Novo Endereço

9 10 2009

Pra relembrar, o PinkEgo mudou de casa, tá mais bonito e precisa que você atualize seus ‘favoritos’

O endereço novo é www.pinkego.org

Você pode atualizar seu feed RSS aqui: http://feeds.feedburner.com/PinkEgo

Qualquer dúvida, deixe um comentário!

PS: Essa versão do site ficará no ar apenas até o dia 15 de Outubro.





Casa Nova, Cara Nova e Atualizações

2 10 2009

Quase um ano e meio de blog, mais de 50.000 visitas e é chegada a ora de usar endereço de gente grande! Agradecemos o tempo que passamos aqui no wordpress, mas agora o PinkEgo será acessado pelo endereço: www.pinkego.org

Para que a mudança não pegue ninguém de surpresa, os textos ficarão por aqui até o dia 15 de outubro. Mas não se acomode! Atualize seus favoritos e o seu feed pra continuar recebendo as atualizações normalmente:

RSS: http://www.pinkego.org/bog/rss.xml

Logo mais tem post novo, gente nova e algumas seções e serviços diferentes!

Sim, estou animado. Não, não é perspectiva de sexo. Pare de especular e acesse o site.





Ao Vencedor, as Batatas ou Como Deixei de Fazer uma Entrevista

30 09 2009

Há pouco tempo, uma família estabeleceu o seu ganha-pão por meio da venda de batatas-fritas. As três crianças, com menos de 12 anos, descascam o tubérculo em tempo integral, a mãe frita em óleo diesel e o pai, para negar o ócio, conta as pequenas notas e guarda no caixa o que sobra de tudo que é gasto no bar da esquina.

Se qualquer nutricionista teria um ataque epiléptico em observar o overdose de gordura e a falta de higiene, a fila estava cheia de proletários cansados, motoristas de lotação e seus uniformes verdes e estudantes procurando por carboidratos e ataques cardíacos. Era a receita do modesto sucesso desta praça.

O pai vestia uma jaqueta do Sebrae, que dizia Gestão Empreendedora. Parecia a ironia personificada, registrada em carteira como hipocrisia de um mercado de trabalho falido. As crianças não usavam muita roupa, mas o calor do fogão não permitia que ninguém passasse frio. Vez ou outra, uma batata pulava do óleo e mãe alimentava um cachorro que costumava perseguir jornalistas curiosos naquela praça. Mais manso, me poupou de corridas e parei de levar pequenos pedaços de bife nos bolsos para distraí-lo.

Paro em frente, peço uma porção. “Média, por favor”. Recebo um copo plástico, mergulhado em um líquido viscoso. As batatas estão cobertas por maionese, catchup e mostarda e o cenário de uma chacina numa feira de legumes em forma de copinho. O garfo acompanha e o suco é grátis, tudo por R$ 2,00.

Rezei, pedi perdão pelos meus pecados e dei a primeira garfada. E não era ruim. Em algum lugar, aquilo tinha gosto de comida. Talvez fosse a tão falada “sustância”. O peso do alimento serviu pra calar meu estômago de qualquer ronco. A fila que caminhava atrás de mim também calava o julgamento de que eu estava agredindo meu próprio corpo pela boca.

Havia sido uma experiência social, eu não morri e estava pronto para repeti-la.  Resolvi que era a vez de chegar lá e fazer mais perguntas para aquela família. Consultar a mãe sobre se ela se preocupava com a saúde alimentar dos filhos, se o paisabia que esse tipo de comércio é proibido e se as crianças frequentavam a escola. Eram as dúvidas de quem sempre se preocupou mais com a sua alimentação do que com a dos outros.

Então foi naquele ponto de venda de batata, em um pote cheio de condimentos e gorduras, que eu vi que os pequenos estavam, de fato, mais gordinhos, e que a mulher parecia mais feliz. Talvez porque seu marido frequentava cada vez menos o bar das esquina, mais ocupado em contar as notas e pensar em comprar um carrinho maior. Senti vergonha. Se isso não é gestão empreendedora, eu não sei o que é. Era hora de encarar que eu havia perdido. As minhas perguntas não importavam mais. Eu havia sido preconceituoso. “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.





Nós falhamos.

