mariana Araújo (00:10:10) :

bons os vídeos.

é, quem sou eu pra agradar a todos. se eu conseguir captar alguém, já tá bom.
não se preocupe, não criou inimizades. é sempre bem-vindo pra expressar suas opiniões aqui.

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags : <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>