28 09 2009

Nós falhamos. Falhamos em doar atenção e vender esperança a quem precisa. Em manter as ovelhas perdidas próximas ao bando. Em ser menos boca e mais ouvidos. Em compreender, não apenas entender. Em julgar, e não confessar que nossos pensamentos também já passaram por lá. Cada fuga é uma perda. Cada recusa é um atestado de nosso erro como sociedade. Estamos esquecendo dos meios necessários para que todos, e todos mesmo, se sintam parte do processo. Quando remédios são combustíveis e psicólogos são muletas, é fácil esquecer que a dor é o mais democrático dos sentimentos. E nessas horas amar ao próximo é tão horrível quanto incesto. Um estupro à individualidade. Uma decisão solitária. Como se as experiências não fossem todas compartilhadas. Como se o eu não fosse revelado junto ao outro. É nesse conflito que nasce a personalidade de cada um. Naquilo que me agride, o que me ofende, o que me repulsa, o que me entedia, o que me enoja, o que me falta. Será que temos as condições necessárias para nos mantermos vivos e conscientes? Menos confiança, mais amor. Estamos falhando. Estamos perdendo e não falamos sobre. A socieade da infomação se cala, esconde os números. Salva o choque, mas esconde a reflexão. E essas pessoas vão, uma a uma, escapando de nossas mãos, em um eterno e longo caminho solitário de quem preferiu partir à acompanhar essa viagem.





Sobre Como eu Roubei uma Empregada

23 09 2009

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Assédios sexuais em elevadores, mulheres que andam de salto e causam enxaquecas, brigas conjugais por roubos de chip, crianças que choram demais, moradores que pisam na grama, carros mal-estacionados e monopólio da churrasqueira costumam ser os principais motivos de briga no condomínio onde eu moro. No entanto, tudo assumiu uma proporção frente ao problema maior: eu roubei uma empregada.

Não é fácil chegar em casa e sentir aquele cheiro de comida gostosa pronta. Eu não sou casado. Minha mãe trabalha e meu cachorro não cozinha. A rotina é simples: chegar em casa, pegar o arroz, colocar no microondas e fritar uns nuggets. Não sou uma pessoa menos feliz por isso. A praticidade roubou a realidade de uma boa refeição pré-sono, eu sei, mas seria injusto bater na minha mãe por causa de comida. Prefiro dedicar outros motivos a isso.

Sendo assim, é uma afronta ver que meu olfato era aguçado pela casa ao lado. Encontrar os moradores daquele apartamento de manhã no elevador era insuportável. Aquela cara de bem comidos, sorriso no rosto, barriguinha que não ronca e outras  características de quem dedica a mesma atenção à cama e à mesa. Isso tinha que terminar de algum modo. Não é inveja. É igualdade social.

Logo, resolvi investigar. Se fosse a mulher que cozinhasse, ofereceria sexo gratuito em troca de comida. Se fosse o marido, eu comprava um livro de receitas. Ou o contrário. A responsável pelas refeições daquela casa era uma moça que se chama Roberta* (*nome fictício para defender a sua integridade física e moral). Fiz a Roberta uma proposta que ela não poderia recusar: trabalhando em minha casa, ela não precisaria limpar ou atender o telefone, bastava fazer as melhores refeições do mundo. Compensei a lealdade com algumas notas e logo ela se mudou para a minha casa.

Os primeiros dias foram uma maravilha. Roberta chegava cedo, fazia o café da manhã e eu me sentia num comercial de Doriana. O relacionamento familiar melhorou e até meu cachorro passou a ser alimentado diariamente. Minha mãe se sentiu um pocuo desprestigiada, mas as porções de bolinhos de chuva faziam qualquer um engolir o orgulho com gosto.

Quando tudo vai bem, o caos se aproxima. A contratação de Roberta gerou um mal-estar. Os moradores do apartamento, que perderam os serviços da moça, se sentiram lesados. Cortaram relações conosco e não nos convidaram mais para festinhas no salão de festas do prédio. Além disso, contrataram uma outra empregada, de um outro apartamento. Isso gerou em efeito em série, gerou uma alta no mercado especulativo de empregadas ao ponto de que muitas passaram a semana em suas casas, de folga, selecionando propostas.

Pessoas com fome tendem a ficar mais agressivas e o síndico convocou uma reunião. Após uma sessão tensa, com ameaças de morte e prestação de contas sobre licitações duvidosas de compra de samambaias artificiais, ficou estabelecido: “Nenhum morador está autorizado a contratar qualquer tipo de prestador de serviço que atue na residência de outro condômino. E pisar na grama continua proibido, exceto o responsável pela limpeza da placa de “Proibido Pisar na Grama” por motivos óbvios”.

Continuamos com Roberta. Com o tempo, ver a casa desarrumada não compensava mais ter as refeições de uma novela de Manoel Carlos. Era desconfortável sentar no lixo empilhado e brigar com as formigas por um pedaço de pão. Tentamos renegociar, mas Roberta estava acostumada com o conforto proletário ali estabelecido. Era hora de mandá-la embora. Chamei para conversar e dispensei a moça. Ela chorou um pouco, eu chorei mais e ouvi a barriga roncar. Era a aposentadoria do meu olfato e a certeza do fim de uma era de benção alimentar.

Para quem ficou triste, Roberta logo foi recontratada pelo apartamento vizinho, que dispensou a sua empregada, que voltou a trabalhar no apartamento antigo, que também mandou a diarista anterior embora. Hoje, o síndico pensa em convocar uma nova reunião para decidir se as despesas com as demissões podem ser incluídas no condomínio em forma de rateio. Prefiro gastar meu dinheiro na linha de congelados Sadia.





Menino da Lua

23 09 2009

por Renan Marin

Sobre todos os dias inquietos, dias de calor infernal e de batucar em mesas e estantes. Dias iguais, diferentes, dias de céu azul, dias que só acontecem aqui, dias de quem não tem tempo pra pensar, dias pra achar desculpas, pra fazer pratos gelados de doce para após o jantar.

Sobre todos os dias que encontramos as desculpas mais absurdas apenas pra justificar nossa falta de vontade, nosso fraquejar. Sobre as músicas que ouvíamos e deixamos de ouvir, sobre a rádio que cansamos de sintonizar, sobre as pessoas que continuamos amar, sobre os passos que poderíamos ter dado e não demos. Sobre o fim de tudo, os princípios que existem desde que o mundo é mundo, sobre a camisa mal passada, sobre contar o que sonhei a noite pra ele, que sempre estará ali pra escutar.

Sobre banho de mar.

E também sobre os domingos de sol, comer fruta embaixo de árvore e sentir formiga beliscando a bunda, sobre feridas que cicatrizam, pois elas sempre cicatrizam. Sobre provas que tinham semblante de piores do mundo, sobre deitar no chão do quarto com a luz desligada e esperar o tempo passar. Sobre os perfumes característicos das épocas dele, sobre presentes que comprávamos quando o dinheiro era fácil, sobre beijos escondidos e amores platônicos que seriam pra vida toda até o próximo amor.

Sobre velhos amigos, sobre filmes que todos viram – menos você, sobre como pessoas significam mesmo através dos anos, sobre o primeiro fio de cabelo branco, sobre credibilidade e a possibilidade de esgotamento desta, sobre listas de supermercado, festas nos apês.

Sobre Brasil, London, Amsterdam, NY. Sobre o que está longe, o que está perto, o que desejamos, o que perdemos, o que nunca ganharemos, o que sonhamos, o que comemos, o que sangramos, o que acreditamos.

Sobre nós dois.

O futuro, o ontem. O que se passa e o que jamais irá acontecer. O que planejamos.

Sobre o que lembramos, sobre a vida e o que ainda viveremos nela.

Sobre ele, o menino luno, da lua. Que eu amo, e que jamais vai sair da minha vida.





Confissão de um assassino indie

18 09 2009

Tinha uma banda que eu gostava. Os caras eram locais, do meu bairro. Tocavam bem e era agradável. Até a minha barba por fazer coçava menos. Era uma influência meio Talking Heads, com algo da geração britpop dos anos 90′. O vocalista tinha um toque meio Damon Albarn e usava óculos de armação grossa. Era bacana, descolado e tinha pernas finas. Eu ouvia suas músicas da janela do meu quarto e parecia ser a trilha sonora dos meus dias, como se eles tocassem só para mim. Era uma versão indie da rádio Alpha FM que embala meus dias proletários no trabalho. Deixei de bater na minha mãe, diminuí as doses de Tarantino por dia e passei a ler menos Kafka. Até a MTV parecia menos ruim. Eles eram bons, só eu conhecia. Tão meus. Mas essas coisas não duram. Eles criaram uma página no MySpace e eu sabia que era o começo do fim. Eles estavam começando a se vender e perder a magia por dinheiro, fuckin’ money! Se queria grana, eu poderia entregar minha mesada mensalmente. Depositar em sua conta bancária ou pagar em bala! Não precisavam tentar o sucesso. Afinal, o que ele proporciona? Boas festas, garotas fáceis e uma vida fútil? Será que eles não aprenderam nada com Time To Pretend do MGMT? Eu via todos aqueles garotos de camisa xadrez e garotas de vestido de polka floodando a página dos meus artistas com mensagens de identificação e pedidos de show! E eles eram meus, sabe? Meus! Minha banda numa rede social, prestes a adentrar no caminho mainstream. Logo logo estariam formando bandas internacionais ou namorando menores de idade. Eu precisava agir antes que isso acontecesse. Não podia admitir que eles fizessem show para uma casa lotada, com quase 1.000 pessoas, cantando canções tão minhas. Tão nossas. Só nossas. Tomei a minha dose matinal de Sucrilhos com Gardenal, peguei uma fita K7 e um revólver 38, super vintage. Saí de casa com um propósito e determinação de A Noiva, de Kill Bill: manter os meus desejos indies intactos. Eu invadi o ensaio da banda na garagem. Fechei as portas. Apaguei as luzes. Brilhei no escuro porque tenho um passado clubber e fiz com que tocassem 4 músicas para mim. Inéditas. Como se fosse um EP. A voz assustada do vocalista sob a mira trêmula de um ruivo magrelo apontando uma arma era sensacional. Era única. Gravei em K7, que já tá bem old school. Vinil já deu o que tinha que dar. Ao final da gravação, dei um tiro no vocalista, na baterista e torturei o baixista com sessões de Coldplay sem fim. Segui a ordem da discografia e quando chegou em X&Y ele já havia se matado enforcado com uma echarpe indiana. Sentei. Coloquei a fita K7 no tocador em volume super alto. Ouvi sirenes da polícia lá fora e decidi que a cadeia não seria meu lugar. Meu rosto fica pálido em mugshots, não se usa xadrez na prisão e listras não favorecem o meu quadril. Deitei-me ao lado do amplificador, tirei do bolso uma faquinha de cortar rocambole Panco e cortei meus pulsos durante 12 horas ao som da minha EP favorita. Ah, o nome da banda e das músicas? Não falo! Elas são minhas! Google me, baby.





Como ir ao Hospital, Sobreviver à Medicina e Não Morrer

16 09 2009

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Ainda dá pra acreditar na medicina, levando em conta a enorme taxa de mortalidade nos episódios de ER e médicos muito mais preocupados em fazer sexo em Grey’s Anatomy? É claro que são altos os numeros de casos não-diagnosticados e classificados como virose! Virose nada mais é do que o vírus de Resident Evil, contaminando humanos que se tornarão morto-vivos (por que não se fala zumbi) comedores de cérebros.E, acredite, essa multidão, com raiva e ressentimento, vai se encaminhar ao hospital mais próximo para se vingar dessa galera que veste branco. Nem pai de santo estará a salvo.

Recentemente, com febre alta e dores de cabeça forte, resolvi ir ao hospital. É triste perceber o descaso com o qual você é tratado se não tem gripe suína. Aqueles com coriza e tosse eram levados para uma sala vip, com máscaras coloridas e TV de LCD. Eu fiquei na sala de espera, dividindo meu assento com uma velhinha com incontinência urinária.

Meu mundo girava enquanto uma estagiária de Medicina checava meus sinais vitais. Sim, eu estava vivo, apenas entediado com a programação vespertina da TV aberta. Desconfiaram de meninginte, minha nuca estava rígida e eu fiquei com vergonha de avisar que poderia ser apenas desconforto causado por horas excessivas no computador.

Você percebe que algo perigoso se aproxima quando muita gente vem falar sobre o mesmo assunto contigo. Três enfermeiros vieram me avisar e informar sobre o procedimento do colhimento de líquor, que é um líquido que eu nem sabia que tinha na espinha. E todos concordavam em uma coisa: é um procedimento dolorido.

Menos dor, mais constrangimento, afinal, um enfermeiro segurava minhas pernas, em posição fetal, enquanto uim médico enfiava um cano grosso e comprido nas minhas costas. Nem doeu, mas evitei dar qualquer gemidinho de dor para não perder a moral e o respeito com meus colegas de ambulatório de observação. Estavam todos acompanhados e eu ali, twittando os procedimentos hospitalares.

Descartada a meningite, o médico desconfiou de um possível aneurisma. Pediu exames neurólogicos e fiquei com medo que ele lêsse esse blog. Fez alguns testes, me encaminhou para a tomografia e agora eu tenho uma linda foto-comprovação de que tenho um cérebro. E ele é grande e bonito! Tentei xavecar algumas enfermeiras, mas elas perdem o respeito por você depois de aguardar na salinha ao lado enquanto você faz exame de urina.

Sem doenças mais graves, fui rebaixado no hospital. Trocaram a minha pulseira amarela por uma verde. Agora eu era considerado tão doente quanto a samambaia seca que decorava a sala das enfermeiras. Tomei medicação na veia, fui levado de cadeira de rodas até o carro e encaminhado para casa deitado no banco de trás. Perdi o acesso ao café expresso da sala dos médicos e trocaram minha enfermeira por uma mais gorda.

Após o exame, tive que ficar 24 horas deitado e é incrível perceber como o teto do seu quarto fica mais interessante nessas condições. Aproveitei o tempo suspenso para pedir desculpas à desafetos, formular xingamentos à novos inimigos e ligar para Whoopi Goldberg, informando-a sobre a minha doença e a deixando responsável por mais informações caso eu decida ver Jesus mais de perto.





Como Sobreviver ao Divórcio dos Seus Pais sem Enlouquecer ou Enlouquece-los

10 09 2009

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Ok, seus pais se separaram e reclamar disso é algo que se fazia na época do ICQ. Antes que você resolva virar emo, com toda aquela raiva juvenil guardada desde que perdeu a virgindade com o vizinho caolho manco, saiba que não há nada mais década de 90 do que procurar psicólogo pra assimilar o fato de que seus pais não transarão mais. Aliás, tem algo mais aliviador do que pensar que isso não vai mais acontecer? Só de falar nesse assunto bizarro já dá calafrios.

Agora é preciso agir de modo racional. Se você é bonzinho, saiba que teus pais te considerarão um amigo a partir de agora. É bacana, eles pagarão cervejas pra você enquanto contam as mágoas, dizem que deveriam ter sido mais presentes e tentam te compensar com presentes. E você, por favor, aceite. Felicidade material não é tudo nessa vinda, mas paga a fatura do cartão de crédito quando a gente vende o que ganhou no Mercado Livre.

Se a idéia de ter duas casas parece ser interessante, há o contraponto. Passar dois Natais e comemorar o Ano Novo duas vezes faz a vida parecer passar mais rápido. A não ser, claro, enquanto você é beijado e abraçado por aquela tia gorda que cheira a batata e naftalina. Serão os segundos mais longos da sua vida, fato. E como parente esquisito é algo universal e democrático, a sua dose de personagens bizarros será dobrada.

Antigamente, filhos de pais separados eram tratados como problemáticos. Na minha escola, tinhamos um time de futebol próprio e chamar alguém de filho da puta era um problema sério já que o ofendido não podia retrucar com um: “vou contar pro meu pai”, já que o suposto defensor poderia concordar com o agressor. Hoje, são as crianças com mais Playstation e menos espinhos no rosto.

Por isso, como guia de sobrevivência, saiba que o momento pós-rompimento é extremamente importante para estabelecer como as relações entre você e seus pais serão. Não fique tão próximo, nem tão distante. Não vire o melhor amigo, mas não seja o filho indiferente. Isso faz diferença na verba disponibilizada para a mobília do seu novo quarto. Não dê chiliques. Deixe esse direito para eles. São eles que estão perdendo o sexo garantido, recurso principal do matrimônio. Se você tem irmão mais novo, passe segurança. Se tem irmão mais velho, não apronte. Ninguém poderá te proteger agora.

O ideal é perceber que nenhuma situação de conflito é permanente. Casamento não é a questão da Palestina e, a não ser que seus pais sejam homossexuais com nomes estranhos, não se trata de Israel e Ismael. Logo, o melhor é aguardar, poupar o drama para situações mais importantes na vida, como o primeiro chifre. Divórcio hoje é algo tão natural quanto o próprio casamento. Fique atento aos erros, aprenda com eles. Assim, um dia, você pode evitar o seu casamento, se for misógino, ou divórcio, se não tiver uma política bem estabelecida sobre traições e desentendimentos.

Em caso de dúvidas, NÃO consulte a Bíblia mais próxima. Ainda não implantaram o sistema wiki naquele documento e os grandes sábios eram um pouco conservadores em relação à esse assunto. Evite também a tia solteirona, a sogra mal-amada e o seu vizinho esquisito que parece amar a mãe e querer matar o pai.





Bebendo com: Blindness

27 08 2009
Se o Herchcovitch pode beber em Blindness, você também pode.

Se o Herchcovitch pode beber em Blindness, você também pode.

Ensaio sobre a Cegueira, filme do Fernando Meirelles baseado no livro homônimo de José Saramago já chegou nas locadoras faz um tempinho, todo mundo já viu, dá pra baixar no Pirate Bay ou comprar no “camelot” mais próximo yatta yatta yatta.

Para tornar esse filme perturbador e cansativo ainda mais interessante, vamos propor um Drinking Game, uma nova categoria do PinkEgo, assim, só por diversão, pra ver gente cega andando por aí e dar risada sem medo de ser politicamente incorreto como a gente gosta. Afinal, se você ficasse cego de um dia para o outro, provavelmente teria seus instintos primitivos reforçados, certo?

Mas antes que você pegue sua venda de sex-shop e ache que isso aqui é um pequeno sex game, acalme-se. Certifique-se de que há bebida suficiente, amigos divertidos, copos de plástico e tesouras sem ponta. Tenha compaixão das personagens do filme e aproveite a experiência:

Beba sempre que:

- Houver cenas de violência

- Alguém ficar cego

- Alguém cair

- Alguém bater em uma parede ou objeto parado, por acidente.

Beba uma dose dupla sempre que observar…

- Uma caixinha de comida

- Um carro abandonado

- Uma cena fora de foco

- Alguém pelado ou parcialmente pelado (e vale a cena do chuveiro)

Beba sempre que alguém dizer:

- “Comida”

- “Cego”

- “Quarentena”

- “Ala”

Tome um copo de água quando…

Alguem recuperar a visão

Lembre-se: consumo exagerado de álcool leva a uma cegueira temporária. Grave estas palavras em braile em sua mão: “eu não estou cego, apenas bêbado”.





Desabafo de Um Homem Comido Por Mulheres

25 08 2009
É assim que faz, minhas amiga

"É assim que faz, minhas amiga"

Há uma espécie em extinção: a dona de casa comportada.Talvez seja culpa de uma overdose de revistas Cláudia, Nova e outras que estampam na capa “40 maneiras de enlouquecer seu homem na cama”. Elas perceberam o sexo como uma forma de dominação. Trocaram Dona Palmirinha por Sue Johansson. Sai a receita culinária por uma porta, entra o desempenho sexual e a criatividade fetichista.

Se sexo deixou de ser uma palavra suja, o orgasmo se tornou obrigatório. Se antes, poder aproveitar de uma relação bem feita parecia golpe de sorte, vejo uma nova geração de menininhas que julga os homens pelo tamanho do que carregam em suas calças. E não estou falando do celular, nem da carteira.

Você já notou a quantidade de literatura voltada à esse assunto para mulheres? E revistas?Por que, olha, elas realmente leem enquanto a gente finge que lê o que está na Playboy. E não, filme pornô não é algo educativo. E aí, se homem é solteiro aos 40 anos, é encalhado e deve ter um penis pequeno. Se uma mulher é solteira na mesma idade, é seletiva. E ela ainda conta com o bonus de poder embarcar numa produção independente, enquanto a semente masculina não é capaz de fazer nascer nem pé-de-feijão.

Tendo isso em vista, é hora de deixar os preconceitos de lado. Por isso, é claro, mulher, se você quiser que eu vire  ‘dono-de-casa’, eu viro. Aliás, aproveite e passe o carro para o meu nome também. Se elas viraram verdadeiras amazonas corporativas, nós, por outro lado, temos o dom da malandragem no cromossomo X em dose dobrada.

Mas o mundo feminino é muito mais divertido. Homem que é homem não fala de sexo, só conta quem e como comeu. É hora de tratar esse assunto com mais leveza. No meio desses extremos de fetiche e reprodução humana, há algo que se espelha a um esporte que, bem ou mal, é praticado por todos. E se no futebol, natação e corrida, nós levamos vantagem, na cama estamos bem atrás. E acredite, a linha de chegada não é o orgasmo.





Uma Ofensa, Tarso Cadore e a Cabeleireira dos Infernos

21 08 2009
Uma Ofensa Disfarçada de Bilhete

Uma Ofensa Disfarçada de Bilhete. Die, Diva, Die.

Tem dia que a gente acorda, chuta o cachorro e sente que só uma overdose de Rivotril pode fazer o trabalho ser mais passável. Mesmo assim, é preciso tomar banho, escovar os dentes, pentear o cabelo e todas aquelas outras coisas que não são necessárias para se tornar o campeão do reality show A Fazenda.

E é fato, quanto mais você tem consciência sobre o seu estado, mais você se preocupará com ele. Foi assim comigo. Saí de casa correndo, atrasado e mal sobrou tempo para me arrumar. Quando isso acontece, ando pelas ruas meio Tarso Cadore, achando que a vizinhança está reparando na minha barba falhada ou em meus cabelos bagunçados.

Como sempre, sentei na lotação e fui em meu estado de coma induzido para o trabalho. Em breves momentos de lucidez, observava uma moça balzaquiana, gordinha, cabelo comprido e escuro, com um sorriso no rosto em minha direção. Mesmo com tanto sono e tão irritado, era gostoso imaginar que ela queria meu corpo para playground, talvez para tirar a virgindade de quase 20 anos sem sexo pela qual ela passava.

Chego ao ponto final e passo pela fulana. Ela me estende um papel. Eu, com meus fones de ouvido, acho que está pedindo indicação de lugar e falo que não conheço muito por ali. Odeio dar indicações. tenho cara de GPS? Ela diz: “guarda e me liga”. Eu olho e penso: ‘Ufa, pelo menos, num dia cinzento e chato como hoje, uma mulher feia quer dar pra mim’.

Mas não, meus amigos. Era simplesmente a maior ofensa que eu já recebi na minha vida! Eu leio o papel e está escrito: Diva – 2961-65XX – PQ. São Lucas Cabelos. A filha da puta dessa pretensiosa dessa cabeleireira de lotação balzaquiana gorda do caralho tava rindo porque estava achando meu cabelo mal cortado e quis resolver meu problema.

Eu sou de paz. Sou um cara humilde.Eu não me ofenderia se ela me achasse com cara de drogado e me entregasse um cartão de “vá à Igreja” de Testemunhas de Jeová. Ou ainda, se me indicasse algum serviço de clínica psiquiatrica gratuita. Ela poderia ainda me dar um folheto de: “Acabe com a sua calvície já”. Mas não, ela, uma especialista em aparar cabelo de careca, de senhora que faz channel, que pode até saber fazer corte juruna, resolveu “salvar” o meu dia e me indicar um corte de cabelo. Eu mereço?

Por isso que eu te digo, minha cara senhora Diva, vá aparar cabelos de axilas no inferno. Volte para a caverna que te cuspiu. Não, eu não quero receber SPAM na lotação. Meu cabelo e eu estamos em paz, ou pelo menos, em convivência pacífica. Volte para o mar, oferenda. Volte para o pão, carne-louca. Vá ser diva dos cabelos do Parque São Lucas e me deixe dormir em paz. Grato, Felipe.